Boom & Bang, a realidade

Quando ontem ouvimos na TSF as notícias sobre o envolvimento da Goldman Sachs no ilusionismo da dívida pública na Grécia e sobre a investigação da Secreta Espanhola a alguns especuladores e meios de comunicação especializados, começámos a cantar a banda sonora do Boom & Bang. De forma completamente espontânea. ;)

Para quem não percebe a relação ou para quem ainda anda a tentar compreender esta coisa da crise internacional, aconselho uma ida ao Labirintho ou agora em Fevereiro (23, 24 e 25), ou em Março (23, 24 e 25). Sempre às 22h00. Quando a realidade se torna demasiado “surreal”, o contributo do teatro torna-se fundamental para compreender ou, pelo menos, questionar o que nos rodeia.

E se estiverem atentos, saem de lá com uma bela melodia para trautear da próxima vez que se sentirem “atropelados” pela alta finança. Imaginem que o nosso mais alto responsável pela regulação dos mercados, que não se apercebeu do regabofe, era promovido a responsável pela regulação no espaço europeu… trauteiem comigo:

Boom, Bang!
Boom Bang Boom Boom Bang Boom
Boom, Bang!

De que nos vale um lamento ministerial?

Ana Jorge, a Ministra da Saúde, lamenta “pessoalmente” o acordo celebrado entre a ADSE e o Hospital (privado) da Luz, por se tratar duma “oportunidade perdida” para investir no sector público. Eu, pessoalmente, também lamento e lamento ainda mais que, aparentemente, neste caso, o meu lamento valha tanto como o duma Ministra, ou seja, menos que nada. Diz a Ministra que essa é uma decisão sobre a qual se deve interrogar o seu colega das Finanças. Não poderia ela, na qualidade de Ministra, pedir os tais esclarecimentos a Teixeira dos Santos e, eventualmente, marcar uma posição ligeiramente mais veemente na defesa do sector público? É que esse investimento de dinheiros públicos em serviços públicos significa, entre outras coisas, uma melhor gestão dos recursos do Estado, objectivo atribuído, em tese, a Teixeira dos Santos, pelo que, entre colegas ministros, a coisa deveria ser fácil de esclarecer.

Com coisas destas, obrigam um tipo a passar por ingénuo para não ser mal-educado.

A origem do dinheiro

O Guilherme chamou-me a atenção para este filme. Esclarecedor.

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Destaco as citações finais:

[...] o mundo está agora mais sofisticado e preparado para avançar para um governo mundial.
A soberania supranacional duma elite intelectual e de banqueiros mundiais é certamente preferível às auto-determinações Nacionalistas praticadas nos últimos séculos
David Rockfeller (1991)

Apenas os pequenos segredos precisam de ser protegidos.
Os grandes mantêm-se secretos pela incredulidade do público
Marshall McLuhan

Mais informação em moneyasdebt.net.

Enquanto o Simplex for um plano de propaganda e não um estado de espírito…

… vão subsistir as Tesourarias.

Alguém sabe para que servem? Alguém consegue produzir uma boa resposta para a sua sobrevivência numa era de tecnologias de informação, métodos alternativos de pagamento, centralização de dados?

Alguém é capaz de explicar, de forma não rocambolesca, porque é que numa repartição de Finanças onde se pede uma certidão, não se pode fazer o pagamento respectivo, tendo que ir a uma outra fila, com uma guia de pagamento na mão que, depois de carimbada, permite a entrega do documento na repartição original?

E não, não estou a falar de nenhum procedimento que se consiga fazer online. Esses resolvo-os em casa.

E sim, tive que pagar qualquer coisa como 4,32 euros. E como tinha apenas uma nota de 20 e fiquei com uma funcionária bastante irritada por ter que procurar trocos.

Isto não é nada Simplex.

Simplex seria determinar como procedimento orientador que, em todos os postos de trabalho onde sejam atendidos cidadãos, e no caso de algum dos procedimentos possíveis envolver pagamentos, o posto deve estar equipado com um terminal de pagamento ou deverá ser emitida uma referência para pagamento posterior, sem prejuízo da conclusão do procedimento. Por exemplo.

Pior do que isso só ter que preencher formulários da INCM em uso, em que o campo do código postal ainda é do tempo do código simples, com químicos que não funcionam, e campos obrigatórios, mesmo que sejam campos inalteráveis constantes dum registo que se pretende alterar no pormenor. Simplex, neste caso, seria determinar que em todos os pedidos de alteração de dados, os cidadãos ficariam apenas obrigados a fornecer a informação a alterar e confirmar a restante, se necessário.

Mas qualquer um destes exemplos era válido se o Simplex fosse um estado de espírito, uma mudança de atitude… e ainda não é, pois não?