20 anos do Guimarães Jazz

A marcar a 20ª edição do Guimarães Jazz – um festival consolidado no panorama cultural português e já com afirmação além-fronteiras, pela qualidade da programação, pela diversidade e quantidade de propostas que apresenta ao seu público, pelo crescimento sustentado e continuado e pela adaptação a novos desafios e às profundas mudanças que o contexto em que se realiza sofreu, a várias escalas – é merecida uma visão retrospectiva ampla não só do que aconteceu nas diversas edições, mas, principalmente, dos parâmetros, das condições, das opções e dos acasos que lhes deram origem e o sustentam no tempo.
A pensar nisso, o livro “Guimarães Jazz 20 anos” é com certeza uma das melhores formas de assinalar este momento e prestar uma justa homenagem ao Guimarães Jazz e a todos os que o tornaram possível nestes 20 anos. O Café Concerto do CCVF é o espaço reservado para o lançamento desta edição especial.

O Guimarães Jazz neste ano de 20º aniversário, acontece de 8 a 19 de Novembro e o programa merece, mais uma vez, toda a atenção. Foi com enorme prazer e algum receio, dada a enorme responsabilidade, que contribuí para o livro que assinala a efeméride e será uma honra assistir e participar do seu lançamento.

20 anos do Guimarães Jazz

2011 é ano de celebrações, sendo uma delas, os 20 anos do Guimarães Jazz. Tenho o privilégio de participar nas celebrações com um pequeno artigo retrospectivo, tendo tido a oportunidade de entrevistar alguns dos protagonistas destes 20 anos. Escrevo, a certa altura da introdução:

(…) Era bom que fosse frequente celebrarmos a 20ª edição destes acontecimentos: festivais de músicas várias, de teatro, dança ou artes performativas em geral. Iniciativas culturais descentralizadas, instituições ou espaços dedicados à promoção da arte e da cultura cujos projectos celebrassem esta singela marca das duas décadas seriam bons indicadores da saúde do nosso tecido cultural mas, mais do que isso, da nossa liberdade, da qualidade do nosso desenvolvimento e da maturidade da nossa democracia.
Infelizmente não é o caso: não só não é frequente celebrarmos 20 edições consecutivas e sustentadas de festivais ou 20 anos de programação consequente de instituições culturais, especialmente, se pensarmos em termos de descentralização cultural, como não chega sequer a ser assunto de debate aprofundado as razões que dificultam a sua realização ou continuidade.
E, enquanto a tão debatida questão da “cultura dos mega-eventos” consome demasiado espaço na opinião pública, não aparecem com a frequência necessária os exemplos que contrariam essa tendência.
Pensar, por isso, nas 20 edições do Guimarães Jazz e tentar fornecer uma visão retrospectiva ampla não só do que aconteceu nas diversas edições, mas, principalmente, dos parâmetros, das condições, das opções e dos acasos que lhe deram origem e o sustentam no tempo é um desafio de importância extrema.

jazz.pt | Guimarães Jazz 2008

Texto escrito por João Martins, a 01/12/2008, relativo à 1ª semana do Guimarães Jazz 2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes e em conjunto com a cobertura da 2ª semana, da responsabilidade de Gonçalo Falcão, foi publicado no nº 22 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Guimarães Jazz 2008

Considerações Gerais:
Um Festival de Dimensão Regional

O Festival de Jazz que Guimarães acolhe anualmente, apesar de não deixar de ser “de” Guimarães, atingiu já, de alguns anos a esta parte, uma dimensão regional que abrange, na atracção de público, não só todo o Norte do País— se falarmos de público “geral”, já que o pouco público especializado nacional está, à partida, conquistado— mas as regiões espanholas (cada vez) mais próximas. Essa dimensão, que resulta também do investimento e da prioridade definida pela cidade e pelo seu Centro Cultural, tem reflexos na programação dos concertos do festival, na organização geral, nas actividades paralelas, nas extensões que levam o Festival (e o seu público) a outros pontos da cidade— as sessões de cinema, as exposições, as Jam Sessions da primeira semana…
Considerar, portanto, o público para quem o festival é concebido e, obviamente, os efeitos “secundários” que dele se esperam na cidade, é de elementar justiça na apreciação das opções programáticas.
Em 2 fins-de-semana prolongados consecutivos, o festival propõe-se equilibrar diferentes visões do fenómeno jazzístico, procurando abrir mais portas do que aquelas que fecha (exercício sempre complicado), satisfazendo o apetite de vários públicos (dos mais generalistas aos mais especializados), assegurando uma componente formativa e (algum) espaço para músicos nacionais, num contexto global que envolva a cidade, em vez de a “colonizar”.
Só quem habita a cidade de Guimarães poderá aferir dos resultados destas apostas ao longo do tempo, mas quem, como eu, a visita regularmente, não pode deixar de reparar em sinais evidentes e, aparentemente, consolidados no tecido cultural/musical da cidade, atribuíveis, em grande parte, ao Festival e à atenção que ele faz incidir sobre a cidade.
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O grau zero da crítica

Até agora, a minha colaboração com a jazz.pt passava por assistir a concertos, pontualmente, e escrever sobre eles, num registo que se situa algures entre a crónica e a crítica. Não sou crítico nem de Jazz, nem de outros tipos de música, porque não sei e não quero saber fazer esse papel. Mas não quero, nem sei e nem poderia fazer o papel do repórter, trabalho que, além do mais, não interessaria a ninguém. Faço, por isso, um papel que tenho dificuldade em descrever, que é o papel do músico relativamente informado e disponível, tentando apresentar uma visão relativamente objectiva, ainda que parcial, sobre as propostas e suas concretizações, reduzindo ao mínimo o inevitável juízo subjectivo, que uso em jeito de tempero, cruzado com a percepção (também subjectiva) do que terá sido a reacção do público.
A maior parte das vezes, de resto, basta uma observação cuidada de como as propostas musicais se confrontam com as suas concretizações para conseguir construir um discurso que aspira a ser útil. Porque foi só por causa da “utilidade” que aceitei o convite para escrever. E este exercício, relativamente ingénuo, de retirar da equação os egos em confronto— o meu, o dos artistas em palco, o dos promotores, os dos públicos mais ou menos especializados— e procurar esclarecer alguns dos termos da proposta (os que são para mim compreensíveis) e a eficácia relativa da sua concretização, faz(-me) falta em grande parte do discurso que se produz sobre o Jazz em particular e sobre a(s) Música(s) e a Arte, em geral.

Chamemos-lhe o grau zero da crítica. O patamar a partir do qual se pode construir o discurso crítico e, sem o qual, o discurso crítico é vácuo.

Vem isto a propósito de estar a acabar (daqui a umas horas é o “meu” último concerto) a cobertura da primeira semana do Guimarães Jazz 2008 e de como seria fácil “disparar” críticas positivas ou negativas em (quase) todas as direcções, sem sair do meu “lugar”. E que difícil que é acompanhar as mudanças de perspectiva sobre o fenómeno “Jazz” que o programa do festival sugere. E que bom que é fazê-lo, sentindo que se estão a apresentar desafios importantes ao(s) público(s).

Não tenho a certeza de estar certo nesta minha forma de encarar o desafio que a revista me coloca. Mas tenho a certeza que não estou errado. Faz sentido?

jazz.pt #21 já nas bancas e Guimarães Jazz começa hoje

jazz.pt #21O número 21 da Jazz.pt já está nas bancas, com Carlos Barretto na capa, um especial Festivais, e a apresentação da edição de 2008 do Guimarães Jazz, que começa hoje.

Contribuo com a cobertura do Jazz no Parque 2008 e de Searching for Adam (de Rodrigo Amado) e da Luso-Skandinavian Orchestra na Casa da Música.

Parte fundamental da revista, de resto é dedicada à cobertura dos “festivais de verão”, com destaque para o Jazz em Agosto, na Gulbenkian.

Além disso, o Rui Eduardo Paes escreve uma pequena nota sobre a apresentação de Screen Play, de Christian Marclay, em Serralves, na qual participei em grupo com o Gustavo Costa e o Jonathan Saldanha.