Bebam água, pela vossa saúde

Não se trata duma acção publicitária, mas dum apelo sincero a que tenham cuidado convosco, misturado com um pedido de sugestões para conseguir ter mais cuidado comigo.

No passado dia 7 de Julho dei entrada nas Urgências do Hospital Infante D. Pedro, aqui em Aveiro, com uma cólica renal. Foi a segunda vez que tal coisa me aconteceu e a primeira experiência ajudou-me a ter mais calma na interpretação dos sintomas e a dirigir-me às Urgências no momento certo: já com a certeza do problema, mas ainda em condições de responder às perguntas que me eram feitas (da primeira vez foi um caos, pelo nível de dor em que estava quando dei entrada nas Urgências). Ir ao Hospital, e em condições de desconforto deste tipo (é difícil descrever o tipo de dor que uma cólica renal provoca), é uma experiência a evitar, em qualquer caso, mas pessoalmente fui sempre bem tratado (com eventuais esperas desnecessárias na triagem que em Aveiro me pareceu ser menos eficaz que no Porto, mas pode ter sido só uma sensação) e recebi todos os cuidados necessários, sendo que, no caso, ecografia para o diagnóstico, anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar os sintomas e paciência para esperar são os únicos cuidados possíveis. Seguindo as indicações dos médicos visitei a urgência uma segunda vez, acabando por passar lá a noite, em que os analgésicos disponíveis em casa não eram suficientes.

O episódio, que está felizmente ultrapassado é particularmente triste porque a responsabilidade é exclusivamente minha: a predisposição para a formação de cálculos renais, identificada há mais de 4 anos obrigava-me apenas a uma disciplina de ingestão elevada de líquidos (água) e à atenção a dois ou 3 indicadores simples das análises rotineiras. Essa disciplina, que cumpri enquanto a dor do primeiro episódio estava bem fresca na memória, foi sendo quebrada com o tempo e é, em grande parte responsável por esta “sequela”. Mas no Hospital de Aveiro estavam, no mesmo dia, vários outros casos de cólicas renais que, segundo a médica que me assistiu, são comuns nesta altura do ano, em que as mudanças de temperatura provocam alguma desidratação, sem que as pessoas se apercebam imediatamente.

Por isso mesmo, fica o apelo a todos: bebam água, pela vossa saúde. Com ou sem pedras nos rins, bebam água. Com ou sem sede, bebam água. Mais hidratado, o organismo funciona melhor e defende-se de todas as agressões, incluindo da temida Gripe A. 2 ou 3 litros diários, até mais, dependendo dos metabolismos pessoais, fazem maravilhas. É o que me dizem e é aquilo em que preciso de acreditar, já que tenho razões bem objectivas para beber água, mesmo que me custe imenso, quer porque é muito raro ter sede, quer porque, quanto mais água bebo, mais me apercebo das diferenças de sabor e vou ficando “enjoado” da água disponível.

Por isso, se forem capazes de seguir este apelo, digam-me a mim o que é que eu posso fazer para não me esquecer desta disciplina e para passar por cima destas dificuldades. Se tiverem hábitos saudáveis de ingestão de água, ou conhecerem gente que tenha, digam-me se há segredos para manter essas rotinas. Sugiram coisas, falem-me de coisas que me dêm sede… eu sei lá.

Momento Catita

Ontem à noite, na sala de espera das Urgência de Pediatria do Hospital Infante D. Pedro, de Aveiro, a enorme e inevitável televisão, sintonizada na RTP2, difundia Um Mundo Catita.

Olhei em volta: alguns adultos, cansados da espera, sorriam. Uma criança dormia ao colo da mãe e foi entretanto chamada. A única criança que chegou entretanto, com um pé aleijado numa queda, estava demasiado queixosa para se aperceber do insólito.

Eu, que tinha achado simpático poder ver as Notícias e o Câmara Clara, apesar de não me parecer a melhor forma de ocupar ou distrair crianças adoentadas, achei que, se a série está classificada com a bola vermelha no canto, aquele não era um sítio público onde fizesse sentido estar em exibição. Depois percebi que, provavelmente, mudar de canal consumiria demasiados recursos do hospital, além de ser relativamente ineficaz. E limitei-me a esperar.