Esta rua não é só um número

O meu próximo projecto intitula-se “Esta rua não é só um número” e está a ser criado para Espinho, no âmbito do Festival do Norte.

Podem ver mais detalhes no site do festival e acompanhar algum do trabalho de campo no blog. Em breve, hei-de escrever mais qualquer coisa acerca deste projecto e de outros, sobre os quais ainda não disse nada aqui no blog, como o audiowalk para Guimarães, “Atabicar o Caminho”.

Para já, estou muito entusiasmado com os resultados da oficina de “audiografias musicais” com a Banda de Música S. Tiago de Silvalde e gostava muito que ouvissem este exemplo:

Audiografias Musicais na Banda Musical S. Tiago de Silvalde

Improvisação dirigida por João Martins. Fotografia de Luis Barbosa / Festival do Norte.

Neste exercício de improvisação dirigida, participam:

[Clarinete] Carla Pinto (17 anos), Mariana Matos (9 anos), Miriam Pereira (8 anos), Leonardo Pereira (11 anos)
[Flauta Transversal] Mariana Silva (10 anos), Anabela Costa (17 anos)
[Trombone] Paulo Teixeira (10 anos)
[Trompete] Mafalda Ferreira (11 anos), Diogo Aleixo (11 anos)
[Saxofone] Patrícia Carvalho (13 anos), Mariana Teixeira (14 anos), Carlos Pereira (15 anos)
[Violino] Gonçalo Fortuna (10 anos)
[Percussão] Flávio Oliveira(10 anos), Marco Aleixo, (14 anos)

[Serralves] Improvisação em Portugal – Panorâmica, com Rui Eduardo Paes

É já neste mês que Rui Eduardo Paes apresenta, na Fundação de Serralves, uma visão panorâmica da Improvisação em Portugal. Uma oportunidade rara para reflectir, em profundidade e com um dos mais importantes especialistas da nossa praça, sobre este fenómeno. Um pequeno “curso”, de 18 horas, que se apresenta, justamente como “a primeira iniciativa da historiação em Portugal da música improvisada”. Uma oportunidade a não perder, que aconselho vivamente a todos— músicos ou não.

IMPROVISAÇÃO EM PORTUGAL – PANORÂMICA, COM RUI EDUARDO PAES
12 A 15 MAI (QUI-DOM) | FUNDAÇÃO DE SERRALVES

Retrato das práticas da improvisação na música portuguesa através dos seus protagonistas, durante os últimos 40 anos. Numa altura em que a imprensa especializada internacional reconhece o dinamismo e o especial interesse desta particular cena da música improvisada (Wire, Paris Transatlantic, All About Jazz, Signal to Noise), a primeira iniciativa da sua historiação em Portugal.

Concepção e Orientação: Rui Eduardo Paes
Horário: 19h00-21h00 (QUI e SEX) e 10h00-13h00/15h00-18h00 (SÁB e DOM)

MLE com Rafael Toral no Balleteatro Auditório

Sábado, 3 de Outubro. 22h00

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral

Local balleteatro auditório

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs), bem como diversos participantes ocasionais.
A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e compositor que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

+ info www.soopa.org

Fotografias em Músicas @ Festa do Mundo

Cartaz da Festa do Mundo, Festival pela Interculturalidade, Ermesinde

Celebra-se este fim-de-semana, a Festa do Mundo, Festival pela Interculturalidade, no Parque Urbano de Ermesinde.

A convite do Pedro Almeida, participarei na sessão de Fotografias em Músicas, amanhã, dia 18 de Julho, a partir das 22h45. As Fotografias em Músicas são sessões de improvisação onde a música e a fotografia se complementam e dialogam. Seremos

  • João Martins sax – that’s me!
  • Horácio Marques guitarra
  • Álvaro Almeida trompete
  • João Soares contrabaixo
  • Pedro Almeida bateria electrónica+laptop
  • kitato fotografias

Parque Urbano Dr. Fernando Melo, junto ao Fórum Cultural de Ermesinde (perto da Estação da CP), dia 18 de Julho, às 22h45. Ao ar livre, com espaço para todos e entrada livre. Apareçam!

PS: Será a primeira vez que toco na terra natal da Cláudia. ;)

“Screen Play”, de Christian Marclay

um anúncio com a antecedência certa (nem demais, nem de menos), para não dar desculpas a ninguém:
26 Set 2008 – das 22:00 às 24:00 – AUDITÓRIO do Museu de SERRALVES

Screen Play (2005) foi estreado na bienal Performa em Nova Iorque, e é inspirado pela tradição da partitura gráfica, expandindo-a para incluir imagens em movimento e elementos gráficos digitais muito simples que funcionam como sinais sugestivos de emoções, energia, ritmo, tom, volume e duração.
Três grupos musicais diferentes são convidados a fazerem, um de cada vez e em sequência, a interpretação e improvisação ao vivo baseado no filme ‘partitura’ projectado, permitindo ao público testemunhar o processo musical implicado em cada uma das três bandas sonoras criadas.

Christian Marclay é um artista plástico, performer e músico sediado em Nova Iorque. Desde 1979, Marclay tem experimentado com técnicas de ‘sampling’ quer sonoras quer visuais, explorando as justaposições entre estas duas dimensões da percepção e da expressão. O seu trabalho tem sido mostrado internacionalmente incluindo a participação na Bienal de Veneza e uma exposição a solo na Tate Modern de Londres.

Grupo do Porto:

  • João Martins – saxofones e instrumentos electro-acústicos caseiros
  • Gustavo Costa – percussão e electrónica
  • Jonathan Saldanha – electrónica

Grupo de Lisboa:

  • Nuno Rebelo – guitarra
  • Marco Franco – bateria
  • João Paulo Feliciano – órgão
  • Rafael Toral – sintetizador modular e electrónica

Grupo de Londres:

  • Steve Beresford – electrónica
  • Mark Sanders – percussão
  • Alan Tomlinson - trombones alto e tenor

The Art of the Improvisers

Na minha prática como improvisador e/ou músico criativo faço tudo para não me deixar apanhar em armadilhas de racionalização, idealização, modelação ou qualquer tipo de teorização que comprometa uma relação instintiva e primária com o material sonoro e com os instrumentos. Não se deve confundir isso com uma recusa de reflexão ou com uma prática alienada, fútil, auto-complacente ou indulgente, mas se encontrei na prática da improvisação a metodologia criativa mais satisfatória, isso prende-se precisamente com o tipo de relação mais directa que, nessa prática, se estabelece com o instrumento e o material sonoro. E confundem-me (assustam-me, até) alguns músicos criativos e/ou improvisadores que parecem perder demasiado tempo a reflectir sobre a prática e a discutir e delinear estratégias.

Ainda assim, o livro seminal de Derek Bailey, “Improvisation: Its Nature and Practice in Music” foi para mim, a par de “Arcana: Musicians on Music“, um conjunto de ensaios reunidos e organizados por John Zorn, um guia importante na compreensão do que é ou não comum às diversas práticas improvisacionais, à transversalidade da Improvisação como metodologia criativa, no que diz respeito às culturas, aos géneros musicais e à evolução histórica, à sua diversidade e globalidade (que, felizmente, podem coexistir) e, por exemplo, às práticas pedagógicas associadas.

O livro de Derek Bailey, mais do que o de Zorn, que é bastante mais especializado, poderia, na minha opinião, ser mesmo integrado em diversas práticas curriculares, adaptado a diversas idades, fomentando o espírito criativo e servindo os objectivos reais da “educação da pessoa humana”. Mas nem uma tradução para português temos… :(

Mas, entre o livro, cuja leitura recomendo a todos, independentemente de idades, profissões, formações e convicções e a visualização da série de 4 mini-filmes que Derek Bailey realizou para a BBC, On The Edge (estão disponíveis na UBUWEB o 1º e 3º), creio que, quem se interessar por estas matérias, poderá ter óptimo material de base para compreender, usar e divulgar o papel da Improvisação como metodologia criativa transversal.

Eu, no que à importância deste conceito diz respeito, sou um convicto e disponível “evangelizador”. O difícil é encontrar os contextos nos quais esta promoção é verdadeiramente eficaz. E isto remete para um outro problema, que ficará para outro artigo: a fundamental distinção que existe entre o Ensino das Artes e o Ensino pelas Artes.

Nota 1: o título deste post refere-se ao álbum de Ornette Coleman

Nota 2: o projecto UBUWEB é qualquer coisa de fantástico

Nota 3: no terceiro filme da série On The Edge, disponível na UBUWEB, pode-se ter acesso a uma das mais completas e eficazes explicações do que é o Cobra, de John Zorn, sobre o qual tanta gente tem dúvidas, para as quais nem eu, que participei numa sessão, tenho boas respostas