jazz.pt | Jamie Baum Septet @ BragaJazz 2010

Jamie Baum Septet @ BragaJazz 2010
Theatro Circo, 13/03/2010

O concerto do septeto liderado pela flautista nova-iorquina Jamie Baum encerrou o BragaJazz num já esperado encontro inteligente e articulado entre o jazz e a música erudita, buscando nesta última algumas referências tímbricas, pouco vocabulário e muitos conceitos estruturais. O septeto, pela própria configuração instrumental (as 2 flautas de Jamie Baum, o trompete de Ralph Alessi, o sax alto e o clarinete baixo de Doug Yates, a trompa de Vincent Chancey, o piano de George Colligan, a bateria de Jeff Hirshfield e o contrabaixo de Johannes Weidenmueller), tem a capacidade de soar como uma pequena orquestra de sopros e as composições de Baum exploram precisamente os territórios onde a música erudita e o jazz se encontram naturalmente, procurando referências em compositores como Charles Ives— a quem é dedicada uma suite no mais recente trabalho discográfico, da qual se ouviu um andamento no concerto em Braga—, mas assegurando uma performance jazzística de grande nível pela escolha dos músicos que a acompanham e pelos espaços e estruturas para os solos. É curioso ouvir um grupo tão pequeno e recordar as orquestras dirigidas por Hollenbeck, por exemplo, mas, de facto, existem paralelos na escrita que são incontornáveis e apresentam o septeto de Jamie Baum como um agrupamento poderoso e flexível na exploração duma linguagem a que se pode chamar “cosmopolita”, no território do jazz.
Apesar da qualidade da proposta e dos intérpretes, o Theatro Circo manteve-se morno, com o público a denotar, eventualmente, uma certa impaciência face à duração dos temas ou à cadência menos rápida e/ou pouco swingada de grande parte do concerto. Mas os momentos de altíssimo nível protagonizados, a título de exemplo, por Doug Yates, quer no sax, quer no clarinete baixo, com algum destaque num dos temas mais frenéticos da noite, fizeram a sala aquecer ligeiramente.
O concerto estendeu-se por uma apresentação de composições de Jamie Baum, nomeadamente algumas das registadas em “Solace” (Sunnyside Records), tendo como principais solistas, além da líder do septeto, particularmente interessante na flauta alto e do já referido Doug Yates, o trompetista Ralph Alessi, com uma abordagem e vocabulário marcadamente mais jazzístico e o pianista George Colligan, mais próximo dum certo cosmopolitismo académico presente na raiz das composições.

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt, integrado no report global do Braga Jazz. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.