Spy Quintet em digressão

Viseu, Guarda e Portalegre recebem, em Fevereiro, a edição 2.0 do projecto Spy Quintet, do Space Ensemble.

Estamos em Viseu no dia 18, às 22h00.
Na Guarda, no dia 19, também às 22h00.
E no Portalegre JazzFest, no dia 28, às 23h30.

3 oportunidades bem descentralizadas de conhecer esta nova versão do projecto, que assume frontalmente referências a John Zorn e a Ornette Coleman, mas que tem (cada vez mais) uma identidade própria.

John Zorn / Fred Frith

Cartaz do Jazz em Agosto 2008O Jazz em Agosto tem destas coisas: por mais complicado que seja libertar um dia para ir a Lisboa, há sempre pelo menos uma proposta que é criminoso perder. Normalmente até é (muito) mais do que uma, mas tem que se fazer opções. O ano passado fui ver o Ornette Coleman. Este ano, vou ver o John Zorn com o Fred Frith.

O ano passado fui com a Cláudia e, aparentemente, fizemos uma filha à conta da experiência. Este ano vou com o Zé Miguel Pinto. Pode ser que façamos um disco. ;)

The Art of the Improvisers

Na minha prática como improvisador e/ou músico criativo faço tudo para não me deixar apanhar em armadilhas de racionalização, idealização, modelação ou qualquer tipo de teorização que comprometa uma relação instintiva e primária com o material sonoro e com os instrumentos. Não se deve confundir isso com uma recusa de reflexão ou com uma prática alienada, fútil, auto-complacente ou indulgente, mas se encontrei na prática da improvisação a metodologia criativa mais satisfatória, isso prende-se precisamente com o tipo de relação mais directa que, nessa prática, se estabelece com o instrumento e o material sonoro. E confundem-me (assustam-me, até) alguns músicos criativos e/ou improvisadores que parecem perder demasiado tempo a reflectir sobre a prática e a discutir e delinear estratégias.

Ainda assim, o livro seminal de Derek Bailey, “Improvisation: Its Nature and Practice in Music” foi para mim, a par de “Arcana: Musicians on Music“, um conjunto de ensaios reunidos e organizados por John Zorn, um guia importante na compreensão do que é ou não comum às diversas práticas improvisacionais, à transversalidade da Improvisação como metodologia criativa, no que diz respeito às culturas, aos géneros musicais e à evolução histórica, à sua diversidade e globalidade (que, felizmente, podem coexistir) e, por exemplo, às práticas pedagógicas associadas.

O livro de Derek Bailey, mais do que o de Zorn, que é bastante mais especializado, poderia, na minha opinião, ser mesmo integrado em diversas práticas curriculares, adaptado a diversas idades, fomentando o espírito criativo e servindo os objectivos reais da “educação da pessoa humana”. Mas nem uma tradução para português temos… :(

Mas, entre o livro, cuja leitura recomendo a todos, independentemente de idades, profissões, formações e convicções e a visualização da série de 4 mini-filmes que Derek Bailey realizou para a BBC, On The Edge (estão disponíveis na UBUWEB o 1º e 3º), creio que, quem se interessar por estas matérias, poderá ter óptimo material de base para compreender, usar e divulgar o papel da Improvisação como metodologia criativa transversal.

Eu, no que à importância deste conceito diz respeito, sou um convicto e disponível “evangelizador”. O difícil é encontrar os contextos nos quais esta promoção é verdadeiramente eficaz. E isto remete para um outro problema, que ficará para outro artigo: a fundamental distinção que existe entre o Ensino das Artes e o Ensino pelas Artes.

Nota 1: o título deste post refere-se ao álbum de Ornette Coleman

Nota 2: o projecto UBUWEB é qualquer coisa de fantástico

Nota 3: no terceiro filme da série On The Edge, disponível na UBUWEB, pode-se ter acesso a uma das mais completas e eficazes explicações do que é o Cobra, de John Zorn, sobre o qual tanta gente tem dúvidas, para as quais nem eu, que participei numa sessão, tenho boas respostas