A importância da humildade

Relativamente ao título calamitoso do Público, de que falei aqui, os dados actualizados/corrigidos já estão disponíveis noutra notícia no Público online, onde se dá conta da disponibilidade do Governo Regional para assumir falhas de comunicação que terão levado algumas entidades a falar de 250 desaparecidos, em vez de 250 desalojados.
Estranhamente (ou não?), o Público não se assume como uma dessas (poucas) entidades confundidas. Uma nota, ainda que breve, a reconhecer a falha (como fez o Governo Regional), não fazia mal a ninguém.

A importância da informação

Em momentos como o que agora vivemos, face à tragédia que se abateu sobre a Madeira, torna-se ainda mais evidente a importância vital da informação e o papel fulcral dos órgãos de comunicação social no funcionamento da sociedade sob pressão. Por isso se exige, em tempos difíceis como estes, um comportamento exemplar dos media, que passa pela capacidade de fornecer informação rigorosa e atempada.

Por isso mesmo, e a propósito desta notícia do Público, que refere 250 desaparecidos na Madeira sem citar nenhuma fonte, partilho e angustio-me com esta dúvida da Shyznogud, no Jugular, com quem aliás, troquei algumas mensagens via Twitter, para percebermos se mais algum órgão de comunicação social usava estes números de forma mais esclarecedora ou se alguém do Público vinha esclarecer as fontes. Aparentemente, estas coisas não são muito preocupantes, mesmo que estejamos perante um título que “ameaça” tornar a tragédia Madeirense num drama humano muitíssimo maior do que os números oficiais apontam. É que, entre os 4 desaparecidos de acordo com as fontes oficiais e os 250 no título do Público há um mundo de diferença que, além de vender mais jornais, fará verter mais lágrimas e aumentar a ansiedade de todos aqueles que aguardam boas notícias vindas da ilha. Nem que fosse só por isso, além de garantir que correspondem a uma verdade objectiva, um jornal de respeito deveria indicar possíveis fontes de verificação. Ou não.

Pornografia, ou a arte de ser explícito

Uma visita rápida ao site do Correio da Manhã, para completar o post anterior, mostrou-me o que tenho andado a perder no que diz respeito ao carácter explícito do tipo de informação que por ali se pratica:


Correio da Manhã noticia possibilidade de pais bloquearem sexo na net

Para quem for notícia o facto de se poder bloquear ou controlar informaticamente o acesso a conteúdos online de carácter explícito, talvez interesse perceber qual a utilidade de o fazer. Nada melhor, portanto, do que pôr dois bons exemplos na mesma página (a de entrada no site do jornal): a notícia de um crime sexual numa cavalariça da GNR e um anúncio a uma sex shop de nome irrepetível, ilustrado com imagens “picantes”.  Isto sim, é informação útil para todos os pais e encarregados de educação preocupados com os hábitos de navegação das suas crianças!
Não é claro se os filtros que fazem a notícia do Correio da Manhã bloqueariam ou não a página do próprio jornal, mas parece-me óbvio que a sex shop está a fazer um grande negócio, anunciando a um preço normal (presumo), numa página que responde a pesquisas tão apetecíveis como “sexo na net”+”soldado da Guarda Nacional Republicana”+cavalariças… e isto é só um exemplo, sem entrar em detalhe nos resumos das notícias.

Ou será que o Correio da Manhã online está “tão à frente” que os anúncios são colocados por relevância contextual? ;)

O Correio da Manhã explica

Para quem tenha ficado com dúvidas acerca da atitude de distanciamento da UNESCO relativamente à eleição das 7 Novas Maravilhas mesmo depois de ver a lista de nomeados, finalistas e “vencedores”, o Correio da Manhã resolve tudo na sua 3ª página de hoje. Excluindo as fotografias, republico aqui (sem autorização), o texto que esta publicação de referência dedica às novas 7 maravilhas. Mais explícito é difícil:

9639 EUROS PARA VER TODAS AS ‘MARAVILHAS’

O preço total para visitar todas as ‘Novas Sete Maravilhas do Mundo’ pode ascender aos 9639 euros, mas tudo dependerá do tipo de viagem, da época escolhida e do número de pessoas. Uma viagem com tudo incluído e com excursões pagas à parte pode ficar mais barata do que um circuito, no qual se têm de pagar todas as refeições e bebidas. Viajar sozinho também é, normalmente, mais caro porque as agências de viagens e hotéis obrigam ao pagamento de um suplemento especial. As deslocações em época alta, isto é, em Julho e Agosto, também são, em regra, mais caras do que no resto ano.

(Todos os preços são em quarto duplo e não incluem taxas ou suplementos cobrados pelas agências de viagens ou companhias aéreas.)

ITÁLIA/ROMA
2 noites
Hotel Park Amaranto (três estrelas)
Regime de alojamento e pequeno-almoço
264 euros

BRASIL/R. JANEIRO
Cristo Redentor
Miramar Palace Hotel (4 estrelas) em regime de alojamento e pequeno-almoço
1313 euros

JORDÂNIA
Circuito incluindo Petra
7 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis turística
1260 euros

PERU
Circuito incluindo Machu Pichu
10 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis turística superior
2271 euros

ÍNDIA
Circuito incluindo Taj Mahal
9 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
hotéis de categoria B
1292 euros

MÉXICO/RIVIERA MAIA
Excursão a Chichén Itzá paga à parte no local
7 noites em regime de tudo incluído
Hotel Riu Lupita (cinco estrelas)
1169 euros

CHINA
Circuito incluindo Grande Muralha
9 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis de 1.ª categoria
2070 euros

Obrigado, Correio da Manhã.