Férias marcadas

Na próxima segunda-feira, dia 20, parto de férias em família. Férias bem merecidas e necessárias num sítio que não nos podia ter recebido melhor: “precisamos de vos avisar que, uma vez que só temos energia por recurso a painéis solares, há algumas restrições na utilização de aparelhos eléctricos”.

Para gente como nós, isto sim, são férias.

Depois, poderei partilhar convosco o destino e algumas impressões pertinentes. Mas também pode acontecer que o sítio seja um daqueles bom demais para partilhar. Se assim for, azar. Quem precisar mesmo, mesmo muito e me conheça suficientemente bem, sabe sempre o que tem a fazer para aceder a esta informação.

Mesmo no fim destas férias, no dia 25, encontro-me com o Henrique, o Gustavo e o Luís em Lisboa, para um concerto de Lost Gorbachevs na ZDB, em Lisboa. Para voltar ao mundo real com um “estrondo”. ;) E volto ao Porto para as comemorações do Dia Mundial da Música (1) (2) que, este ano, envolvem a Casa da Música e esse mega centro de produção musical portuense que é o Centro Comercial Stop.

Mas sobre isso e outros projectos próximos, ainda vou dizer mais qualquer coisa.

Serralves em Festa 2010

O Serralves em Festa é já este fim de semana. São 40 horas non-stop de actividade cultural num evento que não tem paralelo, pelo menos no norte do país. Este ano, lá estarei, a participar e a assistir e não posso deixar de aconselhar esta experiência. Quem lá esteve em anos anteriores sabe que é qualquer coisa de muito especial. Quem nunca experimentou, tem mesmo que experimentar. Pelos eventos, mas também pela atmosfera de festa verdadeira à volta da criação e da fruição artística, coisa rara em Portugal.

Nas centenas de actividades programadas em todas as áreas e formatos imagináveis, há, de certeza, alguma coisa que vos interessa. Consultem o programa no site.

E porque não custa nada puxar a brasa à minha sardinha, recordo:

E chamo a atenção para o facto de, na Casa de Serralves, se poder assistir à apresentação de dois trios especiais: Martin Brandlmayr, Steve Heather e Gustavo Costa (sábado às 15h00) e B. Fleischmann, João Pais Filipe e Jorge Queijo (domingo, às 16h30).

Tour “Organiza a tua Raiva!” começou hoje

Cartaz da Tour Organiza a tua Raiva

Organiza a tua Raiva! Tour – Okupa! Resiste! Cria!

Concertos 17, 18, 19 e 20 de Setembro 2009
Casa Viva, Killakancra, Club Aljustrense, C.S. Mouraria
Squat Meet * CALL-OUT DAYS OF ACTION 2009

Estamos, Lost Gorbachevs, a tocar em formato “quarteto”, com a colaboração da poderosa voz do Luís Gonçalves (Genocide). O concerto de hoje, na Casa Viva, foi uma boa amostra do tipo de força explosiva que estamos a tentar libertar, controlar e “organizar” e a tour, com a companhia de Trashbaile e Siervos de Nadie, será uma boa oportunidade de ganhar “rodagem” e perceber qual a melhor estratégia para registar este novo projecto, já bem distante de From neoliberalism to totalitarian capitalism.
Fiquei também a ponderar se, pela primeira vez, não será boa ideia andar com tampões para pôr nos ouvidos, durante a tour. ;)

Para os curiosos e/ou corajosos de Setúbal, Aljustrel e Lisboa, fica feito o desafio.

Datas dos Concertos

  • 17 Set 2009 18:00 Casa Viva Porto, Portugal
  • 18 Set 2009 22:00 Killakancra Setúbal, Portugal
  • 19 Set 2009 22:00 Club Aljustrense Aljustrel, Portugal
  • 20 Set 2009 18:00 C.S. Mouraria Lisboa, Portugal

Texto de divulgação do blog da Rede Libertária:

Se há bandas como nós, é porque há espaços como este, onde a arte pode fluir livremente, sem preocupações de rentabilização. [...]

Se há espírito crítico no mundo, é porque há espaços como este, com as pessoas que os animam e frequentam a não quererem ser meros espectadores passivos da exploração da grande maioria dos seres humanos e da destruição de todo o planeta.

Se há esperança de que tudo ainda é possível, é porque há espaços como este em que a lógica dominante se subverte, o objectivo do lucro desaparece, a autoridade se suicida, a propriedade se torna pública e a competição é substituída pela camaradagem e a cooperação.

E se há coisa de que os poderosos têm medo é de espaços como este, onde germinam e se reproduzem sementes de revolta e liberdade, treinos práticos dum mundo já transformado.

É por tudo isto que, respondendo ao apelo para um Squat Meet 09, não podemos deixar de demonstrar todo o nosso carinho, respeito e apoio a todos os squats e espaços autónomos.

Lost Gorbachevs @ Caos Emergente (cancelado)

CANCELADO: O Caos emergiu, de facto, e o concerto de Lost Gorbachevs foi cancelado à última da hora, por razões alheias ao grupo.

Caos Emergente: Cartaz

Os Lost Gorbachevs, trio de “jazz anarco-satânico” (uma das designações possíveis e mais curiosas para aquilo que fazemos), em que asseguro a aspereza dos saxofones, voltou a sessões de extenuantes ensaios para estar no pico de forma quando subir a um dos palcos do Caos Emergente, a dada altura da madrugada do próximo dia 14.

Só para aficcionados. ;)

Do processo de ensaios consolidaram-se e/ou nasceram novos temas em quantidade suficiente para começarmos a pensar num novo álbum, sucessor de “From Neoliberalism to Totalitarian Capitalism“.

Música para casamentos?

Já há bastante tempo que fiz as pazes com a ideia de que a música que crio (uma parte muito significativa, pelo menos) tem os seus espaços e momentos naturais e que há imensas ocasiões e contextos em que a sua utilização é descabida. Claro que a diversidade de projectos em que me fui envolvendo e a relativa longevidade da “carreira”, se considerarmos os agrupamentos em que participei ainda como estudante do Conservatório (Orquestra Ligeira, Big Band, Grupo de Saxofones, etc), me permite guardar como memórias situações de todo o tipo, desde participações em programa de televisão a concertos em eventos Gastronómicos, Feiras Medievais, Festivais de Rock e Música Ligeira e recitais em salas de concerto conceituadas nas mais diversas áreas e numa mão cheia de países europeus.

Com o tempo, acrescentei a essa “escola” alguns grandes eventos, como o Festival Paredes de Coura (Jazz na Relva em 2005 e 2007) e o circuito convencional de alguns Teatros Municipais e salas como a Casa da Música, com o Space Ensemble, por exemplo, mas também conheci a sensação de tocar em clubes e lojas de jazz e no circuito “squatter” europeu, com Lost Gorbachevs, e, com a Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa, o leque de situações e contextos alargou-se quase ao limiar do possível: coretos, procissões populares, salas de Museu…

Ainda assim, há situações que não me imagino a musicar fora do contexto das bandas sonoras que vou fazendo. Funerais, baptizados e casamentos são os contextos típicos com que se brinca, entre músicos, por causa da sua especificidade. E são, tipicamente, os contextos em que a intervenção de músicos como eu não é “natural”. É verdade que, há uns anos, tive a experiência de tocar num casamento, mas o casal era um par de Ohmaloners, como eu, e fez-se um jogo de improvisação com todos os músicos presentes, incluindo noivos, numa atitude que era “natural” para nós e para os nossos amigos e que, felizmente, não melindrou demasiado as famílias presentes.

O que, claramente não esperava, mas me dá uma boa dose de satisfação, é que uma experiência conceptual como a música para o Dia do Pi se pudesse adaptar à situação dum casamento de pessoas que nem sequer conheço. Desejo aos noivos toda a felicidade possível e muito me agrada saber que os convidados não se queixaram. ;)

Esta experiência recente faz-me pensar até que ponto é que os lugares-comuns que aceitamos no que diz respeito às linguagens musicais “adequadas” para eventos “formalizados” não passam de simples treta.

A este ritmo, arrisco-me a deixar de encontrar algum contexto ou situação para a qual não tenha feito já alguma intervenção musical. E, ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, isso deixa-me muitíssimo satisfeito.

Neste Natal, de presente, eu quero que seja…

Prendas de Natal? Discos de Música ExperimentalSe tiver mesmo que comprar prendas e quiser oferecer alguma coisa rara, que (quase) ninguém tem ou oferece e que não o compromete em nada com a lógica consumista natalícia, aceite este conselho singelo:

compre música portuguesa experimental!

Há para vários gostos e bolsas, em vários locais e formatos. Em comum, têm o facto de serem edições desconhecidas, raras e quase sempre supreendentes.

Pode ir à Feira Laica e ver o que lá há. Pode comprar discos da Soopa, em particular o Abraço Vivo, da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa.

Pode ir ao site da Let’s Go To War e pedir algumas ou todas as peças do fantástico catálogo: Red Albinos, Klank Ensemble, Lost Gorbachevs… só projectos de qualidade.

Pode mesmo ir à iTunes Music Store, se gostar de lojas mais “cool”, e comprar os discos de Ohmalone.

E o melhor é que pode ouvir (quase) tudo antes de escolher, aqui. Se gostar, oferece aos amigos, se não gostar… já sabem como é que isto acaba, não é?

Mas a sério: há lá coisa mais natalícia do que oferecer algo inesperado como um disco estranho de um projecto desconhecido? E ainda por cima é dentro do espírito “o que é nacional é bom” ou “cá se fazem, cá se compram”.

Não?…

Uma moedinha para o artista… acham que resulta melhor?

ST CULTERRA : F.R.I.C.S. & Lost Gorbachevs @ S. Tirso

O ST CULTERRA, Festival Multicultural de S. Tirso decorre de 31 de Agosto a 2 de Setembro, no Parque Urbano da Rabada, Burgães. É de entrada gratuita, tem uma programação diversificada e o sítio, segundo me disseram é muito agradável. Nos dias 1 e 2 de Setembro, parte da programação musical fica a cargo de projectos do “tirsense” Henrique Fernandes: F.R.I.C.S. no dia 1 e Lost Gorbachevs, no dia 2.

Quase que se poderia dizer que é um fim de semana dedicado aos nossos fãs. ;)

ST CULTERRA: Festival Multicultural de S. Tirso

A mística de Paredes de Coura

Amanhã, como já anunciei aqui, vou estar, na qualidade de membro fundador, saxofonista de serviço e fã incondicional da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa (F.R.I.C.S., para os amigos) no Palco Ruby do Festival de Paredes de Coura.

Mas, mais do que estar preocupado com a divulgação, estava aqui a pensar na minha “relação pessoal” com o festival de Coura.
Não me preocupa a divulgação porque não serão muitas as pessoas disponíveis para ir propositadamente a Paredes de Coura para o concerto de F.R.I.C.S. e o “fenómeno” da “fanfarra psicadélica” tem uma visibilidade crescente assegurada nos meios relevantes (apesar de marginais), suficiente para justificar o convite dos programadores de Coura…

Em 1999 ou 2000 (não tenho a certeza), os Ohmalone foram convidados para a programação dum espaço que, na altura, creio que ainda não se chamava “Jazz na Relva”. Democraticamente, votámos pela não aceitação do convite, com base na descrição feita pelos escassos frequentadores de festivais de verão que conhecíamos: “nesses concertos à tarde ninguém está mesmo a ouvir nada e há grupos de gajos a tocar djembés espalhados pelo recinto”.
A maioria dos “Ohmaloners” reagia (e continua a reagir, espero) com violentos arrepios de indignação e nojo à ideia de “grupos de gajos a tocar djembés” e essa foi a principal razão para declinarmos o amável convite. A reacção está ligada ao profundo respeito que temos pelo djembé enquanto instrumento e pelos bons percussionistas que conhecemos, pelo que não podemos deixar de nos indignar com esse espectáculo triste que é assistir a um grupo de gajos, certamente simpáticos e bem intencionados, mas igualmente destituídos de sentido musical e geralmente alienados do ambiente que os rodeia, a martelar de forma tão violenta como desinteressante os pobres djembés, comprados em feiras de artesanato, no Avante ou em festivais de verão. O curioso é que, se estas mesmas pessoas escolhessem gaitas de foles ou pífaros irlandeses como instrumento a violentar, seriam provavelmente agredidos violentamente, em legítima defesa, pelas multidões em volta. Sendo djembés, a “malta” acha “giro”… ??
Será uma generalização abusiva, mas, para efeitos de caricatura, percebe-se. E, digam lá quantas vezes viram grupos destes que escapem à minha descrição?

Depois dessa primeira possibilidade abortada, surgiu uma nova oportunidade em 2005, numa altura em que o “Jazz na Relva” já era um espaço afirmado e por onde tinham passado grandes nomes (Carlos Bica, por exemplo). Sendo Ohmalone um projecto semi-extinto e chegando o convite através do Space Ensemble, a operacionalização acabou por estar a cargo do Cheesecake Trio (do Jorge Queijo), de Gheegush (o nosso trio que viria a adoptar a designação Lost Gorbachevs) e da junção dos dois, numa apresentação de Space Ensemble.
Esse convite não só representou a minha primeira presença num festival de verão (como músico ou público), como justificou a criação do projecto Lost Gorbachevs que é, a par da Fanfarra, o principal projecto musical em que estou envolvido neste momento.

Nessa altura fiquei a saber que uma parte significativa dos receios relativos ao ambiente dos festivais não se justificam. Claro que o nível de atenção do público não é o mesmo que num concerto isolado ou num recinto fechado, mas, sabendo-se isso, é interessante trabalhar as próprias motivações do público e procurar estratégias adequadas. A receita de Lost Gorbachevs— temas curtos, referências mistas de Jazz/Free Jazz e Rock/Punk Rock— foi feita a pensar precisamente nesse constrangimento e o nosso sucesso, lá e, posteriormente, em vários palcos, contextos e países, obriga-nos a estar agradecidos ao Jazz na Relva.

Tanto é assim que, desde o início da consolidação do projecto da Fanfarra que falávamos, entre nós, sobre uma hipotética presença em Paredes de Coura como um objectivo lógico e um ambiente que nos interessava explorar. A receita da Fanfarra é muito distante da de Lost Gorbachevs, mas o nosso potencial “popular-psicadélico” é demasiado para que não o testemos num público como o do Jazz na Relva. Faz mesmo muito sentido.

Além disso, ouvi ontem um comentador duma televisão radical dizer que Paredes de Coura é um festival conhecido por convidar bandas emergentes e pouco conhecidas que, normalmente, pouco depois de passarem por Coura, “explodem”, confirmando as apostas dos programadores… ele estava-se a referir a bandas que passam pelos palcos principais, claro, mas isso aconteceu com Lost Gorbachevs e acontecerá, certamente com a Fanfarra.

É a mística de Paredes de Coura… ;)