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Jogos Olímpicos Pequim 2008: que fazer à consciência?

Terça-feira, 12 de Agosto, 2008

Eu gosto de ver “as corridas”, como lhes chama o Nelson, mas isso não significa que não partilhe das convicções dele ou que não sinta que, de facto, precisamos de resistir ao “barulho das luzes“.

Sendo assim, que fazer à consciência, para podermos assistir às diversas proezas atléticas, sem nos sentirmos cúmplices da hipocrisia global que ofereceu ao regime totalitário chinês esta oportunidade de ouro de se legitimar em toda a sua contraditória condição de potência mundial?

Eu dei por mim a trautear Monty Python, um destes dias…

Title: I like Chinese
From: Monty Python’s Contractual Obligation Album

(spoken)
The world today is absolutely crackers.
With nuclear bombs to blow us all sky high.
There’s fools and idiots sitting on the trigger.
It’s depressing, and it’s senseless, and that’s why…

(singing)
I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re always friendly and they’re ready to to please.

I like Chinese,
I like Chinese,
There’s nine hundred million of them in the world today,
You’d better learn to like them, that’s what I say.

I like Chinese,
I like Chinese,
They come from a long way overseas,
But they’re cute, and they’re cuddly, and they’re ready to please.

I like Chinese food,
The waiters never are rude,
Think the many things they’ve done to impress,
There’s maoism, taoism, I Ching and chess.

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze.

I like Chinese thought,
The wisdom that Confucius taught,
If Darwin is anything to shout about,
The Chinese will survive us all without any doubt.

So, I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re wise, and they’re witty, and they’re ready to please

Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Ne hamma, Ne hamma, Ne hamma sa chen.

I like Chinese,
I like Chinese,
They’re food is guaranteed to please,
A fourteen, a seven, a nine and li-cheese

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze

I like Chinese,
I like Chinese,
(fade out….)

jazz.pt | report #1: Medeski, Scofield, Martin & Wood

Domingo, 3 de Agosto, 2008

How do you groove?

Texto escrito por João Martins, a 16/07/2007.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 15 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Medeski, Scofield, Martin & Wood

Casa da Música, Sala Suggia, sexta-feira, 6 de Julho de 2007
John Medeski: teclados
John Scofield: guitarra
Billy Martin: bateria
Chris Wood: baixo

Intro, take One

O primeiro concerto do trio nova-iorquino Medeski, Martin & Wood (MMW) em Portugal era aguardado com alguma expectativa e foi através da digressão de lançamento da sua recente colaboração com o consagrado John ScofieldOut Louder (2007, Indirecto Records)— que essa estreia se deu, e num palco grande como é a Sala Suggia, na Casa da Música.

Intro, take Two

O regresso do consagrado John Scofield aos palcos portugueses era aguardado com a habitual expectativa e a digressão de Out Louder (2007, Indirecto Records)— a recente colaboração com o trio nova-iorquino Medeski, Martin & Wood— foi o pretexto que o trouxe até à Sala Suggia, palco principal da Casa da Música.

Interlude

As duas introduções a este acontecimento são possíveis estados de espírito do público que entrou na Sala Suggia no dia 6 de Julho.
Para parte do público, Medeski, Martin & Wood era apenas o nome do trio que acompanhou Scofield em A Go Go (1998, Verve Records) e que, 9 anos passados, tem já direito a partilhar as capas dos discos e dos cartazes. Alguns terão percebido porquê, outros terão ficado na dúvida sobre a insistência de Scofield nesta colaboração.

Para outra parte do público, Medeski, Martin & Wood, MMW é um trio de deep grove arriscado, contaminado por electrónicas, com lugar assegurado (individual e colectivamente) na cena nova-iorquina. São inconformistas que lançaram a sua própria editora (a Indirecto deste Out Louder), depois de alguns anos de sucesso na Blue Note, para não terem que fazer compromissos. Para esses, a ligação a Scofield, um consagrado do jazz (mais “straight” na cabeça de uns, mais “cota” na de outros) seria talvez um “mal necessário” para trazer o trio até palcos lusos. Alguns terão percebido que as cumplicidades com o mais experiente guitarrista parecem ter raízes profundas, outros terão ficado desiludidos com as estruturas um pouco mais rígidas que esta colaboração exige ao trio.

Como em todos os concertos, quem entrou com uma opinião prévia formada, terá saído um bocado baralhado.

Mas vamos por partes:

Part I: uma sala é boa quando não se pensa nela durante o concerto

Não é a primeira vez que saio da Sala Suggia com a sensação de que o seu perfil acústico não se ajusta facilmente a todos os eventos que alberga. Neste caso, o azar com os aviões [1], típico de digressões apertadas [2], retirou tempo precioso à equipa técnica da Casa da Música para preparar melhor este concerto— o que justifica (parte d)as primeiras indicações dos músicos acerca das deficiências no som no palco—, mas a verdade é que, como noutras ocasiões, a dimensão e características da sala não nos deixaram usufruir de graves mais profundos e definidos, fundamentais para o groove de Chris Wood e Billy Martin, que assim, perdeu parte do seu poder contagiante e foram relativamente ineficazes na definição e “separação” dos timbres mais agudos e (a espaços) estridentes da guitarra de Scofield, mas, especialmente, dos teclados de John Medeski. (Sobre os teclados de John Medeski fica aliás a dúvida (nos ouvidos deste escriba, pelo menos) sobre quanto do que ele tocou é que teremos ouvido…)

Com o passar do tempo, a situação melhorou e pode-se dizer que o encore (único) já contava com a massa sonora necessária (em volume e definição) para que o público pudesse começar a embarcar nas experiências mais groovy asseguradas por M(S)MW.

(Ainda assim, a sensação final é que a Sala Suggia não se consegue “fechar” o suficiente, em termos acústicos e de iluminação, para concertos de ensembles pequenos, ficando o público demasiado “afastado” dum palco que os músicos parecem não conseguir preencher.)

Part II: conhecer a história é bom, desde que a história não substitua o presente / preconceito vs pré-conceito

A colaboração entre John Scofield e Medeski, Martin & Wood começou no disco de Scofield, A Go Go (1998, Verve Records) que, sendo assinado por Scofield, depende, desde o momento da concepção, de MMW, já que, segundo o próprio Scofield

“When I heard Medeski, Martin and Wood’s record «Shack Man», I knew I had to play with them. They played those swampy grooves and had a free jazz attitude.” [3]

A colaboração e o disco resultante assentava no deep groove de MMW e a escrita de Scofield, assim como a sua linguagem e fraseado, contribuem para um disco forte e contagiante, muito ligado às raízes R&B que Scofield procurava e capaz de atrair muitos públicos.

Entre esse disco e o presente Out Louder (2007, Indirecto Records, a editora dos MMW), John Scofield continuou a sua carreira nos vários territórios em que é figura fundadora e se sente confortável e os MMW continuaram a construir, de facto, o seu percurso e a consolidar o seu território, no cruzamento entre um groove quase psicadélico e a experimentação com várias electrónicas e em colaboração com outros artistas, diversificando mais nas apresentações ao vivo do que nos discos (como o próprio Out Louder parece procurar demonstrar nas 6 faixas adicionais gravadas ao vivo).

O reencontro de Scofield com os MMW, 9 anos depois de A Go Go, tem, por isso, premissas diferentes: à escrita de Scofield (que assina os 10 temas de A Go Go e apenas 1 em Out Louder [4]), junta-se a escrita de Chris Wood (2 dos 12 temas) e o processo de trabalho colaborativo de MMW, fruto de sessões de improvisação sucessivas, dá origem a novos temas, assinados pelo colectivo e é aplicado a temas tradicionais e mesmo a clássicos da Pop-Rock, como “Julia” (Lennon-McCartney)— tocado na Casa da Música— e “Legalize It” (Peter Tosh).

O disco afirma inequivocamente duas coisas:

  1. o estúdio e o formato do disco são pequenos para o tipo de exploração que interessa a MMW, tendo mesmo que recorrer a fade outs como forma de cortar faixas que se adivinham de dimensão “épica”
  2. ao vivo, o carácter mais experimentalista ganha força e observam-se estruturas mais complexas e paisagens sonoras mais arriscadas

Fica a dúvida (para isso é que servem os concertos) sobre o “encaixe” de Scofield nesses momentos, já que, em estúdio, Out Louder parece uma continuação de A Go Go, com um maior equilíbrio na participação e autoria.

Part III: o presente é tanto melhor, quanto mais é capaz de reinventar a história

Com o interesse e as dúvidas levantadas pelo disco e com os diversos tipos de público a quem esta combinação podia apelar, o concerto na Casa da Música justificava alguma expectativa e uma casa mais cheia, mas sobre dinâmicas de público continuo a considerar-me um trapalhão ignorante.

Com mais ou menos público [5], o quarteto entrou em palco com vontade e energia para oferecer o seu melhor mas, talvez por ter sido momentaneamente desviado da sua concentração por algumas dificuldades (iniciais) no som de palco (já referidas) ou por partilhar da tal sensação de que a sala era demasiado grande, pareceu não estar tão sólido como se esperaria, particularmente, no que diz respeito ao “entrosamento” de MMW. A falta de presença do baixo eléctrico de Chris Wood (amplamente solicitada por Billy Martin aos técnicos de som) e, mesmo após os ajustes, as dificuldades gerais aparentes em ter um bom som no palco, poderão ter contribuído para uma certa sensação de desconforto e até desacerto que marcou alguns dos momentos menos conseguidos do concerto. O maior impacto sentia-se precisamente na dificuldade em afirmar a “profundidade” do groove que está na base do trabalho do trio de Brooklin, mas o esforço evidente em passar por cima das dificuldades técnicas e oferecer a melhor experiência possível ao público resultou em bons momentos musicais de grande intensidade e concentração. “Cachaça”, escrito por Chris Wood e introduzido no concerto por um intenso solo de contrabaixo, foi um desses momentos e, de resto, parece justo destacar precisamente o baixista, por uma performance de grande envergadura, em condições difíceis.

No geral o concerto confirmou a apetência desta formação pelas apresentações ao vivo, não tanto pela “presença em palco” (esse conceito difícil de definir), que poderia reflectir o compreensível cansaço físico da formação no meio duma digressão exigente, mas mais pela sensação de que é na exploração longa das possibilidades oferecidas pelas “swampy grooves” de que falava Scofield, que cada um dos solistas define o território seguro, para depois “saltar” para zonas não tão seguras e, certamente, mais imprevisíveis e interessantes.

Tema a tema, solo a solo, a sensação de que “quanto mais tempo passar mais longe eles poderão ir”, insinuava-se, com óbvio interesse para parte do público, mas com algum enfado, aqui e ali, entre os menos habituados a estas estratégias. Em boa verdade, a solução encontrada pelo ensemble acaba por ser, IMHO, pouco conseguida: se, por um lado não se abandonaram a nenhuma espiral épica que os levasse verdadeiramente a outros territórios, por outro, ao utilizarem repetidamente uma estrutura clássica/standard (solo intro > tema > solo Scofield > solo Medeski > solo Wood > solo Martin > pergunta-resposta Scofield-Medeski), criaram apenas pequenas espirais sempre interrompidas que, combinadas, resultam um tudo nada estafadas.

Estruturalmente, o concerto acabou por ser bastante pobre e convencional, previsível, construído quase como se houvesse uma checklist de solos e introduções a seguir.

Dentro de cada uma das estruturas, ainda assim, houve lugar a momentos de grande intensidade e os 4 músicos presentes puderam comprovar (para quem tivesse dúvidas) que partilham, além de elevados níveis de execução técnica e criatividade, uma cumplicidade assinalável na compreensão não só das raízes, mas também das perspectivas do groove. E se destaquei positivamente Chris Wood pelo esforço persistente, talvez referisse apenas como nota menos boa um certo ar “desorientado” na performance de John Medeski, um frenesim que acalmou apenas para um surpreendentemente calmo e lírico “Julia” (Lennon-McCartney) e para a utilização do clavinet num registo bluesy muito genuíno. Esse frenesim, para o qual o perfil acústico da Sala Suggia pode ter contribuído, tornava-se particularmente evidente quando combinado com algumas aproximações tímbricas de Scofield aos teclados de Medeski, criando uma estridência indesejável.

A propósito dos momentos mais calmos de Medeski, uma das “notas” adicionais do concerto é a existência de alguns hiatos na estrutura— ora mais calmos e ambientais, ora mais complexos e “experimentais”, como “Telegraph”, o momento psico-reggae— que, pela duração, enquadramento e reacção do público, não podem ser considerados mais do que parêntesis, infelizmente.

E para quem se questionasse sobre o “funcionamento” deste quarteto ficou mais ou menos claro que não se trata de MMW + Scofield, mas sim de algo mais próximo do quarteto convencional, com uma secção rítmica a que Medeski adere apenas a espaços e onde Scofield não se limita a solar por cima de tudo isto, colaborando activamente na construção das malhas que suportam a progressão balançada das estruturas.

Take it to the bridge

No geral, e em jeito de conclusão, o concerto de MSMW foi (quase) tudo aquilo que poderia ter sido, considerando a proposta e os músicos em causa. A Sala não ajudou e o público (perto de 500 pessoas) não aderiu como se esperaria, talvez por estar desabituado de solos tão longos em concertos destas linguagens, ou apenas por estar uma metade à espera de mais jazz-fusão da parte de Scofield e a outra à espera de um outro MMW (nem todos quereriam todo aquele groove funk estruturado, nem todos quereriam tão pouco…).

A verdade é que Out Louder, quer o disco, quer o concerto, parecem retomar a conversa iniciada no A Go Go, sendo que, agora, Medeski, Martin & Wood têm mais coisas para dizer, mas talvez não sobre o mesmo assunto…

Notas:
[1] - a apertada digressão de Out Louder (concertos diários entre 2 e 16 de Julho em 11 países europeus e num cruzeiro no Mar do Norte) vinha dum concerto em Lugano (Suíça) no dia anterior e atrasos nas ligações aeroportuárias fizeram os músicos chegar à Casa da Música cerca de 2 horas antes do concerto, o que explica o atraso inicial
[2] - dado o ritmo desta digressão, não posso deixar de achar surpreendente a energia dos músicos, especialmente de John Scofield que, com 56 anos, apresenta uma invejável energia e boa disposição
[3] - John Scofield, “HOW I GOT FROM THERE TO HERE IN 704 EASY WORDS” (An Autobiography), http://www.johnscofield.com/bio.html
[4] - “A Go Go” e “Deadzy”, de Scofield, estão apenas nos extras “live” de Out Louder
[5] - que podia e devia ter-se portado melhor no que diz respeito a entradas e saídas da sala, sobre as quais o pessoal da Casa da Música teve um comportamento atipicamente permissivo

Texto escrito por João Martins, a 16/07/2007.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 15 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Links:

John Zorn / Fred Frith

Sábado, 2 de Agosto, 2008

Cartaz do Jazz em Agosto 2008O Jazz em Agosto tem destas coisas: por mais complicado que seja libertar um dia para ir a Lisboa, há sempre pelo menos uma proposta que é criminoso perder. Normalmente até é (muito) mais do que uma, mas tem que se fazer opções. O ano passado fui ver o Ornette Coleman. Este ano, vou ver o John Zorn com o Fred Frith.

O ano passado fui com a Cláudia e, aparentemente, fizemos uma filha à conta da experiência. Este ano vou com o Zé Miguel Pinto. Pode ser que façamos um disco. ;)

Música na Praça do Peixe, Aveiro

Sexta-feira, 18 de Julho, 2008

Apesar de ter começado no princípio do mês, só agora é que me apercebi que há concertos e animação no Coreto da Praça do Peixe em Julho e Agosto. O Rui Pedro Andarilho, que toca hoje, mandou-me o cartaz por mail:

Cartaz do Música na Praça 2008

Para animar as noites de Verão e, espero eu, para animar a vida cultural da cidade. Só é pena só haver concertos à noite, aparentemente. O de hoje, de acordo com a regra, creio, é entre as 22h e as 24h. Seria interessante um plano para animar as tardes, com uma componente de dinamização turística também. O ano passado aconteceu, mas nem sempre da melhor forma. São, de facto mecanismos que é preciso testar e afinar, mas acima de tudo, persistir, para criar hábitos.

jazz.pt: um ano de colaboração

Sexta-feira, 18 de Julho, 2008

jazz.ptO Jazz no Parque começou no fim de semana passado e dei por mim a pensar que, de facto, já passou pouco mais de um ano desde que comecei a colaborar na jazz.pt. Momento de balanço? Pode ser…

Foi a convite do Rui Eduardo Paes que iniciei esta colaboração que me tem dado muito a aprender sobre a música, a escrita sobre música, o gosto (meu e dos outros), o(s) público(s) e as dinâmicas entre músicos, lugares, eventos, instituições e públicos. Combinações voláteis e muitas vezes ilusórias que a observação atenta nunca desmonta completamente. Continua a ser o Rui a “marcar” a minha agenda de colaborações e isso é, apesar de tudo, confortável, até porque me sinto suficientemente apoiado e confiante para poder avançar com propostas minhas e “temperar” algumas das dele. Mas não fui eu que avancei com a ideia do artigo sobre a “minha” Fanfarra (#17) nem sobre as escolas de Jazz em Aveiro (#18), apesar de ser nesses casos, mais responsável e não ser, de todo, um trabalho igual aos “reports” sobre concertos que comecei a fazer em Julho de 2007.

jazz.pt #15, capaMedeski, Scofield, Martin & Wood @ Casa da Música 2007/07/06
O report foi publicado no #15 por falta de espaço no #14. Começar esta nova função com um concerto desta dimensão, na Sala Suggia, com muito público e com várias eminências (umas mais pardas que outras) do Jazz em Portugal nas proximidades foi uma experiência curiosa. A reacção muito simpática do Rui Eduardo Paes ao texto, foi importante para estabelecer a relação de confiança que tem prolongado e aprofundado a colaboração. O facto de ter sido um concerto de (ou com, como preferirem) “consagrados” e de ter ficado abaixo das (minhas) expectativas foi também um desafio, que justificou na altura, e continua a justificar, este meu investimento voluntário. A publicação em diferido, largos meses depois do concerto, habituou-me às contingências duma revista bimestral, que confere aos textos um peso bem diferente do bitaite de circunstância ou do post impressivo/intempestivo. O que eu faço na jazz.pt não se trata (creio) de crítica “pura” ou matéria jornalística (eu sou músico e, por essa via, público especializado, mas não sou nem crítico nem jornalista), mas cumpre parte do papel da crítica e, nesse sentido, reveste-se duma importância que não me passa ao lado. Infelizmente, é (ainda?) um exercício com muito pouco retorno e, por isso, evolui ao meu ritmo.

jazz.pt #15, capaJazz no Parque 2007 @ Serralves 2007/07/21 a 2007/08/04
Matt Wilson’s Arts & Crafts
Orquestra de Jazz de Matosinhos com John Hollenbeck, Theo Bleckmann e André Fernandes
Strada, o sexteto de Henri Texier
O primeiro “festival” que cobri, com publicação no Especial Festivais do #14 e, portanto, a primeira colaboração a chegar às bancas. Escrever sobre os 3 concertos em particular, ao mesmo tempo que escrevia sobre o Festival (ou o seu contrário) foi um óptimo complemento às agradáveis tardes de verão e música.

jazz.pt #17, capaAnthony Braxton @ Casa da Música 2008/01/28
Uma enorme responsabilidade, perante o génio de Anthony Braxton e face à(s) particularidade(s) da(s) sua(s) proposta(s) e da(s) sua(s) relação(ões) com o(s) público(s). O report foi publicado no #17 e é um marco, para mim: um dos melhores (e mais estimulantes) concertos a que assisti nos últimos tempos, deu, felizmente, origem a um texto de que me orgulho.

Marta Hugon | Fieldwork @ Casa da Música 2008/02/03
Uma estranha proposta dupla da Casa da Música: a suavidade (excessiva) de Marta Hugon é verdadeiramente inconciliável com a áspera densidade de Fieldwork. Uma óptima oportunidade para ver como funciona(m) o(s) público(s) de jazz. Report publicado também no #17.

F.R.I.C.S., um ano de estrada
O desafio para escrever sobre a experiência de digressão missionária e contínua da F.R.I.C.S. foi lançado uns meses antes, mas precisou de ser “digerido” até que eu encontrasse um formato adequado. Viu a luz do dia no #17, e é uma peça honesta, algures entre o “diário de guerra” a reportagem objectiva e plena de dados relevantes e a reflexão sobre as nossas particularidades (do projecto, dos músicos portugueses e das pessoas em geral…). Além disso, soberbamente ilustrada com as fotomontagens dos Soopa. Um documento.

jazz.pt #18, capaEscolas de Jazz em Aveiro: Riff e Oficina de Música de Aveiro
A minha primeira colaboração na série de artigos que a revista dedica aos projectos pedagógicos espalhados pelo país aconteceu no #18. Um panorama que tentei que fosse amplo, honesto e construtivo e que espero possa ajudar os projectos da cidade a crescer. Permanece a dúvida sobre quem lê a revista e que reacção terá, infelizmente. Mesmo localmente.

jazz.pt #19, capaBernardo Sassetti e convidados @ Casa da Música 2008/04/28
Jason Moran @ Casa da Música 2008/04/29
Dois concertos unidos pelo piano e pela forma da homenagem a figuras incontornáveis da História do Jazz: Charlie Parker, primeiro e Thelonious Monk., depois. Homenagens reais e com sentido, não simples vénias. Momentos para aprender e comprovar como se constrói o futuro do Jazz aos ombros de gigantes. Grandes concertos. Report neste último #19.

Scorch Trio @ Casa da Música 2008/05/27
Um cruzamento do Ciclo Nórdico com a Programação de Jazz que não foi bem explicado ao(s) público(s) e, por isso mesmo, frustrou muitas expectativas de quem vinha ao engano. O report está neste último #19.

Nos últimos 6 números, “falhei” um, o #16, com o balanço de 2007 e nem tudo tem corrido como devia, mas estou pessoalmente satisfeito com o que já consegui fazer e com o que me parece que já aprendi. E agrada-me estar voluntariamente associado a um projecto desta natureza: corajoso, honesto e exigente, mesmo que fruto do sacrifício pessoal de todos os envolvidos. (mais) Um exercício de militância…

Caso agradem ao editor os textos já submetidos, o próximo número contará com reports sobre a apresentação de Blood on the Floor, de Mark-Anthony Turnage, pelo Remix Ensemble, na Casa da Música (2008/07/05) e sobre o insólito evento protagonizado (involuntariamente) pelo Saxophone Summit na Casa da Música (2008/07/10).

Estou a ponderar a hipótese de pedir autorização à revista para ir publicando online excertos destes reports já publicado, para tentar aumentar a possibilidade de colher comentários e, quem sabe, sensibilizar potenciais leitores para o interesse de apoiar o projecto da revista, comprando-a. A ver vamos.

Mas, para já, este é um possível balanço do primeiro ano de colaboração. Excepção feita à talvez excessiva concentração sobre eventos na Casa da Música, não parece muito mal, pois não?

Nota: para quem não reparou, os links nos eventos da Casa da Música remetem para a Last.fm porque a Casa da Música não tem arquivo de eventos no seu site. Não faz muito sentido pois não?

Serralves em Festa e Ó da Guarda: F.R.I.C.S. e Ensemble Granular

Sexta-feira, 6 de Junho, 2008

Se há alturas do ano em que marcar um concerto é um suplício infernal, há outras em que as propostas são tantas que nem se pode aceitar tudo. Este sábado é bem exemplo disso: de manhã, no âmbito do Serralves em Festa, estarei com a F.R.I.C.S. a animar a Baixa do Porto. À noite, no âmbito do Ó da Guarda - Festival de Novas Músicas, estarei no Teatro Municipal da Guarda, com o Ensemble Granular. E, no meio, vejo-me obrigado a faltar à performance do Space Ensemble no Serralves em Festa, que promete.

Mas, à falta do dom da ubiquidade, e combatendo o cansaço natural, terei oportunidade de, num só dia, rever amigos de origens diversas e confrontar espaços e públicos completamente diferentes.

Para quem estiver no Porto (ou para lá for), o Serralves em Festa promete muito (e cumpre), como é habitual. Eu seguirei para a Guarda com vontade de matar saudades do grupo que se estreou em Bruxelas.

Ensemble Granular

Ensemble Granular (da esquerda para a direita): João Martins (eu), Ulrich Mitzlaff, Miguel Cabral, Ricardo Freitas, Emídio Buchinho e Nuno Rebelo.

Música Portuguesa, Hoje - CCB

Quarta-feira, 4 de Junho, 2008

A promessa é grande e as expectativas criadas, enormes:

Música Portuguesa, Hoje (cartaz)

A maior mostra de música portuguesa realizada até hoje num Festival que celebra os compositores, as obras e os músicos portugueses. 52 obras de 48 compositores, 3 orquestras, 2 ensembles, 3 concertos de câmara com 19 músicos, 12 concertos de música jazz, improvisada ou electrónica, em formatos e criações inovadoras, e ainda 4 conferências e 2 colóquios.
Venha festejar connosco!
11, 12 e 13 Jul 2008

Comissariado por António Pinho Vargas, Pedro Santos e Rodrigo Amado, o Festival Música Portuguesa, Hoje pretende apresentar o que de melhor se faz actualmente na música portuguesa, atravessando géneros musicais e apostando numa grande diversidade de propostas. Durante três dias, o CCB recebe alguns dos melhores músicos e mais importantes projectos do panorama actual da música em Portugal, da música erudita ao jazz, passando pelo fado, electrónica ou música experimental.

Marquem já nas agendas!

Música para bébés - Mobile

Domingo, 25 de Maio, 2008

Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, não é nada complicado conciliar as convicções de músico experimental com a condição de pai dum bébé, musicalmente falando. É claro que me irrita que todas as caixas de música e brinquedos musicais tenham todas as mesmas 3 ou 4 melodias e não acredito que as sonoridades, padrões rítmicos, melodias e estruturas harmónicas escolhidas sejam as únicas capazes de estimular e agradar aos ouvidos de bébés recém-nascidos ou crianças pequenas. Tenho até sérias dúvidas sobre os efeitos que um certo efeito de “afunilamento” nas escolhas musicais dos pais, alegadamente em benefício do bébé, têm sobre o seu desenvolvimento.

A diversidade de estímulos é importante, desde que se compreendam as especificidades fisiológicas do bébé, ajustando intensidades e sendo criterioso nas escolhas. Mas a música para os bébés não devia precisar de ser “exclusiva”. Não precisa.

Ainda assim, em 2001 ou 2002, a propósito do nascimento dum bébé dum casal amigo (meus professores no Conservatório de Música em Aveiro), compus uma primeira peça a pensar neste universo da “música para bébés”. Chamei-lhe Mobile, porque na altura criei uma animação simples, em Flash, com polígonos coloridos em movimentos aleatórios.

Esta é, para já, a peça mais convencional duma playlist que estou a preparar para a Maria e que partilharei como podcast (as peças de minha autoria). Que vos parece?

 
icon for podpress  Mobile [1:46m]: Play Now | Play in Popup | Download (399)

É claro que a vida continua

Sexta-feira, 23 de Maio, 2008

A reacção mais frequente à notícia de que sou pai tende a associar à óbvia mudança de hábitos e rotinas que uma nova vida introduz, uma infeliz necessidade de abdicar ou controlar algumas das minhas actividades “naturais”. Amigos músicos receiam que deixe de estar tão disponível para concertos, leitores do blog presumem que deixarei de escrever com a mesma frequência, companheiros de outras tantas aventuras prevêem uma diminuição significativa de disponibilidade…

Se é por demais evidente que uma filha transforma a vida dos pais, é também imperativo que, no necessário (e bem positivo) reordenar de prioridades, os pais não se abandonem ou apaguem a si próprios. A Maria acrescenta muitas coisas à nossa vida, mas, felizmente, não se trata de nenhuma substituição. Claro que tudo isto está agora apenas a começar e só com o passar do tempo é que saberemos avaliar o seu real impacto, mas por se tratar duma decisão consciente, ponderada e reflectida, sentimo-nos preparados para continuar com a vida. Uma nova fase da vida.

E, para que não restem dúvidas, algumas provas visíveis de “actividade”:

A vida segue… mais alegre, mais preenchida, mais “focada”.

Jazz.pt #18 já nas bancas

Terça-feira, 13 de Maio, 2008

jazz.pt #18 Mai/Jun '08O número de Maio/Junho da Jazz.pt já está nas bancas, com Elliot Sharp na capa, a destacar uma entrevista que vale a pena ler com muita atenção, e uma modesta contribuição deste vosso humilde servo para a caracterização do panorama de ensino de Jazz aqui em Aveiro. Espero ter feito justiça aos dois projectos que abordo e a quem agradeço pela colaboração: Riff e Oficina de Música de Aveiro.

Leiam na revista e, se quiserem, comentem aqui. Eu agradeço.