Wormhole na secção de Cultura do Público?

Nas últimas 20 notícias desta secção de Cultura há um salto de 2004 para 2008

Não sei se já repararam, mas na secção de Cultura do Público existe uma espécie de wormhole noticioso, em que se salta de notícias de 2004 para notícias de 2008. Já tinha reparado, mas pensei que fosse um bug temporário. Pelos vistos não é.

A questão fundamental é saber se este salto resulta de reestruturações editoriais que fazem com que as notícias relevantes tenham ido parar a outra secção, ou se se perderam notícias, ou, alas, se não houve. Qualquer uma das hipóteses é estranha e dá uma imagem infeliz da relação que este jornal de referência tem com a Cultura, não acham?

Volteface

Volteface no caso Maddie McCannA propósito do caso Maddie e da reacção nacional e internacional à autêntica montanha-russa em que todo o caso se transformou já se disse quase tudo. Desde as intervenções mais esotéricas de pseudo-psicólogos capazes de ler uma culpa específica nas caras que aparecem nas televisões, à indignação de quem investiu horas na justa luta por encontrar a criança e se sente traído pelos acontecimentos, aos episódios trágico-cómicos de luta entre órgãos de imprensa  ou as intervenções acabrunhantes de supostos especialistas (sim, estou a pensar no Barra da Costa)…

Esta imagem, no entanto pareceu-me uma boa síntese do estado de espírito comunitário: no café onde vou diariamente, desde o início do caso que estava afixado um apelo para que ajudássemos a encontrar a Maddie, impresso a partir duma notícia do Diário Digital, com uma fotografia da criança inglesa numa folha rosa, com intenção carinhosa e chamativa.

Após o “volteface” recente, sem retirar o apelo, os donos do café acrescentaram uma tira bem ao jeito “jornalismo-choque” do 24 Horas, com a fotografia da mãe e da filha e a “Suspeita da Morte da Própria Filha” como título…

A sobreposição destes dois documentos conta uma história e é um reflexo do estado de espírito dos donos do café que estão alinhados com o estado de espírito geral. O que é interessante é que, se pensarmos bem, apesar de todas as tentativas maniqueístas de alguma imprensa para reduzir um caso deste dramatismo e complexidade a um sistema dual, facilmente descodificável ou traduzido num sistema de Preto-e-Branco, Bem-e-Mal, Certo-e-Errado, parece que resiste um espaço no interior emocional das pessoas que percebe que não há, neste momento, nenhum desfecho capaz de satisfazer o nosso quintessencial desejo de paz de espírito e tranquilidade. E muito menos capaz de satisfazer a voracidade dos lobos mediáticos, por muito diversificada que seja a sua dieta.

Carta aberta ao director do Diário Regional de Aveiro

cc: Jornal O Aveiro, Lusomundo Cinemas, Cineclube de Aveiro

Ex.mo Sr. Adriano Callé Lucas:

No passado dia 22 de Junho de 2007 enviei para vários órgãos locais de comunicação social a transcrição de um artigo do meu blog acerca das condições de exibição de cinema na cidade de Aveiro, referindo, nomeadamente, problemas na sala 4 do complexo da Lusomundo Cinemas no Forum Aveiro.

Esse artigo teve seguimento neste mesmo blog, através da publicação de uma réplica do Cineclube de Aveiro, também visado no artigo original e duma outra da Lusomundo Cinemas, logo no dia seguinte e, aproximadamente um mês depois, através da notícia de que o problema da Sala 4 estaria resolvido, notícia essa que me me foi dada pelo director-geral da Lusomundo Cinemas.

A publicação do referido artigo de 21 de Junho no semanário O Aveiro, poucas semanas depois, sem que algum contacto tivesse sido feito nesse sentido por parte da redacção e sem a publicação das réplicas disponíveis à data, pareceu-me estranha, mas poderia a redacção de O Aveiro ter encarado a minha comunicação como uma “carta ao director” e, nesse sentido, a publicação não seria abusiva, apesar de se justificar, na altura, a indicação do endereço do blog, referência que O Aveiro decidiu omitir e que permitiria aos leitores a consulta das réplicas.

O que não se percebe, de forma nenhuma, é que um jornal diário com forte implantação e projecção local— como é o que V. Ex.cia dirige— publique este mesmo artigo, 6 semanas depois e sem nenhum contacto prévio com o autor e sem sequer referir a sua data original! Nem que fosse porque o artigo, com o seguimento de que foi alvo no blog, deixou de ter qualquer sentido ou relevância.

Percebo que o preenchimento das páginas dum diário local nos meses de Verão seja difícil e percebo até que estamos na chamada “silly season”, mas creio que a publicação feita hoje não serve os interesses de ninguém. Pelo contrário: tem um elevado custo na credibilidade do jornal e da minha pessoa como autor do artigo e na imagem da Lusomundo Cinemas, que fez um esforço notável (e reconhecido no blog, mas não no jornal), para corrigir a situação denunciada.

A consulta do blog e dos comentários ao artigo original ter-lhe-iam poupado (e a mim, também) este embaraço duplo: a publicação de um artigo que já tinha estado nas páginas de um outro jornal local várias semanas antes e que, ainda por cima, estava já ultrapassado pelos factos.

Estou certo de que encontrará a melhor forma de dar a volta a esses embaraços. Eu, da minha parte, aprendi a lição: nunca voltarei a enviar textos para nenhum órgão de comunicação social confiando na capacidade dos seus profissionais fazerem o que lhes compete. Adicionarei os termos de utilização do texto enviado e, quem sabe, uma declaração com “termos de responsabilidade” para evitar complicações posteriores.

Despeço-me com os melhores cumprimentos,

João Martins

Let’s go to the movies!

Lembram-se das minhas queixas acerca das condições de exibição de cinema em Aveiro e das respostas recebidas?

Pois hoje é dia de boas notícias para os cinéfilos cá da terra (e chegaram-me por e-mail):

Exmo. Sr.:
O ecrã da sala já encontra em excelentes condições.

Cumprimentos

Luis R Mota
Lusomundo Cinemas
Director Geral / Managing Director

Que bela sensação de dever cumprido…

Nota importante: a publicação do meu primeiro artigo acerca deste assunto nas páginas d’O Aveiro não foi da minha responsabilidade. O artigo foi enviado por e-mail para esse e para outros órgãos de comunicação social (local e nacional), para lhes dar conhecimento. A direcção d’O Aveiro decidiu, sem me consultar, proceder à sua publicação ipsis verbis numa secção destacada do semanário e sem referência à origem (blog ou e-mail), privando os leitores do acompanhamento que o assunto mereceu no blog. Não levei isso a mal, mas achei estranho… mas sobre esse episódio e sobre o funcionamento dos jornais locais em geral tenho um artigo em banho maria já há algum tempo.

Os movimentos de cidadãos não são “modas”

Quem não for capaz de perceber isso, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, e quem quiser fazer de conta que o movimento liderado por Helena Roseta tem alguma coisa que ver com os pseudo-movimentos que elegeram Isaltino Morais ou Fátima Felgueiras, ou com o pseudo-movimento que deu este resultado a Carmona Rodrigues, ou está alheado da realidade ou quer alhear e confundir os seus interlocutores.

O resultado de Helena Roseta é um dos únicos bons sinais desta eleição. E o modelo de democracia participativa que ela preconiza (e que faz parte do discurso bloquista desde a sua fundação) é muito mais do que uma “moda”. Trata-se da evolução inevitável dum sistema democrático capaz de se renovar e aprofundar, por oposição à cristalização que tão confortável seria para os grandes partidos e os seus opinion makers de serviço.

Ameaçar com o possível abuso futuro deste modelo por parte de autarcas mal intencionados é duma baixeza inqualificável.

Como nota final, fica o desplante da afirmação de Carmona Rodrigues de que os números da abstenção revelam que os lisboetas não quereriam estas eleições intercalares e a minha estranheza ao concordar com Nuno Rogeiro, que acha que, acima de tudo, os candidatos não souberam estar à altura da ocasião e mostrar porque é que estas eleições eram importantes. Isso é verdade, assim como é verdade que o tratamento geral dado pela imprensa à candidatura de Carmona e aos casos em que está envolvido não facilitou em nada a atenção ao facto de que ele e parte da sua equipa entraram nesta corrida na condição de arguidos. A perspectiva de que o resultado eleitoral poderia ser este, tornando-o peça fundamental na “dança de cadeiras”, pôs toda a gente de bicos de pés e luvinhas à volta dele…

Aliás, em tudo isto, os casos em que Carmona e a sua equipa estão envolvidos parecem ter feito perder mais tempo em esclarecimentos e defesas de posições à candidatura de José Sá Fernandes e ao seu irmão, denunciante e testemunha chave no processo Bragaparques.

Declaração de voto

Peço desculpa a todos aqueles que estão neste momento a utilizar o seu dia de reflexão, mas não posso deixar de dizer que, se votasse em Lisboa, votava no José Carlos Fernandes. E não porque sou simpatizante do Bloco de Esquerda, mas porque o “Zé” cumpriu corajosamente com os seus compromissos, é frontal e sério, tentou com todas as suas energias fazer desta campanha um momento útil para a cidade, apesar de todos os ataques baixos a que foi sujeito, fala do que sabe e conhece a fundo as coisas que são verdadeiramente importantes.

Cartaz Zé Sá Fernandes

Mas estas eleições têm candidatos para todos os gostos:

  • há o António Costa, para os que sofrem de partidarite crónica (variante PS) e para os que acham que pode haver vantagem numa coligação de interesses entre a Câmara Municipal da capital e o governo do país, acreditando que a cidade pode ter alguma vantagem, nisso, ou seja, sendo suficientemente ingénuo para acreditar no que diz um alto dirigente deste Partido Socialista;
  • há o Fernando Negrão, para os que sofrem de partidarite crónica (variante PSD) e não se importam de ter um presidente que não distingue as empresas municipais e os Institutos do Estado e para os que acham que o voto autárquico nestas condições tem leitura na análise da dinâmica do centrão, ou para os que esqueceram que o Carmona Rodrigues era o candidato do Marques Mendes até cair em desgraça;
  • há o Telmo Correia, para os que sofrem de partidarite crónica (variante CDS-PP) e para os que acham que a segurança é mesmo um assunto quente especialmente na altura das eleições e que com video-vigilância se vai lá e para os que acham que o CDS do Portas (o que ficava) merece tanta ou mais confiança do que o do Ribeiro e Castro, que ainda conseguiu a eleição da Maria José Nogueira Pinto— cobiçada por todos para a reabilitação da Baixa-Chiado não fossem os chatos da esquerda a lembrar os problemas do modelo de financiamento e de gestão de tráfego e estacionamento e os da direita não a poderem reclamar para si…;
  • há o Ruben de Carvalho, para os que sofrem de partidarite crónica (variante PCP / CDU) e para os que ainda sentem conforto com a reputação de trabalho e confiança dos autarcas da CDU e ainda não se aperceberam bem que quem inventou as empresas municipais foi a própria CDU, não exactamente para serem o forróbódó que têm sido, mas para serem um espaço de empregabilidade mais flexível para clientelas partidárias e boas alavancas para o poder dos autarcas minoritários da CDU o que faz deles reféns, volta e meia (remember Rui Sá?);
  • há o Carmona Rodrigues, para quem anda de tal forma desfasado da realidade que não percebeu sequer porque é que vai haver eleições e só sabe é que foi bem simpático receber a visita do senhor presidente lá no Bairro que ainda por cima trouxe o Toi à festa da Associação… o Carmona também é uma boa escolha para os adeptos de teorias de conspiração esquisitas e que tenham um ódio de estimação aos partidos e ao “sistema” e que acreditem piamente que ele foi “tramado pelo sistema partidário”, em particular pelo chato do Zé Sá Fernandes do Berloque que fez tudo e mais alguma coisa para fazer a vida negra ao Executivo com pedidos de transparência e fiscalização (vê-se logo que esse “Zé” não percebe nada da alma dos negócios);
  • há o Manuel Monteiro, para os liberais mais hardcore que acham que é boa ideia acabar com as empresas municipais apenas para conceder a privados a prestação dos serviços essenciais ou confiar no mercado para conduzir a reabilitação urbana;
  • há o Garcia Pereira, para quem ainda compreenda o discurso do PCTP-MRPP e para quem ache razoável que os problemas financeiros da cidade e os investimentos infra-estruturais necessários sejam assegurados pelo Estado, sob a justificação abrangente de que os investimentos necessários para criar uma cidade capital digna em conforto, qualidade de vida, progresso, cultura e dinamismo económico deve ser um esforço nacional;
  • há o Pedro Quartin Graça para quem perceba essa coisa da ecologia humanista e para quem queira investir o seu voto numa visão parcial e especializada da vida política, da qual emanam propostas ingénuas como a transferência de fundos das portagens da Brisa ou o pagamento de indemnizações à cidade pelos atrasos nas obras do Metro e outras, por causa dos estaleiros;
  • há o Gonçalo da Câmara Pereira, para os monárquicos boémios e para outro tipo de anarcas que ache razoável a apresentação de candidaturas de indignação e protest protagonizadas por pessoas que, acerca da reabilitação urbana dizem que “Lisboa é tão bonita como está… não lhe façam nada”;
  • há o José Pinto-Coelho para os fascistas pouco inteligentes e exigentes e para quem acha que é mesmo boa ideia extinguir a PSP e a GNR para, em vez desses dois corpos, constituir um único corpo policial militarizado… e para quem seja capaz de ouvir com gosto a repetição doentia do soundbyte contra o “sistema”, os partidos, os homens do sistema e dos partidos e os tachos, sem que nenhum passo seja dado fora deste círculo confortável, demagógico e populista, com medo de perder a atenção do eleitor que é, certamente, considerado burro que nem uma porta;
  • há a Helena Roseta, para quem acredite na força e na importância dos movimentos de cidadãos, para quem goste de ver mulheres decididas, fortes e inteligentes na política, para quem aprecie a competência técnica e a frontalidade política de assumir a necessidade de fazer compromissos para governar com maiorias reais, construídas de acordo com a vontade dos eleitores (eu podia perfeitamente votar nela se não sentisse mais confiança no projecto global do José Sá Fernandes e espero que ela tenha um óptimo resultado);
  • e há o Zé, que faz mesmo falta.

Acima de tudo, o voto de todos os Lisboetas é importante para percebermos melhor que raio de jogo é este que se vai jogar nos próximos tempos no executivo camarário da maior cidade do país. O futuro de Lisboa dirá muito acerca do futuro do país, nomeadamente no que diz respeito ao tipo de coligações de interesses que surgirem e no papel que a candidatura de Carmona Rodrigues venha a ter na dança de cadeiras.

Muito se vai ficar a saber acerca da seriedade real de cada um dos intervenientes dessa dança.

Pornografia, ou a arte de ser explícito

Uma visita rápida ao site do Correio da Manhã, para completar o post anterior, mostrou-me o que tenho andado a perder no que diz respeito ao carácter explícito do tipo de informação que por ali se pratica:


Correio da Manhã noticia possibilidade de pais bloquearem sexo na net

Para quem for notícia o facto de se poder bloquear ou controlar informaticamente o acesso a conteúdos online de carácter explícito, talvez interesse perceber qual a utilidade de o fazer. Nada melhor, portanto, do que pôr dois bons exemplos na mesma página (a de entrada no site do jornal): a notícia de um crime sexual numa cavalariça da GNR e um anúncio a uma sex shop de nome irrepetível, ilustrado com imagens “picantes”.  Isto sim, é informação útil para todos os pais e encarregados de educação preocupados com os hábitos de navegação das suas crianças!
Não é claro se os filtros que fazem a notícia do Correio da Manhã bloqueariam ou não a página do próprio jornal, mas parece-me óbvio que a sex shop está a fazer um grande negócio, anunciando a um preço normal (presumo), numa página que responde a pesquisas tão apetecíveis como “sexo na net”+”soldado da Guarda Nacional Republicana”+cavalariças… e isto é só um exemplo, sem entrar em detalhe nos resumos das notícias.

Ou será que o Correio da Manhã online está “tão à frente” que os anúncios são colocados por relevância contextual? ;)

O Correio da Manhã explica

Para quem tenha ficado com dúvidas acerca da atitude de distanciamento da UNESCO relativamente à eleição das 7 Novas Maravilhas mesmo depois de ver a lista de nomeados, finalistas e “vencedores”, o Correio da Manhã resolve tudo na sua 3ª página de hoje. Excluindo as fotografias, republico aqui (sem autorização), o texto que esta publicação de referência dedica às novas 7 maravilhas. Mais explícito é difícil:

9639 EUROS PARA VER TODAS AS ‘MARAVILHAS’

O preço total para visitar todas as ‘Novas Sete Maravilhas do Mundo’ pode ascender aos 9639 euros, mas tudo dependerá do tipo de viagem, da época escolhida e do número de pessoas. Uma viagem com tudo incluído e com excursões pagas à parte pode ficar mais barata do que um circuito, no qual se têm de pagar todas as refeições e bebidas. Viajar sozinho também é, normalmente, mais caro porque as agências de viagens e hotéis obrigam ao pagamento de um suplemento especial. As deslocações em época alta, isto é, em Julho e Agosto, também são, em regra, mais caras do que no resto ano.

(Todos os preços são em quarto duplo e não incluem taxas ou suplementos cobrados pelas agências de viagens ou companhias aéreas.)

ITÁLIA/ROMA
2 noites
Hotel Park Amaranto (três estrelas)
Regime de alojamento e pequeno-almoço
264 euros

BRASIL/R. JANEIRO
Cristo Redentor
Miramar Palace Hotel (4 estrelas) em regime de alojamento e pequeno-almoço
1313 euros

JORDÂNIA
Circuito incluindo Petra
7 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis turística
1260 euros

PERU
Circuito incluindo Machu Pichu
10 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis turística superior
2271 euros

ÍNDIA
Circuito incluindo Taj Mahal
9 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
hotéis de categoria B
1292 euros

MÉXICO/RIVIERA MAIA
Excursão a Chichén Itzá paga à parte no local
7 noites em regime de tudo incluído
Hotel Riu Lupita (cinco estrelas)
1169 euros

CHINA
Circuito incluindo Grande Muralha
9 noites em regime de alojamento e pequeno-almoço
Hotéis de 1.ª categoria
2070 euros

Obrigado, Correio da Manhã.

Visibilidade

Uma questão que me preocupa (na qualidade genérica de activista) é a avaliação da visibilidade que determinado fenómeno, acontecimento ou causa tem na sociedade portuguesa. Todos sabemos que quando se está demasiado envolvido pode ser difícil perceber a dimensão das repercussões exteriores do que se faz e temos que procurar indicadores de visibilidade.

O indicador clássico é a presença da comunicação social: contar os microfones das rádios, as máquinas fotográficas dos jornais, mas, acima de tudo, as câmaras das televisões é, em teoria, uma boa forma de prever até onde é que a “mensagem” está a chegar. Mas sabemos, também, que, com o funcionamento cada vez mais errático da imprensa, a cobertura in situ não garante o tempo de antena. Assim, é necessário procurar outros indicadores e um “estranho” indicador que descobri no Porto foi o factor Emplastro (quem não se lembra dele?), cuja presença assegurava que estávamos perante um evento com significativa projecção.

Emplastro numa multidão

O Emplastro (que não sei se é figura única no nosso panorama) fareja as câmaras e os directos e a sua presença é muito mais indicativa da dimensão de determinado fenómeno do que a “simples” presença de jornalistas. Desconfio mesmo que o Emplastro tem lugar cativo nos conselhos editoriais de alguns órgãos de comunicação social de “referência”.

Confesso mesmo que foi só quando o Emplastro apareceu à porta do Rivoli, na altura da sua ocupação, que senti que aquele acto de protesto estava a chegar a todo o país.

E isto a propósito de quê?
É que descobri hoje, durante o almoço, que há um outro indicador “bizarro” mas fiável de visibilidade: o Destak (ou uma publicação similar). Descobri isso quando percebi a minha “excitação” ao ver que, na edição de hoje, o Destak alertava os seus leitores para o facto de que em cada 4 famílias europeias, uma tem um elemento com deficiência.

Destak: 1 em cada 4 famílias europeias tem elemento com deficiência

E suponho que um pequeno parágrafo destes numa publicação deste tipo, com a distribuição que tem, faz mais pela visibilidade das questões de acessibilidade e pela sensibilização geral para a necessidade de lutar contra barreiras arquitectónicas e outras do que encontros de arquitectos onde há gente que não sabe se a nova legislação já entrou ou não em vigor, ou que duvida da necessidade de se aplicar essa mesma legislação a todo o parque habitacional

Não desfazendo no Fórum Arquitectura Acessível ou na necessidade de se dinamizarem debates disciplinares sobre a implementação da nova legislação, estas são questões que precisam de fazer parte da consciência colectiva nacional e, dessa, o Destak está mais perto…

O Poder da Natureza é Infinito?

Eu sou, por tradição familiar (à falta de melhor argumento), consumidor de Água das Pedras. Bebo água com gás mineral natural de outras marcas, mas sou daqueles que, um bocadinho à antiga, pede “um café e uma água das pedras“, em vez dum mais genérico “um café e uma água com gás“. Não sou completamente antiquado— não peço “um quarto de pedras” como o meu pai—, mas é uma tradição que me dá gosto manter. E a verdade é que a água sabe-me melhor.

Anúncio Pedras Salgadas, O Poder da Natureza é Infinito

Por isso, como tantos outros consumidores convictos de Água das Pedras, encaro sempre com alguma frustração o quase banal “pedras não temos, pode ser…?” e com uma ponta de irritação a, também comum, substituição não anunciada e leviana por outra água qualquer (tenho um ranking pessoal no que diz respeito às alternativas)… mas resigno-me e limito-me a anotar mentalmente os sítios onde há e não há Água das Pedras e quais as práticas substitutivas usadas, sem que isso condicione verdadeiramente as minhas escolhas de “estabelecimentos”, mas como exercício de preparação mental, digamos assim. Mas mesmo nos sítios onde sei que não costuma existir, nunca deixo de pedir a minha água pelo nome, na secreta esperança de vir a ser surpreendido… é raro, mas já aconteceu.

Pedras Salgadas, problemas na distribuição?

As campanhas publicitárias recentes da Água das Pedras, sob o mote “O Poder da Natureza É Infinito” e “Trazida Até Si Pela Natureza” prometiam um novo vigor à marca e, como de costume, fizeram-me ter a esperança de poder beber a minha água em locais que tradicionalmente não a tinham.
São anúncios bonitos e bem feitos, que ficam na cabeça das pessoas, o que faria com que comerciantes que habitualmente devem usar critérios exclusivamente de preço na escolha do stock de águas, pensassem um bocadinho melhor e quisessem ter “aquela de que mais se fala“. Julgava eu.
A verdade é que, em mim, a campanha está a ter um efeito perverso: vejo a água mais na publicidade do que nos sítios que frequento e isso aumenta a minha frustração. E, de repente, a imagem “queridinha” de duas tartarugas a trazerem a água até mim, porque ela é “trazida pela natureza” tem apenas o sentido trágico-cómico de “nunca mais se despacham a chegar aos sítios onde eu estou!“.

O Poder da Natureza é Infinito, de facto, mas parece que não pode muito contra um urso a tratar da distribuição!

Pedras Salgadas, um urso na distribuição?