20 anos do Guimarães Jazz

A marcar a 20ª edição do Guimarães Jazz – um festival consolidado no panorama cultural português e já com afirmação além-fronteiras, pela qualidade da programação, pela diversidade e quantidade de propostas que apresenta ao seu público, pelo crescimento sustentado e continuado e pela adaptação a novos desafios e às profundas mudanças que o contexto em que se realiza sofreu, a várias escalas – é merecida uma visão retrospectiva ampla não só do que aconteceu nas diversas edições, mas, principalmente, dos parâmetros, das condições, das opções e dos acasos que lhes deram origem e o sustentam no tempo.
A pensar nisso, o livro “Guimarães Jazz 20 anos” é com certeza uma das melhores formas de assinalar este momento e prestar uma justa homenagem ao Guimarães Jazz e a todos os que o tornaram possível nestes 20 anos. O Café Concerto do CCVF é o espaço reservado para o lançamento desta edição especial.

O Guimarães Jazz neste ano de 20º aniversário, acontece de 8 a 19 de Novembro e o programa merece, mais uma vez, toda a atenção. Foi com enorme prazer e algum receio, dada a enorme responsabilidade, que contribuí para o livro que assinala a efeméride e será uma honra assistir e participar do seu lançamento.

Futureplaces Impromptu All-stars Orchestra CD

Faz parte do programa do festival Future Places – Digital Media and Local Cultures deste ano o lançamento de um CD com música criada a partir de recolhas e trabalhos realizados durante a edição do ano passado, na qual colaborei com Blaine L. Reiniger, Marc Behrens, Filipe Silva e Henrique Fernandes, entre outros. Fui convidado para assinar uma das faixas e é muito estimulante fazer parte de tão ilustre colectivo.

Mais novidades em breve.

Andrea Neumann & Guests no Festival TRAMA

No próximo dia 15 de Outubro, sábado, no âmbito do TRAMA – Festival de Artes Performativas, apresenta-se um projecto novo, dirigido por Andrea Neumann (composição e inside piano), com 4 convidados portugueses: Ana Veloso (guitarra), Diana Combo (gira-discos), Filipe Silva (feedbacks) e João Martins (sax, MeSa, Contratear e laptop acústico).

A performance será às 19h30, no Centro Português de Fotografia.

O projecto foi desenvolvido durante um workshop de 1 semana, combina composição e improvisação, num contexto em que há som gravado e som produzido em tempo real e que se baseia num processo de análise de gestos pessoais (performativos e quotidianos) e nas suas possíveis representações.

Considerem-se convidados.

Dia Tónico

A frequência com que canções de embalar me assaltam o espírito é quase preocupante.

Este “Dia Tónico”, dedicado à minha filha, começou a insinuar-se há uns dias, numa viagem de regresso de Paredes de Coura, onde estive com muitas crianças. Vai por isso para todas elas, para quem partilhou essa experiência comigo e para uma bebé muito simpática, chamada Ana Luísa.

20 anos do Guimarães Jazz

2011 é ano de celebrações, sendo uma delas, os 20 anos do Guimarães Jazz. Tenho o privilégio de participar nas celebrações com um pequeno artigo retrospectivo, tendo tido a oportunidade de entrevistar alguns dos protagonistas destes 20 anos. Escrevo, a certa altura da introdução:

(…) Era bom que fosse frequente celebrarmos a 20ª edição destes acontecimentos: festivais de músicas várias, de teatro, dança ou artes performativas em geral. Iniciativas culturais descentralizadas, instituições ou espaços dedicados à promoção da arte e da cultura cujos projectos celebrassem esta singela marca das duas décadas seriam bons indicadores da saúde do nosso tecido cultural mas, mais do que isso, da nossa liberdade, da qualidade do nosso desenvolvimento e da maturidade da nossa democracia.
Infelizmente não é o caso: não só não é frequente celebrarmos 20 edições consecutivas e sustentadas de festivais ou 20 anos de programação consequente de instituições culturais, especialmente, se pensarmos em termos de descentralização cultural, como não chega sequer a ser assunto de debate aprofundado as razões que dificultam a sua realização ou continuidade.
E, enquanto a tão debatida questão da “cultura dos mega-eventos” consome demasiado espaço na opinião pública, não aparecem com a frequência necessária os exemplos que contrariam essa tendência.
Pensar, por isso, nas 20 edições do Guimarães Jazz e tentar fornecer uma visão retrospectiva ampla não só do que aconteceu nas diversas edições, mas, principalmente, dos parâmetros, das condições, das opções e dos acasos que lhe deram origem e o sustentam no tempo é um desafio de importância extrema.

Sons microscópicos: improvisações

Como disse no artigo inicial sobre este trabalho dos sons microscópicos, “além dos desenhos, que são solos, fizemos improvisações em alguns dos meus “instrumentos” que, depois duma oficina de sonoplastia, já faziam mais sentido.

Cá estão as improvisações (dirigidas): 3 trios e um duo em “MeSA”, “laptop acústico” e “desenho”.

Sons microscópicos: faz-me um desenho III

continuação dum artigo anterior

[desenho 11 e 12. trios improvisados no próximo artigo]

Sons microscópicos: faz-me um desenho II

continuação do artigo anterior

[desenhos 6 a 10. continua no próximo artigo]

Sons microscópicos: faz-me um desenho para eu ouvir

Depois de ter experimentado fazer pequenos “audiowalks” à descoberta de lugares escondidos, voltei ao Programa À Descoberta do CCVF e estivemos a procurar “sons microscópicos”. As actividades com este grupo desenvolveram-se à volta desta ideia, ligando-se à visita que tinham feito no dia anterior à Universidade do Minho e continuei a explorar exercícios de escuta e exploração do som. Chamámos “sons microscópicos” aos sons para os quais precisamos de ajuda técnica na escuta e estivemos a testar várias formas de captar e amplificar os mais diversos sons, desde o bater do coração à textura da pele, passando pelo som dum desenho.

Também partilhei com as crianças um “lugar-acústico escondido” muito especial: o limite superior do espectro audível delas, que os adultos, como eu, não conseguem ouvir. ;)

Além dos desenhos, que são solos, fizemos improvisações em alguns dos meus “instrumentos” que, depois duma oficina de sonoplastia, já faziam mais sentido.

Se quiserem um conselho, experimentem ouvir vários “desenhos” em simultâneo e não ponham o volume muito alto, porque todos eles descobriram a magia dos “pontos” bastante cedo. ;)

[desenhos de 1 a 5. continuação no próximo artigo]

Coisas com música | Música com coisas

Foi este o mote das actividades que propus durante o Curso de Verão do Balleteatro, em que trabalhei, de 11 a 15 de Julho, com 2 grupos de crianças, divididos por idades.

Curso de Verão Balleteatro

O Curso de Verão estava subordinado ao tema geral dos “objectos” e pedia-se às crianças que trouxessem objectos de casa que seriam usados nas várias oficinas.

A minha abordagem foi mais ou menos esta:

coisas com música

Dado o tema geral proposto e o facto da colecção, criação e manipulação de objectos estar presente de forma permanente, a minha proposta passa por explorar o som dos objectos. Não se tratará duma oficina de construção de instrumentos a partir de objectos, mas sim dum oficina de procura de sons interessantes produzidos pelos objectos disponíveis. Trata-se por isso dum exercício de escuta, criatividade e imaginação, que incorpora formas de captar e amplificar sons a que normalmente não prestamos atenção, mas que podem ser interpretados como matéria musical.
Muito orientado para acções práticas de manipulação, captação e gravação, os momentos de reflexão da oficina serão associados a exercícios de escuta, que promovem a concentração e a promoção duma nova forma de ouvir.

música com coisas

Com a exploração de sons e com os exercícios de escuta, coloca-se naturalmente a questão do que pode ser a música que as “coisas” produzem. Usando como parâmetro fundamental a ideia de organização de eventos sonoros no tempo e conceitos de padrão e jogo, faremos exercícios com os sons descobertos para procurarmos “frases musicais” e usaremos ferramentas simples de edição e sequenciação de som, para desenvolver pequenas ideias musicais.
Conceitos cada vez mais usuais e transversais como os loops (ciclos repetíveis) e os samples (excertos ou amostras) serão manipulados na prática, em suportes simples e intuitivos e as pequenas ideias musicais produzidas ficarão disponíveis quer para os participantes levarem consigo para casa, quer para utilização noutras oficinas.

A implementação do plano exigiu algumas adaptações e o que podem ouvir aqui é o resultado dessas adaptações e uma amostra do tipo de trabalho que se fez.

Com o grupo dos mais novos, explorámos o som dos objectos e padrões rítmicos simples. Em “Baterias de Coisas” o que podem ouvir resulta de padrões rítmicos desenhados por eles no Hydrogen, em que cada “instrumento” é um som descoberto nos seus objectos.
Como nota para quem quiser pensar em actividades similares, devo dizer que fiquei muito satisfeito com a combinação de Audacity e Hydrogen para criar rapidamente “drumkits” a partir de qualquer fonte sonora.

Com os mais velhos, trabalhámos os sons dos objectos e a ideia de padrões em lógicas de sobreposições e montagens um pouco mais complexas, das quais resulta a peça “Coisas com Música“. Num segundo momento, usando um patch de análise e conversão MIDI em PureData, fizemos “Música com Coisas” com todos eles a “tocar piano” manipulando sons elementares: voz, corpo, objectos.

Divirtam-se a ouvir, como nós nos divertimos a fazer. E se ficarem com dúvidas, digam, para aprendermos todos uns com os outros.