Já que é já Natal…

“Os Pais Natais”

Sérgio Godinho canta com Os Amigos do Gaspar

canção de Sérgio Godinho (letra) e Jorge Constante Pereira (música)
para o programa Os Amigos de Gaspar

Já que é já Natal
se um Pai Natal houver
mais que dois ou três
então à vez
podemos ser, sei lá
o Pai Natal sempre de alguém
de quem não tem direito
ao seu presente
resplandescente

Já que é já Natal
se um Pai Natal houver
mais que dois ou três
então à vez
podemos ser, sei lá
o Pai Natal sempre de alguém
de quem não tem direito
ao seu presente
resplandescente

Olha o Pai Natal
mais um Pai Natal
outro Pai Natal

Olha o Pai Natal
mais um Pai Natal
outro Pai Natal

Eu vou ser Pai Natal
Eu sou Pai Natal
Já fui Pai Natal
Natal, Natal, Natal, Natal

Com votos de boas festas, abraços, beijos e saudades especiais.

Downgrade do Natal

Há, de certeza, melhorias que podem ser introduzidas nisto do Natal. Aliás, acho mesmo que basta fazermos uns quantos downgrades para voltarmos a uma versão mais “básica” sobre a qual talvez se possa construir uma época com
algum sentido.
Eu, que sou ateu desde pequenino (de formação, se quiserem), lembro-me de haver uma altura em que o Natal não me incomodava como agora. Ser criança e receber prendas talvez tivesse alguma coisa que ver com isso, mas acho que havia mais alguma coisa.

E isto não pretende ser um “rant” acerca da fúria consumista… só.

O que me incomoda, acima de qualquer outra coisa, é a sensação, que se me afigura cada vez mais como real, de que os verdadeiros detentores desta celebração e seus supostos guardiões, os cristãos, estão a deixar que ela seja “manipulada”, “ocupada”, “parasitada” pela lógica de consumo, que se assume, desta forma, como uma outra espécie de religião que nos tenta converter a todos. Uma religião que tem os seus próprios símbolos, templos, rituais e celebrações que se sobrepõem e aproveitam das tradições existentes. Na história das religiões isto não é novo: o próprio Cristianismo foi absorvendo várias manifestações pagãs ao longo da sua expansão.

Mas não deixa de ser estranho assistir ao esboroar duma certa identidade, com o eventual argumento admirável de que esta será uma forma de “abrir” a celebração a todos.

É que nem todas as celebrações deveriam ser para todos. Ou, pelo menos, não deveriam abdicar do que lhes é central por uma qualquer ideia de “acessibilidade”.

E, assim, me apanham numa demanda reaccionária: quero um Natal com fronteiras, que seja uma festa que não é minha, mas da qual posso participar por generosidade dos outros. Era esse o sentimento que tinha quando era criança: o Natal era uma coisa estranha, à qual eu não pertencia, mas no qual me era dado o “presente” de partilhar, pela generosidade dos outros.

Parece demasiado esquisito?

Medicina Preventiva

Começo a achar que o tradicional Natal dos Hospitais e todas as iniciativas similares são, de facto, uma mega-operação de medicina preventiva: eu, pelo menos, farei de tudo para não ser apanhado num hospital ou em qualquer unidade de cuidados de saúde por esta altura. Até ter cuidados de saúde extra. Que pesadelo!

Mas não será um bocado desumano torturar desta maneira pessoas que já estão doentes? E, ainda por cima, acho que a maior parte dos acamados nem sequer pode tentar fugir.

Ou serão todos figurantes?

Neste Natal, de presente, eu quero que seja…

Prendas de Natal? Discos de Música ExperimentalSe tiver mesmo que comprar prendas e quiser oferecer alguma coisa rara, que (quase) ninguém tem ou oferece e que não o compromete em nada com a lógica consumista natalícia, aceite este conselho singelo:

compre música portuguesa experimental!

Há para vários gostos e bolsas, em vários locais e formatos. Em comum, têm o facto de serem edições desconhecidas, raras e quase sempre supreendentes.

Pode ir à Feira Laica e ver o que lá há. Pode comprar discos da Soopa, em particular o Abraço Vivo, da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa.

Pode ir ao site da Let’s Go To War e pedir algumas ou todas as peças do fantástico catálogo: Red Albinos, Klank Ensemble, Lost Gorbachevs… só projectos de qualidade.

Pode mesmo ir à iTunes Music Store, se gostar de lojas mais “cool”, e comprar os discos de Ohmalone.

E o melhor é que pode ouvir (quase) tudo antes de escolher, aqui. Se gostar, oferece aos amigos, se não gostar… já sabem como é que isto acaba, não é?

Mas a sério: há lá coisa mais natalícia do que oferecer algo inesperado como um disco estranho de um projecto desconhecido? E ainda por cima é dentro do espírito “o que é nacional é bom” ou “cá se fazem, cá se compram”.

Não?…

Uma moedinha para o artista… acham que resulta melhor?

Explica-me… o Natal

Porque não quero chegar ao fim do ano sem voltar a publicar alguma coisa no podcast e porque todos os outros projectos estão demasiado atrasados na pós-produção… e porque esta altura do ano é usada normalmente para balanços… e porque o Natal é e será sempre um mistério, para mim…

Abraço Vivo - F.R.I.C.S.Este é o início duma faixa do CD-R Abraço Vivo, da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa – F.R.I.C.S. que, a posteriori, foi batizada como “Explica-me O Que É Que Eu Fiz“. O título reflecte a melancolia lírica deste meu início a solo no sax soprano, provavelmente, mas, mais do que isso, ilustra o carácter inexplicável e irrepetível da improvisação livre. Ainda agora, ao ouvir esta introdução a solo peço que me expliquem o que é que eu fiz e porque é que me deixaram assim, a solo e quase sem rede durante tanto tempo.

Momentos destes são raros, por definição, mesmo que sejam cada vez mais frequentes com o amadurecimento como músico e o fortalecimento das cumplicidades.

A recuperação e partilha deste excerto tão “misterioso” como “lírico” é uma forma de vos desejar a todos o Natal que quiserem.

E, quem sabe, serve como chamariz para os concertos em Lisboa e no Porto. onde até poderão comprar a vossa própria cópia do CD. Que dizem?

Abraço Vivo!