Entradas com Etiqueta ‘open-source’

Até onde pode ir o Software Livre no Estado Português?

Sexta-feira, 15 de Fevereiro, 2008

É uma óptima pergunta, não é?

O site Software Livre na AP procura ser parte da resposta:

Este local é um repositório de conhecimento em software livre (Open Source Software - OSS) das entidades do Estado Português e destina-se a ser um ponto de encontro e troca de experiências entre todos aqueles que, ao serviço do Estado, o utilizam. Deste contributo resulta uma mais-valia incalculável para quem pretende vir a utilizá-lo.

Associação Ensino LivreMas a navegação pelos incipientes exemplos de boas práticas dá-nos uma visão deprimente, ainda que realista, do panorama. Uma das áreas fulcrais (porque tem grandes impactos a prazo) é a Educação, e é por isso que a recém-criada Associação Ensino Livre pode vir a ter uma grande importância na definição duma dinâmica diferente.

É que a resposta à pergunta que serve de título a este artigo está na educação. É nas escolas, em todos os graus de ensino, que se podem inverter práticas perversas, criar novos hábitos, difundir novas posturas éticas.

Pessoalmente (e localmente), não posso deixar de lamentar o afastamento que a Universidade de Aveiro, que tanto se orgulha do seu papel pioneiro em tantas áreas, mantém, relativamente ao Software Livre. E não posso deixar de me interrogar, por causa do peso que a UA tem na dinâmica “local”, como seriam as coisas na autarquia, por exemplo, se o “contexto” fosse mais favorável à adopção destas soluções.

Mas quais serão os factores que determinam o grau de penetração do Software Livre nas diferentes áreas da Administração Pública portuguesa (nas autarquias, por exemplo)?

  • Opções políticas?
  • Dimensão e complexidade dos sistemas implementados?
  • Grau e antiguidade da informatização dos serviços?
  • Dependências económicas?
  • Competência do apoio técnico disponível?
  • Proximidade de prestadores de serviços/soluções diversificados?

A resposta será sempre multifacetada e há algumas partes da resposta mais defensáveis (e confessáveis) do que outras, como é óbvio. Mas era importante que se reflectisse publicamente sobre isto, porque esta é uma questão pública, por mais que se tente disfarçar.

Para esta reflexão, todas as contribuições são bem vindas.

Toca a facturar: Gardénia foi a escolha acertada

Quinta-feira, 7 de Fevereiro, 2008

Pedi sugestões para software de facturação e recebi várias. Gostava de ter tido tempo para fazer testes reais a mais do que uma, mas acabei por usar um conjunto de critérios básicos para seriar as soluções e como os testes da primeira escolha correram bem, a partir de amanhã estarei a “facturar” com o Gardénia Desktop Edition, da Gotham.

As soluções “candidatas” à escolha eram inicialmente três— Evaristo / MP-Biz, Gardénia e Projecto Colibri—, mas vi-me forçado a excluireste último, porque ainda não faz exportação para SAFT-PT na versão Mac e isso é um imperativo legal. Em boa verdade, o facto de não ser open-source também não ajudava, mas foi o SAFT o critério decisivo.

Assim, dei por mim a olhar para as duas opções open-source e verdadeiramente multi-plataforma, muito semelhantes entre si e decidi testar o Gardénia Desktop Edition pela razão mais óbvia de todas: preguiça! Enquanto todas as outras ferramentas obrigam a instalação de PostGreSQL, o Gardénia Desktop Edition funciona com um único instalador e isso, considerando o uso que o software vai ter, é uma grande vantagem. Ainda assim, esperava mais dificuldades, uma vez que não há um manual e que a exportação para SAFT-PT, por exemplo, depende de um script autónomo. E, genericamente, estou habituado a que este tipo de ferramentas não seja de instalação ou manuseamento básico em Mac OS. Mas tive uma agradável surpresa: o fórum de suporte tinha a resposta a todas a minhas questões, a instalação decorreu sem problemas de maior, assim como a configuração dos parâmetros fundamentais e do script para exportação SAFT-PT.

Tive apenas que alterar um ou dois parâmetros em ficheiros de configuração, como indicado no fórum (um por causa do UTF-8, outro por causa da configuração do script do SAFT). E criei 2 scripts simplórios, um para lançar a aplicação, outro o SAFT Export Utility, sem ter que ir ao Terminal (e aprendi a executar shells em AppleScript, que é básico mas acho que nunca tinha precisado).

Continuo a olhar para qualquer aplicação de facturação como um boi para um palácio, mas agora o problema é não perceber nada de contabilidade. Mas fiz os testes de que precisava, confirmei com a contabilista que nos vai dar uma ajuda e está tudo nos conformes. Toca a facturar!

Se alguém quiser fazer perguntas acerca do processo de instalação e/ou configuração, eu posso tentar responder (para Mac OS X 10.4.11), mas ficam muito bem servidos no fórum de suporte. E se quiserem saber mais acerca do Gardénia, podem ter interesse em ver esta apresentação em PDF.

E se tiverem observações pertinentes a fazer, agradeço, também. Só dispenso mesmo maldições e votos de infortúnio. ;)

Precisa dum inquérito online? LimeSurvey, sem dúvida!

Sexta-feira, 25 de Janeiro, 2008

 

LimeSurvey: uma aplicação open-source para a construção de questionários on-line extraordinária

Não é propriamente uma necessidade quotidiana, mas já por várias vezes fui abordado para dar conselhos ou apoiar a construção de vários tipos de inquéritos ou questionários on-line e, pela quantidade de vezes que sou solicitado para responder a alguns, parece-me que são ferramentas para levar a sério.

Entre outras coisas, porque um questionário online bem construído pode ser uma poderosa ferramenta de análise de mercado, uma boa base para um estudo de opinião ou um simples indicador estatístico, com uma população alvo vasta e custos de implementação substancialmente reduzidos.

Ser bem construído significa, por exemplo, ter possibilidades de gerar convites, validar respostas, permitir interrupções no preenchimento guardando o que já se fez, criar percursos condicionais, ordenar aleatoriamente hipóteses de resposta-múltipla para evitar distorções, exportar os dados em formatos fáceis de analisar em ferramentas específicas de estatística… e muitas coisas mais que vou aprendendo à medida que acompanho o trabalho de quem pensa nestes assuntos.

O meu companheiro nestes contextos é o LimeSurvey que não cansa de me surpreender por ser tão completo, tão bem pensado e implementado, tão equilibrado em termos de facilidade de utilização e flexibilidade. De tal forma parece ter tudo, estar preparado para tudo e permitir tudo que hoje perdemos algum tempo por presumirmos que teria uma função que, de facto, não tem: gerar ou seleccionar perguntas aleatoriamente de um conjunto pré-determinado. Pelo menos, não duma forma que permita guardar simultaneamente a pergunta e a resposta.
Para que tipo de questionário é que isso é útil seria difícil de explicar, neste momento, mas a verdade é que, sendo uma funcionalidade que eles reconhecem que poderá vir a ser implementada no futuro, para já, não existe.
E, provavelmente, não existe out-of-the-box na esmagadora maioria das aplicações do género, mas confiava de tal forma na aplicação que presumi que seriam favas contadas.

Ainda assim, a verdade é que, depois de perceber e aceitar que a solução mais elegante não estava disponível, encontrei um “dispositivo” que serve os propósitos do inquérito, não estraga nada e permite recolher a informação tal e qual se pretendia: um grupo de perguntas de controlo, com elementos aleatórios gerados por JavaScript e condições resultantes dessas respostas a determinar o passo seguinte, acrescenta uns cliques, mas resolve o problema.

Depois de “dobrar este cabo”, não tenho receio nenhum em recomendar vivamente o LimeSurvey a quem quer que precise de criar e/ou manter um questionário on-line para as mais variadas funções. Aliás, era óptimo se muitos questionários que recebo na caixa de correio fossem feitos por recurso a uma ferramenta deste tipo: as vantagens para quem responde são tão grandes como as para quem desenvolve.

Para mim, é um achado!

Desambiguação: Software Livre / Open Source

Quarta-feira, 23 de Janeiro, 2008

Presumo que para muitas pessoas que tentaram acompanhar os comentários a este artigo recente sobre Open Source terão ficado baralhadas pela utilização dos termos Software Livre e Open Source. Eu próprio sou parte dessa confusão porque tenho ainda alguma dificuldade em compreender os contextos em que uma e outra designação se aplicam.

Para ajudar à definição de Software Livre / Free Software e a sua relação com o Movimento Open Source, este artigo do Georg C. F. Greve, traduzido pelo Rui Miguel Seabra no site da ANSOL pode ser útil.

Mas para se perceber que a confusão não é só minha e como forma de perguntar ao “vasto auditório” se estão de acordo com esta visão da FSF e da ANSOL de que

O movimento “Open Source” tem por objectivo ser um programa de marketing do Software Livre. Esse objectivo deliberadamente ignora todos os aspectos filosóficos ou políticos; estes aspectos são considerados prejudiciais à comercialização.

Por outro lado, o movimento Software Livre considera o ambiente filosófico/ético e político como uma parte essencial do movimento e um dos seus pilares fundamentais.

pergunto se as possibilidade de extrapolação do conceito e do termo Open Source, para outras áreas disciplinares, não terão algum interesse.

Não podemos falar da aplicação dos princípios defendidos pelo movimento Open Source em várias áreas vitais? Não será possível agrupar vários esforços “libertários” no que à informação e tecnologia diz respeito debaixo destes princípios, depois duma qualquer generalização? Isso fere os princípios do Software Livre? Ou expande-os?

Estou, muito sinceramente, a pensar alto e a tentar esclarecer-me com a vossa ajuda (possivelmente), sobre as implicações de se confundir processos e procedimentos de desenvolvimento e distribuição de código informático, com princípios éticos e filosóficos. Os últimos são a base dos primeiros e são generalizáveis. Mas esses, como os vou encontrando por aí, ora me iludem, ora simplemsente me confundem e baralham.

A desambiguação da responsabilidade da ANSOL vale como esclarecimento para a futura utilização dos termos neste blog, no contexto do software.

Mas, sinceramente, não estou completamente esclarecido.

Aceitam-se sugestões para software de facturação

Quarta-feira, 23 de Janeiro, 2008

Por razões que até a mim me ultrapassam, vou precisar de arranjar um software de facturação. Aceitam-se sugestões dentro dos seguintes parâmetros:

  • emissão de facturas de acordo com a legislação em vigor (incluindo suporte de exportação em SAFT-PT)
  • módulos adicionais de apoio contabilístico e financeiro são extras
  • mais barato do que os livros impressos nas tipografias aqui do burgo (à volta de 60 euros para 2 livros de facturas A5 a 1 cor e 4 vias)
  • preferencialmente open source
  • multiplataforma (Mac / Windows / Linux / …)
  • … lembram-se de mais alguma coisa?

Estou a ponderar fazer um test-drive ao Evaristo, que tem um belo nome. Se tiverem experiência com esta solução ou soluções parecidas (aplicação Java com base de dados em PostgreSQL), avisem.

Open Source: ideia ou doutrina?

Terça-feira, 22 de Janeiro, 2008

É-me difícil deixar de pensar na questão do Open Source, principalmente depois de episódios como este, em termos globais ou conceptuais, tentando perceber as diferentes abordagens possíveis ao fenómeno e tentando compreender ou descobrir a minha real relação com o fenómeno. De certa forma, dou por mim  a pensar que os puritanos de que falava, se calhar, têm razão e, na verdade, eu não apoio o Software Livre.

De facto, pensando nisso com algum cuidado e profundidade, do ponto de vista filosófico, quase, não me seria possível apoiar o Software Livre da mesma forma que um programador o faz, porque o significado desse apoio é fundamentalmente diferente. Basicamente, tudo se resume a uma ideia de liberdade e aos processos e ferramentas necessárias ao exercício dessa liberdade. Para um programador, de facto, o acesso ao código é condição de liberdade, mas, por muita retórica que se use, esse acesso não se traduz num exercício de liberdade para os restante utilizadores do código. Para os utilizadores, poderá ser útil e conceptualmente positivo, como eu acho que é, estar dependente duma comunidade activa e eticamente saudável de programadores, em vez de estar nas mãos duma corporação centrada no lucro, mas o acesso ao código não é condição de liberdade desses utilizadores. Esse “exercício de liberdade” é restrito e, no fundo, estabelece uma outra forma de tecnocracia.

É por isso que a mim me parece que defender e apoiar um ideia de Open Source, consiste em compreender quais as fontes de conteúdo que permitem o exercício real de liberdade a todos. E isso, nem sempre resulta da adopção ou na adopção de soluções de Software Livre. A liberdade no acesso e manipulação de conteúdos como música, imagem, vídeo ou texto é um problema igualmente importante quando se fala de liberdade. Mas é um problema que diz respeito a questões de direitos de autor, propriedade intelectual, formatos de distribuição, etc… Filosoficamente falando, as ligações entre o Software Livre e a luta contra os DRM são evidentes não são? Mas haveria música em formatos digitais (com ou sem DRM) se os músicos e os estúdios estivessem dependentes de Software Livre? Não.

Por isso, e para esclarecer eventuais dúvidas, assumo: não sou apoiante do Software Livre como tal, de forma absoluta, já que a liberdade contida no código aberto é, para mim, uma abstracção de liberdade que, na esmagadora maioria dos casos, não posso exercer. Sou favorável à dependência de comunidades de programadores empenhados, em vez de corporações gananciosas, mas não presumo que essas comunidades, por mais bem-intencionadas que sejam percebam todas as minhas necessidades. Não sinto por isso, na adopção de ferramentas com código proprietário, uma  limitação da minha liberdade. A minha liberdade passa por outras lutas, muito mais centradas na forma de distribuição de conteúdos e nos modelos de propriedade intelectual, com protecção dos autores, mas liberdade para a utilização e derivação.

Sinto muito.

Puritanos

Domingo, 13 de Janeiro, 2008

Tenho seguido com um misto de incredulidade, espanto e nojo uma conversa colectiva via mail, que começou com uma simples questão que envolvia o uso de Linux em portáteis e descambou numa discussão interminável à volta de tudo e mais alguma coisa que se relacione (ou não) com a utilização e o apoio ao Software Livre. A incredulidade, o espanto e o nojo não têm nada a ver com o tema da conversa, que me é caro, mas com o estranho rumo a que este tipo de conversas parece condenado. Mas, desta vez, alguns argumentos e opiniões são rocambolescos na forma e ofensivos no conteúdo.

Nada de novo, para quem tem experiência nestas lides, mas, ainda assim é preocupante ficar com a sensação de que não é possível ter conversas racionais sobre estes assuntos em determinados círculos. Desta vez, chegou-se ao cúmulo de pretender determinar se apoiar o Software Livre implicaria ou não usá-lo exclusivamente e/ou recusar a utilização de software proprietário. Para mim, que me considerava apoiante— não-incondicional, mas, ainda assim, apoiante— do Software Livre, pela simpatia filosófica e pela experiência positiva que tenho com várias ferramentas e processos fortemente melhorados pela implementação dessas soluções, uma postura de “tudo ou nada” parece-me completamente ridícula. E, mais do que isso, diz muito acerca da (falta de) mundividência e da ignorante arrogância de quem produz afirmações deste tipo. Basicamente, medir a realidade por um padrão que guardamos no umbigo, não será muito mais do que uma forma idiota de Puritanismo, completamente contrária à promoção duma ideia justa, como a do Software Livre.

Claro que esta é apenas a minha opinião, que acredito que, se do lado de quem desenvolve software, opções exclusivistas por Software Livre poderão ser possíveis (acredito no que me dizem) e, se no meu trabalho modesto de programação para a web e implementação de soluções de apoio em sistemas de informação, normalmente consigo implementar soluções desse tipo, não posso ignorar que há áreas importantes da minha própria actividade e de outros utilizadores (não programadores) em que não há soluções fiáveis, equiparáveis a software proprietário ou sequer produtivas. Não reconhecer essa realidade é “enfiar” a cabeça na areia e confundir utilizadores com programadores no contexto destas conversas é prestar um péssimo serviço ao movimento do Software Livre, na minha humilde opinião.

Claro que como eu uso software proprietário para criar e editar áudio, vídeo e animações e como eu reconheço que na área gráfica, por exemplo, não é fácil usar só Software Livre porque uma parte do “aparelho produtivo” não está preparada para isso e como eu reconheço ainda que a implementação de novas soluções deve ser adaptada também ao nível de familiaridade dos utilizadores… e, ofensa das ofensas, as minhas opções sucessivas e as áreas de especialização fizeram-me escolher um Sistema Operativo “maléfico”… tudo isso junto deve fazer com que a minha opinião seja completamente irrelevante para alguns “puritanos”.

Azar…

Campanha para formação da Associação Escolas Livres

Sexta-feira, 26 de Outubro, 2007

Em http://escolaslivres.org/?q=node/32 (via Mind Booster Boori / PrintScreen):

Colaboração, Trabalho de Equipa

O projecto Escolas Livres pretende dar um passo em frente e formar uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção do software livre nas Escolas portuguesas. Ao formar uma Associação poderemos finalmente levar a cabo iniciativas que de outra forma seriam muito difíceis de concretizar sem uma estrutura jurídica, nomeadamente, receber apoios, organizar acções de formação, fazer candidaturas.

Para a formação da Associação pretendemos reunir um fundo inicial que servirá sobretudo para o processo de legalização. Consideramos que o projecto tem uma importância vital para a promoção do software livre em Portugal e que o passo que pretendemos dar é um passo lógico e necessário, por essa razão acreditamos que podemos contar com o apoio da comunidade de software livre portuguesa. Além do apoio monetário será igualmente necessário o envolvimento activo da comunidade na Associação para que esta funcione em pleno, nomeadamente no que diz respeito à participação nas actividades e nos órgãos sociais.

Para isso, temos como objectivo inicial reunir 75 associados fundadores até Janeiro de 2008, que contribuirão com uma quota anual de 10 euros. O primeiro pagamento só será realizado em Janeiro e apenas se a meta for atingida. Se o referido objectivo não for alcançado a criação da Associação será adiada.

A quota anual de associado garante, obviamente, o direito de participar nas decisões da associação, eleger e ser eleito para os órgãos sociais, e ter um papel activo na promoção do software livre nas Escolas.

O fundo angariado nesta campanha será inicialmente gerido através da Associação Cultural Audiência Zero, até à constituição da Associação Escolas Livres, a partir da qual o fundo será transferido para a nova associação. A Audiência Zero ficará igualmente responsável pelo processo de legalização.

Página para inscrição como associado fundador: http://www.escolaslivres.org/?q=node/29

Sim, eu já me inscrevi. E vocês, do que é que estão à espera?

Software Livre em Dossier

Terça-feira, 23 de Outubro, 2007

Software LivreSe eu tivesse tempo, gostava de pôr aqui um artigo em jeito de balanço de algumas das questões relativas ao Software Livre de que já falei aqui no blog: a luta contra o falso standard OOXML da Microsoft, a iniciativa legislativa do PCP para a adopção de software livre na Assembleia da República (que o PS fez o favor de abastardar e aconselho este artigo da Paula Simões para que percebam melhor como), o I Forum de Software Livre em Lisboa… todas estas coisas que mereceram referências passageiras aqui foram tendo desenvolvimentos que, apesar de seguir com atenção, não coincidiram com buracos na agenda em que pudesse escrever aqui mais qualquer coisa.

Recebi hoje a notícia de que o Portal Esquerda passa a ter um dossier dedicado às questões do Software Livre. É óbvio que não será uma fonte de informação técnica tão útil ou actualizada como outras (exemplo), mas terá a vantagem de cruzar as questões técnicas com as questões éticas, políticas e de cidadania. Não é preciso estar de acordo em tudo, nem sequer partilhar valores ideológicos para encontrar informação útil e visões esclarecidas.

Aconselho vivamente.

I Fórum de Software Livre de Lisboa

Segunda-feira, 10 de Setembro, 2007

Realiza-se a 12 e 13 de Outubro o I Fórum de Software Livre de Lisboa.

Pessoalmente, acho importantíssimo que iniciativas desta natureza se realizem e espero que o seu impacto se faça sentir. Eu, que na qualidade de consultor já ajudei a implementar algumas soluções open source quer para a construção e gestão de presenças on-line, quer para tarefas administrativas básicas, sei bem que a resistência ao open source de uma grande parte dos empresários portugueses, por se basear em equívocos e desinformação, não é fácil de vencer.
Mas conheço muitos exemplos simples de sucesso: desde a substituição (sem dramas) de cópias piratas de MS Office por suites de OpenOffice, à implementação de CMS open source com impactos na economia, actualização e qualidade dos conteúdos de websites, até à utilização de GIMP para produzir legalmente simples etiquetas que eram produzidas ilegalmente em Photoshop (sem necessidade nenhuma), ou mesmo implementação de sistemas open source de gestão de projectos e time-tracking, substituição de licenças ilegais de Outlook por Thunderbirb, melhorias na navegação na web por utilização de Firefox, implementação de projectos de e-learning com o Moodle

Os exemplos práticos, em todas as escalas e sem fundamentalismos, poderão servir para vencer medos e esclarecer equívocos e, com isso, apoiar uma mais fácil adopção de soluções open source e, quem sabe, a compreensão da diferença entre Software Livre e Software Gratuito que seria, isso sim, um grande salto na cultura empresarial portuguesa na sua relação com a informática.

Por isso, expresso aqui os desejos de sucesso para o Fórum, apesar do seu primeiro sinal para o exterior, o website merecer, de facto, fortes críticas e de ter assistido, noutro espaço digital, a uma certa dificuldade em saber encaixar essas críticas.

Claro que não me parece razoável que se critique o evento ou se duvide da seriedade das pessoas envolvidas só porque não demonstram grande domínio da língua portuguesa, mas a verdade é que, além de um erro na mensagem original de divulgação, as gralhas do site que promove a iniciativa são graves e não dizem apenas respeito ao português utilizado. O que, em si mesmo é muitíssimo relevante, já que não está em causa a competência dos programadores, mas sim a eficácia dum evento que dependerá da capacidade de comunicação.
Mas a amostra do site não é encorajadora, de facto. Tanto mais que é grande o número de soluções de CMS open source com óptimos templates livres e código sólido, sendo, por isso, difícil de perceber a opção por uma solução que, quer ao nível gráfico, quer ao nível da programação não é propriamente feliz.

Espero por tudo isto que a qualidade do evento apague a má impressão criada pelo site e que, com críticas construtivas, a estratégia de divulgação do Fórum vá melhorando.

Eu, pessoalmente, já que pouco mais posso contribuir para esta causa, ofereço-me para rever alguns textos… não há-de custar muito mais do que personalizar uma localização do Moodle ou do Wordpress, pois não?