Entradas com Etiqueta ‘paternidade’

Desabafo

Sexta-feira, 17 de Outubro, 2008

Estou plenamente convencido que a capacidade dum pai se sentir confortável afastado dum filho é inversamente directamente proporcional à idade deste último.

Quero com isto dizer que este afastamento forçado por pouco mais duma semana da minha Maria, que ainda só tem 4 meses, está-me a pôr com os nervos em franja. Chamem-me frágil, papá-galinha, mariquinhas ou outra coisa qualquer, mas cada dia que passa é um dia arrancado a ferros. Felizmente recebo fotografias novas todos os dias e tenho novidades frescas à distância dum telefonema. Mas nada (nem a generosidade da Cláudia), me convence que não estou a perder, dia-a-dia, momentos irrepetíveis.

E sei que, com o passar do tempo, a tolerância a este afastamento vai melhorar. Faz parte do crescimento dela, enquanto criança e do nosso, enquanto pais. Mas agora (e até domingo) tudo me faz falta.

Momentos altos do dia

Sábado, 20 de Setembro, 2008

Olhar para a Maria, que está quase a fazer 4 meses, e perder a noção do tempo. Fazê-la rir, dar-lhe banho, espalhar creme nas coxas gordinhas e na cara, trocar fraldas, adormecê-la… deitá-la de barriga para baixo no tapete de brincadeiras e vê-la levantar a cabeça e os ombros, fincar os joelhos e abanar os bracitos, como se fosse a nadar… falar com ela, ouvi-la a descobrir sons… deixá-la a brincar com a minha mão, com um ar espantado… dar-lhe colinho… vê-la a dormir.

Não há nada parecido com isto.

Ensinamento fundamental

Domingo, 27 de Julho, 2008
Na Vida, ninguém é um exemplo acabado nem de Vício, nem de Virtude. Por isso, para crescermos e aprendermos, devemos procurar o máximo de figuras exemplares que, apesar dos seus melhores esforços, nos ensinarão, dos Vícios, as Virtudes e, das Virtudes, os Vícios.

Ocorreu-me no banho. Coisas de pai.

Quem sai aos seus…

Sábado, 26 de Julho, 2008

O pai: 31 anos, 1,56m de altura, 55Kg de peso

A mãe: 30 anos, 1,55m de altura, 55Kg de peso

A filha: 2 meses, 0,59m de altura, 5,95Kg de peso

Para quem nunca olhou para as curvas de percentis de crescimento nos boletins de saúde infantil ou não está familiarizado com o ritmo de crescimento dos bebés e crianças, saibam que isto quer dizer que, apesar dos pais da criança serem mais pequenos do que 95% dos jovens de 20 anos (nestas tabelas), a criança é maior do que 90% a 95% das crianças da sua idade:

Maria - Crescimento aos 2 meses

É caso para dizer que, às vezes, quem sai aos seus não só não degenera, como parece regenerar. :)

E o comentário mais frequente continua a ser: “que bebé tão grande!” ;)

Coisa mais linda!

Quarta-feira, 16 de Julho, 2008

DSC00007.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

Já há muito tempo que sabia que os pés dos bébés são um exagero de “ternura”. Agora, que o bébé é “meu” e que posso passar horas a olhar para os pézitos, posso afirmar, sem dúvida nenhuma, que têm um efeito hipnótico que desencadeia, além do ocasional suspiro, pequenas e breves exclamações. “Coisa mais linda!”

A Farmácia Universal

Quarta-feira, 2 de Julho, 2008

Continuo a ser pouco experiente, mas posso afirmar, por experiência própria, que um bébé pode ser:

  • ansiolítico
  • anti-depressivo
  • relaxante
  • soporífero
  • anestésico
  • revigorante
  • estimulante

É fascinante constatar que todos estes estados (e mais), que muitas vezes são induzidos por intoxicação farmacológica, podem resultar simplesmente do contacto com um bébé. O problema é que não sabemos nem podemos controlar ou programar o efeito. Mas, genericamente, considerando a totalidade de efeitos combinados à escala “universal”, é um dos únicos remédios do mundo em que podemos mesmo confiar.

Nota breve acerca da importância dos standards

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

A Maria completa um mês de vida no próximo dia 21 e quase desde o primeiro dia que me incomoda a inexistência de “standards” na roupa para bébé. Os pais que andam por aí sabem bem do que estou a falar, mas é tempo de dizer bem alto: “se a esmagadora maioria da roupa das crianças e adultos obedece a regras relativamente simples que facilitam a generalização rápida dos processos de vestir e despir, porque carga de água é que a roupa dos bébés tem que ter toda o seu próprio sistema de enfiar, apertar, segurar… à frente, atrás, pela cabeça, pelas pernas, com fitinhas, com molinhas, simétrico, assimétrico… chiça!

Proponho, desde já, a formação dum comité de normalização e submeto duas ou três ideias base:

  • desaconselhar peças de enfiar pela cabeça para os primeiros meses
  • desaconselhar peças de apertar atrás para os primeiros meses
  • banir camisolinhas interiores presas com fitinhas que NUNCA ficarão seguras nas polainas
  • normalizar a indicação do tamanho em função do comprimento e peso do bébé e NUNCA em função da idade em meses
  • criar um sistema internacional de representação gráfica das diferentes tipologias que permitam aos pais, seleccionar rapidamente as peças em função das formas de enfiar e das “tecnologia” de aperto a que melhor se adaptam, evitando o processo moroso e frustrante de procurar um “body” ou um “babygrow” com um daqueles desenhos giros que, além de ter o tamanho certo, não seja uma daquelas peças que demora 2 minutos a vestir, me vez de 30 segundos

Se quiserem apresentar outras contribuições, força. Eu tenho ainda menos de um mês de experiência mas já há tanta coisa que gostava de ver “normalizada”, que vocês nem imaginam.

É claro que a vida continua

Sexta-feira, 23 de Maio, 2008

A reacção mais frequente à notícia de que sou pai tende a associar à óbvia mudança de hábitos e rotinas que uma nova vida introduz, uma infeliz necessidade de abdicar ou controlar algumas das minhas actividades “naturais”. Amigos músicos receiam que deixe de estar tão disponível para concertos, leitores do blog presumem que deixarei de escrever com a mesma frequência, companheiros de outras tantas aventuras prevêem uma diminuição significativa de disponibilidade…

Se é por demais evidente que uma filha transforma a vida dos pais, é também imperativo que, no necessário (e bem positivo) reordenar de prioridades, os pais não se abandonem ou apaguem a si próprios. A Maria acrescenta muitas coisas à nossa vida, mas, felizmente, não se trata de nenhuma substituição. Claro que tudo isto está agora apenas a começar e só com o passar do tempo é que saberemos avaliar o seu real impacto, mas por se tratar duma decisão consciente, ponderada e reflectida, sentimo-nos preparados para continuar com a vida. Uma nova fase da vida.

E, para que não restem dúvidas, algumas provas visíveis de “actividade”:

A vida segue… mais alegre, mais preenchida, mais “focada”.

Maria

Quinta-feira, 22 de Maio, 2008

Mão Maria

Todos sabemos que o bébé mais bonito do mundo é o nosso e todos os pais sabem que a mãe mais corajosa do mundo é a do nosso bébé.

Hoje assisti, em primeira mão a isso mesmo: conheci o bébé mais bonito do mundo e senti o orgulho de estar com a mãe mais corajosa do mundo.

Não caibo em mim.

Vou ali ser pai e já volto

Quarta-feira, 21 de Maio, 2008

Depois de 40 semanas e 3 dias, e sem que e Maria tenha dado sinais de querer tomar a iniciativa de abandonar o conforto do ventre materno (como nós a percebemos), vamos dirigir-nos agora ao Hospital para uma consulta marcada com o objectivo, segundo nos dizem, já que a médica obstetra não é de muitas palavras, de induzir o parto. Que poderá acontecer hoje ainda, ou amanhã, dependendo da evolução.

Há, por isso, grande probabilidade de já ser pai, da próxima vez que escrever aqui. Ou isso, ou de vir para aqui “matar” as horas de espera.

Vamos lá então à “boa hora”.