Oportunidades desperdiçadas

Os audiowalks Viagens com Alma, que o Visões Úteis criou para 4 locais geridos pela Diocese do Porto, são também uma forma de propor novas relações com o património construído e com os locais religiosos e têm uma forte componente de captação de pessoas / público para os locais e para a dinamização de relações mais entusiasmadas com o património. Também por isso se apresentam versões em inglês e se procuraram soluções logísticas adequadas à integração com propostas “turísticas” e se manteve sempre presente uma variedade de públicos maior do que a que seria expectável para um audiowalk “puro”.

Recebi indicações, desde a abertura ao público, de que alguns dos locais nem sempre acautelaram a realização dos audiowalks nos horários previstos, confirmando algumas suspeitas com que fiquei na fase final de implementação de que os objectivos desta intervenção não eram claros e/ou partilhados por todos os intervenientes. É hoje público que, durante o mês de Agosto, 2 dos locais vão encerrar a possibilidade de se fazerem os audiowalks, ficando os restantes 2 numa situação algo imprevisível.

Eu não aprecio particularmente a sensação de trabalhar para gavetas (vide Os Ossos de que é Feita a Pedra). Não sei quantas pessoas poderão ter tido a experiência das Viagens com Alma e nem sei bem de que forma é que esta situação se poderia evitar, Mas parece-me algo evidente que o encerramento durante o principal mês de férias dum projecto que tem esta componente de “turismo cultural”, chamemos-lhe assim, é um reflexo do pouco que mudámos na nossa relação com a cultura e com a sazonalidade.

Pessoalmente, e no contexto da minha relação com o Visões Úteis, estou disponível para o que for preciso para garantir que o maior número de pessoas tem contacto com esta obra no seu estado original: no percurso. Infelizmente, tal não depende só da nossa vontade ou da vontade do público, já que alguns dos espaços atravessados não estão permanentemente abertos ao público.

Em defesa do Teatro Sá da Bandeira

9 DE OUTUBRO, 18:30
CONCENTRAÇÃO FRENTE AO TEATRO SÁ DA BANDEIRA

Recebi o seguinte apelo, via mail e acho importante divulgar:

O Teatro Sá da Bandeira, fundado em 1855 e restruturado em 1877, mantendo ainda os traços arquitectónicos dessa época, é uma das salas mais emblemáticas e históricas do Porto.

A empresa detentora do imóvel colocou-o à venda por 5,5 milhões de euros, não sendo obrigado o futuro proprietário a manter a mesma actividade. No desenrolar dos acontecimentos, surgiram vários interessados, entre os quais, uma empresa que pretende transformá-lo num hotel (mais um; já o nosso antigo Teatro Águia d’Ouro se encontra no processo de transformação em hotel).

O poder político local não se manifesta, mostrando total desprezo pela cultura e por um dos espaços com mais história da cidade! É importante intervir contra um (mais um) crime patrimonial que se encontra prestes a acontecer!

Juntem-se a nós e manifestemos o nosso desagrado! O destino do TSB só pode ser um: ser remodelado e continuar como espaço teatral/musical!

Pela História, pela Cultura, pelo Teatro, mas sobretudo, pelo Porto!

Esta é já uma causa no Facebook e o JPN – Jornalismo Porto Net (UP) publica aqui algumas notáveis reacções à possibilidade de extinção do TSB:

“Ao imaginar aquela sala transformada num hotel tenho um vómito…um daqueles vómitos de raiva que eu tenho e que fazem parte da minha forma de estar”, confessa Simone de Oliveira.

Schiu! – instalação

DSC00011.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

Estou particularmente orgulhoso com esta instalação do Visões Úteis, para a qual concebi a componente audiovisual. Ao trabalhar sobre material do qual não sou autor (a banda sonora do Albrecht Loops e o vídeo da Susana Paiva), e com o objectivo explícito de contaminar, mais do que ocupar, o espaço da Igreja do Grilos com o ambiente da peça e das histórias do Tonino Guerra, impus-me um desafio e acho que cumpri.
O carácter efémero da instalação (um dia apenas), apesar de ser um dado adquirido à partida, deixa-me um bocadinho frustrado. E fiquei com uma certa vontade de repetir a experiência.