Andrea Neumann & Guests no Festival TRAMA

No próximo dia 15 de Outubro, sábado, no âmbito do TRAMA – Festival de Artes Performativas, apresenta-se um projecto novo, dirigido por Andrea Neumann (composição e inside piano), com 4 convidados portugueses: Ana Veloso (guitarra), Diana Combo (gira-discos), Filipe Silva (feedbacks) e João Martins (sax, MeSa, Contratear e laptop acústico).

A performance será às 19h30, no Centro Português de Fotografia.

O projecto foi desenvolvido durante um workshop de 1 semana, combina composição e improvisação, num contexto em que há som gravado e som produzido em tempo real e que se baseia num processo de análise de gestos pessoais (performativos e quotidianos) e nas suas possíveis representações.

Considerem-se convidados.

Solo para olhos bem fechados

Sem percebermos bem como, habituámo-nos a viver no escuro. Uns apenas a sobreviver, outros a prosperar. Mas todos no escuro.
E a verdade é que, neste escuro pesado que cai sobre nós, ainda que sintamos os sinais da existência dos outros, dificilmente nos podemos de facto reconhecer. E no mais brilhante dos dias, saídos da caverna, havemos de olhar uns para os outros e perguntar “quem és? o que fazes? o que fazias ali, no escuro?”. E nem todos seremos capazes de responder.

Foi hoje, no Passos Manuel, em noite de Tell.

jazz.pt | Cornelius Cardew e a liberdade da escuta

Cornelius Cardew e a liberdade da escuta
Culturgest Porto, 8 de Maio a 26 de Junho de 2010

Curadores: Pierre Pal-Blanc, Lore Gablier, Dean Inkster e Jean-Jacques Palix

De 8 de Maio a 26 de Junho, a Culturgest Porto acolheu o ciclo “Cornelius Cardew e a liberdade da escuta”, um grande evento evocativo da obra multi-facetada do compositor britânico, iniciado no Centre d’Art Contemporain de Brétigny, em 2009 e com passagem pela Künstlerhaus de Estugarda. O evento incluiu uma exposição— constituída por filmes, numerosas gravações musicais e material de arquivo, entre escritos, partituras, registos fotográficos, cartazes, livros e muitos outros elementos associados à vida e obra de Cardew, assim como uma multiplicidade de bibliografia eventualmente útil— e um ciclo de concertos, performances e conversas que trouxe ao Porto um conjunto vasto e ilustre de músicos, performers e artistas que mantêm com a obra de Cardew uma relação estreita e que, em alguns casos, integraram alguns dos colectivos por ele criados como The Scratch Orchestra, ou que ele integrou, como o colectivo AMM.
Para evocar a figura seminal de Cornelius Cardew na música de vanguarda europeia, vieram ao Porto pessoas como Christian Wolff, John Tillbury, Keith Rowe, Rys Chattam, Terre Thaemlitz, Piotr Kurek, entre tantos outros e organizaram-se interpretações envolvendo voluntários (músicos e não músicos) de obras como “The Great Learning”, de Cardew, “Stones” e “Burdocks” de Christian Wolff, dirigidas pelo compositor e “Walk” de Michael Parsons. Ouviram-se igualmente diversas interpretações de excertos de “Treatise”, a monumental partitura gráfica que Cardew desenvolveu entre 1963 e 67 e se afirma como uma das suas obras-primas, e assistiu-se a actividades “Scratch” protagonizadas por elementos originais da The Scratch Orchestra, mas não só.
Quase um trimestre de actividade, com 16 eventos programados, numa tentativa de oferecer uma visão ampla sobre a obra de Cornelius Cardew e o contexto em que ela se desenvolveu, particularmente focados nas suas actividades na década de 60, no contacto permanente com a vanguarda norte-americana, através de John Cage, La Monte Young, Morton Feldman e Christian Wolff e na tentativa de estabelecer uma vanguarda europeia livre do dogma do serialismo total— Cardew trabalhou com Stockhausen em Colónia, após a sua formação na conservadora Royal Academy of Music—, evitando, de certo modo, a militância política dos anos 70 e a negação da vanguarda como “elitista e alienante”.
O Cornelius Cardew dos anos 70 diria que todo este ciclo não passa duma terrível perda de tempo“, disse mesmo John Tillbury, um dos mais importantes intérpretes e biógrafos de Cornelius Cardew, na conversa pública que antecedeu o recital de piano do dia 19 de Junho. E todo este ciclo parece atravessado por uma angústia inevitável, que é a de evocar um criador com um percurso extraordinariamente corajoso e coerente e, por isso mesmo, em constante ruptura com qualquer tentativa de catalogação e enquadramento.

Cornelius Cardew, nos seus curtos 45 anos de vida e, particularmente, nos menos de 30 anos de actividade como músico e compositor, guiou-se de forma relativamente permanente por um inconformismo que o levou, obstinadamente, através dum percurso único, militantemente utópico, que o guiou desde os seus estudos musicais convencionais às vanguardas europeias, onde o serialismo se afirmava como sistema científico e progressista, posteriormente americanas, onde o acaso de Cage, e as notações verbais e gráficas do movimento Fluxus apresentavam-se como alternativa a um sistema de produção musical, sem obstáculos técnicos à criação e interpretação musical, até à afirmação duma “ética da improvisação” e à reflexão sobre os diferentes papéis e funções necessárias à produção e fruição musical e consequente negação dos fenómenos de vanguarda pelo seu carácter “elitista”, já numa lógica militante e eminentemente marxista que leva Cardew, a partir dos anos 70 a abandonar a produção musical enquanto forma de arte e prosseguir apenas na acção política que inclui experiências musicais no domínio da composição, interpretação e arranjo de hinos políticos e canções populares de protesto.
A vida de Cardew, na sua intransigência, é um aspecto fulcral da sua obra e assume-se, eventualmente, como o principal obstáculo à sua visibilidade e compreensão. Se os compositores norte-americanos que Cardew introduziu no circuito das vanguardas europeias, se afirmam actualmente como figuras incontornáveis na história da música contemporânea, assim como alguns dos seus colaboradores que se afirmaram ora nos círculos eruditos, ora nos círculos experimentais, Cardew resiste estoicamente a processos historiográficos completos porque se afirma frequentemente como o seu maior crítico.
Porém, o rol de criadores influenciados por Cardew ou próximos da sua produção são testemunho evidente, ainda que complexo, da relevância do compositor britânico no rumo da vanguarda europeia.
E o ciclo de eventos organizado na Culturgest Porto demonstrou de forma completa, para o bem e para o mal, a acuidade de Cardew.
Tratou-se, de facto, dum evento elitista, com o público a ser normalmente inferior às piores expectativas. Muitas vezes auto-complacente, com algumas performances a arrastarem-se dolorosamente, em artifícios datados, irrelevantes e, aparentemente mais esforçados em reconstituições do que em afirmações de vanguarda, como assistimos no “A Scratch Dealer Concert” e na apresentação de “The Tiger’s Mind”. E, frequentemente, fechados ou isolados em “ilhas de conservação arcaica” para usar a expressão de George Steiner que o mesmo Tillbury citou na sua conversa.
Ainda assim, a possibilidade de assistir a diferentes visões/interpretações de “Treatise”, a primeira das quais com Keith Rowe a “dirigir” um grupo de músicos portugueses, apesar de “Treatise” não pressupôr direcção, ou a oportunidade de receber Christian Wolff pela primeira vez em Portugal, para conversa, direcção de peças suas e recital, ou os recitais a solo de John Tillbury e Rhys Chatham foram momentos marcantes e de grande qualidade e interesse musical.

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 32 da revista jazz.pt, integrado no report global do Braga Jazz. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Workshop: O Som no Drama

A convite da SOOPA / OOPSA – Associação Cultural, vou orientar um workshop no Maus Hábitos (Porto) sobre sonoplastia e dramaturgia.

O Som no Drama, exercícios de sonoplastia e dramaturgia

por João Martins
13, 14, 21 e 28 Fevereiro

O workshop pretende ser uma forma introdutória, elementar e bastante prática de abordar questões recorrentes em qualquer exercício de sonorização. Dirige-se a todos os interessados na problemática do som e do seu significado e impacto em contextos narrativos e/ou dramático, sejam músicos, técnicos de som, performers (teatro, dança, etc), criadores (encenadores, escritores, etc), estudantes em qualquer uma destas áreas ou simples curiosos.
O workshop abordará questões como “Significado do Som e da Música”, “Convenções e Clichés”, “Gestão do Silêncio” e “Som como Espaço”. Através da análise e discussão de exemplos práticos, procurar-se-á fomentar reflexões pessoais e exemplificar várias técnicas, de acordo com o perfil dos participantes. A vertente prática do workshop assume particular importância, definindo a sua própria estrutura temporal: após as primeiras sessões de exposição, análise, reflexão e pequenos exercícios técnicos, sera proposto um exercício prático para ser realizada de forma autónoma, por cada participante num período de 2 ou 3 semanas. A meio desse exercício, será organizada uma sessão para que cada participante possa fazer um ponto de situação do seu exercício e esclarecer quaisquer questões (teóricas ou práticas, conceptuais ou técnicas). A apresentação final dos exercícios será o mote para uma reflexão conjunta global.

Nota: as questões abordadas no workshop têm aplicação prática não só em objectos artísticos (peças de teatro, dança performance, vídeo, cinema, sound art, etc), mas também em objectos de consumo (publicidade, aplicações multimédia, video-jogos, etc).
Os formandos deverão trazer o seu próprio equipamento (computador portátil e equipamento de gravação, se tiverem).

Datas e horário:

  • 13 e 14 de Fevereiro | 10:00- 13:00 15:00-18:00
  • 21 de Fevereiro | 15:00-18:00
  • 28 de Fevereiro | 10:00-13:00 15:00- 18:00

Duração: 15 horas, em 5 sessões de 3 horas

Nº de formandos mínimo: 4
Nº de formandos máximo: 10
Custo: 70€ por aluno

Biografia
João Martins nasceu em 1977. Estudou Música, Arquitectura e Design. Colabora com o Visões Úteis (companhia profissional de teatro do Porto) desde 1998, como músico e sonoplasta, sendo responsável por diversas bandas sonoras, assim como pela sonoplastia e pela criação de paisagens sonoras para peças de teatro e audiowalks. Criou também música para cinema e para instalações multimédia e desenvolve inúmeros projectos como músico quer em colectivos, quer a solo.
Desenvolve paralelamente a actividade de designer e tem experiência como formador e consultor na área das ferramentas informáticas e da comunicação.

Informações: producao [@] soopa.org

Criaturas, excertos das projecções

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=AsW60KgdAsg[/youtube]

Porque o registo vídeo anterior não permite perceber minimamente a projecção, decidi fazer esta pequena montagem, com excertos das animações em tempo real geradas por Pure Data + GEM, com alguns elementos áudio da performance de estreia.

Criaturas @ TA, um registo possível

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=UrdCRECDEMo[/youtube]

Nem o som, nem a imagem estão brilhantes, mas, para já, é o registo possível. Também no Vimeo, no Facebook e no MySpace.

Uma pequena experiência de “cross-posting” para ver qual das plataformas gera mais feedback.

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Apresenta-se hoje, dia 5 de Novembro, quinta-feira, às 22h00, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense, a minha mais recente criação, com o longo título

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Esta obra resulta dum convite dirigido pelo Teatro Aveirense para que apresentasse uma nova criação no âmbito do CANT – Ciclo Arte e Novas Tecnologias e foi desenvolvida, na sua fase final, em residência, o que apresenta claras vantagens para um projecto desta natureza.
Este é um projecto muito mais “pessoal” do que qualquer outro que tenha realizado até agora, pelo que, por agora, falta-me um distanciamento mínimo para saber se resulta. Cabe ao público essa função, como sempre.

Imagem de divulgação das "criaturas"

Sinopse

Alguns dos sonhos mais extraordinários e marcantes são aqueles cuja verosimilhança nos deixa num estado confuso; sonhos que estão de tal forma contaminados de realidade e familiaridade que chegam a integrar as nossas memórias reais, até serem denunciados por um ou outro pormenor.

Nesses sonhos é frequente encontrar solução para problemas que nos afligem, ainda que ou a solução ou o problema pertençam, por vezes, apenas ao universo peculiar dos sonhos, faltando-lhes qualquer aplicação prática.

O poder sugestivo, quase hipnótico, da verosimilhança e da familiaridade cria também alguns dos mais intensos e assustadores pesadelos, mas nestes nota-se, com mais facilidade, que no universo dos sonhos estas sensações podem estar associadas não a elementos ou representações da realidade, mas apenas a sensações ou imagens que integram desde cedo um determinado vocabulário onírico. Elementos com os quais sonhamos frequentemente- sejam sensações, personagens ou imagens…- podem, paradoxalmente, deixar de denunciar a situação-sonho, já que se encontram no seu universo natural e, por isso, são verosímeis no contexto: verdadeiros porque completamente imaginados, como diria Boris Vian.

O que define a fronteira entre o sonho e a realidade e a forma como nos debatemos para a transgredir é o tema central da obra que se estreia no Teatro Aveirense: “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos“, assim como uma pergunta recorrente: “tens mais medo do escuro ou do silêncio?“.

Som, imagem e palavras, situações e bandas sonoras e visuais recuperadas de fragmentos de sonho, pesadelo e realidade são apresentadas e propostas ao público num convite não à contemplação ou voyeurismo onírico, nem ao devaneio surrealista, mas como exercício colectivo de reconstrução das sensações individuais das viagens de e para o sonho.

Sobre o processo de criação:

A obra a apresentar intitula-se “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos” e já teve duas apresentações como work-in-progress, em que explorei um trecho da obra que envolve processamento de saxofone baixo em tempo real associado a uma simples experiência de privação sensorial (a obra apresenta-se em escuro absoluto).

A experiência pretende explorar as sensações e os momentos em que o sonho se deixa contaminar pela realidade e nos faz acordar confusos pela aparente estranheza do que nos é(era) familiar. As motivações originais são os instrumentos que toco, uns familiares e outros muito estranhos e a forma como construo grande parte da minha música, por um lado e a relação que estabeleço entre isso e ilustrações que fazem parte do meu imaginário de criança.

O primeiro estudo-apresentação que mereceu esta designação e que iniciou o processo, apresentava-se assim:

Este estudo é a primeira apresentação (identificada como tal) dum work-in-progress, que conta já com alguns anos de existência / insistência: a procura e reprodução de sons sugeridos por criaturas nascidas em ilustrações familiares.
Essas criaturas, através dos novos instrumentos que “geraram” e das novas técnicas que me “ensinaram”, povoam a minha criação musical dos últimos 10 anos, sem exigir nada em troca. Ao preparar um momento de reconhecimento e retribuição, o plano de estudos prevê a apresentação pontual de algumas dessas criaturas, intercaladas com momentos de mais descoberta e diálogo.

Foi no Cinema Passos Manuel, no Porto, no contexto do Projecto Tell que propunha performances no escuro absoluto. Essa experiência foi bastante intensa, quer para mim quer para o público e decidi voltar a repetir esta forma de privação sensorial no AveiroSaxFest, em que fiz uma segunda apresentação, sem escuro absoluto, mas sem que a minha presença fosse visível, também.

Recrutei, entretanto, a colaboração da Cláudia Escaleira, para usar o desenho como instrumento narrativo.

Estes testes serviram para afinar algumas estratégias e, com o feedback de pessoas presentes (músicos e outros criadores, além de público), estou a desenvolver a estratégia global de cruzamento entre os instrumentos convencionais que toco e os que concebo e construo: a MeSA, o Contratear, o Munaciclo, etc.

Alguns destes instrumentos tiveram uma atenção particular em vários projectos e bandas sonoras, mas quero avançar particularmente no campo dos cruzamentos entre instrumentos e na construção duma experiência capaz de submergir completamente o público: som, vídeo, luz, etc.

Outubro no Balleteatro: Música e Performance

Em Outubro, o Balleteatro dá espaço à Música e à Performance, em dois ciclos, um programado pelo Jonathan Saldanha (Soopa), outro pelo Pedro Almeida. Altamente recomendável e não é só por eu integrar o Mental Liberation Ensemble no dia 3.

Ciclo música e performance 09 | balleteatro

DISNOMIA

Consultor artístico - Jonathan Saldanha

Dois concertos envolvendo músicos que povoam o universo da editora e colectivo portuense SOOPA, e que articulam a cena musical portuguesa nas vastas áreas da música exploratória.

Este ciclo pretende estabelecer e reafirmar rotas colaborativas entre representantes de correntes musicais exploratórias actuais, que vão produzindo um trabalho contínuo em Portugal, promovendo actuações de
músicos que abordam, usando diversas estratégias estéticas e formais, o tema do potencial transfigurador da prática musical, e a actividade sonora enquanto processo transmutador e por conseguinte alquímico.

O termo “Disnomia” remete para uma condição fisiológica em que o acesso à memória é vedado; metaforicamente, esta condição é traduzida na reconfiguração do real que todos os intervenientes no projecto levam a cabo no seu trabalho, como se os referenciais culturais não lhes surgissem de forma ordenada (na mitologia grega, Dysnomia era a Deusa da Desordem), mas sim como imagens residuais.

Dia 3 de Outubro | 22h 45
MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL

Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs) que, em cada apresentação, acolhem convidados (como por exemplo Carlos Zíngaro e Alfred 23 Harth).

A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em
constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e artista intermédia que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

mais info:
www.soopa.org

Dia 16 de Outubro | 22h
BEAST BOX apresenta: NYARLATOTHEP

Criação na confluência entre concerto, performance, teatro óptico e eléctrico, spoken word, e instalação sonora e visual, Nyarlathotep reúne o actor-locutor Diogo Dória e os músicos/artistas Jonathan Saldanha e Benjamin Brejon (Mécanosphère, Soopa) num “Cabinet of Wonders” macabro e mágico, baseado em filigrana no universo de HP Lovecraft e na figura de Nikola Tesla.

Diogo Dória – Voz
Jonathan Saldanha – Cenografia/Música
Benjamin Brejon – Cenografia/Música

mais info:
www.soopa.org
www.myspace.com/mecanosphere1

o corpo, os gestos e os sons

o corpo, os gestos e os sons” é um ciclo dedicado à música e performance concebido por Pedro Almeida para o Balleteatro.
A constante pesquisa de novos sons associados (ou não) às experiências do dia-a-dia, procuram o espaço que o esquisso e a improvisação possam ter no lugar de uma arte final. É na expressividade corporal, através dos gestos associados aos movimentos do desenho, que a guitarra, a voz e a percussão se têm desenvolvido. O corpo como trigger (botão), a tecnologia como ferramenta/acessório e o quotidiano como fonte inspiradora, destacam-se no acto criativo de quem procura a experimentação em palco.

Guitarras Variáveis e aCUR, são os projectos escolhidos pelo músico/designer/performer, onde se destaca o principal objectivo de cada actuação: o lado performativo e o seu resultado sonoro.

17 de Outubro 22h
“Guitarras Variáveis”

é o resultado de uma união de músicos que usam a guitarra como um instrumento comum de exploração, composição e base melódica. A consciência, a importância das influências e dos géneros que cada um extraiu no seu percurso individual, levam os participantes a expor o lado descomprometido dos acordes estandardizados do rock, das notas repetitivas da electrónica e da fluidez espontânea da improvisação. O lado imaginativo desta partilha sonora procura no experimentalismo uma outra forma de apresentação e atitude musical da guitarra.

O projecto surgiu numa iniciativa de Pedro Almeida, com Luís Varatojo e João Hora nos Encontros de Música Experimental EME2003, em Palmela (Setúbal, Portugal). Participaram até agora, André Gonçalves (okSuitcase), Alexandre Costa, Alexandre Soares (3 Tristes Tigres), Carlos Lobo (Evols), França Gomes (Evols), Horácio Marques, João Hora (FFT), LOC, Leonel Sousa (Alla Polacca), Luís Varatojo (A Naifa), Manuel Guimarães, Paulo Lopes (Repórter Estrábico), Pedro Almeida (aCUR), Pedro Boavida, Shinjiro Yamaguchi (Two-Lines), Tó Trips (Dead Combo) e Vítor Santos (Evols).

Seis anos depois, João Hora, Luís Varatojo e Pedro Almeida, novamente juntos!

+ info:
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_jhora.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_lvaratojo.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_pal.html

24 de Outubro 22h
“aCUR – critical food”

Performance especialmente concebida (Festival Escrita na Paisagem 2006) para confrontar os hábitos alimentares, para interrogar criticamente os gestos, as tradições, as receitas do comer contemporâneo e os comportamentos à mesa. Pedro Almeida procura uma abordagem sonora e visual das reacções corporais e sensoriais do acto performativo de comer. Ingredientes: boca como principal instrumento, o corpo como motor e armazém de energias, os efeitos dos sabores, os exageros dos petiscos, as provocações dos cheiros e a sonoridade dos alimentos. Um espectáculo com processamento de som e imagem em tempo real, dominado pela interacção com o público, pela ironia e humor corrosivos. O registo de video live, a cargo de Lara Silva, reforça o ritmo pormenorizado dos vídeos concebidos para a performance. Todos os sons produzidos ao vivo (processados ou não) são retirados de alimentos ou objectos relacionados com a gastronomia.

+ info:
site:: http://www.larapal.org/acur
site do projecto original:: http://www.escritanapaisagem.net/2006/doc_acurod.html
video:: www.larapal.org/acur/video/acur_criticalfood.mov
video:: www.youtube.com/watch?v=Cqzrwfc0wfg

Projecto Tell, 1 artista = 1 euro

A primeira sessão do Projecto Tell foi no dia 13 de Novembro (e parece ter tido grandes momentos). E a segunda, foi esta quinta-feira, dia 20. Planeei escrever sobre este projecto no dia em que recebi o convite para participar e depois fui adiando, por uma razão ou por outra (ou por nenhuma) até chegar a este ridículo de nada ter escrito aqui até agora e estar a alguns dias de participar.

É no dia 27, quinta-feira, no Passos Manuel, no Porto, às 22h00. Às escuras.

Como em todas as outras noites do projecto, apresentam-se 7 performances de quem aceitou o desafio lançado pela Inês Maia e pelo Sérgio Marques: “tens alguma coisa a dizer no escuro?

Miguel Cabral, Ana Deus, Isabel Alves Costa, Valter Hugo Mãe, Susana Chiocca, Calhau e Alexandre Osório apontaram à maçã no dia 13.
Rute Rosas, Ivo Bastos, Ana Laranja, Regina Guimarães, Miguel Bonneville, Ada Pereira da Silva e Isabel Barros fizeram o mesmo no dia 20.
João Pedro Costa, Teresa Branco & Olga Rocha, João Gesta & Susana Meneses, Marta Bernardes, João Martins (sim, sou eu) e Vera Santos & Tiago Dionísio, lá estarão, às escuras, no dia 27.
Igor Gandra, Mário Afonso, Simão Costa, Liz Vahia & Nerea Barros, António Júlio, Amarante Abramovici e Rui Lima & Sérgio Martins fecham o ciclo, a 4 de Dezembro.

Não quero levantar o véu sobre o que pretendo fazer, já que todo o público deve estar “às escuras”, mas agrada-me que este convite tenha coincidido com a minha crescente vontade de trabalhar, a solo, ideias que me surgem quando estou eu próprio (normalmente) às escuras, a dormir. Digamos que o convite acertou na maçã, no meu caso.

Por isso, se não tiverem medo do escuro, apareçam, na próxima quinta-feira, no Passos Manuel, para mais esta sessão do Projecto Tell. Quem tiver medo do escuro, pode vir na mesma e fechar os olhos. ;)

“O Álbum” estreia hoje no PerFormas

Pois é: o PerFormas – Estúdio de Artes Performativas reabriu no dia 13 e tem uma programação intensa e diversificada, com concertos, performances, instalações… vale a pena ir (re)descobrir o espaço e o projecto. Visitem o blog para estarem a par da programação.

Hoje, às 22h00, estreia O Álbum, “uma criação híbrida que entrecruza os universos da performance, da fotografia, do vídeo, da imagem em tempo real, da música e utilizando como fio dramatúrgico condutor alguns fragmentos de textos de Câmara Clara de Roland Barthes e de Crave de Sarah Kane.” É uma criação e performance da Helena Botto, para a qual contribuem vários artistas da “nossa praça”. A banda sonora original e sonoplastia, por exemplo, é do João Figueiredo, o que, no meu caso, acrescenta uma óptima razão extra para estar na estreia a dar-lhe todo o meu apoio.

A performance está em cena de 18 a 22 de Novembro (3ª a sábado), sempre às 22h00. E há mais para ver e ouvir no renovado PerFormas.

Nota breve: no dia 22, também no PerFormas, a Beatriz Portugal vem cantar Sweet Punk & Jazz. A Beatriz é outra amiga de longa data, a cujo concerto não poderei assistir porque vou estar fora. :( Vão vocês, da minha parte, ok?