Entradas com Etiqueta ‘pessoal’

Desistir

Quarta-feira, 27 de Agosto, 2008

Apesar de muitas considerações comuns, também há mérito em saber desistir. E o segredo duma boa desistência é o mesmo que o da comédia: o timing.

Quando desistimos cedo demais, desistimos para nos protegermos, muitas vezes apenas por egoísmo ou preguiça. Ou falta de coragem.
Quando desistimos tarde demais, desistimos irremediavelmente magoados, muitas vezes apenas por teimosia ou vergonha. Ou falta de coragem.

A coragem é, claramente, uma das virtudes mais difíceis de controlar.

Quem são vocês?

Quarta-feira, 19 de Dezembro, 2007

A desvantagem de não seguir os conselhos dos mestres e gurus da blogosfera é que nunca decidi especializar este blog e vou acumulando reflexões pessoais misturadas com intervenções cívicas, polvilhadas por opiniões técnicas sobre webdesign e outros ofícios, edições de podcast com música experimental e improvisada, anúncios de concertos e outros eventos culturais… uma salada que reflecte o que sou e o que faço, mas, de certa maneira, está constantemente a alienar uma parte substancial dos potenciais leitores. Como (quase) todos os blogs pessoais, no fundo, este é um espaço sobre mim e o meu umbigo e é também por não abdicar da consciência desse facto que me recuso a dar ouvidos aos gurus.

Mas, ainda assim, perco demasiado tempo a pensar se determinado assunto tem ou não tem lugar aqui e vou acompanhando com um misto de espanto e expectativa os altos e baixos nas visitas e nas subscrições do feed, sempre sem conseguir perceber quem são os leitores do blog e o que procuram aqui.

Não há estatísticas nem Analytics que me valham e nem o registo dos artigos mais lidos ou mais comentados serve de grande ajuda. A única conclusão minimamente sustentada é que existe uma relação directa entre a frequência de escrita e o número de visitantes.

Fico assim com uma ideia vaga de uma (pequena) massa disforme de pessoas que, por razões muito diferentes, mantêm este espaço debaixo do radar e acompanham o meu ritmo de escrita, provavelmente, como quem espera que, desta roleta russa, salte um assunto de jeito. Imagino, às vezes, caras de espanto, desencanto e aborrecimento em quem me visita à procura do seguimento dum tema apenas para descobrir que tudo continua baralhado e desconexo.

Não pondero, no entanto, alterar este estado de coisas. Desculpem lá.

Assumo, sem grande pudor, o carácter narcisista desta “coisa”.

Mas não deixo de me perguntar, com uma frequência proporcional ao número de visitas*, quem são vocês?

Alguém quer ensaiar uma resposta?

* - este blog tem uma média de 100+ visitantes diários