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As ruas deviam ser sempre nossas

Domingo, 5 de Outubro, 2008

Se esta rua fosse minha... com destaque no Público

Nós, F.R.I.C.S., fizemos a nossa parte e, a mim, soube-me muito bem. Se pudesse, tinha ficado por ali, a participar nas actividades ou só a ver as pessoas e a animação. Mas, se algumas pessoas podem sentir e dizer que “o Porto devia ser sempre assim”, o que muito me alegra, a verdade é que o evento e a energia positiva que o parece caracterizar não é muito comum na cidade. Não me interpretem mal: gosto imenso do Porto, mas se me vim embora foi precisamente por ser comum um sentimento insuportável de opressão e uma espécie de impossibilidade de se ser ali genuinamente feliz, sem ser numa breve explosão.

Interessam-me todos os registos desta festa e reacções, pelo que se tropeçarem em alguma coisa interessante, agradeço que apontem aqui nos comentários.

Se esta rua fosse minha…

Sexta-feira, 3 de Outubro, 2008

Reparem, mesmo no fim do spot, quem vem, de forma temerária, na traseira da motoreta? Os F.R.I.C.S., claro, que não podiam deixar de estar presentes num festival que equaciona a possibilidade da rua ser mesmo nossa.

Se esta rua fosse minha é o “único Festival de Rua no Porto”, e acontece no dia 4 de Outubro, na Rua Cândido dos Reis. Nós tocamos pelas 14h00, como se a rua fosse nossa, como já é nosso costume.

Uma iniciativa do PlanoB.

oCulto (d)a banda

Quinta-feira, 2 de Outubro, 2008

Os Secret Chiefs 3 deram o seu primeiro concerto em Portugal, mais precisamente no Porto, na passada terça-feira, no PlanoB, num evento Soopa / AmplificaSom.

Secret Chiefs 3, cartaz do concerto no Porto

Este projecto de Trey Spruance, colaborador habitual de Mike Patton e um dos responsáveis dos extintos Mr. Bungle, é um híbrido de luxo, onde se juntam referências esotéricas a estilos musicais exóticos e sub-apreciados, numa mistura alucinada, relativamente contagiante, virtuosa e exigente. As complexas estruturas rítmicas colhidas nas músicas do médio oriente e do sub-continente indiano, juntam-se a referências mainstream de surf-rock e música de filme à la Morricone, polvilhadas de massas agressivas q.b. colhidas nos contextos do metal e rematadas com linhas melódicas verdadeiramente assombrosas. O jogo instrumental é impressionante e o rigor e qualidade de execução ao vivo, mesmo em condições longe de ideiais, exige muito respeito.

E é verdadeiramente incompreensível como é que a estreia em Portugal dum projecto destes acontece num espaço da dimensão do PlanoB e como, apesar dos melhores esforços dos promotores, passa relativamente despercebido.

Que algo de muito estranho se passa na imprensa dita especializada e na generalidade das redacções dos generalistas que, teoricamente, deveriam compreender a importância relativa dos eventos em agenda, já todos sabíamos, mas o que parece ser evidente é que o último critério em uso, actualmente, é a verdade essencial do acontecimento (seja música, seja outra coisa qualquer). Essa “verdade” é preterida permanentemente por aproximações subjectivas a quem promove, em que local e em que contexto, por oscilações de humor pessoais e intransmissíveis e níveis de conforto relativo que trarão constantemente à ribalta as banalidades próximas dos círculos restritos de editores e redactores, normalmente quase tão ignorantes como arrogantes e preguiçosos.

E assim, bandas de culto merecido, como os Secret Chiefs 3, são confundidas com bandas “ocultáveis”. Mas um dia isto muda…

Dia Mundial da Música

Segunda-feira, 29 de Setembro, 2008

A Casa da Música propõe uma celebração do Dia Mundial da Música nas estações do Metro do Porto

No Dia Mundial da Música, que se celebra a 1 de Outubro (próxima quarta-feira) a Casa da Música propõe recolher “assinaturas musicais” nas estações de Metro da Casa da Música, Trindade e Bolhão, para serem usadas numa instalação, Sound=Space, a acontecer na Estação de São Bento.

Não tenho muito mais pormenores, mas como vou estar no Porto no dia 1 de Outubro, passo com o saxofone por uma das estações em causa, para deixar a minha “assinatura” e espero conseguir passar por São Bento para ver o resultado final. E vocês? O que fazem para celebrar o Dia Mundial da Música?

Quando não se sabe do que se fala…

Sexta-feira, 19 de Setembro, 2008

Ontem à noite, na TSF, a responsável pela emissão que, obviamente nunca deve ter estado no Porto “a sério”, anunciava que dentro de poucas horas se poderia circular normalmente na VCI, que tinha sido cortada “em direcção ao Porto”.

Eu, que estava prestes a entrar na VCI, em direcção à Ponte da Arrábida, não cheguei a saber se para ela, a “direcção ao Porto” é do Porto oriental (Freixo) para o Porto ocidental (Arrábida), ou o contrário, mas saí do Porto sem problemas. O que é seguro é que, em alguma altura, algum ponto da Via de Cintura Interna, que começa e acaba no Porto, esteve cortada, num sentido qualquer, que provavelmente nem interessa nada.

Não é a primeira vez que noto, em alguns dos responsáveis por dar informações de trânsito, uma diferença considerável no detalhe e pertinência da informação dada sobre as condições em Lisboa (cidade na qual circulam regularmente, imagino) e no Porto (cidade que já terão visitado). É tudo normal…

Sexta-feira começa o FIMP

Segunda-feira, 8 de Setembro, 2008

FIMP: Festival Internacional de Marionetas do Porto 2008 - 12 a 20 de Setembro

Na próxima sexta-feira, dia 12 de Setembro, começa mais uma edição do FIMP, Festival Internacional de Marionetas do Porto. Além de todas as razões habituais para estarem atentos e aparecerem, este ano, o FIMP tem um hino, de autoria do Hélder Gonçalves (Clã), que será interpretado, no dia da abertura, por duas fanfarras: Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa - FRICS + Fanfarra de S. Bernardo. A colaboração iniciada em Serralves continua desta forma, graças ao generoso convite do FIMP e com o desafio acrescido de assegurarmos um arranjo do hino do festival para a instrumentação particular da Fanfarra. Para quem percebe alguma coisa de teoria musical, mas não tem a organologia em dia, recordo que os clarins tocam apenas o arpejo de Mi bemol maior. ;)

Fazer o arranjo e ensaiá-lo com a Fanfarra de S. Bernardo tem sido, mais uma vez, um processo enriquecedor. E a vontade de continuar a aumentar os desafios é grande.

Para já, na sexta-feira, lá estaremos para encher a Praça com uma “forma mais animada” e tentar seduzir, como flautistas de Hamelin, as gentes do Porto a seguirem-nos até ao Teatro Carlos Alberto, onde o festival arranca com Macbeth, do Teatro de Marionetas do Porto.

jazz.pt | report #1: Medeski, Scofield, Martin & Wood

Domingo, 3 de Agosto, 2008

How do you groove?

Texto escrito por João Martins, a 16/07/2007.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 15 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Medeski, Scofield, Martin & Wood

Casa da Música, Sala Suggia, sexta-feira, 6 de Julho de 2007
John Medeski: teclados
John Scofield: guitarra
Billy Martin: bateria
Chris Wood: baixo

Intro, take One

O primeiro concerto do trio nova-iorquino Medeski, Martin & Wood (MMW) em Portugal era aguardado com alguma expectativa e foi através da digressão de lançamento da sua recente colaboração com o consagrado John ScofieldOut Louder (2007, Indirecto Records)— que essa estreia se deu, e num palco grande como é a Sala Suggia, na Casa da Música.

Intro, take Two

O regresso do consagrado John Scofield aos palcos portugueses era aguardado com a habitual expectativa e a digressão de Out Louder (2007, Indirecto Records)— a recente colaboração com o trio nova-iorquino Medeski, Martin & Wood— foi o pretexto que o trouxe até à Sala Suggia, palco principal da Casa da Música.

Interlude

As duas introduções a este acontecimento são possíveis estados de espírito do público que entrou na Sala Suggia no dia 6 de Julho.
Para parte do público, Medeski, Martin & Wood era apenas o nome do trio que acompanhou Scofield em A Go Go (1998, Verve Records) e que, 9 anos passados, tem já direito a partilhar as capas dos discos e dos cartazes. Alguns terão percebido porquê, outros terão ficado na dúvida sobre a insistência de Scofield nesta colaboração.

Para outra parte do público, Medeski, Martin & Wood, MMW é um trio de deep grove arriscado, contaminado por electrónicas, com lugar assegurado (individual e colectivamente) na cena nova-iorquina. São inconformistas que lançaram a sua própria editora (a Indirecto deste Out Louder), depois de alguns anos de sucesso na Blue Note, para não terem que fazer compromissos. Para esses, a ligação a Scofield, um consagrado do jazz (mais “straight” na cabeça de uns, mais “cota” na de outros) seria talvez um “mal necessário” para trazer o trio até palcos lusos. Alguns terão percebido que as cumplicidades com o mais experiente guitarrista parecem ter raízes profundas, outros terão ficado desiludidos com as estruturas um pouco mais rígidas que esta colaboração exige ao trio.

Como em todos os concertos, quem entrou com uma opinião prévia formada, terá saído um bocado baralhado.

Mas vamos por partes:

Part I: uma sala é boa quando não se pensa nela durante o concerto

Não é a primeira vez que saio da Sala Suggia com a sensação de que o seu perfil acústico não se ajusta facilmente a todos os eventos que alberga. Neste caso, o azar com os aviões [1], típico de digressões apertadas [2], retirou tempo precioso à equipa técnica da Casa da Música para preparar melhor este concerto— o que justifica (parte d)as primeiras indicações dos músicos acerca das deficiências no som no palco—, mas a verdade é que, como noutras ocasiões, a dimensão e características da sala não nos deixaram usufruir de graves mais profundos e definidos, fundamentais para o groove de Chris Wood e Billy Martin, que assim, perdeu parte do seu poder contagiante e foram relativamente ineficazes na definição e “separação” dos timbres mais agudos e (a espaços) estridentes da guitarra de Scofield, mas, especialmente, dos teclados de John Medeski. (Sobre os teclados de John Medeski fica aliás a dúvida (nos ouvidos deste escriba, pelo menos) sobre quanto do que ele tocou é que teremos ouvido…)

Com o passar do tempo, a situação melhorou e pode-se dizer que o encore (único) já contava com a massa sonora necessária (em volume e definição) para que o público pudesse começar a embarcar nas experiências mais groovy asseguradas por M(S)MW.

(Ainda assim, a sensação final é que a Sala Suggia não se consegue “fechar” o suficiente, em termos acústicos e de iluminação, para concertos de ensembles pequenos, ficando o público demasiado “afastado” dum palco que os músicos parecem não conseguir preencher.)

Part II: conhecer a história é bom, desde que a história não substitua o presente / preconceito vs pré-conceito

A colaboração entre John Scofield e Medeski, Martin & Wood começou no disco de Scofield, A Go Go (1998, Verve Records) que, sendo assinado por Scofield, depende, desde o momento da concepção, de MMW, já que, segundo o próprio Scofield

“When I heard Medeski, Martin and Wood’s record «Shack Man», I knew I had to play with them. They played those swampy grooves and had a free jazz attitude.” [3]

A colaboração e o disco resultante assentava no deep groove de MMW e a escrita de Scofield, assim como a sua linguagem e fraseado, contribuem para um disco forte e contagiante, muito ligado às raízes R&B que Scofield procurava e capaz de atrair muitos públicos.

Entre esse disco e o presente Out Louder (2007, Indirecto Records, a editora dos MMW), John Scofield continuou a sua carreira nos vários territórios em que é figura fundadora e se sente confortável e os MMW continuaram a construir, de facto, o seu percurso e a consolidar o seu território, no cruzamento entre um groove quase psicadélico e a experimentação com várias electrónicas e em colaboração com outros artistas, diversificando mais nas apresentações ao vivo do que nos discos (como o próprio Out Louder parece procurar demonstrar nas 6 faixas adicionais gravadas ao vivo).

O reencontro de Scofield com os MMW, 9 anos depois de A Go Go, tem, por isso, premissas diferentes: à escrita de Scofield (que assina os 10 temas de A Go Go e apenas 1 em Out Louder [4]), junta-se a escrita de Chris Wood (2 dos 12 temas) e o processo de trabalho colaborativo de MMW, fruto de sessões de improvisação sucessivas, dá origem a novos temas, assinados pelo colectivo e é aplicado a temas tradicionais e mesmo a clássicos da Pop-Rock, como “Julia” (Lennon-McCartney)— tocado na Casa da Música— e “Legalize It” (Peter Tosh).

O disco afirma inequivocamente duas coisas:

  1. o estúdio e o formato do disco são pequenos para o tipo de exploração que interessa a MMW, tendo mesmo que recorrer a fade outs como forma de cortar faixas que se adivinham de dimensão “épica”
  2. ao vivo, o carácter mais experimentalista ganha força e observam-se estruturas mais complexas e paisagens sonoras mais arriscadas

Fica a dúvida (para isso é que servem os concertos) sobre o “encaixe” de Scofield nesses momentos, já que, em estúdio, Out Louder parece uma continuação de A Go Go, com um maior equilíbrio na participação e autoria.

Part III: o presente é tanto melhor, quanto mais é capaz de reinventar a história

Com o interesse e as dúvidas levantadas pelo disco e com os diversos tipos de público a quem esta combinação podia apelar, o concerto na Casa da Música justificava alguma expectativa e uma casa mais cheia, mas sobre dinâmicas de público continuo a considerar-me um trapalhão ignorante.

Com mais ou menos público [5], o quarteto entrou em palco com vontade e energia para oferecer o seu melhor mas, talvez por ter sido momentaneamente desviado da sua concentração por algumas dificuldades (iniciais) no som de palco (já referidas) ou por partilhar da tal sensação de que a sala era demasiado grande, pareceu não estar tão sólido como se esperaria, particularmente, no que diz respeito ao “entrosamento” de MMW. A falta de presença do baixo eléctrico de Chris Wood (amplamente solicitada por Billy Martin aos técnicos de som) e, mesmo após os ajustes, as dificuldades gerais aparentes em ter um bom som no palco, poderão ter contribuído para uma certa sensação de desconforto e até desacerto que marcou alguns dos momentos menos conseguidos do concerto. O maior impacto sentia-se precisamente na dificuldade em afirmar a “profundidade” do groove que está na base do trabalho do trio de Brooklin, mas o esforço evidente em passar por cima das dificuldades técnicas e oferecer a melhor experiência possível ao público resultou em bons momentos musicais de grande intensidade e concentração. “Cachaça”, escrito por Chris Wood e introduzido no concerto por um intenso solo de contrabaixo, foi um desses momentos e, de resto, parece justo destacar precisamente o baixista, por uma performance de grande envergadura, em condições difíceis.

No geral o concerto confirmou a apetência desta formação pelas apresentações ao vivo, não tanto pela “presença em palco” (esse conceito difícil de definir), que poderia reflectir o compreensível cansaço físico da formação no meio duma digressão exigente, mas mais pela sensação de que é na exploração longa das possibilidades oferecidas pelas “swampy grooves” de que falava Scofield, que cada um dos solistas define o território seguro, para depois “saltar” para zonas não tão seguras e, certamente, mais imprevisíveis e interessantes.

Tema a tema, solo a solo, a sensação de que “quanto mais tempo passar mais longe eles poderão ir”, insinuava-se, com óbvio interesse para parte do público, mas com algum enfado, aqui e ali, entre os menos habituados a estas estratégias. Em boa verdade, a solução encontrada pelo ensemble acaba por ser, IMHO, pouco conseguida: se, por um lado não se abandonaram a nenhuma espiral épica que os levasse verdadeiramente a outros territórios, por outro, ao utilizarem repetidamente uma estrutura clássica/standard (solo intro > tema > solo Scofield > solo Medeski > solo Wood > solo Martin > pergunta-resposta Scofield-Medeski), criaram apenas pequenas espirais sempre interrompidas que, combinadas, resultam um tudo nada estafadas.

Estruturalmente, o concerto acabou por ser bastante pobre e convencional, previsível, construído quase como se houvesse uma checklist de solos e introduções a seguir.

Dentro de cada uma das estruturas, ainda assim, houve lugar a momentos de grande intensidade e os 4 músicos presentes puderam comprovar (para quem tivesse dúvidas) que partilham, além de elevados níveis de execução técnica e criatividade, uma cumplicidade assinalável na compreensão não só das raízes, mas também das perspectivas do groove. E se destaquei positivamente Chris Wood pelo esforço persistente, talvez referisse apenas como nota menos boa um certo ar “desorientado” na performance de John Medeski, um frenesim que acalmou apenas para um surpreendentemente calmo e lírico “Julia” (Lennon-McCartney) e para a utilização do clavinet num registo bluesy muito genuíno. Esse frenesim, para o qual o perfil acústico da Sala Suggia pode ter contribuído, tornava-se particularmente evidente quando combinado com algumas aproximações tímbricas de Scofield aos teclados de Medeski, criando uma estridência indesejável.

A propósito dos momentos mais calmos de Medeski, uma das “notas” adicionais do concerto é a existência de alguns hiatos na estrutura— ora mais calmos e ambientais, ora mais complexos e “experimentais”, como “Telegraph”, o momento psico-reggae— que, pela duração, enquadramento e reacção do público, não podem ser considerados mais do que parêntesis, infelizmente.

E para quem se questionasse sobre o “funcionamento” deste quarteto ficou mais ou menos claro que não se trata de MMW + Scofield, mas sim de algo mais próximo do quarteto convencional, com uma secção rítmica a que Medeski adere apenas a espaços e onde Scofield não se limita a solar por cima de tudo isto, colaborando activamente na construção das malhas que suportam a progressão balançada das estruturas.

Take it to the bridge

No geral, e em jeito de conclusão, o concerto de MSMW foi (quase) tudo aquilo que poderia ter sido, considerando a proposta e os músicos em causa. A Sala não ajudou e o público (perto de 500 pessoas) não aderiu como se esperaria, talvez por estar desabituado de solos tão longos em concertos destas linguagens, ou apenas por estar uma metade à espera de mais jazz-fusão da parte de Scofield e a outra à espera de um outro MMW (nem todos quereriam todo aquele groove funk estruturado, nem todos quereriam tão pouco…).

A verdade é que Out Louder, quer o disco, quer o concerto, parecem retomar a conversa iniciada no A Go Go, sendo que, agora, Medeski, Martin & Wood têm mais coisas para dizer, mas talvez não sobre o mesmo assunto…

Notas:
[1] - a apertada digressão de Out Louder (concertos diários entre 2 e 16 de Julho em 11 países europeus e num cruzeiro no Mar do Norte) vinha dum concerto em Lugano (Suíça) no dia anterior e atrasos nas ligações aeroportuárias fizeram os músicos chegar à Casa da Música cerca de 2 horas antes do concerto, o que explica o atraso inicial
[2] - dado o ritmo desta digressão, não posso deixar de achar surpreendente a energia dos músicos, especialmente de John Scofield que, com 56 anos, apresenta uma invejável energia e boa disposição
[3] - John Scofield, “HOW I GOT FROM THERE TO HERE IN 704 EASY WORDS” (An Autobiography), http://www.johnscofield.com/bio.html
[4] - “A Go Go” e “Deadzy”, de Scofield, estão apenas nos extras “live” de Out Louder
[5] - que podia e devia ter-se portado melhor no que diz respeito a entradas e saídas da sala, sobre as quais o pessoal da Casa da Música teve um comportamento atipicamente permissivo

Texto escrito por João Martins, a 16/07/2007.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 15 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Links:

Muna - Um espectáculo “dupla-face”

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

Muna no TEATRO CARLOS ALBERTO, no Porto
uma criação Visões Úteis

de 18 a 29 de Junho

Muna - Versão Infância (M4)
de quarta a quinta, às 10h30 e 15h00 | sexta e sábado, às 15h00

Muna - Versão Adultos (M12)
sexta e sábado, às 21h30 | domingo, às 16h00

“Estás a gostar da brincadeira?”, pergunta a Muna. “Estou a gostar de tudo!”, responde o Muna.

Ilustração de Júlio Vanzeler para o espectáculo No Muna, o espectáculo de “dupla-face” que estreia no dia 18, sou também um Muna e estou a gostar muito da “brincadeira”, mesmo que o trabalho envolvido seja hercúleo (pensavam que estava calado por ter metido férias ou uma licença de paternidade?).

Há canções, uma corneta-mangueira, uma bicicleta-musical, um piano… e há músicas de embalar e de sonhar (sonhos bons, sonhos maus e sonhos esquisitos) que fui criando para Muna e, obviamente, para a Maria.

Eu, que não posso ver nenhum dos espectáculos, porque aceitei ser parte integrante deste universo, aconselho os adultos a verem os dois espectáculos, se puderem. E estou verdadeiramente ansioso pela reacção das crianças, já que a dos adultos tende a ser menos genuína.

Venham. E tragam as vossas crianças… ou as dos outros.

Muna não é uma experiência trivial.

Divulgação: oportunidade para adquirir peças de Sofia Beça

Terça-feira, 13 de Maio, 2008

A Sofia Beça faz saber que:

Casulos, de Sofia BeçaCom o passar do tempo vão-se acumulando trabalhos que estiveram em exposições. O espaço não é suficiente para guardar todo o espólio e assim chega uma altura em que têm de sair os antigos para guardar os novos. Desta forma, nos próximos dias 17 e 18 de Maio, entre as 15 e as 19.30h, irei pôr à venda, por valores simbólicos alguns desses trabalhos no n.º 53, 1º , da Rua Morgado de Mateus, no Porto. Trata-se pois de uma oportunidade única de adquirir algumas obras expostas e publicadas.
Fico então a aguardar a vossa visita.

A Sofia Beça é, além de ceramista, irmã do Gustavo Costa e fiquei a conhecê-la e ao trabalho dela em Boassas.

Schiu! - instalação

Segunda-feira, 21 de Abril, 2008

DSC00011.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

Estou particularmente orgulhoso com esta instalação do Visões Úteis, para a qual concebi a componente audiovisual. Ao trabalhar sobre material do qual não sou autor (a banda sonora do Albrecht Loops e o vídeo da Susana Paiva), e com o objectivo explícito de contaminar, mais do que ocupar, o espaço da Igreja do Grilos com o ambiente da peça e das histórias do Tonino Guerra, impus-me um desafio e acho que cumpri.
O carácter efémero da instalação (um dia apenas), apesar de ser um dado adquirido à partida, deixa-me um bocadinho frustrado. E fiquei com uma certa vontade de repetir a experiência.