Da importância de estar vivo

Algumas das pessoas que, como eu, vivem em Aveiro e, ocasionalmente, se preocupam com alguns assuntos da cidade, têm-se deparado com estranhos obstáculos a que a discussão pública e esclarecida sobre muitos destes temas se realize ou, realizando-se, tenha algum tipo de impacto na condução dos destinos da cidade. Não é um problema exclusivo da nossa cidade, bem sei, mas no que diz respeito à visibilidade “extra-muros” destes assuntos não sou o primeiro a ter ouvido alguém dizer que “Aveiro é irrelevante”. Não tem eleitores suficientes que justifique uma qualificação séria do debate político (partidário ou outro). Não tem peso económico, não tem “personalidades de elevado perfil”, tem um histórico de baixa fricção social e cívica e, também por isso, não vende jornais, nem atrai audiências. O ciclo é, obviamente, vicioso: quanto mais tempo passamos neste “ramerrame”, mais “relevância” perdemos, menos energia demonstramos nos nossos protestos, menos exigências fazemos pela qualificação do debate público e aniquilamos quaisquer condições para quebrar este ciclo em qualquer um dos seus elos.

Foi com este estado de espírito que ontem, depois dum dia complicado, me arrastei até ao café Gato Preto, onde um grupo de cidadãos promovia um encontro de pessoas que estão contra a intenção do executivo Aveirense de construir uma nova ponte pedonal que, por todas as razões e mais uma, é um disparate à espera de ser travado. Estava preparado para me sentar numas mesas, com um par de caras conhecidas e falar sobre o desfasamento que existe entre a mobilização virtual, através de confortáveis cliques nas redes sociais, e uma mobilização verdadeira de pessoas dispostas a vir a público dizer o que pensam e comprometer-se com acção. Estava preparado para me conformar com a ideia de que teríamos que ter “esperança” que, à última da hora, o bom senso imperasse e houvesse um recuo por parte da Câmara.

Ao passar a porta do café, a minha primeira reacção foi pensar que tinha sido tonto (e tipicamente intelectualóide) ninguém ter verificado previamente as transmissões desportivas na TV já que, com toda aquela gente seria difícil falar sobre qualquer assunto. Mas essa sensação durou a fracção de segundo necessária para reconhecer algumas das caras e a curiosa configuração da sala. Mais de 40 pessoas, num fim de dia de semana, convocadas por emails e pouco mais, apareceram com as suas convicções e a sua vontade de agir. A sessão foi eficiente e organizada, com considerações, análises e propostas relativas a documentos em discussão e estratégias de acção a curto e médio prazo. Uma demonstração de cidadania responsável e activa, mas, mais do que isso, uma demonstração de vida.

ponte reunião.JPG

Discutiram-se vários aspectos e decidiram-se coisas concretas, como a participação na próxima reunião do Executivo, com exigências elementares de cortesia democrática: queremos ser ouvidos e, mais do que isso, queremos que todas as questões a que nenhum responsável tem respondido (e são muitas colocadas das mais variadas formas ao longo do tempo) tenham finalmente resposta. E, sabendo de todos aqueles que se têm pronunciado de forma desfavorável, políticos e técnicos dos mais variados sectores, queremos perceber quem legitima esta obra irresponsável.

É possível e provável que Aveiro continue a ser irrelevante “extra-muros” e que esta luta de cidadania mereça a mesma atenção que lutas anteriores. É possível e provável que o desequilíbrio de forças se mantenha e que a voz das pessoas seja abafada por formalismos bacocos. Mas o ciclo “vicioso” da irrelevância de Aveiro pode estar a ser quebrado no elo que, sendo o mais forte, sempre se menospreza: as pessoas.

Quinta-feira saberemos mais alguma coisa.

+info:

É uma revolução? É sim, meu menino.

Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

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Bolhão: Artistas e populares contra projecto recuperação

Diário Digital/Lusa | 16-02-2008 16:51:00

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram hoje, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o próximo sábado.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.
Em declarações à Lusa, o arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».
Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.
O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando – veja-se o caso da Cadeia da Relação – mas o importante é a manutenção da memória».
No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».
A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.
Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».
José Rodrigues defende que se «façam obras e que se modernize o mercado», mas «mantendo as suas características principais».
O Bolhão faz parte do Porto», frisou.
A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado.

«Só me ajeito a comprar aqui» disse, afirmando à Lusa que concorda que se façam obras «desde que garantam o regresso dos comerciantes».
Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.
«É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade», disseram.
Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no «Bolhão».
Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».
Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

Diário Digital/Lusa
16-02-2008 16:51:00

Ainda não assinou a petição? De que é que está à espera?

F.R.I.C.S. pelo Mercado do Bolhão

Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa (F.R.I.C.S.)
Mercado do Bolhão, Porto
Sábado, 16 de Fevereiro, 10h.

Num momento em que o Mercado do Bolhão, símbolo não apenas da Cidade do Porto, mas de toda uma forma de vida oposta à crescente homogeneidade e esterilização da actualidade, se encontra ameaçado, a F.R.I.C.S. tem a honra de contribuir para mais uma acção de protesto (e pudesse o seu som ser tão eficaz como o das trombetas que fizeram cair as muralhas de Jericó!).

Depois dos ataques e restrições à colher de pau, ao azeite caseiro, aos licores do tio-avô, às rolhas de cortiça e a toda uma quantidade de elementos que tornam o mundo um lugar mais variado e surpreendente, assistimos a uma manobra que visa apagar do mapa um bastião do comércio tradicional, personalizado e não-massificado, para o substituir por um centro mercantil estéril e falsamente popular.

A F.R.I.C.S., ela própria uma filha da caótica biodiversidade decorrente da junção de ex-membros dos Clã, Gangrena, Amigos da Salsa, Genocide, e colaboradores de Plácido Domingo numa mesma banda, coloca-se firmemente do lado da diversidade não-catalogável, contra o impulso destrutivo que se esconde por detrás da “segurança”, da “higiene” e da “modernização”.

Aguardamos a vossa presença nesta límpida manhã de sábado.

Se não se puderem associar no mundo real, entre os sons e os cheiros do Bolhão, podem sempre associar-se através desta petição on-line.

Como é que o hi5 pode ser tão mau?

As plataformas de social networking mais populares são, regra geral, as piores em termos de funcionalidades, estrutura base e rigor e robustez do código. O MySpace e o hi5 são bons exemplos de como as piores práticas (im)possíveis e (in)imagináveis em termos de programação dão origem a plataformas com um crescimento “assustador” e que acabam, infeliz e perigosamente, a ditar tendências de utilização e rotinas-padrão para muitos utilizadores finais da web.

O crescimento mais modesto de projectos como o Virbº e a Last.fm, por outro lado, mostram como o rigor no design e no código estão longe de ser critério na escolha das plataformas. Em bom rigor, as pessoas escolhem e usam as ferramentas de interacção social como quem escolhe o(s) café(s) e discoteca(s) a que vai: uma pequena parte da decisão depende do gosto pessoal, uma parte significativa, do “grupo” a que se pertence, uma outra ainda, dos grupos a que se quer pertencer.

(Deixo ao vosso critério a interpretação do facto de estar presente em todas estas plataformas.)

Mas o que não me cansa de surpreender é como o hi5 é mau. Em coisas básicas como a codificação de caracteres, por exemplo, é quase pré-histórico:

hi5 e a codificação de caracteres: como é que o hi5 pode ser tão mau?

Ó senhores, nunca ouviram falar do Unicode? Até dá para pôr texto de pernas para o ar

E o pior de tudo isto é que, pelo número de pessoas que se vê a abdicar no hi5 do uso de acentos, cedilhas e outros caracteres fundamentais do português bem escrito, fica-se a perceber que há muita boa gente a quem a debilidade da plataforma em nada prejudica.… será que é considerado prático pela “geração SMS”?

É triste. :(

Let’s go to the movies!

Lembram-se das minhas queixas acerca das condições de exibição de cinema em Aveiro e das respostas recebidas?

Pois hoje é dia de boas notícias para os cinéfilos cá da terra (e chegaram-me por e-mail):

Exmo. Sr.:
O ecrã da sala já encontra em excelentes condições.

Cumprimentos

Luis R Mota
Lusomundo Cinemas
Director Geral / Managing Director

Que bela sensação de dever cumprido…

Nota importante: a publicação do meu primeiro artigo acerca deste assunto nas páginas d’O Aveiro não foi da minha responsabilidade. O artigo foi enviado por e-mail para esse e para outros órgãos de comunicação social (local e nacional), para lhes dar conhecimento. A direcção d’O Aveiro decidiu, sem me consultar, proceder à sua publicação ipsis verbis numa secção destacada do semanário e sem referência à origem (blog ou e-mail), privando os leitores do acompanhamento que o assunto mereceu no blog. Não levei isso a mal, mas achei estranho… mas sobre esse episódio e sobre o funcionamento dos jornais locais em geral tenho um artigo em banho maria já há algum tempo.

Lembram-se do “cambalacho”?

Cambalacho era o nome duma telenovela brasileira que popularizou o termo “cambalacho” como sinónimo de golpe, logro, tramóia.

Cambalacho é o que se prepara na Comissão Técnica de “Linguagem de Normalização de Documentos”, como podem ver neste artigo do Paulo Vilela.

Alegar “falta de espaço” para recusar a participação da Sun Microsystems na CT não é só ridículo: é um sinal grave da falta de vergonha de quem está a preparar um golpe vergonhoso e que tem Portugal em tão má conta que nem acha necessário disfarçar que nos tem no bolso.

Notícias recentes (regionais) relacionadas:

  • Presidente da Câmara de Ílhavo de visita oficial à Microsoft
    O presidente da Câmara de Ílhavo é um dos autarcas portugueses presentes em Seatle, nos Estados Unidos da América, a partir de hoje e até dia 13, a convite da Microsoft, para uma visita à sua sede.
    Este convite (dirigido a dez presidentes de Câmara do nosso país), tem como objectivo a partilha da visão das tecnologias informáticas, de informação e de comunicação, em particular as aplicadas ao sector da gestão autárquica portuguesa.A visita, que decorrerá no Microsoft Executive Briefing Centre, em Seatle, pretende apresentar a visão da Microsoft para a inovação na gestão autárquica, e a prestação de serviços integrados aos Cidadãos/Munícipes, passando por soluções documentais, tramitação e colaboração, bem como ferramentas de apoio à gestão do território, utilizando sempre as mais recentes tecnologias desenvolvidas pela Microsoft Corporation.”Apostado que está na contínua modernização e melhoria da eficiência da gestão autárquica, quer como presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, quer como presidente da Junta da GAMA e da AMRia (com a importante experiência constituída pela gestão do programa Aveiro Digital 2003/2006), entendeu por bem o presidente Ribau Esteves aceitar este honroso convite, por entender que o mesmo alargará horizontes na busca de oportunidades que poderão potenciar tais objectivos, no âmbito do desenvolvimento da aplicação das novas tecnologias para o Município de Ílhavo e para a região”, diz nota da Câmara de Ílhavo.
  • ZING criada com nova filosofia assente no desenvolvimento regional
    A localização da Zona Industrial de Nova Geração (ZING) e os resultados do Projecto GeoInvest foram apresentados no seminário sobre «Zonas Industriais de Nova Geração – A Estratégia da Localização» que se realizou no Auditório da AIDA (Associação Industrial do Distrito de Aveiro).
    (…)
    Os representantes da Microsoft e da Inova-Ria – Rede de Inovação em Aveiro estiveram de acordo relativamente aos requisitos que uma ZING deve ter para captar investimento de empresas de Nova Geração, tendo dado especial importância ao funcionamento em Rede e à grande utilização de conhecimento, valorizando assim a necessidade de recursos qualificados e a colaboração com universidades e centros de investigação. Foi ainda referida a necessidade de existirem infra-estruturas de informação, comunicação e transportes, bem como qualidade de vida.
    (…)

(Desafio os leitores a encontrarem na segunda notícia uma explicação sobre o papel dos referidos representantes da Microsoft no seminário… não está lá nada porque já nem é preciso explicar qual é o papel dos representantes desta multinacional específica numa iniciativa sobre a gestão pública apoiada em TI…)

Não tive sequer que procurar estes exemplos. Tropecei neles, já que estão em todo o lado.

Com as coisas neste estado na administração autárquica e na generalidade da administração pública e mesmo em muitas instituições de ensino superior [1], não sei se a luta por standards a sério vai a algum lado neste nosso cantinho deprimente… :(

[1] contaram-me que os computadores da Universidade de Aveiro (os dos docentes, pelo menos) não podem ter instalado o Firefox, porque o contrato/acordo de licenciamento que a UA estabeleceu com a Microsoft não o permite… eu recuso-me a acreditar nesta barbaridade e parto do princípio que foram alguns técnicos do CICUA que perceberam mal as (estranhas) indicações que receberam, mas sei que o Firefox já foi instalado em algumas máquinas com a reserva explícita do técnico: “eu não posso fazer isto, mas é a melhor maneira de resolver o problema…”
Há algum técnico do
CICUA que, em público ou privado, possa explicar o que se passa?

Lugar aos leitores

Cá está uma coisa que eu não pensava que me viesse a acontecer: houve gente que achou que este blog teria visibilidade suficiente para se dirigirem a ministros e jornalistas e fazer chegar uma mensagem de protesto.

Como eu sou adepto de mensagens de protesto, mas acho que devem estar nos sítios certos, venho, por este meio, criar um tópico específico sobre a situação dos praças do Exército, com as intervenções dos leitores Patrícia e João Fernandes.

Se houver seguimento, que seja aqui:

Patrícia dixit

gostava que o senhor ministro fizesse alguma coisa para os praças do exercito poderem fazer carreira como os praças da marinha.tambem gostava de saber o porque só os sargentos e oficiais do exercito podem fazer carreira?se eles podem e porque nao os praças? porque nao havia tropa nenhuma sem praças.os praças cada vez sao menos e o porque toda a gente sabe so o ministro da defesa e alguns comandates é que nao querem saber porque estao bem na vida e nao se importam com os praças.já esteve o senhor PAULO PORTAS E LUIS AMADO como ministros da defesa nacional e nunca fizeram nada pelos praças nem se importaram o que lhes entressavam a eles era o ordenado deles.gostava de pedir ao atual ministro da defesa nacional para estudar a situaçao dos praça.para mim e para a maior parte dos praças o melhor era já que completam o tempo maximo de contratos sem nenhuma pena diciplinar aí sim poderem fazer carreira e nao os mandar para o desemprego.OBRIGADO

Patrícia dixit

nos os praças do exercito estamos muito desiludidos com o ministro da defesa nacional porque nao fás um estudo sobre os PRAÇAS do exercito.so se fala em oficiais e sargentos mas esses têm carreira e o porque de os praças nao podem ter uma carreira tambem sao militares e sem praças nao havia tropa!porque é que nao aproveitam os praças que completam os nove anos e meio(tempo maximo de contratos eté 2000)e dao oportunidade de eles seguirem uma carreira?envestiram nesses militares gastando dinheiro em cartas de conduçao,espsialidades,fardamento e depois mandam-nos embora para o desemprego!é uma vergonha.e o cumulo é que os praças da marinha podem fazer carreira e o porque os do exercito nao podem’

João Fernandes dixit

venho por este meio pedir ao senhor hernani(jornalista)para falar em publico nas televisoes jornais e etc.para falar dos praças do exercito porque nos os praças estamos muito tristes do que se está a passar.o exercito esta a mandar os praças para o desemprego com gosto na farda e vai ao centro de emprego buscar pessioal obrigado a ir para a tropa se nao perde o subsidio.é uma vergonha.o que eu preponho é os praças que completam os contratos todos sem puniçoes e sempre cumprio o seu dever que aproveitem esses militares para os proficionalizarem ou seja que esses praças possam fazer carreira porque têm gosto na vida militar.

Nota: não conheço nem faço ideia quem sejam a Patrícia ou o João Fernandes e é claro que estes comentários introduzidos off-topic não passam de SPAM, mas acho que esta é uma boa oportunidade para que as pessoas que tenham definido e estejam a implementar esta estratégia de visibilidade online para a luta dos praças do exército, possam ter um espaço mais focado. Fogo à peça, é o que se costuma dizer, certo?

Revolucionário?

É cada vez mais frequente vermos aplicado o termo “revolucionário” a produtos, serviços ou tecnologias em fase de lançamento e é também muito frequente que isso seja apenas e só sinal crescente da banalização do termo por culpa de marketeers ambiciosos que vêm na “novidade”, por pequena que seja, a brecha para uma revolução que, com fogo de vista se oferece aos consumidores como outra coisa que não uma pequena revolução nos seus bolsos…

Assistimos a isso tantas vezes em tantas áreas que se torna por vezes difícil distinguir entre o hype e a real thing e, dependendo do grau de cinismo, podemos mesmo recorrer ao célebre mote The Revolution Will Not Be Televised para descartarmos todas as promessas de revolução que nos cheguem pela publicidade ou pelas notícias na imprensa…

Mas num mundo globalizado e cada vez mais dependente das tecnologias de informação e cada vez mais “ligado”, não podemos deixar de manter acesa alguma esperança de que sinais de revolução possam surgir nos monitores dos nossos computadores. E não podemos ignorar que algumas revoluções acontecem/acontecerão precisamente na forma como usamos estas tecnologias e que outras tantas se apoiam/apoiarão nestas tecnologias e na força “viral” das redes de informação para atingirem os seus objectivos.

Poderá não ter lugar no horário nobre das televisões e escapar mesmo à maioria da imprensa “convencional”, mas a(s) revolução(ões) do nosso tempo chegarão até nós via web, ou acontecerão à frente dos nosso narizes, nos nossos monitores e encherão páginas de blogs e emissões de podcasts e videocasts.

O problema que se coloca é saber se no meio de todo este ruído digital, de tantas notícias de revolução nos transportes, revolução nas comunicações, revolução no entretenimento, seremos capazes de manter presente a ideia de que só existe verdadeiro potencial revolucionário em ideias capazes de unir as pessoas e transformar efectivamente o mundo e que nada disso depende de gadgets mais ou menos interessantes e inovadores, mas, evidentemente, exclusivistas, efémeros e superficiais.

A Segway, que ia revolucionar os transportes, agora é

Os exemplos que escolhi para os links (Segway, iPhone e AppleTV) são apenas exemplos de revoluções de marketeer que, pela visibilidade obscena que têm, merecem este tratamento de destaque negativo. Acredito que cada um destes produtos inclui características e inovações tecnológicas que constituem passos evolutivos importantes em cada uma das áreas. E acredito até que a integração desses aspectos em novos contextos menos centrados no lucro financeiro imediato possa trazer à sociedade em geral melhorias que poderão desempenhar um qualquer papel em algumas das revoluções reais de que necessitamos.

 

Apple iPhone. Revolutionary Phone !?

Acredito, por exemplo, que partes da engenharia da Segway combinados com outros bocados do génio de Dean Kamen poderão contribuir decisivamente para uma revolução real na mobilidade e nas políticas de transporte nas cidades, mas o verdadeiro motor dessa revolução não será um produto ou um conjunto de soluções técnicas, mas a vontade social de quebrar as barreiras que tornam as nossas cidades inimigas das pessoas.

Acredito até, tentando ver para lá da minha desconfiança relativamente a dispositivos tácteis, que aspectos pontuais do interface do iPhone possam expandir as possibilidades de interacção com dispositivos de várias escalas e que o impulso que ele trará à construção de novos tipos de web apps possa permitir algumas mudanças positivas, mas o verdadeiro motor de uma revolução nas comunicações (como se vê nas sucessivas definições da web 2.0) será a vontade social de estender as possibilidades de intercâmbio e participação a mais e mais pessoas, quebrando barreiras culturais, técnicas e económicas.

Porta Chaves Che GuevaraNenhuma revolução se fará, aliás, nem com gadgets de ricos, nem com memorabilia revolucionária, por mais que os marketeers façam subir os lucros dos seus patrões a vender t-shirts, porta-chaves ou iPods (ainda não se lembraram desta, pois não?) com a já gasta silhueta do Che Guevara (deve andar às voltas na tumba).

Mas se é fácil denunciar as “falsas” revoluções, mais difícil é dar visibilidade a eventos, causas e projectos verdadeiramente revolucionários, principalmente quando parte da revolução assenta em tecnologias. Basta pensarmos na questão óbvia do movimento Open Source, para vermos como facilmente chovem acusações de parcialidade, preconceito ou pura e simples inépcia quando alguém tenta promover uma ferramenta, uma linguagem ou uma plataforma de desenvolvimento que pareça uma verdadeira ferramenta da revolução. Organizado em “seitas” (como tantos movimentos revolucionários), o mundo do Open Source tem dificuldade em lidar com o exterior e consigo próprio e as guerras internas, que o debilitam, servem apenas para alimentar as grandes empresas, que têm razões para recear o potencial verdadeiramente revolucionário do Open Source.

E (essa) revolução vai sendo adiada, avançando passo-a-passo, aos soluços.

Essa era uma revolução em que eu queria participar, mas o ambiente de “clandestinidade” que se vive por ali, faz-me manter este estatuto tipo “esquerda-caviar” que é, de facto, a condição dos Mac Users.

Outra revolução real é a que Nicholas Negroponte pretende com o projecto One Laptop Per Child, que como ele não se cansa de referir, “é um projecto de educação, não um projecto de um computador portátil“.

OLPC Laptop

Uma iniciativa destas reduz todos os planos e choques tecnológicos de marketeers armados em políticos à sua insignificância e devia-nos pôr todos a pensar nas verdadeiras revoluções que faltam fazer.

Missão

Foi com uma espécie de espírito de missão que criei um WTF no Technorati a propósito do <No>OOXML. E não posso deixar de me sentir parcialmente realizado por termos conseguido manter o assunto entre os “mais quentes” durante 5 dias (até agora).

Não tenho grande forma de saber qual a eficácia de uma iniciativa destas, mas acho que o objectivo de dar visibilidade às petições (a nacional e a internacional), ao movimento e ao problema subjacente, é apoiado por acções deste tipo.

Por isso, se ainda não votou neste WTF, vá até aqui e vote.

Até dia 16 de Julho devemos empenhar-nos em dar o máximo de visibilidade ao nosso desacordo e protesto.