PSD pode ganhar as eleições porque os Portugueses estão mais desequilibrados

É, aparentemente, a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa:

O professor acrescentou que “neste momento o PSD tem condições objectivas para ganhar as eleições”.

“Não as tinha há alguns meses atrás, mas a situação económica nacional e internacional tem-se complicado, a situação social também, a insegurança tem subido, o que mexe muito na cabeça das pessoas“, considerou.

O destaque é meu.

E é por estas e por outras que eu acho que se o Prof. Marcelo não existisse, tinha que ser inventado.

E alguém dá?

Pelos vistos, os bancos não dão crédito ao PSD. Mas a questão real, dada a história recente do partido, é saber se alguém dá. Além do Tribunal de Contas que, pelos vistos, acha razoável aceitar as condições de pagamento em prestações e sem juros, que foram pedidas/propostas sem que fosse apresentado nenhum documento comprovativo da real situação financeira do partido.

Não deixa de ser mais um episódio que mina completamente qualquer resquício de credibilidade dos sociais-democratas e que tornará as próximas discussões sobre boas práticas de gestão e rigor orçamental em momentos bastante embaraçosos para quem quer que tenha o mínimo de vergonha na cara. Algum dos protagonistas ou candidatos a protagonistas tem?

O pior é que os danos mais profundos são os que vão sendo causados à democracia e esses, afectam-nos a todos.

Um bando de loucos

Que o PSD está em crise profunda e se arrasta penosamente já todos sabemos, mas as declarações de Guilherme Silva dão a esta crise toda uma nova dimensão:

“Alberto João Jardim, como outros, tem perfil e capacidade para dirigir o partido”, afirmou Guilherme Silva, em declarações aos jornalistas no Parlamento, sobre a possibilidade do líder do PSD/Madeira se candidatar à liderança dos sociais-democratas.

Isso é que era!

Mas o tiranete Alberto João não deve querer vir misturar-se com estes “cubanos” todos… pois não?

A mudança de imagem do PSD

Nova imagem do PSDQuando li que o PSD ia mudar de imagem, pensei que era só gozo do Daniel Oliveira, mas confirma-se. Trata-se de um “refrescamento” e não duma remodelação total, como aconteceu ao PS quando substituiu o histórico punho pela mais ambígua rosa, mas, no contexto actual de grande turbulência interna, parece cada vez mais óbvio que a liderança social-democrata tem alguma dificuldade na definição de prioridades.

Ou então há uma grande coerência entre discurso e acção de Menezes: para “desmantelar o Estado em seis meses”, como manifestava ser o seu desejo há uns meses, começa por treinar, desmantelando um dos maiores partidos do “arco da governação” em duas ou três penadas.

O drama, mesmo para quem não habita o espaço político ou ideológico do PSD, como eu, é que, o esvaziamento (de parte) da oposição só favorece o exercício cada vez menos democrático do poder.

E isso paga-se caro. Por todos nós.

PS: Mudar assim de imagem, sem ideias ou discurso que sustentem uma mensagem estruturada, fez-me pensar no meu post sobre a falta de substância nos projectos de comunicação.