Entradas com Etiqueta ‘publicidade’

Tesourinhos deprimentes

Sábado, 17 de Maio, 2008

A publicidade online é, muitas vezes, deprimente. As empresas que vivem de vender toques para telemóveis e serviços anexos são, na maior parte das vezes, desprezíveis.

Juntar as duas coisas é um pesadelo que se torna realidade:

Publicidade deprimente que explora um episódio triste da escola portuguesa

Os riscos dum blog preguiçoso

Terça-feira, 13 de Maio, 2008

Já há algum tempo que tinha reparado que a flutuação do número de visitas ao blog está acima de tudo relacionada com a sua frequência de actualização. Os temas sobre os quais escrevo podem ser mais ou menos populares, a qualidade da escrita pode variar, assim como a profundidade das reflexões e a inserção de imagens ou links. Qualquer um desses factores tem um impacto residual no número de visitas, comparado com o efeito óbvio da frequência de publicação de artigos. No limite do absurdo, aparentemente, um blog pode gerar um número razoável de visitas publicando parvoíces a um ritmo alucinante. Por tudo isto, já estou habituado a ver a rampa descendente nas estatísticas quando não escrevo durante uns dias. Mas, desde que pus publicidade no blog, reparei num risco secundário da “preguiça”: parece haver um efeito de “sedimentação” na análise e escolha
dos anúncios por parte do AdSense e, com a inactividade (espero que seja isso), começam a surgir anúncios cada vez menos relevantes. Como se as subtilezas de análise que fazem surgir os anúncios se fossem perdendo e, no fundo do filtro ficam as grandes “famílias” de anunciantes de largo espectro.

Espero que os leitores não se sintam incomodados e que, com actualizações relativamente regulares, este efeito se dissipe. Aceito sugestões.

Os pacotes de fraldas

Sexta-feira, 2 de Maio, 2008

Há uns tempos escrevi uns artigos acerca do sentido que fazia (ou não) ter publicidade num blog pessoal, como este. Comecei por me perguntar porque é que os blogs pessoais tinham cada vez mais publicidade e acabei por analisar como é que se pode fazer (se é que se pode fazer) dinheiro com publicidade no blog.

A minha opinião inicial é a de que não faz muito sentido tentar rentabilizar estes espaços pessoais, já que quem ganha, de facto, é o intermediário e os riscos de se acabar por alterar a relação com o blog por causa disso é real: quer do lado de quem lê, quer do lado de quem escreve.
Muitos bloggers/anunciantes vieram cá dizer-me que isso não acontecia: nem os leitores se queixam do espaço ocupado pela publicidade, nem eles se sentem “pressionados” consciente ou inconscientemente (essa é a parte mais difícil de assegurar) pelo facto do blog passar a ser uma potencial fonte de rendimento, se eles conseguirem atrair os anúncios e os visitantes certos.

A minha opinião não mudou, mas toda a reflexão e uma série de conversas fizeram-me ver a coisa doutra forma: o tempo que estou aqui, a escrever, traz-me um rendimento intelectual e social, de tipo pessoal e intangível muito importante, mas que, como muitas outras coisas que faço, não paga rendas, serviços ou pacotes de fraldas (que estão pela hora da morte, segundo me dizem). Ora isso resulta num peso na consciência com o qual não é fácil lidar e, em todas as minhas actividades mais voluntariosas vou tomando medidas para reduzir os gastos ou, nas poucas em que isso é possível, encontrar formas de rentabilização. Não se trata de enriquecer, obviamente, mas de sobreviver.

Ora, se estas preocupações “adultas” me fazem mudar de atitude gradualmente no que diz respeito a concertos, actividades criativas e as mil e uma coisas que continuo a fazer apenas pelo gosto e por algum espírito de missão, não fará sentido que neste blog— espaço pessoal que é meu e só meu—, sendo possível introduzir algum instrumento de rentabilização, isso não contribua para alguma paz de espírito?

Não sei ainda, nem garanto nada, mas a verdade é que a publicidade aí está. Não quero com isto incomodar ou assustar leitores e visitantes, por isso, se quiserem reclamar, façam-no. Digam-me se acham que está em sítios chatos ou se é demais. A relevância dos anúncios dependerá da velocidade do Google AdSense a perceber os conteúdos do blog e espero que não apareçam por aqui anúncios “estúpidos”, como aconteceu à Manuela Ferreira Leite.

Com o tempo e com sorte, talvez os cêntimos que forem aparecendo contribuam para os tais pacotes de fraldas e, com isso, para uma consciência menos pesada.

Desculpem qualquer coisinha.

PS: Sem desrespeitar os termos de serviço do Google AdSense, que proíbem a divulgação pública de resultados, darei notícia do desenrolar da situação, para quem tiver ficado curioso.

Afinal quanto dinheiro é que se pode ganhar com publicidade num blog?

Terça-feira, 18 de Março, 2008

As respostas à minha pergunta recente, “Porque é que os blogs pessoais têm cada vez mais publicidade?“, levam-me a pensar que é bem provável que até agora, tenha subestimado os rendimentos possíveis. Ou isso, ou uma parte dos comentadores estão todos a soldo do Google AdSense. ;) Seja como for, parece que vale a pena.

Mas, sendo assim— e pondo de lado questões de princípio ou apenas sensibilidade—, impõe-se a pergunta: como e quanto dinheiro é que se pode ganhar, de facto?

No sistema do Google AdSense, onde “alugamos” espaço publicitário nos blogs, pode-se ganhar dinheiro de duas formas, porque se pode gastar dinheiro de duas formas no Google AdWords, o sistema do Google para anunciantes:

  1. CPC - Custo Por Clique
    Neste sistema, os anunciantes pagam apenas pelos cliques efectivos nos seus anúncios, ou seja, por visitas geradas através da publicidade. Neste caso, um anúncio pode surgir 10, 100 ou 1000 vezes no nosso blog sem recebermos um tostão por isso. Apenas se os nossos visitantes clicarem nos anúncios é que há retorno. E não vale fazer a batota: se clicarmos nós próprios nos anúncios e se isso for detectado pelo Google (e acreditem que eles detectam muita coisa), podemos ser banidos do sistema.
  2. CPM - Custo por Impressão
    Neste sistema, os anunciantes pagam para aparecer, independentemente dos cliques, ou seja, das visitas. Neste caso, de cada vez que o anúncio surge, somos pagos.

A opção CPC vs CPM é dos anunciantes e não de quem aluga espaço publicitário (pelo que percebi).
Isso significa que dependendo dos assuntos abordados e, assim, dos potenciais anunciantes, podemos ter anúncios CPC e CPM. Pela lógica, os pequenos anunciantes querem gerar visitas aos sites de forma controlada e económica e optarão pelo CPC. Os grandes anunciantes e grandes marcas, com orçamentos para publicidade online mais largos, estarão interessados em gerar visibilidade , independentemente das visitas associadas.

A escolha da parte de quem anuncia  é um problema de marketing, estratégia comercial e orçamento.

No sistema CPC, o custo por clique depende da relevância das palavras-chave escolhidas pelos anunciantes (”artesanato” custa €0,06 - €0,10, “linux” custa €0,81 - €1,22). Podem fazer as vossas próprias simulações aqui. Não encontrei dados ou simuladores para o sistema CPM, em que os anunciantes licitam por pacotes de 1000 impressões do seu anúncio.

Independentemente disso, há uma diferença entre o que os anunciantes pagam ao Google e aquilo que recebem os bloggers. E o facto da fórmula de cálculo não ser transparente assusta-me um bocadinho, pessoalmente.

Mas as histórias de gente que ganha bastante dinheiro multiplicam-se pela net e, aparentemente, entre os leitores deste blog há mesmo gente que tem essa experiência em primeira mão.

Como?

O motor do Google identifica no conteúdo do blog as palavras-chave indicadas pelos anunciantes e selecciona alguns, da lista de anúncios disponíveis e usando algoritmos que se apresentam como os melhores para garantir resultados aos anunciantes e aos bloggers (se uns pagam o mínimo e outros recebem o máximo, devem ser algoritmos do “arco-da-velha”). Dependendo do tipo de anúncio (CPC ou CPM) são calculadas receitas e despesas para cada uma das três partes envolvidas (despesas do anunciante, receitas do Google e do blogger) em função de cliques e/ou impressões.

Este sistema complexo significa que fazer estimativas de rendimentos com base nesta publicidade é muito complicado. Apenas se poderá concluir que:

  1. Um elevado número de visitantes e de exibições de página aumenta a probabilidade de rendimentos altos, mas não os garante, se a maior parte dos anúncios for do tipo CPC
  2. Conteúdos que versem assuntos “populares” aumentam também essa probabilidade, principalmente se entrarem na área de acção das marcas que aderem ao sistema CPM
  3. Conteúdos relevantes, bem escritos e estruturados permitem, em teoria, ao Google uma indexação mais eficaz do blog e, assim, um melhor “encaixe” entre publicidade e leitores, o que aumenta consideravelmente a hipótese de se fazer algum dinheiro

Mas, aparentemente, sem nos preocuparmos muito com isso, ou sem alterações na linha editorial, é possível ter algum rendimento. Se assim for, sugiro que isso significa que o sistema está temporariamente inflaccionado e que um ajuste progressivo entre a oferta e a procura, associados à melhoria dos “algoritmos” que o Google usa para garantir resultados a todos os intervenientes eliminará alguma “gordura” do sistema.

Entretanto, que faça bom proveito a todos.

E, afinal?

O Google insiste que só testando é que se poderá comprovar qual o rendimento do programa em cada blog. É verdade, por todas as razões indicadas e mais algumas. Mas existem formas de fazer estimativas. Esta é uma das mais simples que encontrei, mas não asseguro nada:

Rendimento = CTR * CPC

CTR - Click Through Rate: a relação entre o número de impressões do anúncio e o número de cliques
CPC - Cost per Click: custo por clique

Considera-se que uma CTR média andará à volta de 3% e que o CPC médio é de $0.25 (USD), por isso, para cada 1000 impressões (page views):

1000 * 3% (est. CTR) * $0.25 (CPC médio) = $7.5 (USD)

A acreditar nesta fórmula para estimar rendimento, um blog parecido com este, que tem cerca de 6500 exibições de página por mês, se tivesse 5 anúncios por página, poderia render cerca de $243.75 (USD) por mês.

Quem sabe se alguns dos comentadores do post anterior não poderão confirmar ou negar o rigor desta fórmula de estimar rendimento.

Mas, e depois?

Depois… nada. Este blog não terá publicidade por razões várias, mas acho que é importante que se perceba e se fale sobre esta realidade com alguma frontalidade e sem as “tretas” habituais de quem tem outros interesses nisto.

Também em nada se altera a minha relação com os blogs com e sem publicidade. Procuro conteúdos e acho que é isso que a maior parte das pessoas faz.

E alegra-me a frontalidade e naturalidade com que os comentários foram feitos. Ficámos todos (acho) a saber um bocadinho mais.

Porque é que os blogs pessoais têm cada vez mais publicidade?

Segunda-feira, 17 de Março, 2008

Não é uma provocação. É uma dúvida legítima.
A tendência alastra e, por agora, já devem ser minoritários os blogs pessoais como este, que não têm publicidade. Não tenho sequer uma posição clara sobre isto. A existência ou ausência de publicidade raramente me distrai do critério fundamental para avaliar um blog: o interesse do seu conteúdo.

Mas dou por mim, cada vez mais frequentemente, a pensar nas razões que levam as pessoas a ter publicidade nos seus blogs.

Para ganhar dinheiro?

Imagino que uma parte significativa das pessoas o faça para complementar o seu rendimento. Mas qual será a rentabilidade de sistemas como um Google AdSense em blogs pessoais? Não tenho dados acerca disso, mas será possível ganhar algum dinheiro “real” sem começar a escrever em função disso? Não aumentará a pressão para escrever sobre assuntos “atractivos” e manter, até artificialmente, um elevado número de visitantes? Ou seja, como é que se controla o equilíbrio entre “ter publicidade” e “ser da publicidade”?

Para prestar um serviço?

Acho também que uma parte significativa das pessoas não está, conscientemente, a pensar em “rendimento”, ou, pelo menos, disfarça isso com uma ideia de que a publicidade pode ser um “serviço” prestado aos leitores. Como nestes sistemas a publicidade é escolhida em função da relação com os conteúdos, pode-se dizer que há alguma probabilidade de surgirem, entre os anúncios publicados, alguma informação relevante para os leitores. Mas esse é o argumento dos intermediários da publicidade, de todos os publicitários e do Google também, para nos convencer de que a publicidade é útil, particularmente se for “segmentada” e “direccionada”. E é um argumento que talvez faça sentido quando pensamos em sites ou blogs de projectos, associações, empresas ou indivíduos em que existe uma componente clara de “prestação de serviço”. Mas e na imensidade de blogs pessoais, de opinião e reflexão, o que é que a publicidade lá está a fazer?

Para assegurar despesas de manutenção?

Uma abordagem pragmática seria dizer que a publicidade pode servir para compensar os gastos com a própria manutenção do blog: registo de domínio, espaços em servidores extra para armazenar ficheiro, tempo gasto na escrita…

Se no caso das primeiras despesas, a quantidade de alternativas gratuitas faz parecer pouco razoável ou relevante a escolha, no caso do tempo “perdido”, impõe-se outra pergunta: se o tempo é “perdido”, ou seja, se não há mais-valia ou se se verificam perdas de produtividade em função do “investimento” feito no blog, faz sentido compensar desta forma (com publicidade), ou será melhor repensar a “pertinência” de ter um blog tão activo?

Imagino que esta argumentação pareça algo cruel, mas a minha experiência diz-me que, se pensarmos bem, o exercício de escrever um blog traz outras “mais-valias” e outros “ganhos” que, por vezes, é fácil menosprezar.

Para ser como os outros?

Este é o argumento mais “absurdo”, mas começo a achar que talvez seja um dos mais frequentes. Com a quantidade de blogs “profissionais” e “semi-profissionais” que nos habituamos a ler e que têm publicidade (como seria de esperar), talvez haja uma tendência crescente para achar que um “blog a sério” tem que ter publicidade, mesmo que nenhuma das outras razões seja relevante ou aplicável.

Como digo, não tenho certezas acerca de nenhuma destas coisas e tenho muito poucos dados acerca do rendimento que a publicidade pode trazer ao “blogger amador” ou da utilidade que terá para os seus leitores. Parece-me clara a utilidade desta tendência para alguns anunciantes e para os intermediários que ganham um canal vastíssimo. Mas, de resto…

Estranhamente, já vi muitas discussões e reflexões acerca de estratégias para aumentar o rendimento dos blogs, mas conheço poucas acerca da sua necessidade.

E vocês? Que respostas têm para esta pergunta? Que reacção têm à publicidade nos blogs?

O problema do significado

Segunda-feira, 21 de Janeiro, 2008

Novo logotipo do Banif Já muito se disse acerca da nova imagem do Banif, imagino eu.

A mim, o que mais me espantou nesta mudança foi a adopção duma figura mitológica cujo significado não é imediato e com o qual se terá (suponho eu) que criar uma ligação a três: símbolo, empresa e clientes.

Mas esta será uma boa oportunidade para perceber se alguém se importa com os significados que se escondem ou revelam por trás das imagens.

Centauros

O Tessaliano Ixíon, filho de Ares, o rei dos Lápitas, apaixonou-se por Hera e procurou levá-la para o seu leito. Mas Zeus enviou-lhe uma nuvem com a aparência de sua esposa, com a qual Ixíon se deitou. Desta união nasceram criaturas híbridas, cavalos com busto humano, munidos de braços: os centauros.

Os centauros viviam nos bosques dos montes Pélion e Ossa e os seus costumes eram considerados selvagens. Vêmo-los figurar nos cortejos de Dioniso. A lenda atribui-lhes numerosos delitos.

Quando Pirítoo, filho de Ixíon, se casou, convidou os seus monstruosos parentes para o banquete. Estes embebedaram-se e tentaram violentar a noiva. Este acontecimento provocou uma luta entre centauros e Lápitas, que se traduziu numa batalha muito sangrenta. Os Lápitas acabaram por vencer, graças à coragem de Pirítoo e do seu amigo Teseu, e expulsaram os centauros da Tessália.

Curiosamente, a tradição costuma destacar deste conjunto dois centauros, a quem atribui uma origem bem diferente e que são recordados pela sua bondade e pela sua sabedoria: Folo, filho de Sileno, cuja hospitalidade Héracles apreciou, e sobretudo Quíron, filho de Cronos, benevolente e omnisciente.

A palavra Centauro (que significa: picador de touros) permite, sem dúvida, discernir a origem do mito: os vaqueiros a cavalo (que recordam os guardião de Camarga) intrigavam verosimilmente os viajantes que percorriam a Tessália. E foram estes que criaram a lenda destes seres, misto de homens e de cavalos.

in Dicionário de Mitologia Grega e Romana, de Georges Hacquard (Edições ASA)

Para mim, é uma curiosa associação, esta dum banco a uma criatura de origem duvidosa e maldita, entregue a excessos e comportamentos selvagens… curiosa por ser honesta. ;)
Mas estariam os responsáveis do Banif e/ou da agência responsável por esta nova imagem a pensar nesta associação de significados? Ou isso não interessa nada?

Nobre Viva!… o desperdício

Terça-feira, 28 de Agosto, 2007

O anúncio radiofónico das refeições pré-cozinhadas Nobre Viva! é muito engraçado— “mensagem subliminar para quem está agora no trânsito: bacalhauzinho com natas…” etc— e toda a estratégia de comunicação deste produto parece bem pensada (não sou só eu a dizer), da escrita dos anúncios, ao grafismo aplicado em vários suportes, até à embalagem:

Nobre Viva! - a embalagem

Mas como no melhor pano cai a nódoa, não só o site da Nobre tem muito para andar (pobre indexação, visibilidade muito baixa, acessibilidade é mentira, etc), como a abertura da embalagem é uma desagradável surpresa:

Nobre Viva! - a revelação do desperdício

O desperdício de cartão é quase obsceno, meus senhores! E numa altura em que a consciência ecológica está na moda, acho que é um erro, face ao target destes produtos, negligenciar estes aspectos.

Vá lá… voltem a pensar nisto. Mas não pensem que alguém vos vai dar a “papinha toda feita”. ;)

PS: O bacalhau com natas não é mau, de facto. E é extraordinariamente rápido e fácil. Mas gastronomicamente falando, dispensava tanta presença do fiambre Nobre. :)

Revolucionário?

Quinta-feira, 12 de Julho, 2007

É cada vez mais frequente vermos aplicado o termo “revolucionário” a produtos, serviços ou tecnologias em fase de lançamento e é também muito frequente que isso seja apenas e só sinal crescente da banalização do termo por culpa de marketeers ambiciosos que vêm na “novidade”, por pequena que seja, a brecha para uma revolução que, com fogo de vista se oferece aos consumidores como outra coisa que não uma pequena revolução nos seus bolsos…

Assistimos a isso tantas vezes em tantas áreas que se torna por vezes difícil distinguir entre o hype e a real thing e, dependendo do grau de cinismo, podemos mesmo recorrer ao célebre mote The Revolution Will Not Be Televised para descartarmos todas as promessas de revolução que nos cheguem pela publicidade ou pelas notícias na imprensa…

Mas num mundo globalizado e cada vez mais dependente das tecnologias de informação e cada vez mais “ligado”, não podemos deixar de manter acesa alguma esperança de que sinais de revolução possam surgir nos monitores dos nossos computadores. E não podemos ignorar que algumas revoluções acontecem/acontecerão precisamente na forma como usamos estas tecnologias e que outras tantas se apoiam/apoiarão nestas tecnologias e na força “viral” das redes de informação para atingirem os seus objectivos.

Poderá não ter lugar no horário nobre das televisões e escapar mesmo à maioria da imprensa “convencional”, mas a(s) revolução(ões) do nosso tempo chegarão até nós via web, ou acontecerão à frente dos nosso narizes, nos nossos monitores e encherão páginas de blogs e emissões de podcasts e videocasts.

O problema que se coloca é saber se no meio de todo este ruído digital, de tantas notícias de revolução nos transportes, revolução nas comunicações, revolução no entretenimento, seremos capazes de manter presente a ideia de que só existe verdadeiro potencial revolucionário em ideias capazes de unir as pessoas e transformar efectivamente o mundo e que nada disso depende de gadgets mais ou menos interessantes e inovadores, mas, evidentemente, exclusivistas, efémeros e superficiais.

A Segway, que ia revolucionar os transportes, agora é

Os exemplos que escolhi para os links (Segway, iPhone e AppleTV) são apenas exemplos de revoluções de marketeer que, pela visibilidade obscena que têm, merecem este tratamento de destaque negativo. Acredito que cada um destes produtos inclui características e inovações tecnológicas que constituem passos evolutivos importantes em cada uma das áreas. E acredito até que a integração desses aspectos em novos contextos menos centrados no lucro financeiro imediato possa trazer à sociedade em geral melhorias que poderão desempenhar um qualquer papel em algumas das revoluções reais de que necessitamos.

 

Apple iPhone. Revolutionary Phone !?

Acredito, por exemplo, que partes da engenharia da Segway combinados com outros bocados do génio de Dean Kamen poderão contribuir decisivamente para uma revolução real na mobilidade e nas políticas de transporte nas cidades, mas o verdadeiro motor dessa revolução não será um produto ou um conjunto de soluções técnicas, mas a vontade social de quebrar as barreiras que tornam as nossas cidades inimigas das pessoas.

Acredito até, tentando ver para lá da minha desconfiança relativamente a dispositivos tácteis, que aspectos pontuais do interface do iPhone possam expandir as possibilidades de interacção com dispositivos de várias escalas e que o impulso que ele trará à construção de novos tipos de web apps possa permitir algumas mudanças positivas, mas o verdadeiro motor de uma revolução nas comunicações (como se vê nas sucessivas definições da web 2.0) será a vontade social de estender as possibilidades de intercâmbio e participação a mais e mais pessoas, quebrando barreiras culturais, técnicas e económicas.

Porta Chaves Che GuevaraNenhuma revolução se fará, aliás, nem com gadgets de ricos, nem com memorabilia revolucionária, por mais que os marketeers façam subir os lucros dos seus patrões a vender t-shirts, porta-chaves ou iPods (ainda não se lembraram desta, pois não?) com a já gasta silhueta do Che Guevara (deve andar às voltas na tumba).

Mas se é fácil denunciar as “falsas” revoluções, mais difícil é dar visibilidade a eventos, causas e projectos verdadeiramente revolucionários, principalmente quando parte da revolução assenta em tecnologias. Basta pensarmos na questão óbvia do movimento Open Source, para vermos como facilmente chovem acusações de parcialidade, preconceito ou pura e simples inépcia quando alguém tenta promover uma ferramenta, uma linguagem ou uma plataforma de desenvolvimento que pareça uma verdadeira ferramenta da revolução. Organizado em “seitas” (como tantos movimentos revolucionários), o mundo do Open Source tem dificuldade em lidar com o exterior e consigo próprio e as guerras internas, que o debilitam, servem apenas para alimentar as grandes empresas, que têm razões para recear o potencial verdadeiramente revolucionário do Open Source.

E (essa) revolução vai sendo adiada, avançando passo-a-passo, aos soluços.

Essa era uma revolução em que eu queria participar, mas o ambiente de “clandestinidade” que se vive por ali, faz-me manter este estatuto tipo “esquerda-caviar” que é, de facto, a condição dos Mac Users.

Outra revolução real é a que Nicholas Negroponte pretende com o projecto One Laptop Per Child, que como ele não se cansa de referir, “é um projecto de educação, não um projecto de um computador portátil“.

OLPC Laptop

Uma iniciativa destas reduz todos os planos e choques tecnológicos de marketeers armados em políticos à sua insignificância e devia-nos pôr todos a pensar nas verdadeiras revoluções que faltam fazer.

Se tiver sido propositado é brilhante

Segunda-feira, 9 de Julho, 2007

… se não, é só engraçado.

Outdoor no Porto, rapariga com um candeeiro de iluminação pública espetado na testa

Outdoor no Porto, rapariga com um candeeiro de iluminação pública espetado na testa

Pornografia, ou a arte de ser explícito

Segunda-feira, 9 de Julho, 2007

Uma visita rápida ao site do Correio da Manhã, para completar o post anterior, mostrou-me o que tenho andado a perder no que diz respeito ao carácter explícito do tipo de informação que por ali se pratica:


Correio da Manhã noticia possibilidade de pais bloquearem sexo na net

Para quem for notícia o facto de se poder bloquear ou controlar informaticamente o acesso a conteúdos online de carácter explícito, talvez interesse perceber qual a utilidade de o fazer. Nada melhor, portanto, do que pôr dois bons exemplos na mesma página (a de entrada no site do jornal): a notícia de um crime sexual numa cavalariça da GNR e um anúncio a uma sex shop de nome irrepetível, ilustrado com imagens “picantes”.  Isto sim, é informação útil para todos os pais e encarregados de educação preocupados com os hábitos de navegação das suas crianças!
Não é claro se os filtros que fazem a notícia do Correio da Manhã bloqueariam ou não a página do próprio jornal, mas parece-me óbvio que a sex shop está a fazer um grande negócio, anunciando a um preço normal (presumo), numa página que responde a pesquisas tão apetecíveis como “sexo na net”+”soldado da Guarda Nacional Republicana”+cavalariças… e isto é só um exemplo, sem entrar em detalhe nos resumos das notícias.

Ou será que o Correio da Manhã online está “tão à frente” que os anúncios são colocados por relevância contextual? ;)