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13 de Maio

Estamos numa rua tipicamente suburbana, num fim de tarde calmo dum dia que quase parece feriado ou fim de semana, mas não é. Um casal jovem, seguido duma criança que podia ser uma irmã mais nova, mas parece ser a filha e, uns passos atrás, com dificuldades a aguentar o ritmo, uma senhora de meia idade que se vem a perceber que será a avó materna da criança. O rapaz não abre a boca, mas sorri ocasionalmente. Um sorriso cruel, que a sogra não pode ver, mas que, provavelmente sente. A discussão vem de trás. “Olha que não pode ser, porque depois deste sábado só há mais dois sábados e depois acaba a catequese!”, dispara a avó. “O quê?” Não digas disparates”, responde a mãe, aparentemente tão incomodada com a ideia de ter que levar a filha à catequese no dia seguinte, como com a ideia de que a filha só teria mais 3 sábados ocupados daquela forma. “É, é!”, confirma a filha. “É o que eu te digo: a catequese acaba no dia… agora já não sei ao certo… mas ela depois deste sábado só tem mais duas vezes.” A criança volta a confirmar o aviso da avó. A mãe, sempre sem olhar para trás, para a criança, ou para a sua própria mãe, cada vez mais incomodada, repete “Porque é que a catequese havia de acabar agora mais cedo que as outras coisas? Isso tem algum jeito?”. “Ouve o que te estou a dizer: é assim!”. “É, é, mãe!”. Não se percebe se a criança está mais entusiasmada com a ideia daquela discussão, se com a possibilidade de ir (ou não ir) à catequese. Parece apostada em chatear a mãe. “Olha agora… por ordem divina, a catequese acaba mais cedo, não?”, diz a mãe, sem ironia intencional na construção da frase.
A conversa continua animada, enquanto se afastam descendo a rua.
A qualquer momento, num close-up acidental, podemos ler o que está escrito, em letras garrafais, na mala desportiva da jovem mãe: “Sex, Ale-Hop & Rock’n’Roll”.

Podia ser tudo ficção. Podia ser ficção a data do episódio. Mas não.

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O que eu gosto do Lidl!

Cliente: —Têm lâmpadas normais?
Funcionário: —Sim. No 1º corredor, ao pé do carvão.

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Rauschenberg na Rua D. João IV, por Anónimo

Rauschenberg na Rua D. João IV, por Anónimo

Não sei se o responsável pela deposição destes caixotes junto a um contentor do lixo na Rua D. João IV, no Porto, visitou a exposição de Robert Rauschenberg em Serralves. Nem interessa nada.

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Azar ou gozo?

Carris do eléctrico do Porto (des)alinhados

Ou timing do fotógrafo?

Se tiver sido uma questão de timing, que grande fim de tarde que foi…

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Se tiver sido propositado é brilhante

… se não, é só engraçado.

Outdoor no Porto, rapariga com um candeeiro de iluminação pública espetado na testa

Outdoor no Porto, rapariga com um candeeiro de iluminação pública espetado na testa

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O Poder da Natureza é Infinito?

Eu sou, por tradição familiar (à falta de melhor argumento), consumidor de Água das Pedras. Bebo água com gás mineral natural de outras marcas, mas sou daqueles que, um bocadinho à antiga, pede “um café e uma água das pedras“, em vez dum mais genérico “um café e uma água com gás“. Não sou completamente antiquado— não peço “um quarto de pedras” como o meu pai—, mas é uma tradição que me dá gosto manter. E a verdade é que a água sabe-me melhor.

Anúncio Pedras Salgadas, O Poder da Natureza é Infinito

Por isso, como tantos outros consumidores convictos de Água das Pedras, encaro sempre com alguma frustração o quase banal “pedras não temos, pode ser…?” e com uma ponta de irritação a, também comum, substituição não anunciada e leviana por outra água qualquer (tenho um ranking pessoal no que diz respeito às alternativas)… mas resigno-me e limito-me a anotar mentalmente os sítios onde há e não há Água das Pedras e quais as práticas substitutivas usadas, sem que isso condicione verdadeiramente as minhas escolhas de “estabelecimentos”, mas como exercício de preparação mental, digamos assim. Mas mesmo nos sítios onde sei que não costuma existir, nunca deixo de pedir a minha água pelo nome, na secreta esperança de vir a ser surpreendido… é raro, mas já aconteceu.

Pedras Salgadas, problemas na distribuição?

As campanhas publicitárias recentes da Água das Pedras, sob o mote “O Poder da Natureza É Infinito” e “Trazida Até Si Pela Natureza” prometiam um novo vigor à marca e, como de costume, fizeram-me ter a esperança de poder beber a minha água em locais que tradicionalmente não a tinham.
São anúncios bonitos e bem feitos, que ficam na cabeça das pessoas, o que faria com que comerciantes que habitualmente devem usar critérios exclusivamente de preço na escolha do stock de águas, pensassem um bocadinho melhor e quisessem ter “aquela de que mais se fala“. Julgava eu.
A verdade é que, em mim, a campanha está a ter um efeito perverso: vejo a água mais na publicidade do que nos sítios que frequento e isso aumenta a minha frustração. E, de repente, a imagem “queridinha” de duas tartarugas a trazerem a água até mim, porque ela é “trazida pela natureza” tem apenas o sentido trágico-cómico de “nunca mais se despacham a chegar aos sítios onde eu estou!“.

O Poder da Natureza é Infinito, de facto, mas parece que não pode muito contra um urso a tratar da distribuição!

Pedras Salgadas, um urso na distribuição?