Saber escrever não é coisa do passado

A última edição do A List Apart é dedicada às questões da escrita para a web [artigo 1] [artigo 2]. Numa altura em que é cada vez mais comum chegarem-nos às mãos projectos de web design em que ninguém se parece preocupar com o conteúdo (ninguém ainda percebeu o que quer dizer “content is king?”), ao mesmo tempo que é por demais evidente que a visibilidade e eficácia dum site depende não só da quantidade e validade do conteúdo, mas também da sua qualidade (sem esquecer nem sintaxe, nem semântica), estes artigos são mais uma razão para que, antes de “cuspir” layouts, templates e módulos de PHP e similares, apareça alguém capaz de perguntar: e os conteúdos? e o texto? quem é que escreve?

A minha experiência diz-me que uma das únicas formas de convencer um cliente ansioso de que a estruturação e escrita correcta de conteúdos relevante (que consome tempo e dinheiro) é uma fase fundamental dum processo de criação dum site é tentar explicar que o Google e os restantes motores de busca não passam de leitores “compulsivos”, que lêem na diagonal, parando brevemente nos títulos, sub-títulos e destaques e digerindo rapidamente tudo o que se lhes apresenta como texto*.

Quem percebe isto, está disponível para o processo de análise, composição e depuração exigível. Mas é mesmo muito raro.

* – estou perfeitamente consciente de que “content is king, but linking is queen” e que, quase tão relevante como o conteúdo propriamente dito é o número e qualidade das hiperligações estabelecidas para a página em apreciação. Mas o que podemos fazer pela qualidade e relevância estrutural do conteúdo das nossa páginas é muito mais do que o que podemos fazer pelo número inbound-links relevantes… aliás a melhor coisa que podemos fazer pelos inbound-links é garantir a qualidade e relevância estrutural do nosso conteúdo, certo?