Ainda sobre o filtro de Vuvuzelas

Notícias recentes fazem saber que algumas televisões vão transmitir jogos do Mundial sem Vuvuzelas. O Meo prepara-se para oferecer essa opção e a BBC também a estuda. Obviamente não o farão com uma solução parecida com a que andámos a estudar (houve quem perguntasse).

Um fitro de Vuvuzelas, para os emissores de TV, é uma coisa relativamente elementar. Um filtro simples como o que desenvolvemos, aplicado exclusivamente ao som do estádio chegaria para atenuar a irritação, mas podem e devem usar filtros mais avançados, com análise em tempo real de padrões de ruído, como o Vuvux da Prosoniq, específico para Vuvuzelas (gratuito, mas exclusivo para Mac OS) ou o SoundSoapPro da Bias, por exemplo, que é usado para “limpar” registos sonoros ruidosos— desde vinis antigos e riscados a gravações ao ar livre com ruídos de fundo irritantes (motores, ares condicionados, vuvuzelas…). Estes softwares específicos para “limpeza” e/ou “restauro” incluem algoritmos que visam a protecção da voz e, apesar de não fazerem milagres, no caso das Vuvuzelas, a sua aplicação é relativamente elementar e os benefícios evidentes. Considerando que quem transmite tem a possibilidade de separar o som do estádio do som dos comentários e aplicar os filtros de forma doseada, só não se compreende porque é que tardaram tanto a tomar medidas, mas deram-me indicações que o relato da TSF já era relativamente livre de Vuvuzelas, por exemplo. Não tive oportunidade de confirmar.

Entretanto, para quem não tem acesso a emissões pré-filtradas, o filtro que desenvolvemos está disponível para ser usado e melhorado.

Uma tarde de tuning / modding

Nota prévia: em rigor, a tarde foi de modding e não de tuning, mas o espírito é semelhante.

O meu Power Mac G4 Quicksilver é a minha máquina de estúdio há bastantes anos (começam a ser demasiados) e, apesar da idade, tem sido um fiel companheiro. Acho que o comprei no ano em que foi lançado, 2001, e a primeira modificação que lhe fiz foi um muito básico upgrade de RAM. Isso, assim como a instalação sucessiva de discos (tem 3 discos internos, neste momento), a substituição da Superdrive de origem por um gravador de DVD mais rápido ou a instalação de uma placa de expansão PCI com 4 portas USB 2.0— que com o USB 1 de origem já não me safava— são operações que, apesar de não serem elementares para muitos Mac users, pouco habituados a mexer nas entranhas das suas máquinas, não se podem considerar modding. A propósito: é curioso pensar que, provavelmente, há menos gente a fazer alterações nas suas próprias máquinas (mesmo as mais elementares) entre os Mac users, apesar de muitas máquinas, como a minha, serem de manipulação muito mais simples do que muitas caixas de PC. Ou será que isso é só um preconceito e a estranheza relativamente ao funcionamento interno do hardware é tão presente entre utilizadores de Mac’s e o resto do mundo?

Adiante… com a mudança de instalações e a montagem do estúdio numa sala maior e completamente vazia, com todas as superfícies a reflectir som, o ruído (a)normal de funcionamento do Power Mac, que com a idade tem piorado, tornou-se insuportável. As causas do problema são conhecidas e algumas soluções também, umas mais radicais que outras, umas mais mirabolantes do que outras… Ponderei longamente e, não me sendo fácil proceder à substituição de todas as ventoinhas do computador ou à troca da fonte de alimentação ou outros componentes mais ruidosos, decidi fazer, pelo menos, a alteração mais evidente: a remoção da 2ª protecção da ventoinha da fonte de alimentação, que, estando desalinhada relativamente à 1ª, provoca um dos ruídos mais evidentes. Isso fez-me desmontar muito mais componentes do que alguma vez tinha desmontado em qualquer máquina e, pela primeira vez, fiz um modding verdadeiro. Confesso que o fiz por estar a dar em doido com o ruído e por me parecer ridículo não agir, mas tive que ter alguma coragem para cortar a dita protecção. Além dessa alteração, experimentei mais algumas coisas simples e percebi que um dos ruídos mais chatos na minha máquina é produzido por vibração da protecção de borracha da ventoinha do CPU, mas as soluções propostas não o resolvem (remoção de parafusos de fixação da ventoinha à protecção, cobertura da abertura extra ou atilho de fixação no corpo de borracha). No caso da minha máquina, esse ruído (uma espécie de aceleração cíclica), só se reduz apertando o mais possível a ventoinha contra o painel traseiro, ou seja, apertando os parafusos que seguram a ventoinha no sítio. Fiquei-me portanto pela alteração na traseira da fonte de alimentação, por uma limpeza geral e por uma revisão de alguns parafusos chave na fixação dos elementos sujeitos a maior vibração.

A alteração reduziu o ruído, mas a diferença é bastante ténue e acabou por ser mais um processo psicológico de saber que estava a fazer o que podia para ter melhores condições no estúdio. As diferenças reais, audíveis para toda a gente, são as que fiz na disposição do equipamento, afastando-me o mais possível das superfícies mais reflectoras. Até porque as diferenças que contam a sério e que garantem que posso gravar vozes nesta sala (na qual o zumbido do computador é o menor dos meus problemas), tinha-as feito na semana passada quando instalei uma protecção adicional para os microfones.

Mas, como vêm, a adrenalina do modding, ainda que modesto e estritamente funcional, é bem maior do que a aquisição de equipamento: até me faz quebrar o silêncio aqui no blog.