Entradas com Etiqueta ‘saúde’

Peixe para o Pedro Couto e Santos

Quarta-feira, 2 de Junho, 2010

Há dias troquei, via Twitter, umas impressões com alguns conhecidos digitais sobre peixe. A conversa começou com referências a sushi e acabou com uma declaração bombástica do Pedro Couto e Santos— cujo Macacos Sem Galho sigo com interesse já há algum tempo, nomeadamente as suas “postas paternais“. Dizia o Pedro, assim, sem mais:

não como peixe

Eu não sou propriamente um maníaco da comida saudável e não tenho interesses particulares no comércio de peixe, mas, talvez por ser de Aveiro, uma afirmação destas faz-me tremer nas bases. “Não come peixe?” Ainda que se depreenda que desta designação geral pode ficar de fora o bacalhau e o atum, porque para muito boa gente, estes “petiscos” não se qualificam para a designação geral— e, frequentemente pejorativa— de “peixe”, faz-me alguma confusão a frequência com que me apercebo da pouca importância que o peixe tem nas dietas de muitas pessoas esclarecidas. Porque será? Deformação/distorção do gosto ao longo do tempo? Prolongada falta de qualidade do peixe disponível nos restaurantes e/ou supermercados nas áreas de residência? Preguiça face ao trabalho acrescido que a preparação do peixe requer muitas vezes, quer a cozinhar, quer a comer?

Confesso que não é coisa para me tirar o sono, mas foi suficiente para me lembrar, ontem, enquanto comia uma belíssima dourada, que talvez umas sugestões simples possam impulsionar algumas experiências de (re)descoberta do peixe. Por isso, cá fica a sugestão:

Pedro: vê neste livro da Paula Veloso (nutricionista), Dieta Sem Castigo, algumas sugestões de preparação simples e adequada a crianças de muitas coisas, entre as quais, alguns pratos de peixe que lá em casa têm feito sucesso. Um deles é o processo de cozinhar peixe fresco no micro-ondas, com resultados extraordinários e sem trabalho nenhum. Podes comprar o peixe já amanhado, mas não escamado e, depois, só tens que o pousar numa cama de sal e cobri-lo com sal, também, e enfiar no micro-ondas. É uma questão de minutos até estar completamente cozinhado e fica muito bom. Podes inclusivamente comprar o peixe e congelá-lo em casa (comprar congelado é que não é aconselhável), desde que depois o deixes a descongelar naturalmente. Nós comemos douradas assim com alguma frequência e gostamos muito. A Maria, particularmente. E, no caso da dourada, tirar a pele (com o sal) e depois as poucas espinhas que tem é mesmo muito fácil.

E então? Nem assim comes peixe?

Bebe água, básico!

Quarta-feira, 26 de Agosto, 2009

Se acompanham com atenção a minha saúde (ou o blog), saberão que eu preciso de beber água e que tenho alguma dificuldade. O que talvez não saibam, como eu não sabia até falar com o meu médico de família mais em pormenor, é que há alguma vantagem em que a água que eu beba tenha um pH elevado, ou seja, que seja mais alcalina ou básica, do que ácida. Se se lembram das aulas de química, um pH superior a 7 indica uma solução aquosa alcalina, ou básica e inferior, uma solução ácida. Pelo que percebi, o nosso organismo tende a funcionar melhor se não se deixar cair numa certa tendência para a acidificação, por isso, se vou ingerir grandes quantidades de água no organismo, mais vale aproveitar e contribuir para esse equilíbrio. O conselho é simples, mas segui-lo, nem por isso: as nossas águas engarrafadas têm um pH normalmente entre 4,5 e 6 e não é fácil encontrar águas com pH superior a 7, como aconselhado. Além disso, o pH dos lotes de água varia incrivelmente— descobri isto a fazer a experiência de comprarar pH de várias marcas em vários estabelecimentos e perceber que nem entre marcas tinha valores iguais— e só algumas águas importadas, tipo Evian ou Jana apresentam regularmente um pH elevado (7 a 9). E eu não tenho carteira para águas “panisgas”, desculpem lá.

Por isso, tenho andado de volta desta questão da água básica (no sentido químico do termo) e hoje tive uma maravilhosa surpresa: a água mais barata do Jumbo, a da marca do polegar (que vem do mesmo local que a Água São Silvestre— tenho que verificar) está neste momento com um pH de 7,13. Comprei um garrafão de 5 litros para testar e, tirando o sabor a água espanhola (característico de todas as águas básicas, percebi por agra), bebe-se bem e barato. Espero que me faça bem, também.

E dou por mim a pensar: porque raio é que as nossas águas nacionais mais consumidas (Luso, Vitalis, Caramulo, etc) têm pH tão baixo? E terá isso alguma influência na saúde pública? Ou sou só eu que tenho azar e há por aí imensa água portuguesa, sem sabor e de qualidade, com um pH adequado?

Digam-me que água bebem e verifiquem esses pH, se puderem.

SojaMimosa: onde está a Soja?

Quarta-feira, 26 de Agosto, 2009

SojaMimosa, com 0,023% de Soja

0,023% de extracto de soja, em alguns produtos seria apenas suficiente para uma indicação em letras pequenas “pode conter vestígios de soja”. Para a Mimosa, pelos vistos, justifica um nome de produto, SojaMimosa, que têm esta aparente vantagem: “não sabe a soja”. Bruxo! Com 0,023% de extracto de soja, como é que podia saber.

Fica-se assim a saber que a Soja já é uma mais valia em termos de marketing de produtos relacionados com saúde e vida saudável. Quem, como eu, tem uma filha alérgica à proteína do leite de vaca, espera que este seja o primeiro passo para uma maior oferta de produtos exclusivamente à base de soja, para que se assista a alguma descida dos preços. Entretanto, e como de costume, não se fiem nas letras grandes das embalagens.

Bebam água, pela vossa saúde

Quinta-feira, 23 de Julho, 2009

Não se trata duma acção publicitária, mas dum apelo sincero a que tenham cuidado convosco, misturado com um pedido de sugestões para conseguir ter mais cuidado comigo.

No passado dia 7 de Julho dei entrada nas Urgências do Hospital Infante D. Pedro, aqui em Aveiro, com uma cólica renal. Foi a segunda vez que tal coisa me aconteceu e a primeira experiência ajudou-me a ter mais calma na interpretação dos sintomas e a dirigir-me às Urgências no momento certo: já com a certeza do problema, mas ainda em condições de responder às perguntas que me eram feitas (da primeira vez foi um caos, pelo nível de dor em que estava quando dei entrada nas Urgências). Ir ao Hospital, e em condições de desconforto deste tipo (é difícil descrever o tipo de dor que uma cólica renal provoca), é uma experiência a evitar, em qualquer caso, mas pessoalmente fui sempre bem tratado (com eventuais esperas desnecessárias na triagem que em Aveiro me pareceu ser menos eficaz que no Porto, mas pode ter sido só uma sensação) e recebi todos os cuidados necessários, sendo que, no caso, ecografia para o diagnóstico, anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar os sintomas e paciência para esperar são os únicos cuidados possíveis. Seguindo as indicações dos médicos visitei a urgência uma segunda vez, acabando por passar lá a noite, em que os analgésicos disponíveis em casa não eram suficientes.

O episódio, que está felizmente ultrapassado é particularmente triste porque a responsabilidade é exclusivamente minha: a predisposição para a formação de cálculos renais, identificada há mais de 4 anos obrigava-me apenas a uma disciplina de ingestão elevada de líquidos (água) e à atenção a dois ou 3 indicadores simples das análises rotineiras. Essa disciplina, que cumpri enquanto a dor do primeiro episódio estava bem fresca na memória, foi sendo quebrada com o tempo e é, em grande parte responsável por esta “sequela”. Mas no Hospital de Aveiro estavam, no mesmo dia, vários outros casos de cólicas renais que, segundo a médica que me assistiu, são comuns nesta altura do ano, em que as mudanças de temperatura provocam alguma desidratação, sem que as pessoas se apercebam imediatamente.

Por isso mesmo, fica o apelo a todos: bebam água, pela vossa saúde. Com ou sem pedras nos rins, bebam água. Com ou sem sede, bebam água. Mais hidratado, o organismo funciona melhor e defende-se de todas as agressões, incluindo da temida Gripe A. 2 ou 3 litros diários, até mais, dependendo dos metabolismos pessoais, fazem maravilhas. É o que me dizem e é aquilo em que preciso de acreditar, já que tenho razões bem objectivas para beber água, mesmo que me custe imenso, quer porque é muito raro ter sede, quer porque, quanto mais água bebo, mais me apercebo das diferenças de sabor e vou ficando “enjoado” da água disponível.

Por isso, se forem capazes de seguir este apelo, digam-me a mim o que é que eu posso fazer para não me esquecer desta disciplina e para passar por cima destas dificuldades. Se tiverem hábitos saudáveis de ingestão de água, ou conhecerem gente que tenha, digam-me se há segredos para manter essas rotinas. Sugiram coisas, falem-me de coisas que me dêm sede… eu sei lá.

Descompressão

Sexta-feira, 3 de Abril, 2009

Os mergulhadores, quando atingem determinadas profundidades, têm que fazer a ascensão de forma gradual para permitir a necessária descompressão e evitar várias complicações. Têm mesmo, em alguns casos, que permanecer em câmaras de descompressão, por períodos proporcionais à profundidade atingida e ao tempo do mergulho, já que os efeitos duma incorrecta descompressão são terríveis, podendo mesmo provocar a morte, em casos extremos.

Do que nem sempre se fala é de quão verdade isto é também para mergulhadores em outros meios que não os aquáticos: um profundo mergulho num projecto ou numa actividade exige, frequentemente e dependendo da pressão exercida, um período de descompressão que, caso não se cumpra, pode originar lesões graves.

Sim… estou a tentar encurtar o período de descompressão depois da recente entrega do audiowalk, para poder começar a trabalhar na banda sonora da próxima peça do Visões Úteis e os efeitos nefastos já se começam a sentir. :(

E depois dum longo silêncio…

Segunda-feira, 23 de Março, 2009

… vinha só partilhar convosco a incrível sensação que o Carmex proporciona.

Carmex, imagem da WikipediaParece-vos anormal esta “interrupção para publicidade”? Experimentem passar um fim de semana de mudança de estação a tocar saxofone 4 a 8 horas por dia, num ambiente muito seco… Desde que ouvi o João Guimarães, colega saxofonista que descobriu o Carmex em Nova Iorque, a tecer-lhe rasgados elogios que andava a pensar se seria coisa que se encontraria por cá, ou se teríamos algo equivalente. Hoje, descobri que se vende na minha farmácia do costume, apesar da farmacêutica nunca ter ouvido falar do produto e não se lembrar de alguém ter comprado alguma vez. Comprei, pus nos lábios e…

Se precisam de alguma coisa para hidratar, proteger e ajudar a recuperar os lábios muito secos ou gretados, seja por tocarem instrumentos de sopro, seja por passarem muitas horas em ambientes hostis, seja porque razão for, experimentem. Há outros produtos que devem ser tão bons como este, mas pela “mística” e pelo humor do site deles, vale a pena fazer esta escolha.

Pela sua saúde…

Segunda-feira, 29 de Setembro, 2008

No Centro de Saúde de Aveiro (onde temos sido acompanhados exemplarmente), esforçam-se por dar conselhos e responder a perguntas frequentes sobre vários temas importantes. Num painel sobre a vacina da gripe, encontrei esta questão, que muito agradaria ao Caçador de Pérolas, Pedro Aniceto:

Centro de Saúde de Aveiro. Perguntas Frequentes e  Conselhos sobre a vacina da gripe: \"Não posso tomar a vacina quando estou a tomar antibióptico?\"

Mas esta pergunta fez-me pensar noutra, presumindo que apenas são prescritos “antibiópticos” a ciclopes em maus lençóis: quantos ciclopes farão parte da população que este Centro de Saúde serve, para que esta pergunta seja assim tão frequente? ;)

De que nos vale um lamento ministerial?

Quarta-feira, 7 de Maio, 2008

Ana Jorge, a Ministra da Saúde, lamenta “pessoalmente” o acordo celebrado entre a ADSE e o Hospital (privado) da Luz, por se tratar duma “oportunidade perdida” para investir no sector público. Eu, pessoalmente, também lamento e lamento ainda mais que, aparentemente, neste caso, o meu lamento valha tanto como o duma Ministra, ou seja, menos que nada. Diz a Ministra que essa é uma decisão sobre a qual se deve interrogar o seu colega das Finanças. Não poderia ela, na qualidade de Ministra, pedir os tais esclarecimentos a Teixeira dos Santos e, eventualmente, marcar uma posição ligeiramente mais veemente na defesa do sector público? É que esse investimento de dinheiros públicos em serviços públicos significa, entre outras coisas, uma melhor gestão dos recursos do Estado, objectivo atribuído, em tese, a Teixeira dos Santos, pelo que, entre colegas ministros, a coisa deveria ser fácil de esclarecer.

Com coisas destas, obrigam um tipo a passar por ingénuo para não ser mal-educado.

Sexo de risco, à “macho valente”. Homofóbicos? Só se for a sério.

Quarta-feira, 7 de Maio, 2008

O estudo sobre Sexualidade e Saúde que o Instituto de Ciências Sociais realizou e que o Público abordou na edição de sábado, antes da apresentação oficial, que foi hoje, apresenta-nos um país homofóbico, relativamente fiel e pouco informado.

Globalmente, os resultados são deprimentes, apesar de expectáveis, e o prejuízo para o país causado pela ignorância e pelos comportamentos de risco continuados, apesar dos esforços de formação e sensibilização, é significativo e conta-se em vidas destruídas. Nas diversas faixas etárias, o estudo mostra-nos uma população ainda muito pouco informada e quase inconsciente, com especial destaque, pela negativa, para os homens. Também expectável e deprimente.

Mais uma acha bem quente para a discussão sobre a necessidade e eficácia da educação para a sexualidade.

Quanto à homofobia endémica (e mais uma vez com maior incidência entre os homens), é de destacar como a sua expressão é, aparentemente, independente da maior visibilidade e alegada aceitação da homossexualidade, corporizada por figuras e eventos mediáticos e pela integração numa certa cultura urbana de ícones (maioritariamente) “gay”, uns ficcionais, outros nem por isso.

A homofobia “tuga” assume, assim, um duplo preconceito: se este estudo nos diz que o português médio considera as relações homossexuais erradas ou condenáveis, um certo “circo” mediático, faz-nos acreditar que esse preconceito tem fronteiras, excluindo da “reprovação moral” uma certa classe (”artistas” e seus excêntricos apaniguados), que se presume, assim, para lá do cuidado moral das massas. Em bom português, a nossa sociedade tolera (que palavra horrível) os “maricas” conhecidos do mundo do espectáculo, independentemente da sua verdadeira orientação sexual, porque, coitados, faz parte da “excentricidade obrigatória”. Mas homossexuais reais, com vidas reais e privadas, como as nossas? Credo! Deus nos livre!

Assim não vamos lá…