Se fosse eu a mandar

Se fosse eu a mandar, Portugal tinha um sistema de protecção efectiva da Constituição da República que incluía a perda imediata de mandato para os titulares de órgãos de soberania que, tendo prometido cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental, promovessem, em pleno exercício de funções ou na qualidade de candidatos, a deterioração dos seus aspectos fundamentais.

Por exemplo, promover a caridade, desconsiderando os mecanismos de protecção social da responsabilidade do Estado, daria azo à perda de mandato. Menorizar sistematicamente o debate político e desconfiar do sistema democrático, considerando alguns actos eleitorais um desperdício (de tempo ou recursos), seria outra. Ser solidário com manifestações das escolas do sector particular e cooperativo, sem o cuidado de esclarecer que a obrigação primeira do Estado é para com a escola pública, seria eventualmente mais uma.

É óbvio que não sou eu a mandar e, se fosse, muitas coisas estariam muito mal. Mas, assim, como assim, decidi começar a publicar periodicamente alguns desabafos nesta forma “se fosse eu a mandar”.

E vocês? Se fossem vocês a mandar, o que fariam?