do Facebook para o blog

Às vezes acontecem coisas destas: um tipo escreve alguma coisa como comentário, opinião ou resposta numa rede social qualquer e apercebe-se umas horas depois que aquela ideia, com maior ou menor desenvolvimento, poderia perfeitamente ser um artigo do blog pessoal. A natureza das redes e da nossa participação estilhaça, de facto, a manifestação da nossa identidade e, volta e meia, é preciso repescar e reunir algumas coisas.

Hoje, em resposta a um curioso “concurso” promovido no Facebook pelo Vítor Rua (que é reincidente nestas brilhantes provocações), onde se perguntava “Qual é o movimento artístico mais importante do século XX?“, dei por mim a defender que

O movimento artístico mais importante do século XX, não tem nome próprio e, tendo tido uma importância tremenda desde os alvores da humanidade, no século XX afirmou todo o seu potencial transformador. O movimento de que falo é o que ocorre no contexto das GUERRAS. No século XX, com 2 guerras “mundiais” e inúmeros conflitos locais e regionais, alterou-se a geografia, a identidade cultural, territorial, social, política e económica da esmagadora maioria dos habitantes do planeta. Assistimos a saltos tecnológicos impensáveis, estabelecemos capacidades de arquivo e transmissão de informação avassaladoras… em suma, a GUERRA, durante o século XX, alterou a face do planeta. Presumir que qualquer manifesto artístico pode ter tido maior impacto sobre a produção artística é ingenuidade.
(Até a emancipação da mulher se deve, em grande parte, à GUERRA.)

No contexto das respostas produzidas percebem-se melhor alguns detalhes da intervenção, como a questão da emancipação da mulher, mas, genericamente, acho mesmo que a particularidade do século XX, manifesta também na diversidade das suas expressões artísticas, é a globalização da Guerra como instrumento de definição de modelos sociais, políticos e económicos, o seu papel perverso como motor de desenvolvimento tecnológico e científico, o tremendo impacto nos processos de industrialização, nos sistemas de comunicação e registo… e na construção duma identidade global, nos fundamentos duma consciência ética universal, no reconhecimento da alteridade e nos processos de uniformização.

Disso mesmo, devemos manter a consciência sempre bem presente.