Toca a facturar: Gardénia foi a escolha acertada

Pedi sugestões para software de facturação e recebi várias. Gostava de ter tido tempo para fazer testes reais a mais do que uma, mas acabei por usar um conjunto de critérios básicos para seriar as soluções e como os testes da primeira escolha correram bem, a partir de amanhã estarei a “facturar” com o Gardénia Desktop Edition, da Gotham.

As soluções “candidatas” à escolha eram inicialmente três— Evaristo / MP-Biz, Gardénia e Projecto Colibri—, mas vi-me forçado a excluireste último, porque ainda não faz exportação para SAFT-PT na versão Mac e isso é um imperativo legal. Em boa verdade, o facto de não ser open-source também não ajudava, mas foi o SAFT o critério decisivo.

Assim, dei por mim a olhar para as duas opções open-source e verdadeiramente multi-plataforma, muito semelhantes entre si e decidi testar o Gardénia Desktop Edition pela razão mais óbvia de todas: preguiça! Enquanto todas as outras ferramentas obrigam a instalação de PostGreSQL, o Gardénia Desktop Edition funciona com um único instalador e isso, considerando o uso que o software vai ter, é uma grande vantagem. Ainda assim, esperava mais dificuldades, uma vez que não há um manual e que a exportação para SAFT-PT, por exemplo, depende de um script autónomo. E, genericamente, estou habituado a que este tipo de ferramentas não seja de instalação ou manuseamento básico em Mac OS. Mas tive uma agradável surpresa: o fórum de suporte tinha a resposta a todas a minhas questões, a instalação decorreu sem problemas de maior, assim como a configuração dos parâmetros fundamentais e do script para exportação SAFT-PT.

Tive apenas que alterar um ou dois parâmetros em ficheiros de configuração, como indicado no fórum (um por causa do UTF-8, outro por causa da configuração do script do SAFT). E criei 2 scripts simplórios, um para lançar a aplicação, outro o SAFT Export Utility, sem ter que ir ao Terminal (e aprendi a executar shells em AppleScript, que é básico mas acho que nunca tinha precisado).

Continuo a olhar para qualquer aplicação de facturação como um boi para um palácio, mas agora o problema é não perceber nada de contabilidade. Mas fiz os testes de que precisava, confirmei com a contabilista que nos vai dar uma ajuda e está tudo nos conformes. Toca a facturar!

Se alguém quiser fazer perguntas acerca do processo de instalação e/ou configuração, eu posso tentar responder (para Mac OS X 10.4.11), mas ficam muito bem servidos no fórum de suporte. E se quiserem saber mais acerca do Gardénia, podem ter interesse em ver esta apresentação em PDF.

E se tiverem observações pertinentes a fazer, agradeço, também. Só dispenso mesmo maldições e votos de infortúnio. ;)

Desambiguação: Software Livre / Open Source

Presumo que para muitas pessoas que tentaram acompanhar os comentários a este artigo recente sobre Open Source terão ficado baralhadas pela utilização dos termos Software Livre e Open Source. Eu próprio sou parte dessa confusão porque tenho ainda alguma dificuldade em compreender os contextos em que uma e outra designação se aplicam.

Para ajudar à definição de Software Livre / Free Software e a sua relação com o Movimento Open Source, este artigo do Georg C. F. Greve, traduzido pelo Rui Miguel Seabra no site da ANSOL pode ser útil.

Mas para se perceber que a confusão não é só minha e como forma de perguntar ao “vasto auditório” se estão de acordo com esta visão da FSF e da ANSOL de que

O movimento “Open Source” tem por objectivo ser um programa de marketing do Software Livre. Esse objectivo deliberadamente ignora todos os aspectos filosóficos ou políticos; estes aspectos são considerados prejudiciais à comercialização.

Por outro lado, o movimento Software Livre considera o ambiente filosófico/ético e político como uma parte essencial do movimento e um dos seus pilares fundamentais.

pergunto se as possibilidade de extrapolação do conceito e do termo Open Source, para outras áreas disciplinares, não terão algum interesse.

Não podemos falar da aplicação dos princípios defendidos pelo movimento Open Source em várias áreas vitais? Não será possível agrupar vários esforços “libertários” no que à informação e tecnologia diz respeito debaixo destes princípios, depois duma qualquer generalização? Isso fere os princípios do Software Livre? Ou expande-os?

Estou, muito sinceramente, a pensar alto e a tentar esclarecer-me com a vossa ajuda (possivelmente), sobre as implicações de se confundir processos e procedimentos de desenvolvimento e distribuição de código informático, com princípios éticos e filosóficos. Os últimos são a base dos primeiros e são generalizáveis. Mas esses, como os vou encontrando por aí, ora me iludem, ora simplemsente me confundem e baralham.

A desambiguação da responsabilidade da ANSOL vale como esclarecimento para a futura utilização dos termos neste blog, no contexto do software.

Mas, sinceramente, não estou completamente esclarecido.

Aceitam-se sugestões para software de facturação

Por razões que até a mim me ultrapassam, vou precisar de arranjar um software de facturação. Aceitam-se sugestões dentro dos seguintes parâmetros:

  • emissão de facturas de acordo com a legislação em vigor (incluindo suporte de exportação em SAFT-PT)
  • módulos adicionais de apoio contabilístico e financeiro são extras
  • mais barato do que os livros impressos nas tipografias aqui do burgo (à volta de 60 euros para 2 livros de facturas A5 a 1 cor e 4 vias)
  • preferencialmente open source
  • multiplataforma (Mac / Windows / Linux / …)
  • … lembram-se de mais alguma coisa?

Estou a ponderar fazer um test-drive ao Evaristo, que tem um belo nome. Se tiverem experiência com esta solução ou soluções parecidas (aplicação Java com base de dados em PostgreSQL), avisem.

I Fórum de Software Livre de Lisboa

Realiza-se a 12 e 13 de Outubro o I Fórum de Software Livre de Lisboa.

Pessoalmente, acho importantíssimo que iniciativas desta natureza se realizem e espero que o seu impacto se faça sentir. Eu, que na qualidade de consultor já ajudei a implementar algumas soluções open source quer para a construção e gestão de presenças on-line, quer para tarefas administrativas básicas, sei bem que a resistência ao open source de uma grande parte dos empresários portugueses, por se basear em equívocos e desinformação, não é fácil de vencer.
Mas conheço muitos exemplos simples de sucesso: desde a substituição (sem dramas) de cópias piratas de MS Office por suites de OpenOffice, à implementação de CMS open source com impactos na economia, actualização e qualidade dos conteúdos de websites, até à utilização de GIMP para produzir legalmente simples etiquetas que eram produzidas ilegalmente em Photoshop (sem necessidade nenhuma), ou mesmo implementação de sistemas open source de gestão de projectos e time-tracking, substituição de licenças ilegais de Outlook por Thunderbirb, melhorias na navegação na web por utilização de Firefox, implementação de projectos de e-learning com o Moodle

Os exemplos práticos, em todas as escalas e sem fundamentalismos, poderão servir para vencer medos e esclarecer equívocos e, com isso, apoiar uma mais fácil adopção de soluções open source e, quem sabe, a compreensão da diferença entre Software Livre e Software Gratuito que seria, isso sim, um grande salto na cultura empresarial portuguesa na sua relação com a informática.

Por isso, expresso aqui os desejos de sucesso para o Fórum, apesar do seu primeiro sinal para o exterior, o website merecer, de facto, fortes críticas e de ter assistido, noutro espaço digital, a uma certa dificuldade em saber encaixar essas críticas.

Claro que não me parece razoável que se critique o evento ou se duvide da seriedade das pessoas envolvidas só porque não demonstram grande domínio da língua portuguesa, mas a verdade é que, além de um erro na mensagem original de divulgação, as gralhas do site que promove a iniciativa são graves e não dizem apenas respeito ao português utilizado. O que, em si mesmo é muitíssimo relevante, já que não está em causa a competência dos programadores, mas sim a eficácia dum evento que dependerá da capacidade de comunicação.
Mas a amostra do site não é encorajadora, de facto. Tanto mais que é grande o número de soluções de CMS open source com óptimos templates livres e código sólido, sendo, por isso, difícil de perceber a opção por uma solução que, quer ao nível gráfico, quer ao nível da programação não é propriamente feliz.

Espero por tudo isto que a qualidade do evento apague a má impressão criada pelo site e que, com críticas construtivas, a estratégia de divulgação do Fórum vá melhorando.

Eu, pessoalmente, já que pouco mais posso contribuir para esta causa, ofereço-me para rever alguns textos… não há-de custar muito mais do que personalizar uma localização do Moodle ou do WordPress, pois não?