Workshop: O Som no Drama

A convite da SOOPA / OOPSA – Associação Cultural, vou orientar um workshop no Maus Hábitos (Porto) sobre sonoplastia e dramaturgia.

O Som no Drama, exercícios de sonoplastia e dramaturgia

por João Martins
13, 14, 21 e 28 Fevereiro

O workshop pretende ser uma forma introdutória, elementar e bastante prática de abordar questões recorrentes em qualquer exercício de sonorização. Dirige-se a todos os interessados na problemática do som e do seu significado e impacto em contextos narrativos e/ou dramático, sejam músicos, técnicos de som, performers (teatro, dança, etc), criadores (encenadores, escritores, etc), estudantes em qualquer uma destas áreas ou simples curiosos.
O workshop abordará questões como “Significado do Som e da Música”, “Convenções e Clichés”, “Gestão do Silêncio” e “Som como Espaço”. Através da análise e discussão de exemplos práticos, procurar-se-á fomentar reflexões pessoais e exemplificar várias técnicas, de acordo com o perfil dos participantes. A vertente prática do workshop assume particular importância, definindo a sua própria estrutura temporal: após as primeiras sessões de exposição, análise, reflexão e pequenos exercícios técnicos, sera proposto um exercício prático para ser realizada de forma autónoma, por cada participante num período de 2 ou 3 semanas. A meio desse exercício, será organizada uma sessão para que cada participante possa fazer um ponto de situação do seu exercício e esclarecer quaisquer questões (teóricas ou práticas, conceptuais ou técnicas). A apresentação final dos exercícios será o mote para uma reflexão conjunta global.

Nota: as questões abordadas no workshop têm aplicação prática não só em objectos artísticos (peças de teatro, dança performance, vídeo, cinema, sound art, etc), mas também em objectos de consumo (publicidade, aplicações multimédia, video-jogos, etc).
Os formandos deverão trazer o seu próprio equipamento (computador portátil e equipamento de gravação, se tiverem).

Datas e horário:

  • 13 e 14 de Fevereiro | 10:00- 13:00 15:00-18:00
  • 21 de Fevereiro | 15:00-18:00
  • 28 de Fevereiro | 10:00-13:00 15:00- 18:00

Duração: 15 horas, em 5 sessões de 3 horas

Nº de formandos mínimo: 4
Nº de formandos máximo: 10
Custo: 70€ por aluno

Biografia
João Martins nasceu em 1977. Estudou Música, Arquitectura e Design. Colabora com o Visões Úteis (companhia profissional de teatro do Porto) desde 1998, como músico e sonoplasta, sendo responsável por diversas bandas sonoras, assim como pela sonoplastia e pela criação de paisagens sonoras para peças de teatro e audiowalks. Criou também música para cinema e para instalações multimédia e desenvolve inúmeros projectos como músico quer em colectivos, quer a solo.
Desenvolve paralelamente a actividade de designer e tem experiência como formador e consultor na área das ferramentas informáticas e da comunicação.

Informações: producao [@] soopa.org

MLE com Rafael Toral no Balleteatro Auditório

Sábado, 3 de Outubro. 22h00

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral

Local balleteatro auditório

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs), bem como diversos participantes ocasionais.
A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e compositor que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

+ info www.soopa.org

jazz.pt | F.R.I.C.S.: balanço do 1º ano de actividade

Porque vem a propósito da comemoração do 2º aniversário da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa – F.R.I.C.S., que será eficazmente assinalado com o concerto de amanhã, e porque estou diligentemente a fazer crescer o número de artigos do blog originalmente publicados na Jazz.pt, republico na íntegra o ensaio/reportagem que escrevi para o número 17 da revista, por encomenda do Rui Eduardo Paes, responsável pelo seguinte prólogo:

O crescendo de popularidade em apenas 15 meses de vida desta invulgar mini-”big band” está a torná-la num dos mais curiosos fenómenos musicais da actualidade do nosso país.

Muita água correu debaixo das pontes, mas o que escrevi em Janeiro de 2008 continua, na minha modesta opinião, a valer o espaço que ocupa.

FANFARRA RECREATIVA E IMPROVISADA COLHER DE SOPA – F.R.I.C.S.

Balanço do primeiro aniversário

A 14 de Dezembro de 2006, em jeito de “mashup” celebrativo- juntando o Natal ao Solstício de Inverno e ao Ano Novo-, o colectivo portuense Soopa, no cumprimento duma quase “tradição”, levou a um espaço habitual (o palco dos Maus Hábitos) alguns dos suspeitos do costume- anunciados como “algumas das mais obscuras celebridades do underground nortenho”-, numa configuração e sob um pretexto inesperado: “Uma Fanfarra Para o Século XXI!“.
A promessa, como é aliás comum nas propostas deste prolixo colectivo elevava a fasquia bem alto:

“Este grupo de 7 músicos irá levar o público numa viagem psicadélica que tem como ponto de partida o princípio comunitário, festivo e ruidoso das fanfarras populares, estando o ponto de chegada situado algures entre o desconhecido e a madrugada do dia 15.”

Não é nunca fácil a tarefa de compreender a real profundidade ou o real compromisso de quem se envolve neste tipo de propostas, ou neste tipo de formulações (nem quando se é parte do evento), pelo que, quanto ao nascimento do projecto, por elementar justiça, poder-se-á apenas afirmar que o investimento feito a priori na definição dum modus operandii e na selecção dos intervenientes e instrumentação disponível, provou ser determinante na definição da anatomia do concerto em causa e, consequentemente, de todo o projecto, a longo prazo: a estratégia de improvisação dirigida, por recurso à figura do “tele-maestro”, com imensa eficácia conceptual e pragmática e a opção pela prevalência de instrumentos de sopro transformaram uma promessa que poderia não passar disso mesmo, num daqueles raros momentos em que, no reino da experimentação mais radical (na perspectiva de alguns), o prometido é cumprido.

Não é claro, nem será a curto prazo, quanto do resto desta história depende directamente do eventual sucesso dessa primeira abordagem deste universo. E o panorama onde circulam estes projectos está cheio de histórias que se encerram com um primeiro capítulo deste género, independentemente do grau de realização ou das repercussões geradas.
O que é claro é que essa primeira experiência não só deixou marcas nos participantes directos, como terá criado necessidades imprevistas no público: não só a recepção foi entusiasta e incrédula quanto seu ao carácter inaugural, como nos deparámos com incentivos e convites para a sua repetição em diversos contextos e receptividade face ao possível lançamento de um disco.
Para um projecto recém-nascido, em que parte substancial dos músicos se encontrava pela primeira vez, a natureza dessas reacções não era vulgar. Mas era verosímil e parecia fazer sentido.
Ainda que articular uma explicação fosse (e continue a ser) uma tarefa difícil.

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oCulto (d)a banda

Os Secret Chiefs 3 deram o seu primeiro concerto em Portugal, mais precisamente no Porto, na passada terça-feira, no PlanoB, num evento Soopa / AmplificaSom.

Secret Chiefs 3, cartaz do concerto no Porto

Este projecto de Trey Spruance, colaborador habitual de Mike Patton e um dos responsáveis dos extintos Mr. Bungle, é um híbrido de luxo, onde se juntam referências esotéricas a estilos musicais exóticos e sub-apreciados, numa mistura alucinada, relativamente contagiante, virtuosa e exigente. As complexas estruturas rítmicas colhidas nas músicas do médio oriente e do sub-continente indiano, juntam-se a referências mainstream de surf-rock e música de filme à la Morricone, polvilhadas de massas agressivas q.b. colhidas nos contextos do metal e rematadas com linhas melódicas verdadeiramente assombrosas. O jogo instrumental é impressionante e o rigor e qualidade de execução ao vivo, mesmo em condições longe de ideiais, exige muito respeito.

E é verdadeiramente incompreensível como é que a estreia em Portugal dum projecto destes acontece num espaço da dimensão do PlanoB e como, apesar dos melhores esforços dos promotores, passa relativamente despercebido.

Que algo de muito estranho se passa na imprensa dita especializada e na generalidade das redacções dos generalistas que, teoricamente, deveriam compreender a importância relativa dos eventos em agenda, já todos sabíamos, mas o que parece ser evidente é que o último critério em uso, actualmente, é a verdade essencial do acontecimento (seja música, seja outra coisa qualquer). Essa “verdade” é preterida permanentemente por aproximações subjectivas a quem promove, em que local e em que contexto, por oscilações de humor pessoais e intransmissíveis e níveis de conforto relativo que trarão constantemente à ribalta as banalidades próximas dos círculos restritos de editores e redactores, normalmente quase tão ignorantes como arrogantes e preguiçosos.

E assim, bandas de culto merecido, como os Secret Chiefs 3, são confundidas com bandas “ocultáveis”. Mas um dia isto muda…

Neste Natal, de presente, eu quero que seja…

Prendas de Natal? Discos de Música ExperimentalSe tiver mesmo que comprar prendas e quiser oferecer alguma coisa rara, que (quase) ninguém tem ou oferece e que não o compromete em nada com a lógica consumista natalícia, aceite este conselho singelo:

compre música portuguesa experimental!

Há para vários gostos e bolsas, em vários locais e formatos. Em comum, têm o facto de serem edições desconhecidas, raras e quase sempre supreendentes.

Pode ir à Feira Laica e ver o que lá há. Pode comprar discos da Soopa, em particular o Abraço Vivo, da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa.

Pode ir ao site da Let’s Go To War e pedir algumas ou todas as peças do fantástico catálogo: Red Albinos, Klank Ensemble, Lost Gorbachevs… só projectos de qualidade.

Pode mesmo ir à iTunes Music Store, se gostar de lojas mais “cool”, e comprar os discos de Ohmalone.

E o melhor é que pode ouvir (quase) tudo antes de escolher, aqui. Se gostar, oferece aos amigos, se não gostar… já sabem como é que isto acaba, não é?

Mas a sério: há lá coisa mais natalícia do que oferecer algo inesperado como um disco estranho de um projecto desconhecido? E ainda por cima é dentro do espírito “o que é nacional é bom” ou “cá se fazem, cá se compram”.

Não?…

Uma moedinha para o artista… acham que resulta melhor?