Se este blog fosse sobre mim

Este blog é, de facto, sobre mim, mas nem sempre o tempo e/ou a vontade de escrever registam algumas coisas relevantes que me vão acontecendo e que, num blog sobre mim, ou num relatório da autoria duma entidade autónoma, abstracta e mais ou menos burocrática, focado na minha insignificante pessoa (tipo O que Diz de Molero, estão a ver?) teriam direito a algumas linhas.

As coisas que, por exemplo, justificam o acto de estar a escrever este artigo, sentado no Bar de Artistas da Casa da Música, às 10h30 da manhã de sábado. A presença no 4º Curso de Animadores Musicais é uma parte importante dum novo percurso que decidi começar, focando-me na descoberta e melhoria de vários aspectos, quer das minhas estratégias e práticas musicais, quer das “competências sociais” que tantas vezes me limitam na construção de melhores relações criativas e/ou na dinamização de trabalhos colaborativos. O processo, no caso deste curso, interessa-me mais do que as suas eventuais manifestações públicas, que terão também a sua importância, obviamente.

A razão que me põe aqui a esta hora, sendo a sessão de hoje, apenas à tarde, é outro facto relevante, sobre o qual, não tinha conseguido ainda dizer nada: o Space Ensemble está em processo de ensaios para o seu novo projecto, Filmes da Terra do Pai Natal, com estreia marcada também para a Casa da Música, a 20 de Novembro.

E promete.

Agora vou ensaiar…

Serralves em Festa e Ó da Guarda: F.R.I.C.S. e Ensemble Granular

Se há alturas do ano em que marcar um concerto é um suplício infernal, há outras em que as propostas são tantas que nem se pode aceitar tudo. Este sábado é bem exemplo disso: de manhã, no âmbito do Serralves em Festa, estarei com a F.R.I.C.S. a animar a Baixa do Porto. À noite, no âmbito do Ó da Guarda – Festival de Novas Músicas, estarei no Teatro Municipal da Guarda, com o Ensemble Granular. E, no meio, vejo-me obrigado a faltar à performance do Space Ensemble no Serralves em Festa, que promete.

Mas, à falta do dom da ubiquidade, e combatendo o cansaço natural, terei oportunidade de, num só dia, rever amigos de origens diversas e confrontar espaços e públicos completamente diferentes.

Para quem estiver no Porto (ou para lá for), o Serralves em Festa promete muito (e cumpre), como é habitual. Eu seguirei para a Guarda com vontade de matar saudades do grupo que se estreou em Bruxelas.

Ensemble Granular

Ensemble Granular (da esquerda para a direita): João Martins (eu), Ulrich Mitzlaff, Miguel Cabral, Ricardo Freitas, Emídio Buchinho e Nuno Rebelo.

Space Ensemble em Portalegre

Este fim-de-semana é altura de rumar a sul, até ao Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, onde vamos apresentar em dias consecutivos os dois projectos de filme-concerto do Space Ensemble: As Aventuras do Príncipe Achmed na sexta e Kino Eye, no sábado.

Um desafio para nós e, creio, uma oportunidade interessante para o público.

Apareçam! Nós até vamos ter t-shirts para vender! :)

PS: Além dos espectáculos à noite, para o “público em geral”, faremos espectáculos à tarde, exclusivamente para escolas.

Pontapé de saída

DSC00006.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

No fim da apresentação de Kino Eye, estávamos satisfeitos. E tínhamos razões para isso: foi um óptimo pontapé de saída para a “digressão”.
No calendário, segue-se Barcelos, na próxima quarta-feira.

Se puderem, mantenham-se atentos ao Space Ensemble:

Música para casamentos?

Já há bastante tempo que fiz as pazes com a ideia de que a música que crio (uma parte muito significativa, pelo menos) tem os seus espaços e momentos naturais e que há imensas ocasiões e contextos em que a sua utilização é descabida. Claro que a diversidade de projectos em que me fui envolvendo e a relativa longevidade da “carreira”, se considerarmos os agrupamentos em que participei ainda como estudante do Conservatório (Orquestra Ligeira, Big Band, Grupo de Saxofones, etc), me permite guardar como memórias situações de todo o tipo, desde participações em programa de televisão a concertos em eventos Gastronómicos, Feiras Medievais, Festivais de Rock e Música Ligeira e recitais em salas de concerto conceituadas nas mais diversas áreas e numa mão cheia de países europeus.

Com o tempo, acrescentei a essa “escola” alguns grandes eventos, como o Festival Paredes de Coura (Jazz na Relva em 2005 e 2007) e o circuito convencional de alguns Teatros Municipais e salas como a Casa da Música, com o Space Ensemble, por exemplo, mas também conheci a sensação de tocar em clubes e lojas de jazz e no circuito “squatter” europeu, com Lost Gorbachevs, e, com a Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa, o leque de situações e contextos alargou-se quase ao limiar do possível: coretos, procissões populares, salas de Museu…

Ainda assim, há situações que não me imagino a musicar fora do contexto das bandas sonoras que vou fazendo. Funerais, baptizados e casamentos são os contextos típicos com que se brinca, entre músicos, por causa da sua especificidade. E são, tipicamente, os contextos em que a intervenção de músicos como eu não é “natural”. É verdade que, há uns anos, tive a experiência de tocar num casamento, mas o casal era um par de Ohmaloners, como eu, e fez-se um jogo de improvisação com todos os músicos presentes, incluindo noivos, numa atitude que era “natural” para nós e para os nossos amigos e que, felizmente, não melindrou demasiado as famílias presentes.

O que, claramente não esperava, mas me dá uma boa dose de satisfação, é que uma experiência conceptual como a música para o Dia do Pi se pudesse adaptar à situação dum casamento de pessoas que nem sequer conheço. Desejo aos noivos toda a felicidade possível e muito me agrada saber que os convidados não se queixaram. ;)

Esta experiência recente faz-me pensar até que ponto é que os lugares-comuns que aceitamos no que diz respeito às linguagens musicais “adequadas” para eventos “formalizados” não passam de simples treta.

A este ritmo, arrisco-me a deixar de encontrar algum contexto ou situação para a qual não tenha feito já alguma intervenção musical. E, ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, isso deixa-me muitíssimo satisfeito.

Space Ensemble apresenta Kino Eye

O Space Ensemble começa em Abril a apresentar o seu novo projecto de filme-concerto. Do universo da animação de silhuetas de Lotte Reiniger, passamos à “primeira coisa cinematográfica não ficcional, sem guião nem actores, e realizado fora de estúdio e sem cenários“. Kino Eye, de Dziga Vertov é uma obra desconcertante realizada em 1924 e será o guião duma nova experiência, para novos públicos.

12 de Abril, sessão no Passos Manuel, no Porto.
16 de Abril, sessão no Zoom Cineclube, em Barcelos.

Em Maio, vamos até Portalegre e Leiria.

Recomeça a temporada!

Eu sou o cine-olho.
Eu sou um construtor. Você, que eu criei, hoje, foi colocada numa câmara (quarto) extraordinária, que não existia até então e que também foi criada por mim. Neste quarto há doze paredes que eu recolhi em diferentes partes do mundo. Justapondo as visões das paredes e dos pormenores, consegui arrumá-las numa ordem que agrade a você e edificar devidamente, a partir de intervalos, uma cine-frase que é justamente este quarto (câmara).

Eu, o cine-olho, crio um homem mais perfeito do que aquele que criou Adão, crio milhares de homens diferentes a partir de diferentes desenhos e esquemas previamente concebidos.

Eu sou o cine-olho.

De um eu pego os braços, mais fortes e mais destros, do outro eu tomo as pernas, mais bem-feitas e mais velozes, do terceiro a cabeça, mais bela e expressiva e, pela montagem, crio um novo homem, um homem perfeito.

Eis, cidadãos, o que vos ofereço em primeira mão, em lugar da música, da pintura, do teatro, do cinematógrafo e de outras efusões castradas.

Space Ensemble @ Avanca ’07

Seguindo uma outra tradição festivaleira, o Space Ensemble associa-se ao Festival Avanca ’07 — Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia.

O Festival começa amanhã, dia 25, mas nós faremos uma pequena performance no dia 26, antes da cerimónia de entrega de prémios.

O Festival merece uma visita atenta, como sempre.

Festival Avanca ‘07 - Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia

Centésima Página

João Martins @ Centésima Página

DSC00023.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

O concerto do Space Ensemble na Centésima Página, acabou por ser numa versão hiper-concentrada, com os infortúnios de uns e outros a obrigarem-me a um solo entre livros.
Fiz o melhor que sabia e podia para, sozinho, ser confundido com um ensemble.

Em jeito de balanço fica esta nota: se não conhecem a Centésima Página não fazem ideia do que estão a perder. E não é preciso ser de (ou estar em) Braga para valer a pena a visita.
E não, eles não me pagaram a mensagem promocional, só me deram um dos contextos mais agradáveis onde tocar. E isso é muitas vezes subestimado.

Space Ensemble em Braga

Estão marcados 2 concertos do Space Ensemble em Braga, nos próximos dias.
Amanhã, dia 3, numa versão reduzida, na livraria Centésima Página, às 18h00 e, em versão mais alargada, no dia 13, no já familiar Velha-a-Branca, para musicar filmes de terror, às 22h00.

Apareçam.

Serralves em Festa – Sons na Paisagem (vídeo)

Apesar da fraquíssima qualidade dos vídeos de telemóvel, a verdade é que, com eles, ficamos com pequenos registos que são “prova” do momento irrepetível.
Como exercício de curiosidade, pus no YouTube os pequenos fragmentos recolhidos pela Cláudia e deixo aqui um exemplo:

[youtube width="176" height="144"]http://www.youtube.com/watch?v=GKpBskobR-M[/youtube]