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Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Sábado, 9 de Janeiro, 2010

Estou confuso. Acabei de ler a entrevista declarações do Pedro Jordão ao no Diário de Aveiro e fiquei a saber que, ao contrário do que estava escrito no comunicado original que republiquei aqui no blog, ele assume as funções de Director Artístico e também Director Geral. E percebo, face ao anúncio duma nova imagem e dum novo site a ser lançado já na próxima semana, que o trabalho da equipa de Pedro Jordão começou bastante tempo antes da nomeação referida. Ou fazem milagres, coisa que um ateu, como eu, tem dificuldade em compreender e aceitar.

Continuo a desejar que tudo corra bem, porque a cidade de Aveiro precisa dum Teatro Municipal capaz. Mas se há coisa que falta a este processo é transparência e esse, para mim, é um valor fundamental na gestão da coisa pública. Que é pública, a coisa, caso alguém se esteja a esquecer.
E como não sou adepto da velha máxima de que os fins justificam os meios, começo a ficar sinceramente preocupado.

Além disso, não posso deixar de repetir uma coisa que o próprio Pedro Jordão me disse pouco tempo depois da sua nomeação: “é perigoso embarcar no discurso de que é possível fazer mais com menos recursos, principalmente quando estamos a falar com políticos“. Concordamos nisso, como concordamos que isso não impede que se possa fazer uma melhor gestão dos recursos existentes. Por isso é que o anúncio de que o Teatro funcionará com metade do orçamento do ano passado, deveria ser alvo duma reacção mais cuidada por parte do seu novo Director Geral e Artístico: nada o impedia (espero eu) de afirmar a vontade de fazer um bom trabalho ao mesmo tempo que avisa relativamente aos perigos do desinvestimento num equipamento desta natureza. Deixar passar esta oportunidade é (também) legitimar uma decisão política (a definição e gestão do orçamento municipal é uma decisão política) que deve ser alvo duma reflexão aprofundada e crítica por parte de todos os agentes culturais.

Dia 10, no Porto, no Teatro Carlos Alberto, talvez surja a oportunidade de voltar a estes assuntos, no contexto desta iniciativa.

Pedro Jordão, novo director artístico do Teatro Aveirense

Segunda-feira, 21 de Dezembro, 2009

Acabei de receber a notícia, via comunicado do Teatro Aveirense. Conheci o Pedro Jordão quando regressei a Aveiro e colaborei com ele no Mercado Negro, pelo que (re)conheço o trabalho importante que fez ali, como no Cineclube de Aveiro. Tenho dele uma óptima impressão, pessoal e profissionalmente e desejo-lhe o máximo sucesso na difícil missão de dirigir artisticamente uma instituição como o Teatro Aveirense.

Mas, bem para lá dos nomes, interessam-me, sempre e em todos os casos, os projectos e os processos. Quanto ao projecto, aguardo com expectativa a visão e a estratégia que o Pedro Jordão terá para o TA. Quanto ao processo, lamento que se tenha perdido mais uma oportunidade para publicamente discutir os vários projectos possíveis para o Teatro.

Estou certo que a redefinição da estratégia de comunicação, que é referida no comunicado como uma das áreas sensíveis, tentará resolver também uma parte deste problema, dando ao público uma visão mais transparente dos processos de programação e uma voz mais clara e importante na avaliação do que se faz e no(s) projecto(s) do futuro.

Transcrevo o comunicado:

O Conselho de Administração do Teatro Aveirense vem por este meio anunciar (…) a nomeação de Pedro Jordão para a Direcção Artística do Teatro Aveirense. Licenciado em Arquitectura, detentor de um percurso verdadeiramente multidisciplinar, a sua nomeação teve em consideração a experiência na programação cultural de vários projectos e em diversas áreas artísticas, nomeadamente na cidade de Aveiro, onde nos últimos anos foi responsável pelo “Cineclube de Aveiro” e pela programação da “Associação Cultural Mercado Negro” - duas das mais marcantes instituições culturais locais onde logrou conceber programações ambiciosas, de qualidade publicamente reconhecida e muitas vezes com projecção nacional.

Conforme comunicado anexo, o Conselho de Administração entende que Pedro Jordão se enquadra no perfil desejado para o cargo de Director Artístico do Teatro Aveirense e que constitui uma clara mais-valia para este projecto cultural, correspondendo às necessidades decorrentes das funções a exercer que extravasam as funções de mera programação e abarcam toda a gestão do projecto. A escolha reflecte igualmente o objectivo de, após a consolidação do projecto nos últimos anos, levar o Teatro Aveirense a um novo patamar no que toca à programação e à visibilidade, afirmando-o definitivamente como um espaço de influência regional e com ambição nacional e internacional.

O Conselho de Administração do Teatro sublinha a experiência de gestão de Pedro Jordão que ao longo do seu percurso, abraçou projectos culturais complexos em condições difíceis, conseguindo implementar estratégias inovadoras e assegurando resultados positivos mesmo partindo de uma assumida insuficiência de meios, exibindo sempre uma necessária percepção global. O novo Director Artístico toma posse do cargo, numa altura particularmente delicada do Teatro Aveirense, financeiramente muito exigente, que implica uma visão rigorosa e inovadora para a gestão e programação do espaço e da sua ligação ao tecido cultural da cidade.

A nomeação de Pedro Jordão teve igualmente em consideração o conhecimento profundo do tecido cultural da cidade e da região, dos seus públicos, das suas instituições e dos seus agentes culturais, com quem frequentemente colaborou e com quem sempre manteve um contacto fácil, nos quais se inclui o próprio Teatro Aveirense; a sua experiência de produção de espectáculos e de comunicação cultural, cuja reformulação e eficácia será decisiva para o futuro do Teatro Aveirense; e a rede privilegiada de contactos profissionais que foi construindo a vários níveis e nas mais diferenciadas áreas, desde agentes culturais e artistas nacionais a artistas e agentes estrangeiros, imprensa e responsáveis institucionais.

Em anexo, uma nota biográfica de Pedro Jordão:

Pedro Jordão, 32 anos, natural de Aveiro, é arquitecto formado na Universidade de Coimbra e tem dividido a sua actividade pela prática da arquitectura, da investigação e da programação cultural. Tem desenvolvido um trabalho sistemático na área da cultura, com natural destaque para o seu papel como Dirigente e Programador no Cineclube de Aveiro e na Associação Cultural Mercado Negro, de que foi Fundador e onde exerceu funções até Setembro de 2009. Em ambos os casos trabalhou espaços por explorar no tecido cultural da cidade, procurando conceber programações marcadas pela qualidade, pela diversidade e pela inovação, nomeadamente no trabalho de comunicação, o que foi sendo reconhecido inclusivamente fora de Aveiro - atente-se ao trabalho desenvolvido no Mercado Negro que inclui no seu percurso inúmeros projectos de prestígio nacional e internacional numa linha de programação ousada. Tem colaborado pontualmente em diversos projectos artísticos multidisciplinares. O seu percurso como arquitecto iniciou-se no atelier de Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos, tendo entretanto iniciado actividade própria. Foi Fundador e primeiro Director da revista de arquitectura NU, há muito uma referência nacional dentro das publicações académicas, prosseguindo desde então com uma produção crítica regular, assinando artigos para diversas publicações nacionais e estrangeiras de arquitectura e cultura contemporânea. É o actual Comissário para a região Centro da “Habitar Portugal 06/08″, iniciativa principal da Ordem dos Arquitectos. O seu percurso conta ainda com a presença como Orador convidado em diversas iniciativas.

Criaturas, excertos das projecções

Sexta-feira, 13 de Novembro, 2009

Porque o registo vídeo anterior não permite perceber minimamente a projecção, decidi fazer esta pequena montagem, com excertos das animações em tempo real geradas por Pure Data + GEM, com alguns elementos áudio da performance de estreia.

Criaturas @ TA, um registo possível

Segunda-feira, 9 de Novembro, 2009

Nem o som, nem a imagem estão brilhantes, mas, para já, é o registo possível. Também no Vimeo, no Facebook e no MySpace.

Uma pequena experiência de “cross-posting” para ver qual das plataformas gera mais feedback.

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Quinta-feira, 5 de Novembro, 2009

Apresenta-se hoje, dia 5 de Novembro, quinta-feira, às 22h00, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense, a minha mais recente criação, com o longo título

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Esta obra resulta dum convite dirigido pelo Teatro Aveirense para que apresentasse uma nova criação no âmbito do CANT - Ciclo Arte e Novas Tecnologias e foi desenvolvida, na sua fase final, em residência, o que apresenta claras vantagens para um projecto desta natureza.
Este é um projecto muito mais “pessoal” do que qualquer outro que tenha realizado até agora, pelo que, por agora, falta-me um distanciamento mínimo para saber se resulta. Cabe ao público essa função, como sempre.

Imagem de divulgação das "criaturas"

Sinopse

Alguns dos sonhos mais extraordinários e marcantes são aqueles cuja verosimilhança nos deixa num estado confuso; sonhos que estão de tal forma contaminados de realidade e familiaridade que chegam a integrar as nossas memórias reais, até serem denunciados por um ou outro pormenor.

Nesses sonhos é frequente encontrar solução para problemas que nos afligem, ainda que ou a solução ou o problema pertençam, por vezes, apenas ao universo peculiar dos sonhos, faltando-lhes qualquer aplicação prática.

O poder sugestivo, quase hipnótico, da verosimilhança e da familiaridade cria também alguns dos mais intensos e assustadores pesadelos, mas nestes nota-se, com mais facilidade, que no universo dos sonhos estas sensações podem estar associadas não a elementos ou representações da realidade, mas apenas a sensações ou imagens que integram desde cedo um determinado vocabulário onírico. Elementos com os quais sonhamos frequentemente- sejam sensações, personagens ou imagens…- podem, paradoxalmente, deixar de denunciar a situação-sonho, já que se encontram no seu universo natural e, por isso, são verosímeis no contexto: verdadeiros porque completamente imaginados, como diria Boris Vian.

O que define a fronteira entre o sonho e a realidade e a forma como nos debatemos para a transgredir é o tema central da obra que se estreia no Teatro Aveirense: “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos“, assim como uma pergunta recorrente: “tens mais medo do escuro ou do silêncio?“.

Som, imagem e palavras, situações e bandas sonoras e visuais recuperadas de fragmentos de sonho, pesadelo e realidade são apresentadas e propostas ao público num convite não à contemplação ou voyeurismo onírico, nem ao devaneio surrealista, mas como exercício colectivo de reconstrução das sensações individuais das viagens de e para o sonho.

Sobre o processo de criação:

A obra a apresentar intitula-se “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos” e já teve duas apresentações como work-in-progress, em que explorei um trecho da obra que envolve processamento de saxofone baixo em tempo real associado a uma simples experiência de privação sensorial (a obra apresenta-se em escuro absoluto).

A experiência pretende explorar as sensações e os momentos em que o sonho se deixa contaminar pela realidade e nos faz acordar confusos pela aparente estranheza do que nos é(era) familiar. As motivações originais são os instrumentos que toco, uns familiares e outros muito estranhos e a forma como construo grande parte da minha música, por um lado e a relação que estabeleço entre isso e ilustrações que fazem parte do meu imaginário de criança.

O primeiro estudo-apresentação que mereceu esta designação e que iniciou o processo, apresentava-se assim:

Este estudo é a primeira apresentação (identificada como tal) dum work-in-progress, que conta já com alguns anos de existência / insistência: a procura e reprodução de sons sugeridos por criaturas nascidas em ilustrações familiares.
Essas criaturas, através dos novos instrumentos que “geraram” e das novas técnicas que me “ensinaram”, povoam a minha criação musical dos últimos 10 anos, sem exigir nada em troca. Ao preparar um momento de reconhecimento e retribuição, o plano de estudos prevê a apresentação pontual de algumas dessas criaturas, intercaladas com momentos de mais descoberta e diálogo.

Foi no Cinema Passos Manuel, no Porto, no contexto do Projecto Tell que propunha performances no escuro absoluto. Essa experiência foi bastante intensa, quer para mim quer para o público e decidi voltar a repetir esta forma de privação sensorial no AveiroSaxFest, em que fiz uma segunda apresentação, sem escuro absoluto, mas sem que a minha presença fosse visível, também.

Recrutei, entretanto, a colaboração da Cláudia Escaleira, para usar o desenho como instrumento narrativo.

Estes testes serviram para afinar algumas estratégias e, com o feedback de pessoas presentes (músicos e outros criadores, além de público), estou a desenvolver a estratégia global de cruzamento entre os instrumentos convencionais que toco e os que concebo e construo: a MeSA, o Contratear, o Munaciclo, etc.

Alguns destes instrumentos tiveram uma atenção particular em vários projectos e bandas sonoras, mas quero avançar particularmente no campo dos cruzamentos entre instrumentos e na construção duma experiência capaz de submergir completamente o público: som, vídeo, luz, etc.

Hoje no TA: Adúlteros Desorientados

Quarta-feira, 25 de Março, 2009

Hoje, 25 de Março, quarta-feira, às 22h00, no Teatro Aveirense, Adúlteros Desorientados, do Visões Úteis.

É “teatro fora de horas”.

Adúlteros Desorientados

E os adúlteros e as adúlteras que, neste preciso momento, levam a cabo o seu trabalho febril (…) criam uma rede na qual se apoia o resto das contradições que moldam a realidade. A mim, a todos nós, adúlteros e adúlteras esforçados, a sociedade deve-nos tudo.

“Adúlteros Desorientados”, adaptação da obra “Cuentos de adúlteros desorientados” de Juan José Millás, é mais uma incursão do Visões Úteis no teatro portátil - um monólogo divertido para um público descontraído mas exigente, concebido para possibilitar a relação directa entre criadores e público.

Pessoalmente, foi uma banda sonora que me deu muito gozo a fazer.

Aparecem?

Filmes da Terra do Pai Natal

Terça-feira, 18 de Novembro, 2008

Turilas & Jäärä

Filmes da Terra do Pai Natal é um projecto do Space Ensemble em parceria com Finnish Film Contact e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia em Lisboa.

O programa, foi especialmente criado para as crianças do ensino pré-primário e primário, e é composto por curtas metragens de animação, contemporâneas, do realizador Heikki Prepula e de episódios da série Turilas & Jäärä, dos realizadores Ismo Virtanen e Mariko Härkönen.

Neste projecto o Space Ensemble apresenta-se com Ana Veloso (guitarra),  Eleonor Picas (harpa), Henrique Fernandes (contrabaixo e acordeão), João Martins (saxofones, melódica, flauta e berbequim), João Tiago Fernandes (bateria e marimba), José Miguel Pinto (guitarra e theremin), Nuno Ferros (electrónicas) e Sérgio Bastos (piano).

As sessões na Casa da Música, segundo nos informaram, já estão esgotadas, mas temos datas confirmadas ainda antes do Natal, em Viseu, Aveiro e no Alandroal.

A lista total em 2008 (para já) é esta:

Casa da Música, Porto
20 e 21 de Novembro 2008 | 11h00 e 14h30 (Sessões reservadas para Escolas)
13 de Dezembro de 2008 | 16h00

Teatro Viriato, Viseu
5 de Dezembro 2008 | 10h30 e 15h30 (Sessões reservadas para Escolas)
6 de Dezembro 2008 | 16h00

Teatro Aveirense, Aveiro
10 de Dezembro 2008 | 10h30

Fórum Cultural Transfronteiriço do Alandroal
12 de Dezembro 2008 | 10h30

Nós estamos a gostar imenso desta experiência e esperamos ansiosamente que as crianças adiram.

Eu, pessoalmente, ando a tentar encontrar uma boa estratégia para a Maria poder assistir, apesar de não ser uma coisa pensada para bebés.

Orquestra de Altifalantes no Teatro Aveirense

Sexta-feira, 7 de Novembro, 2008

Este post vem com uns dias de atraso, mas ainda a tempo para os mais disponíveis:

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal está em Aveiro para um concerto hoje (7 de Nov.), no Teatro Aveirense:

Ciclo Arte e Novas Tecnologias
Música Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
Miso Music - Cinema dos Sons

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal é um sistema de projecção sonora destinado tanto à difusão da música electroacústica sobre suporte como à difusão da música electroacústica com a intervenção de instrumentistas.
Tem como objectivo principal introduzir na música electroacústica a dimensão interpretativa, e com o sentido também de ritualizar o acto do concerto e de possibilitar uma comunicação expressiva com o público.
Para isso era necessário criar um instrumento de difusão sonora suficientemente flexível para se adaptar às referidas necessidades interpretativas e assegurar uma qualidade de difusão ímpar.
O sistema global é constituído por 40 a 60 altifalantes e é ele próprio constituído por 6 sub-sistemas diferentes de altifalantes colocados por todo o espaço da sala de concertos, tanto no plano horizontal como no eixo vertical, de forma a possibilitar um número alargado de planos e de perspectivas sonoras.
Um número máximo de 32 canais de distribuição e um interface de controlo com 32 faders permite controlar em tempo real 32 altifalantes ou grupos de altifalantes, configurados independentemente para cada obra musical a difundir.

O sistema é fabuloso e o trabalho de difusão e interpretação do Miguel Azguime é de altíssimo nível. Tive o privilégio de estar quer no seminário sobre composição electroacústica, no dia 5, quer no workshop de difusão e interpretação com a orquestra de altifalantes, ontem e hoje, e tenho imensa pena de não poder assistir ao concerto de hoje à noite. Os exemplos que nós, participantes no workshop, apresentámos em ensaio aberto, hoje à hora do almoço, não permitiram mais do que ficar com uma vaga ideia do que este sistema de difusão permite. Se puderem, aproveitem.

Amanhã, sábado, dia 8, ainda pela mão do Miguel Azguime apresenta-se o Itinerário do Sal, no Ciclo Arte e Novas Tecnologias, que também trouxe a Aveiro o Space Program do Rafael Toral.

Acredito que a apresentação do Itinerário do Sal, uma “new op-era” (nas palavras do compositor) internacionalmente premiada, será um momento singular no percurso do Teatro Aveirense e, por isso, no percurso da cidade. E mais não digo.

Homens valentes

Domingo, 27 de Janeiro, 2008

Miguel Borges, Peter Michael Dietz, Romeu Runa e Romulus Neagu. E Paulo Ribeiro, claro. Homens valentes, todos eles.

Masculine, a coreografia apresentada ontem no Teatro Aveirense é um fortíssimo exercício de coragem. E de talento, claro.

Romeu Runa em Masculine, coreografia de Paulo Ribeiro

Um dos melhores espectáculos de dança a que assisti.
E um exercício singular de masculinidade. Honesto. Um daqueles que nos deixa com poucas palavras.

Vamos fazer um brainstorming?

Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2008

Hoje avisei-vos dum espectáculo que vai acontecer hoje. O que é irritante, não é?

Mas porque é que só agora é que aviso? Porque só agora é que soube. E isso é relevante? É, porque não me canso de espantar com as dificuldades de comunicação na área da cultura. Mas como é que eu saber ou não é relevante para avaliar de eventuais dificuldades? Se calhar o problema é meu… Se calhar é, mas também é verdade que se uma pessoa com os meus hábitos, a minha “predisposição” e a minha ligação ao meio (fui eu que pus o trailer de A Boneca no YouTube, por exemplo) se deixa surpreender por informação desta, o que acontecerá a pessoas mais “afastadas”?

Mas que dificuldades são estas? Por um lado, não há público, por outro, o público queixa-se de falta de divulgação, e por outro ainda, há quem ache que isto tudo é uma “pescadinha-de-rabo-na-boca” porque alguns eventos, sem divulgação de maior, têm na mesma público e são esses, precisamente, que parecem “criar” públicos.

Será que não há mesmo nada a fazer?

Sem querer estar a ser insistente ou irritante, proponho que se faça aqui mesmo um pequeno brainstorming, sobre o exemplo do Teatro Aveirense (espero que não em levem a mal e possam aproveitar algumas sugestões), para encontrar propostas concretas para melhorar a visibilidade da programação do Teatro.

Eu inicio com três propostas simples relacionadas com a presença online e peço a todos os leitores que se pronunciem  sobre estas e contribuam com outras seja para que meios for.

Inscrição na mailing list do Teatro Aveirense é confusa

SUGESTÃO 1: UM MAILING MELHOR
Simplificar e pôr a funcionar uma mailing list/newsletter de subscrição fácil e óbvia. Tentei subscrever a “mailing list” anunciada no site várias vezes e nuncarecebi informação nenhuma por esse meio. Agora vejo uma notíca com um novo sistema de subscrição de newsletter. “Consolida, filho, consolida… O que é preciso é consolidar”, já dizia o Zé Mário Branco no FM. ;)
A divulgação via e-mail funciona muito bem se for pensada em termos de periodicidade e especificidade, na minha opinião. Um mailing da programação trimestral, por exemplo é uma boa base, que, com acrescentos ou adendas semanais ou quinzenais pode ser uma óptima ferramenta. Fundamental, na minha opinião, é que se faça um tratamento tão sistemático como possível de todos os eventos. Há vários exemplos de mailings nesta área que me parecem funcionar bem: a newsletter do Visões Úteis (que conheço na óptica do editor) ou os mailings do Mercado Negro ou do Cineclube de Aveiro (que conheço na óptica do subscritor) são simples e acho que eficazes, por ser elementar a subscrição, por haver correpondência entre mailings e conteúdos dos sites e por ser fácil reenviar ou reutilizar (o reenvio e reutilização para blogs, por exemplo, é um dos grandes trunfos dos mailings bem feitos… por isso nada de mailings só imagem ou em formatos estranhos: deve ser sempre possível a leitura em texto simples!).

SUGESTÃO 2: GO VIRAL!
Entrar pelas redes de social networking é uma “seca”, mas os benefícios podem ser bem superiores à chatice. Quase todas as redes têm funções de partilha de agendas, boletins, divulgações, etc. Como as pessoas são muito preguiçosas, ir às redes onde elas já estão pode ser uma das melhores formas de garantir que a informação está a passar. E a ideia do “viral” é muito verdadeira: o principal trunfo destas abordagens é que depois da informação começar a circular, dependendo da topologia e funcionamento das redes, pode rapidamente chegar a grandes quantidades de gente, duma forma relativamente sectorizada. MySpace, hi5, Last.fm para a música… as opções são muitas e os públicos abrangidos são diferenciados. Estudar o(s) meio(s) e fazer opções pode não ser fácil, mas eu apostaria nos resultados. É claro que mantenho a minha opinião acerca das falhas destas plataformas, mas acho que no contexto duma estratégia de divulgação da programação dum espaço como um Teatro, não deve haver demasiados pruridos na escolha dos suportes.

SUGESTÃO 3: SUBSCRIÇÃO
A preguiça das pessoas faz com que seja fundamental disponibilizar conteúdos que se possam subscrever, para consulta nos “espaços virtuais” que cada utilizador decide frequentar. E há duas coisas que se podem disponibilizar de forma simples:

  1. feed RSS de notícias: pode ser agregado no leitor RSS de cada pessoa, pode ser redistribuído por blogs, portais e outras plataformas e ajuda a trazer visitantes ao site com as novas actualizações
  2. feed RSS/XML/iCAL do calendário: esta é a funcionalidade que a mim, pessoalmente me pareceria mais influente. Manter no Google Calendar, por exemplo, um ou mais calendários partilhados e que podem ser subscritos em várias aplicações (Outlook, iCal, Thunderbird/Lightning, etc…) pode ajudar (e muito!) a manter informação actualizada junto dos utilizadores. E, no caso do Google Calendar é até possível permitir que também o calendário seja embebido em vários sites, blogs e outras plataformas. Se esse calendário existisse, com os eventos do TA (ou doutra entidade ligada à cultura aqui em Aveiro), provavelmente apareceria nas barras laterais de vários bloggers ligados à cidade, assim como nos sites da região.

Estas são as minhas primeiras 3 (e mais simples) sugestões, úteis para o TA ou para outras entidades com os mesmos problemas. E as vossas?