Entradas com Etiqueta ‘Teatro Aveirense’

Boom & Bang em Aveiro

Segunda-feira, 7 de Junho, 2010

Boom & Bang, a 35ª criação do Visões Úteis vem ao Teatro Aveirense no próximo dia 9 de Junho. São duas sessões: uma à tarde, para escolas e sujeita a marcação via Serviço Educativo do Teatro, outra à noite, para o público em geral. Como é véspera de feriado, há menos desculpas para não ir ver.

Boom & Bang, 35ª criação Visões Úteis
dia 9 de Junho no Teatro Aveirense

Boom & Bang, logotipo

São contributos teatrais para a compreensão da crise mundial, que o Visões adaptou a um formato portátil que tem circulado com grande sucesso em variadíssimos espaços pelo país (1, 2, 3, 4).

Boom & Bang
a partir de “The Power of Yes” de David Hare

Isto é uma nova espécie de socialismo. É o socialismo para os ricos. Para os outros está tudo na mesma. Só para os bancos é que há socialismo. O resto do pessoal continua tão à rasca como dantes. E é nesta altura que começamos a sentir uma certa sensação de injustiça, ou não é?

  • dramaturgia e direcção: Ana Vitorino e Carlos Costa
  • banda sonora original e sonoplastia: João Martins
  • desenho de luz: José Carlos Gomes
  • interpretação: Ana Vitorino, Carlos Costa e Pedro Carreira
  • projecto fotográfico: Paulo Pimenta
  • coordenação técnica e operação: Luís Ribeiro
  • produção executiva: Joana Neto
  • assistência de produção: Helena Madeira
  • design gráfico: entropiadesign a partir de imagem de Ricardo Lafuente
  • produção: Visões Úteis
  • duração aproximada: 50 minutos
  • classificação etária: M12
  • informações
    Visões Úteis: 22 200 61 44 | mail@visoesuteis.pt
    Teatro Aveirense: 234 400 920 | info@teatroaveirense.pt

Sobre o projecto

Na sequência da crise económica que explodiu em Setembro de 2008, o National Theatre (Londres, Inglaterra) encomendou ao dramaturgo David Hare uma peça de teatro que se confrontasse com a referida situação e com os seus protagonistas. E desta forma David Hare dedicou vários meses não só ao estudo da situação mas também a entrevistas pessoais a banqueiros, economistas, especuladores, investidores, administradores, enfim, a todos aqueles que conheciam a história por dentro, desde que, naturalmente, estivessem dispostos a contá-la. O resultado final foi um texto rigoroso e complexo - em que se recusa qualquer desejo excessivo de dramatização e se procura antes contar uma história de ambição e ganância - intitulado “O poder do sim”, e bem a propósito sub-intitulado “Um dramaturgo tenta compreender a crise financeira”, cuja estreia mundial aconteceu, precisamente, no National Theatre de Londres, em Setembro de 2009.
Na versão do Visões Úteis “O Poder do sim” apresenta-se vocacionado para um contacto muito próximo com o público, através do trabalho de 3 actores que convocam uma pluralidade de protagonistas da crise financeira, sem esquecer uma imprescindível aproximação à realidade portuguesa, no que podemos classificar de um espectáculo extremamente divertido, apesar de não ter piada nenhuma! Ou por outras palavras, uma tragicomédia financeira completamente enraizada no nosso aqui e agora.

Concertos Promenade no Teatro Aveirense: uma óptima ideia

Domingo, 2 de Maio, 2010

Os Concertos Promenade no Teatro Aveirense são da responsabilidade do Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian e ocorrem no primeiro domingo de cada mês, de manhã, tendo começado em Março. Hoje foi a segunda edição (o concerto de Abril coincidiria com o domingo de Páscoa) e eu lá estive, com a Maria e sua avó. Mesmo antes de ir, poderia dizer que esta é uma óptima ideia e é o tipo de iniciativas que contribui, de facto, para a afirmação dum Teatro Municipal. Trata-se de serviço público que enriquece todos os participantes:

  • os alunos do Conservatório têm uma experiência formativa fundamental, que é a apresentação em público do seu trabalho, num contexto diferente das audições de escola; e têm contacto com a estrutura profissional do teatro, aprendendo muito acerca de aspectos menos abordados na escola da sua (eventual) futura profissão
  • o Conservatório ganha um merecido espaço de visibilidade na cidade e exercita as suas capacidades de inserção e relação com o tecido cultural da cidade
  • o Teatro Aveirense ganha público, que poderá vir pela primeira vez para um evento desta natureza e, neste contacto, (re)construir uma relação com este equipamento e com a sua programação; todas as actividades de natureza cíclica / rotineira, têm também a vantagem de criar hábitos de consumo cultural e, na minha opinião, são os alicerces de qualquer coisa a que se possa chamar uma “corrente de público”
  • o Teatro Aveirense ocupa um novo lugar na rede de estruturas locais de produção e formação ao acolher uma iniciativa desta natureza e assumir as suas responsabilidades como parceiro público e institucional, representante da cidade, nesta rede local
  • o Teatro Aveirense assegura uma maior abrangência da sua própria lógica de programação ao delegar no Conservatório a programação destes eventos
  • o público assiste a concertos de música erudita em horários confortáveis para a família e a preços simbólicos

Em suma, a cidade ganha um espaço privilegiado de partilha, através da música, daquilo que é e daquilo que pode ser. Ao ouvirmos os estudantes do Conservatório, estamos não só a usufruir de boa música, mas também (espero) a lembramo-nos, enquanto comunidade, do extraordinário poder que a Educação e a Escola têm. E, se voltamos a acreditar na Escola e, também por isso, a investir nela o que é preciso, que não são só recursos financeiros, talvez encontremos um caminho para fora da crise.

Como vêm, um Concerto Promenade é tão bom que até deixam um tipo como eu a fazer discursos optimistas. ;)

Obrigado ao Conservatório de Música de Aveiro e ao Teatro Aveirense, mesmo que saibamos que não estão a fazer mais do que cumprir a sua missão de serviço público. ;)

Silêncio em Aveiro

Sábado, 17 de Abril, 2010

Começou neste dia 15 e prolonga-se até dia 25 o ciclo Silêncio, promovido pelas Oficinas sem Mestre, aqui em Aveiro, com iniciativas a decorrer no Teatro Aveirense, no PerFormas e no Mercado Negro. A iniciativa é de peso, com manifestações diversas (workshops, conferências, exposições, concertos, teatro, filmes comentados, etc) e agitando, de facto, quase todo o tecido cultural da cidade. No dia 23, modero um painel dedicado ao Declínio da Era da Palavra, mas aconselho vivamente uma consulta atenta e profunda a toda a programação:

SILÊNCIO

Toda a palavra ou enunciado são precedidos por uma voz silenciosa, por um sonho acordado repleto de imagens e de pensamentos difusos sempre actuantes no nosso íntimo. As formulações que daí emergem podem depois ser esmagadas logo à nascença. As ditaduras, na essência ou nas margens dos regimes políticos, ou como doença viral em relacionamentos pessoais, tendem a calar o indivíduo. A modernidade, por outro lado, leva a mal o silêncio.

A palavra sem fim e sem réplica prolifera em detrimento da palavra renascente da comunicação quotidiana com os nossos próximos. Falamos da palavra que muda de estatuto antropológico: sai da ordem da conversa, entra no domínio dos mass media, das redes, dos telemóveis. Invasora, vã e tranquilizante. Philippe Breton falava do paradoxo de uma sociedade “altamente comunicante e fracamente coincidente”.

Mas não devemos avaliar o silêncio apenas por antifrase. No início dos anos 60, George Steiner já proclamava o “declínio do primado da palavra”, por um lado devido a factores sociais (tendência para crescente iliteracia, incluindo as elites económicas e políticas) e por outro, devido à evolução técnico-científica (que leva à valorização de outras linguagens, nomeadamente a linguagem matemática). Se alargarmos a geografia das nossas reflexões, veremos também que Ocidente e Oriente assumem estratégias distintas de significação do silêncio e da palavra. Falemos então de silêncios - os que crescem connosco, os que conservamos, os que estranhamos, os que quebramos.

PROGRAMAÇÃO

15 de Abril | Quinta-feira
PERFORMAS
| O SILÊNCIO NO CINEMA – I

22H00 | Exibição do filme «The Bow» («O Arco») de Kim Ki-duc (Coreia do Sul, 2005, 90’) seguido de debate

23H45 | Filme escolhido pelo público de entre uma pré-seleccão de filmes feita pelas OSM

16 de Abril | Sexta-feira
PERFORMAS

21h30 | Painel I – OLHAR O SILÊNCIO: IMAGEM E COMUNICAÇÃO

  • Adriana Baptista, docente da ESE e da ESMAE, apresenta «Nas imagens, o silêncio diz tudo ao mesmo tempo»
  • Paula Soares, docente da UA/DeCA, apresenta «Uma retórica do silêncio, João César Monteiro»

Moderação: Rui Baptista, jornalista (Lusa)

17 Abril | Sábado
MERCADO NEGRO

17h00 | Inauguração de Exposições

  • «Sobre Perder Tempo», Envelopes Anónimos, autor anónimo
  • «Personagens imaginárias ou imaginários de uma personagem», fotografia, mariana de almeida
  • No exercício constante do fazer de conta, faz de conta que é actriz. Significa, exprime, divaga estados de (in)consciência, gestos, silêncios, sentimentos, máscaras. O retrato do imaginário, transparece uma multiplicidade de reflexões, como que numa casa de espelhos, sabendo-se que neles as imagens são intocáveis.
    “ (…) a máscara é o sentido quando é absolutamente pura…”, Roland Barthes
  • «Silêncio», colectiva de pintura (listagem definitiva de artistas a anunciar)
  • Projecção (contínua) do filme «La Maison des Petits Cubes» de Kunio Katõ (Japão, 2008, 12’3’’)
  • Intervenção cénica, «Larilalá», Larissa Latif

18h00 | COMUNIDADE DE LEITORES ALMA AZUL

  • A partir da obra «Amigo e Amiga - Curso de Silêncio de 2004» de Maria Gabriela Llansol.
  • Projecção do filme «Curso de Silêncio» de Vera Mantero (Portugal, 2007).

17 Abril | Sábado
PERFORMAS

21h30 | Painel II – SILÊNCIO NA LITERATURA

  • Isabel Cristina Pires, psiquiatra, poetisa
  • Paulo Pereira, docente da UA/DLC, apresenta «Alguns afluentes do silêncio na poesia contemporânea portuguesa»
  • Lurdes Maria Costa, mestranda na UA/DLC, apresenta «O silêncio é o sítio onde se grita - a poesia de Ary dos Santos»
    “O silêncio não é apenas a subtracção da palavra. O grito, o riso, a palavrosidade excessiva, a afronta, o insulto e a obscenidade, a exuberância … também são formas de silêncio.”
  • Irene Alexandre, mestranda na UA/DLC, apresenta «Silêncio na obra de Gonçalo M. Tavares»

O painel conta ainda com a participação de Rui Pedro cantando Ary dos Santos
Moderação: Maria do Rosário Fardilha (socióloga)

23h30 | Recital de Poesia de Alberto Serra com participação especial dos músicos Marco Oliveira e Rui Pedro

“O Silêncio é de todos os rumores o mais próximo da nascente” – Eugénio de Andrade

18 de Abril | Domingo
Sala-estúdio TEATRO AVEIRENSE

11h00-12h00 | Workshop NO SILÊNCIO ACONTECE, orientado por Luísa Vidal (docente de artes visuais e artista plástica) e Tânia Sardinha (docente de artes visuais e formadora na área da criatividade)

Por meio de actividades lúdicas e de carácter plástico, estimular a criatividade, desenvolver a capacidade de expressão e comunicação, e potenciar a partilha na experiência entre pares e em grupo.
Pretende-se também promover a relação e o vínculo afectivo entre avós e netos, através da construção de um espaço e de um tempo onde a criatividade de gerações distintas possa fluir lado a lado.

Destinatários do workshop: avós e netos dos 3 aos 55 anos

17h30-19h30 | Workshop SILÊNCIO, INTERIORIDADE E EXPRESSÃO, com Maria João Regala (psicoterapeuta)

O corpo atravessa o silêncio em novas linguagens. Usa o movimento, a improvisação, a acção. No olhar do outro encontra, decifrada, a sua imagem. Muitas perguntas, respostas transitórias, estranheza, empatia, inquietação e espanto. Do encontro nasce o novo - não sei ainda se um casulo, uma planície ou um castelo.

Destinatários: a partir dos 18 anos

18 de Abril | Domingo
PERFORMAS

21h30 | O NADA, peça da autoria do Ceta – Círculo Experimental de Teatro de Aveiro

21h45 | Painel III – SILÊNCIO E (DES)ORDEM

  • José Tolentino Mendonça, poeta e teólogo (sujeito a confirmação)
  • Ricardo Ribeiro, compositor, apresenta «Silêncio e transversalidade nas artes»
    “É na sua íntima ligação ao vazio, que o silêncio alcança a sua imperecível dimensão de transversalidade artística…
    Do silêncio ao vazio, do vazio à fragilidade: a fragrância do pequeno e do mínimo, é o pouco que sugere o muito, o finito que engendra o infinito…”
  • António Morais, presidente da Direcção do Ceta, apresenta «O duplo silêncio e o absurdo»
    “A origem do teatro acontece depois do silêncio, depois da noite, depois da escuridão… então o homem acorda e descobre o absurdo da sua própria existência… e regressa ao silêncio, à noite, à escuridão, ao nada… O espelho teatral reflecte o absurdo da vida, amenizando-o… Há dois silêncios que envolvem as palavras. Um silêncio que as precede e um outro silêncio que as sucede…”
  • Ana Cruz, mestre em Direito, apresenta «O sagrado direito ao silêncio ou o silêncio no direito?»
    “Em sede de Direito Penal, o direito ao silêncio aparece relacionado com os direitos fundamentais e garantias individuais consagradas na Constituição da República Portuguesa e é considerado como uma garantia fundamental na ordem juridíco-constitucional. (…)”

Moderação: Carlos Picassinos (jornalista)

22 de Abril | Quinta-feira
PERFORMAS | O SILÊNCIO NO CINEMA – II

21h30 | Exibição do filme «Há lodo no cais» de Elia Kazan (EUA, 1954), 108’ seguido de debate com Maria do Rosário Fardilha

23H45 | Filme escolhido pelo público de entre uma pré-seleccão de filmes feita pelas OSM

23 de Abril | Sexta-feira
PERFORMAS

21h15 a 22h45 | Performance de levitação/imobilismo de Toino de Lírio, The Static Man

21h30 | Painel IV – O DECLÍNIO DA ERA DA PALAVRA

  • Isabel Cristina Rodrigues, docente da UA/ DLC, apresenta «Silêncio na Literatura»
  • Fernando Almeida, geofísico, docente da UA/ Depto Geociências e Jorge Hamilton, mestre em Geociências, apresentam «A verdade e o declínio da era da palavra»
    “(…) a nossa verdade é também uma homenagem ao grandioso mestre [Professor Frederico Machado]. Porque este viveu a erupção dos Capelinhos, vamos tentar recriar o momento numa projecção de um filme de 5 minutos ao qual sobrepusemos som virtual. Deste modo, esta verdade também é uma mistura de várias realidades que permite despertar sentimentos.”
  • David Vieira, docente apos. da UA/Depto Matemática, apresenta «Linguagem matemática: pontes quebradas – força e fraqueza»

Moderação: João Martins (sonoplasta)

23h30 | Performance de levitação/imobilismo de Tonio de Lírio, The Static Man
Seguido de actuação de Toino de Lírio como DJ

24 de Abril | Sábado
PERFORMAS

18h30 | Painel V – SILÊNCIO NA MEMÓRIA COLECTIVA
Exibição da curta metragem A Cela Branca (Portugal, 2006, 6’13’’) de Ivar Corceiro
Exibição do filme Dundo Memória Colonial (Portugal, 2009, 60’) de Diana Andringa
Seguidos de debate com:

  • Diana Andringa, jornalista e realizadora.
  • Isabela Figueiredo, escritora, autora de “Caderno de Memórias Coloniais” (2009)
  • Celina Pereira, cantora e contadora de histórias cabo-verdiana, autora de “Estória, Estória… Do Tambor a Blimundo”

Moderação: Catarina Gomes (antropóloga)

22h30| Auditório PERFORMASConcerto Celina Pereira

24h00 | DJ set Couscous Prosjekt (Bagaço Amarelo e Moabird): «Depois do silêncio, uma alvorada em Abril»

25 de Abril | Domingo
MERCADO NEGRO

16h00 | Atelier Cartazes Políticos – exploração didáctica e criativa de uma amostra da colecção cedida por Francisco Madeira Luís ao Núcleo Museológico da UA.
Criação: Oficinas Sem Mestre e docentes do 3º Ciclo e Secundário.

18h00 | Exibição do filme «Cruzeiro Seixas: O Vício da Liberdade» da autoria de Alberto Serra, realizado por Ricardo Espírito Santo (Portugal, 2010) 54’ seguido de debate com Alberto Serra.

22h00 | “OTRA VEZ MARCHAR”
Espectáculo musical a definir.
Leitura de poesia e prosas de liberdade, por Oficinas Sem Mestre

PROGRAMAÇÃO PARALELA

PERFORMAS | Mercado do livro do Silêncio – selecção Livraria Langue D’OC

+ info: silencioemaveiro.blogspot.com

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Sábado, 9 de Janeiro, 2010

Estou confuso. Acabei de ler a entrevista declarações do Pedro Jordão ao no Diário de Aveiro e fiquei a saber que, ao contrário do que estava escrito no comunicado original que republiquei aqui no blog, ele assume as funções de Director Artístico e também Director Geral. E percebo, face ao anúncio duma nova imagem e dum novo site a ser lançado já na próxima semana, que o trabalho da equipa de Pedro Jordão começou bastante tempo antes da nomeação referida. Ou fazem milagres, coisa que um ateu, como eu, tem dificuldade em compreender e aceitar.

Continuo a desejar que tudo corra bem, porque a cidade de Aveiro precisa dum Teatro Municipal capaz. Mas se há coisa que falta a este processo é transparência e esse, para mim, é um valor fundamental na gestão da coisa pública. Que é pública, a coisa, caso alguém se esteja a esquecer.
E como não sou adepto da velha máxima de que os fins justificam os meios, começo a ficar sinceramente preocupado.

Além disso, não posso deixar de repetir uma coisa que o próprio Pedro Jordão me disse pouco tempo depois da sua nomeação: “é perigoso embarcar no discurso de que é possível fazer mais com menos recursos, principalmente quando estamos a falar com políticos“. Concordamos nisso, como concordamos que isso não impede que se possa fazer uma melhor gestão dos recursos existentes. Por isso é que o anúncio de que o Teatro funcionará com metade do orçamento do ano passado, deveria ser alvo duma reacção mais cuidada por parte do seu novo Director Geral e Artístico: nada o impedia (espero eu) de afirmar a vontade de fazer um bom trabalho ao mesmo tempo que avisa relativamente aos perigos do desinvestimento num equipamento desta natureza. Deixar passar esta oportunidade é (também) legitimar uma decisão política (a definição e gestão do orçamento municipal é uma decisão política) que deve ser alvo duma reflexão aprofundada e crítica por parte de todos os agentes culturais.

Dia 10, no Porto, no Teatro Carlos Alberto, talvez surja a oportunidade de voltar a estes assuntos, no contexto desta iniciativa.

Pedro Jordão, novo director artístico do Teatro Aveirense

Segunda-feira, 21 de Dezembro, 2009

Acabei de receber a notícia, via comunicado do Teatro Aveirense. Conheci o Pedro Jordão quando regressei a Aveiro e colaborei com ele no Mercado Negro, pelo que (re)conheço o trabalho importante que fez ali, como no Cineclube de Aveiro. Tenho dele uma óptima impressão, pessoal e profissionalmente e desejo-lhe o máximo sucesso na difícil missão de dirigir artisticamente uma instituição como o Teatro Aveirense.

Mas, bem para lá dos nomes, interessam-me, sempre e em todos os casos, os projectos e os processos. Quanto ao projecto, aguardo com expectativa a visão e a estratégia que o Pedro Jordão terá para o TA. Quanto ao processo, lamento que se tenha perdido mais uma oportunidade para publicamente discutir os vários projectos possíveis para o Teatro.

Estou certo que a redefinição da estratégia de comunicação, que é referida no comunicado como uma das áreas sensíveis, tentará resolver também uma parte deste problema, dando ao público uma visão mais transparente dos processos de programação e uma voz mais clara e importante na avaliação do que se faz e no(s) projecto(s) do futuro.

Transcrevo o comunicado:

O Conselho de Administração do Teatro Aveirense vem por este meio anunciar (…) a nomeação de Pedro Jordão para a Direcção Artística do Teatro Aveirense. Licenciado em Arquitectura, detentor de um percurso verdadeiramente multidisciplinar, a sua nomeação teve em consideração a experiência na programação cultural de vários projectos e em diversas áreas artísticas, nomeadamente na cidade de Aveiro, onde nos últimos anos foi responsável pelo “Cineclube de Aveiro” e pela programação da “Associação Cultural Mercado Negro” - duas das mais marcantes instituições culturais locais onde logrou conceber programações ambiciosas, de qualidade publicamente reconhecida e muitas vezes com projecção nacional.

Conforme comunicado anexo, o Conselho de Administração entende que Pedro Jordão se enquadra no perfil desejado para o cargo de Director Artístico do Teatro Aveirense e que constitui uma clara mais-valia para este projecto cultural, correspondendo às necessidades decorrentes das funções a exercer que extravasam as funções de mera programação e abarcam toda a gestão do projecto. A escolha reflecte igualmente o objectivo de, após a consolidação do projecto nos últimos anos, levar o Teatro Aveirense a um novo patamar no que toca à programação e à visibilidade, afirmando-o definitivamente como um espaço de influência regional e com ambição nacional e internacional.

O Conselho de Administração do Teatro sublinha a experiência de gestão de Pedro Jordão que ao longo do seu percurso, abraçou projectos culturais complexos em condições difíceis, conseguindo implementar estratégias inovadoras e assegurando resultados positivos mesmo partindo de uma assumida insuficiência de meios, exibindo sempre uma necessária percepção global. O novo Director Artístico toma posse do cargo, numa altura particularmente delicada do Teatro Aveirense, financeiramente muito exigente, que implica uma visão rigorosa e inovadora para a gestão e programação do espaço e da sua ligação ao tecido cultural da cidade.

A nomeação de Pedro Jordão teve igualmente em consideração o conhecimento profundo do tecido cultural da cidade e da região, dos seus públicos, das suas instituições e dos seus agentes culturais, com quem frequentemente colaborou e com quem sempre manteve um contacto fácil, nos quais se inclui o próprio Teatro Aveirense; a sua experiência de produção de espectáculos e de comunicação cultural, cuja reformulação e eficácia será decisiva para o futuro do Teatro Aveirense; e a rede privilegiada de contactos profissionais que foi construindo a vários níveis e nas mais diferenciadas áreas, desde agentes culturais e artistas nacionais a artistas e agentes estrangeiros, imprensa e responsáveis institucionais.

Em anexo, uma nota biográfica de Pedro Jordão:

Pedro Jordão, 32 anos, natural de Aveiro, é arquitecto formado na Universidade de Coimbra e tem dividido a sua actividade pela prática da arquitectura, da investigação e da programação cultural. Tem desenvolvido um trabalho sistemático na área da cultura, com natural destaque para o seu papel como Dirigente e Programador no Cineclube de Aveiro e na Associação Cultural Mercado Negro, de que foi Fundador e onde exerceu funções até Setembro de 2009. Em ambos os casos trabalhou espaços por explorar no tecido cultural da cidade, procurando conceber programações marcadas pela qualidade, pela diversidade e pela inovação, nomeadamente no trabalho de comunicação, o que foi sendo reconhecido inclusivamente fora de Aveiro - atente-se ao trabalho desenvolvido no Mercado Negro que inclui no seu percurso inúmeros projectos de prestígio nacional e internacional numa linha de programação ousada. Tem colaborado pontualmente em diversos projectos artísticos multidisciplinares. O seu percurso como arquitecto iniciou-se no atelier de Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos, tendo entretanto iniciado actividade própria. Foi Fundador e primeiro Director da revista de arquitectura NU, há muito uma referência nacional dentro das publicações académicas, prosseguindo desde então com uma produção crítica regular, assinando artigos para diversas publicações nacionais e estrangeiras de arquitectura e cultura contemporânea. É o actual Comissário para a região Centro da “Habitar Portugal 06/08″, iniciativa principal da Ordem dos Arquitectos. O seu percurso conta ainda com a presença como Orador convidado em diversas iniciativas.

Criaturas, excertos das projecções

Sexta-feira, 13 de Novembro, 2009

Porque o registo vídeo anterior não permite perceber minimamente a projecção, decidi fazer esta pequena montagem, com excertos das animações em tempo real geradas por Pure Data + GEM, com alguns elementos áudio da performance de estreia.

Criaturas @ TA, um registo possível

Segunda-feira, 9 de Novembro, 2009

Nem o som, nem a imagem estão brilhantes, mas, para já, é o registo possível. Também no Vimeo, no Facebook e no MySpace.

Uma pequena experiência de “cross-posting” para ver qual das plataformas gera mais feedback.

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Quinta-feira, 5 de Novembro, 2009

Apresenta-se hoje, dia 5 de Novembro, quinta-feira, às 22h00, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense, a minha mais recente criação, com o longo título

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Esta obra resulta dum convite dirigido pelo Teatro Aveirense para que apresentasse uma nova criação no âmbito do CANT - Ciclo Arte e Novas Tecnologias e foi desenvolvida, na sua fase final, em residência, o que apresenta claras vantagens para um projecto desta natureza.
Este é um projecto muito mais “pessoal” do que qualquer outro que tenha realizado até agora, pelo que, por agora, falta-me um distanciamento mínimo para saber se resulta. Cabe ao público essa função, como sempre.

Imagem de divulgação das "criaturas"

Sinopse

Alguns dos sonhos mais extraordinários e marcantes são aqueles cuja verosimilhança nos deixa num estado confuso; sonhos que estão de tal forma contaminados de realidade e familiaridade que chegam a integrar as nossas memórias reais, até serem denunciados por um ou outro pormenor.

Nesses sonhos é frequente encontrar solução para problemas que nos afligem, ainda que ou a solução ou o problema pertençam, por vezes, apenas ao universo peculiar dos sonhos, faltando-lhes qualquer aplicação prática.

O poder sugestivo, quase hipnótico, da verosimilhança e da familiaridade cria também alguns dos mais intensos e assustadores pesadelos, mas nestes nota-se, com mais facilidade, que no universo dos sonhos estas sensações podem estar associadas não a elementos ou representações da realidade, mas apenas a sensações ou imagens que integram desde cedo um determinado vocabulário onírico. Elementos com os quais sonhamos frequentemente- sejam sensações, personagens ou imagens…- podem, paradoxalmente, deixar de denunciar a situação-sonho, já que se encontram no seu universo natural e, por isso, são verosímeis no contexto: verdadeiros porque completamente imaginados, como diria Boris Vian.

O que define a fronteira entre o sonho e a realidade e a forma como nos debatemos para a transgredir é o tema central da obra que se estreia no Teatro Aveirense: “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos“, assim como uma pergunta recorrente: “tens mais medo do escuro ou do silêncio?“.

Som, imagem e palavras, situações e bandas sonoras e visuais recuperadas de fragmentos de sonho, pesadelo e realidade são apresentadas e propostas ao público num convite não à contemplação ou voyeurismo onírico, nem ao devaneio surrealista, mas como exercício colectivo de reconstrução das sensações individuais das viagens de e para o sonho.

Sobre o processo de criação:

A obra a apresentar intitula-se “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos” e já teve duas apresentações como work-in-progress, em que explorei um trecho da obra que envolve processamento de saxofone baixo em tempo real associado a uma simples experiência de privação sensorial (a obra apresenta-se em escuro absoluto).

A experiência pretende explorar as sensações e os momentos em que o sonho se deixa contaminar pela realidade e nos faz acordar confusos pela aparente estranheza do que nos é(era) familiar. As motivações originais são os instrumentos que toco, uns familiares e outros muito estranhos e a forma como construo grande parte da minha música, por um lado e a relação que estabeleço entre isso e ilustrações que fazem parte do meu imaginário de criança.

O primeiro estudo-apresentação que mereceu esta designação e que iniciou o processo, apresentava-se assim:

Este estudo é a primeira apresentação (identificada como tal) dum work-in-progress, que conta já com alguns anos de existência / insistência: a procura e reprodução de sons sugeridos por criaturas nascidas em ilustrações familiares.
Essas criaturas, através dos novos instrumentos que “geraram” e das novas técnicas que me “ensinaram”, povoam a minha criação musical dos últimos 10 anos, sem exigir nada em troca. Ao preparar um momento de reconhecimento e retribuição, o plano de estudos prevê a apresentação pontual de algumas dessas criaturas, intercaladas com momentos de mais descoberta e diálogo.

Foi no Cinema Passos Manuel, no Porto, no contexto do Projecto Tell que propunha performances no escuro absoluto. Essa experiência foi bastante intensa, quer para mim quer para o público e decidi voltar a repetir esta forma de privação sensorial no AveiroSaxFest, em que fiz uma segunda apresentação, sem escuro absoluto, mas sem que a minha presença fosse visível, também.

Recrutei, entretanto, a colaboração da Cláudia Escaleira, para usar o desenho como instrumento narrativo.

Estes testes serviram para afinar algumas estratégias e, com o feedback de pessoas presentes (músicos e outros criadores, além de público), estou a desenvolver a estratégia global de cruzamento entre os instrumentos convencionais que toco e os que concebo e construo: a MeSA, o Contratear, o Munaciclo, etc.

Alguns destes instrumentos tiveram uma atenção particular em vários projectos e bandas sonoras, mas quero avançar particularmente no campo dos cruzamentos entre instrumentos e na construção duma experiência capaz de submergir completamente o público: som, vídeo, luz, etc.

Hoje no TA: Adúlteros Desorientados

Quarta-feira, 25 de Março, 2009

Hoje, 25 de Março, quarta-feira, às 22h00, no Teatro Aveirense, Adúlteros Desorientados, do Visões Úteis.

É “teatro fora de horas”.

Adúlteros Desorientados

E os adúlteros e as adúlteras que, neste preciso momento, levam a cabo o seu trabalho febril (…) criam uma rede na qual se apoia o resto das contradições que moldam a realidade. A mim, a todos nós, adúlteros e adúlteras esforçados, a sociedade deve-nos tudo.

“Adúlteros Desorientados”, adaptação da obra “Cuentos de adúlteros desorientados” de Juan José Millás, é mais uma incursão do Visões Úteis no teatro portátil - um monólogo divertido para um público descontraído mas exigente, concebido para possibilitar a relação directa entre criadores e público.

Pessoalmente, foi uma banda sonora que me deu muito gozo a fazer.

Aparecem?

Filmes da Terra do Pai Natal

Terça-feira, 18 de Novembro, 2008

Turilas & Jäärä

Filmes da Terra do Pai Natal é um projecto do Space Ensemble em parceria com Finnish Film Contact e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia em Lisboa.

O programa, foi especialmente criado para as crianças do ensino pré-primário e primário, e é composto por curtas metragens de animação, contemporâneas, do realizador Heikki Prepula e de episódios da série Turilas & Jäärä, dos realizadores Ismo Virtanen e Mariko Härkönen.

Neste projecto o Space Ensemble apresenta-se com Ana Veloso (guitarra),  Eleonor Picas (harpa), Henrique Fernandes (contrabaixo e acordeão), João Martins (saxofones, melódica, flauta e berbequim), João Tiago Fernandes (bateria e marimba), José Miguel Pinto (guitarra e theremin), Nuno Ferros (electrónicas) e Sérgio Bastos (piano).

As sessões na Casa da Música, segundo nos informaram, já estão esgotadas, mas temos datas confirmadas ainda antes do Natal, em Viseu, Aveiro e no Alandroal.

A lista total em 2008 (para já) é esta:

Casa da Música, Porto
20 e 21 de Novembro 2008 | 11h00 e 14h30 (Sessões reservadas para Escolas)
13 de Dezembro de 2008 | 16h00

Teatro Viriato, Viseu
5 de Dezembro 2008 | 10h30 e 15h30 (Sessões reservadas para Escolas)
6 de Dezembro 2008 | 16h00

Teatro Aveirense, Aveiro
10 de Dezembro 2008 | 10h30

Fórum Cultural Transfronteiriço do Alandroal
12 de Dezembro 2008 | 10h30

Nós estamos a gostar imenso desta experiência e esperamos ansiosamente que as crianças adiram.

Eu, pessoalmente, ando a tentar encontrar uma boa estratégia para a Maria poder assistir, apesar de não ser uma coisa pensada para bebés.