(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Apresenta-se hoje, dia 5 de Novembro, quinta-feira, às 22h00, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense, a minha mais recente criação, com o longo título

(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos

Esta obra resulta dum convite dirigido pelo Teatro Aveirense para que apresentasse uma nova criação no âmbito do CANT – Ciclo Arte e Novas Tecnologias e foi desenvolvida, na sua fase final, em residência, o que apresenta claras vantagens para um projecto desta natureza.
Este é um projecto muito mais “pessoal” do que qualquer outro que tenha realizado até agora, pelo que, por agora, falta-me um distanciamento mínimo para saber se resulta. Cabe ao público essa função, como sempre.

Imagem de divulgação das "criaturas"

Sinopse

Alguns dos sonhos mais extraordinários e marcantes são aqueles cuja verosimilhança nos deixa num estado confuso; sonhos que estão de tal forma contaminados de realidade e familiaridade que chegam a integrar as nossas memórias reais, até serem denunciados por um ou outro pormenor.

Nesses sonhos é frequente encontrar solução para problemas que nos afligem, ainda que ou a solução ou o problema pertençam, por vezes, apenas ao universo peculiar dos sonhos, faltando-lhes qualquer aplicação prática.

O poder sugestivo, quase hipnótico, da verosimilhança e da familiaridade cria também alguns dos mais intensos e assustadores pesadelos, mas nestes nota-se, com mais facilidade, que no universo dos sonhos estas sensações podem estar associadas não a elementos ou representações da realidade, mas apenas a sensações ou imagens que integram desde cedo um determinado vocabulário onírico. Elementos com os quais sonhamos frequentemente- sejam sensações, personagens ou imagens…- podem, paradoxalmente, deixar de denunciar a situação-sonho, já que se encontram no seu universo natural e, por isso, são verosímeis no contexto: verdadeiros porque completamente imaginados, como diria Boris Vian.

O que define a fronteira entre o sonho e a realidade e a forma como nos debatemos para a transgredir é o tema central da obra que se estreia no Teatro Aveirense: “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos“, assim como uma pergunta recorrente: “tens mais medo do escuro ou do silêncio?“.

Som, imagem e palavras, situações e bandas sonoras e visuais recuperadas de fragmentos de sonho, pesadelo e realidade são apresentadas e propostas ao público num convite não à contemplação ou voyeurismo onírico, nem ao devaneio surrealista, mas como exercício colectivo de reconstrução das sensações individuais das viagens de e para o sonho.

Sobre o processo de criação:

A obra a apresentar intitula-se “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos” e já teve duas apresentações como work-in-progress, em que explorei um trecho da obra que envolve processamento de saxofone baixo em tempo real associado a uma simples experiência de privação sensorial (a obra apresenta-se em escuro absoluto).

A experiência pretende explorar as sensações e os momentos em que o sonho se deixa contaminar pela realidade e nos faz acordar confusos pela aparente estranheza do que nos é(era) familiar. As motivações originais são os instrumentos que toco, uns familiares e outros muito estranhos e a forma como construo grande parte da minha música, por um lado e a relação que estabeleço entre isso e ilustrações que fazem parte do meu imaginário de criança.

O primeiro estudo-apresentação que mereceu esta designação e que iniciou o processo, apresentava-se assim:

Este estudo é a primeira apresentação (identificada como tal) dum work-in-progress, que conta já com alguns anos de existência / insistência: a procura e reprodução de sons sugeridos por criaturas nascidas em ilustrações familiares.
Essas criaturas, através dos novos instrumentos que “geraram” e das novas técnicas que me “ensinaram”, povoam a minha criação musical dos últimos 10 anos, sem exigir nada em troca. Ao preparar um momento de reconhecimento e retribuição, o plano de estudos prevê a apresentação pontual de algumas dessas criaturas, intercaladas com momentos de mais descoberta e diálogo.

Foi no Cinema Passos Manuel, no Porto, no contexto do Projecto Tell que propunha performances no escuro absoluto. Essa experiência foi bastante intensa, quer para mim quer para o público e decidi voltar a repetir esta forma de privação sensorial no AveiroSaxFest, em que fiz uma segunda apresentação, sem escuro absoluto, mas sem que a minha presença fosse visível, também.

Recrutei, entretanto, a colaboração da Cláudia Escaleira, para usar o desenho como instrumento narrativo.

Estes testes serviram para afinar algumas estratégias e, com o feedback de pessoas presentes (músicos e outros criadores, além de público), estou a desenvolver a estratégia global de cruzamento entre os instrumentos convencionais que toco e os que concebo e construo: a MeSA, o Contratear, o Munaciclo, etc.

Alguns destes instrumentos tiveram uma atenção particular em vários projectos e bandas sonoras, mas quero avançar particularmente no campo dos cruzamentos entre instrumentos e na construção duma experiência capaz de submergir completamente o público: som, vídeo, luz, etc.

Hoje no TA: Adúlteros Desorientados

Hoje, 25 de Março, quarta-feira, às 22h00, no Teatro Aveirense, Adúlteros Desorientados, do Visões Úteis.

É “teatro fora de horas”.

Adúlteros Desorientados

E os adúlteros e as adúlteras que, neste preciso momento, levam a cabo o seu trabalho febril (…) criam uma rede na qual se apoia o resto das contradições que moldam a realidade. A mim, a todos nós, adúlteros e adúlteras esforçados, a sociedade deve-nos tudo.

“Adúlteros Desorientados”, adaptação da obra “Cuentos de adúlteros desorientados” de Juan José Millás, é mais uma incursão do Visões Úteis no teatro portátil – um monólogo divertido para um público descontraído mas exigente, concebido para possibilitar a relação directa entre criadores e público.

Pessoalmente, foi uma banda sonora que me deu muito gozo a fazer.

Aparecem?

Filmes da Terra do Pai Natal

Turilas & Jäärä

Filmes da Terra do Pai Natal é um projecto do Space Ensemble em parceria com Finnish Film Contact e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia em Lisboa.

O programa, foi especialmente criado para as crianças do ensino pré-primário e primário, e é composto por curtas metragens de animação, contemporâneas, do realizador Heikki Prepula e de episódios da série Turilas & Jäärä, dos realizadores Ismo Virtanen e Mariko Härkönen.

Neste projecto o Space Ensemble apresenta-se com Ana Veloso (guitarra),  Eleonor Picas (harpa), Henrique Fernandes (contrabaixo e acordeão), João Martins (saxofones, melódica, flauta e berbequim), João Tiago Fernandes (bateria e marimba), José Miguel Pinto (guitarra e theremin), Nuno Ferros (electrónicas) e Sérgio Bastos (piano).

As sessões na Casa da Música, segundo nos informaram, já estão esgotadas, mas temos datas confirmadas ainda antes do Natal, em Viseu, Aveiro e no Alandroal.

A lista total em 2008 (para já) é esta:

Casa da Música, Porto
20 e 21 de Novembro 2008 | 11h00 e 14h30 (Sessões reservadas para Escolas)
13 de Dezembro de 2008 | 16h00

Teatro Viriato, Viseu
5 de Dezembro 2008 | 10h30 e 15h30 (Sessões reservadas para Escolas)
6 de Dezembro 2008 | 16h00

Teatro Aveirense, Aveiro
10 de Dezembro 2008 | 10h30

Fórum Cultural Transfronteiriço do Alandroal
12 de Dezembro 2008 | 10h30

Nós estamos a gostar imenso desta experiência e esperamos ansiosamente que as crianças adiram.

Eu, pessoalmente, ando a tentar encontrar uma boa estratégia para a Maria poder assistir, apesar de não ser uma coisa pensada para bebés.

Orquestra de Altifalantes no Teatro Aveirense

Este post vem com uns dias de atraso, mas ainda a tempo para os mais disponíveis:

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal está em Aveiro para um concerto hoje (7 de Nov.), no Teatro Aveirense:

Ciclo Arte e Novas Tecnologias
Música Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
Miso Music – Cinema dos Sons

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal é um sistema de projecção sonora destinado tanto à difusão da música electroacústica sobre suporte como à difusão da música electroacústica com a intervenção de instrumentistas.
Tem como objectivo principal introduzir na música electroacústica a dimensão interpretativa, e com o sentido também de ritualizar o acto do concerto e de possibilitar uma comunicação expressiva com o público.
Para isso era necessário criar um instrumento de difusão sonora suficientemente flexível para se adaptar às referidas necessidades interpretativas e assegurar uma qualidade de difusão ímpar.
O sistema global é constituído por 40 a 60 altifalantes e é ele próprio constituído por 6 sub-sistemas diferentes de altifalantes colocados por todo o espaço da sala de concertos, tanto no plano horizontal como no eixo vertical, de forma a possibilitar um número alargado de planos e de perspectivas sonoras.
Um número máximo de 32 canais de distribuição e um interface de controlo com 32 faders permite controlar em tempo real 32 altifalantes ou grupos de altifalantes, configurados independentemente para cada obra musical a difundir.

O sistema é fabuloso e o trabalho de difusão e interpretação do Miguel Azguime é de altíssimo nível. Tive o privilégio de estar quer no seminário sobre composição electroacústica, no dia 5, quer no workshop de difusão e interpretação com a orquestra de altifalantes, ontem e hoje, e tenho imensa pena de não poder assistir ao concerto de hoje à noite. Os exemplos que nós, participantes no workshop, apresentámos em ensaio aberto, hoje à hora do almoço, não permitiram mais do que ficar com uma vaga ideia do que este sistema de difusão permite. Se puderem, aproveitem.

Amanhã, sábado, dia 8, ainda pela mão do Miguel Azguime apresenta-se o Itinerário do Sal, no Ciclo Arte e Novas Tecnologias, que também trouxe a Aveiro o Space Program do Rafael Toral.

Acredito que a apresentação do Itinerário do Sal, uma “new op-era” (nas palavras do compositor) internacionalmente premiada, será um momento singular no percurso do Teatro Aveirense e, por isso, no percurso da cidade. E mais não digo.

Homens valentes

Miguel Borges, Peter Michael Dietz, Romeu Runa e Romulus Neagu. E Paulo Ribeiro, claro. Homens valentes, todos eles.

Masculine, a coreografia apresentada ontem no Teatro Aveirense é um fortíssimo exercício de coragem. E de talento, claro.

Romeu Runa em Masculine, coreografia de Paulo Ribeiro

Um dos melhores espectáculos de dança a que assisti.
E um exercício singular de masculinidade. Honesto. Um daqueles que nos deixa com poucas palavras.

Vamos fazer um brainstorming?

Hoje avisei-vos dum espectáculo que vai acontecer hoje. O que é irritante, não é?

Mas porque é que só agora é que aviso? Porque só agora é que soube. E isso é relevante? É, porque não me canso de espantar com as dificuldades de comunicação na área da cultura. Mas como é que eu saber ou não é relevante para avaliar de eventuais dificuldades? Se calhar o problema é meu… Se calhar é, mas também é verdade que se uma pessoa com os meus hábitos, a minha “predisposição” e a minha ligação ao meio (fui eu que pus o trailer de A Boneca no YouTube, por exemplo) se deixa surpreender por informação desta, o que acontecerá a pessoas mais “afastadas”?

Mas que dificuldades são estas? Por um lado, não há público, por outro, o público queixa-se de falta de divulgação, e por outro ainda, há quem ache que isto tudo é uma “pescadinha-de-rabo-na-boca” porque alguns eventos, sem divulgação de maior, têm na mesma público e são esses, precisamente, que parecem “criar” públicos.

Será que não há mesmo nada a fazer?

Sem querer estar a ser insistente ou irritante, proponho que se faça aqui mesmo um pequeno brainstorming, sobre o exemplo do Teatro Aveirense (espero que não em levem a mal e possam aproveitar algumas sugestões), para encontrar propostas concretas para melhorar a visibilidade da programação do Teatro.

Eu inicio com três propostas simples relacionadas com a presença online e peço a todos os leitores que se pronunciem  sobre estas e contribuam com outras seja para que meios for.

Inscrição na mailing list do Teatro Aveirense é confusa

SUGESTÃO 1: UM MAILING MELHOR
Simplificar e pôr a funcionar uma mailing list/newsletter de subscrição fácil e óbvia. Tentei subscrever a “mailing list” anunciada no site várias vezes e nuncarecebi informação nenhuma por esse meio. Agora vejo uma notíca com um novo sistema de subscrição de newsletter. “Consolida, filho, consolida… O que é preciso é consolidar”, já dizia o Zé Mário Branco no FM. ;)
A divulgação via e-mail funciona muito bem se for pensada em termos de periodicidade e especificidade, na minha opinião. Um mailing da programação trimestral, por exemplo é uma boa base, que, com acrescentos ou adendas semanais ou quinzenais pode ser uma óptima ferramenta. Fundamental, na minha opinião, é que se faça um tratamento tão sistemático como possível de todos os eventos. Há vários exemplos de mailings nesta área que me parecem funcionar bem: a newsletter do Visões Úteis (que conheço na óptica do editor) ou os mailings do Mercado Negro ou do Cineclube de Aveiro (que conheço na óptica do subscritor) são simples e acho que eficazes, por ser elementar a subscrição, por haver correpondência entre mailings e conteúdos dos sites e por ser fácil reenviar ou reutilizar (o reenvio e reutilização para blogs, por exemplo, é um dos grandes trunfos dos mailings bem feitos… por isso nada de mailings só imagem ou em formatos estranhos: deve ser sempre possível a leitura em texto simples!).

SUGESTÃO 2: GO VIRAL!
Entrar pelas redes de social networking é uma “seca”, mas os benefícios podem ser bem superiores à chatice. Quase todas as redes têm funções de partilha de agendas, boletins, divulgações, etc. Como as pessoas são muito preguiçosas, ir às redes onde elas já estão pode ser uma das melhores formas de garantir que a informação está a passar. E a ideia do “viral” é muito verdadeira: o principal trunfo destas abordagens é que depois da informação começar a circular, dependendo da topologia e funcionamento das redes, pode rapidamente chegar a grandes quantidades de gente, duma forma relativamente sectorizada. MySpace, hi5, Last.fm para a música… as opções são muitas e os públicos abrangidos são diferenciados. Estudar o(s) meio(s) e fazer opções pode não ser fácil, mas eu apostaria nos resultados. É claro que mantenho a minha opinião acerca das falhas destas plataformas, mas acho que no contexto duma estratégia de divulgação da programação dum espaço como um Teatro, não deve haver demasiados pruridos na escolha dos suportes.

SUGESTÃO 3: SUBSCRIÇÃO
A preguiça das pessoas faz com que seja fundamental disponibilizar conteúdos que se possam subscrever, para consulta nos “espaços virtuais” que cada utilizador decide frequentar. E há duas coisas que se podem disponibilizar de forma simples:

  1. feed RSS de notícias: pode ser agregado no leitor RSS de cada pessoa, pode ser redistribuído por blogs, portais e outras plataformas e ajuda a trazer visitantes ao site com as novas actualizações
  2. feed RSS/XML/iCAL do calendário: esta é a funcionalidade que a mim, pessoalmente me pareceria mais influente. Manter no Google Calendar, por exemplo, um ou mais calendários partilhados e que podem ser subscritos em várias aplicações (Outlook, iCal, Thunderbird/Lightning, etc…) pode ajudar (e muito!) a manter informação actualizada junto dos utilizadores. E, no caso do Google Calendar é até possível permitir que também o calendário seja embebido em vários sites, blogs e outras plataformas. Se esse calendário existisse, com os eventos do TA (ou doutra entidade ligada à cultura aqui em Aveiro), provavelmente apareceria nas barras laterais de vários bloggers ligados à cidade, assim como nos sites da região.

Estas são as minhas primeiras 3 (e mais simples) sugestões, úteis para o TA ou para outras entidades com os mesmos problemas. E as vossas?

A Boneca: hoje no Teatro Aveirense

A Boneca está hoje, quarta-feira, 16 de Janeiro, no Teatro Aveirense, às 21h30.

Eu vou ver:

[youtube]http://youtube.com/watch?v=0pnsMBqz14Y[/youtube]

Boneca
Encenação de Nuno Cardoso

Nora Helmer pediu emprestada, em segredo, uma larga soma de dinheiro para que o marido pudesse recuperar de uma doença grave. Nunca lhe falou do empréstimo que secretamente foi pagando com o que poupara. Quando é nomeado director do Banco Comercial, a primeira medida do seu marido, Torvald, é despedir um homem cuja reputação tinha sido desgraçada por forjar a assinatura de um documento. Este homem, Nils Krogstad, é a pessoa a quem Nora pediu o dinheiro emprestado. Nora também forjou a assinatura do seu pai para conseguir obter o dinheiro. Para defender o emprego, Krogstad ameaça revelar o crime de Nora e assim, destruir a vida do casal. Nora tenta influenciar o marido, mas para ele Nora é uma criança que não compreende decisões de negócios. Desesperada, Nora prepara-se para a descoberta da verdade pelo marido.

A partir de “Uma casa de bonecas”, de Henrik Ibsen.
Ficha Artística e Técnica
Tradução: Fernando Villas-Boas
Encenação: Nuno Cardoso
Assistência de Encenação: Paula Garcia
Design Luz: José Álvaro Correia
Cenografia: Fernando Ribeiro
Figurinos: Storytailors
Sonoplastia: Rui Dâmaso
Apoio ao Movimento: Marta Silva
Elenco: Ana Brandão, Flávia Gusmão, José Neves, Lúcia Maria, Nuno Cardoso, Peter Michael
Gestão de Projecto: Cassiopeia, desenvolvimento de projectos culturais, Lda.
Direcção de Produção: Ada Pereira da Silva
Produção Executiva: Marina Freitas
Co-produção: Cassiopeia; Centro Cultural Vila Flor; Teatro Nacional D. Maria II e Theatro Circo.

Das Märchen, de Emmanuel Nunes, também no Teatro Aveirense

Acabei de receber esta notícia, que muito me agrada.

No próximo dia 25 de Janeiro estreia a primeira ópera de Emmanuel Nunes, Das Märchen, no Teatro Nacional São Carlos, pelas 20:00.

Escrita por um dos mais notáveis compositores do nosso tempo, esta ópera resulta da encomenda conjunta do Teatro Nacional de São Carlos, Fundação Calouste Gulbenkian e Casa da Música no contexto de uma co-produção sem precedentes com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa da Música e o Ircam-Centre Pompidou (Paris).

Numa acção inédita em Portugal, DAS MÄRCHEN estreia em simultâneo, a 25 de Janeiro, em 14 teatros do País e Ilhas com transmissão em directo do São Carlos numa iniciativa com o apoio da RTP e da PT Inovação.

O Teatro Aveirense é um dos 14 Teatros que se inclui nesta rede de transmissão em directo, sendo a entrada gratuita, no limite dos lugares disponíveis.

Com direcção musical de Peter Rundel, Director Musical do Remix Ensemble desde Janeiro de 2005, destaca-se também a encenação de Karoline Gruber.

É óbvio que não é a mesma coisa do que ter a primeira ópera de Emmanuel Nunes em circulação pelo país. Mas, bem vistas as coisas, é muito melhor que nada, não é?

A não ser que aconteça uma desgraça qualquer, eu lá estarei.

E, para os leitores de outras partes do país, cá fica a lista dos 14 teatros envolvidos:

  • Teatro Diogo Bernardes em PONTE DE LIMA
  • Casa da Música no PORTO
  • Centro Cultural Vila Flor em GUIMARÃES
  • Teatro Aveirense em AVEIRO
  • Teatro Académico Gil Vicente em COIMBRA
  • Cine-Teatro Avenida em CASTELO BRANCO
  • Teatro Miguel Franco em LEIRIA
  • Teatro Virgínia em TORRES NOVAS
  • Centro de Congressos dos Paços do Concelho em PORTALEGRE
  • Teatro Bernardim Ribeiro em ESTREMOZ
  • Teatro Pax Julia em BEJA
  • Teatro Lethes em FARO
  • Teatro Micaelense nos AÇORES
  • Teatro Baltazar Dias na MADEIRA

YouTube copyright infringement: follow-up

Não sei quem segue esta novela, mas acho que já é tempo de fazer um resumo dos últimos capítulos.

Depois da troca de mensagens com a Asphalt Tango, em que fiquei a perceber melhor a verdadeira razão da queixa apresentada, ainda recebi uma resposta, via YouTube, em que a agência alemã dizia compreender a minha opinião e não desejar causar qualquer mau estar. Simpaticamente agradeceram as minhas opiniões acerca destes assuntos, sobre as quais iriam pensar. Foram extremamente simpáticos e creio, sinceramente, que, de futuro, talvez experimentem, antes de apresentar a queixa ao YouTube, enviar uma mensagem ao (eventualmente) incauto e bem-intencionado infractor.

Do Teatro Aveirense, na qualidade de promotores do concerto, recebi, também, uma simpática mensagem. Se percebem, até por me conhecerem, que as minhas intenções eram as melhores, não deixam de me alertar para a existência do ilícito, esclarecendo-me acerca da legislação aplicável e dos termos do contrato estabelecido com a Asphalt Tango, bem explícito na questão dos registos:

(…)
No que diz respeito ao Teatro Aveirense, como promotor, não há nada que possamos fazer e passo a explicar porquê:
1. de acordo com o estabelecido entre o TA e a Asphalt Tango Records somos responsáveis pelo cumprimento da sua indicação de que qualquer captação (som ou imagem) estava dependente da sua autorização;
2. de acordo com Art.º 178º do Código de Direito de Autor e Direitos Conexos (alterado pela Lei nº 50/2004, de 24 de Agosto) “assiste ao artista intérprete o direito exclusivo de fazer autorizar por si ou pelos seus representantes a fixação da sua prestação, bem como a reprodução da fixação da sua prestação e a colocação à disposição do público, da sua prestação.”, assim, quer a captação, quer a difusão das imagens captadas, não autorizadas, constitui crime de acordo com o disposto no Artº 195º e 197º do CDADC;
3. de acordo com copyright infringement da YouTube «Vídeos of live concerts, even if you captured the video yourself, the performer controls the right to use his/her image in a video, the songwriter owns the rights to the song being performed, and sometimes the venue prohibits filming without permission, so this video is likely to infringe somebody else’s rights.»

Gostei, muito sinceramente, da forma e do conteúdo da resposta da equipa de produção do TA. Um óptimo equilíbrio entre “delicadeza” e profissionalismo. Esta “intervenção” do TA esclarece (e contra mim falo) a questão legal e faz-me pensar que fiz bem ao ter como primeira reacção, um pedido de desculpas à Asphalt Tango e aos promotores.

A mim, pessoalmente, parece-me importante perceber a diferença entre ter a razão e/ou a lei do nosso lado. E se tinha e tenho certezas acerca da qualidade das minhas intenções, não tinha, nem podia ter, a certeza de ser detentor da razão e/ou do respeito escrupuloso da lei. Entre outras coisas, porque esta é uma área muito complexa.

O capítulo fechou-se com a resposta do YouTube à minha contra-notificação:

Hi there

Thank you for your email and your notification.

Recording a television show, sporting event, or concert on your video recorder doesn’t necessarily mean that you own all necessary rights in that video to upload it to our site. This is true even if the event or show you record is open to the public. For example, you may be able to video tape a professional sporting event, but the league or owner of the professional event is generally allowed to control who captures images of that event and how they are distributed, including digital recordings and photographs. Similarly, video taping a concert of your favourite band does not necessarily give you the right to reproduce and distribute the video images of the band or the music captured in that video without permission from the music publisher (who represents the song writer). Often times, these videos were captured against the rules of the venue or sporting arena in which the event took place, and someone specifically owns the exclusive right to distribute video of that event and/or the accompanying audio track.

The phrase “derivative works” refers to creations such as remixes, where you might take images or sound from a recording and edit it into something new. Although the new video is your own creation, the images and sound you’ve used still belong to someone else. It doesn’t matter if you recorded it for free from television, purchased a DVD, or recorded it yourself at an event– you still need permission from the copyright holder(s) of the material you drew upon to make your new creation.

Please refer to our “Copyright Tips” at http://uk.youtube.com/t/howto_copyright where we’ve provided some guidelines and links to help you determine whether your video infringes someone else’s copyright.

If you have any questions about the rules to which you agreed when you became a member of YouTube, please refer to our Terms of Use located at http://uk.youtube.com/t/terms.

Hope this helps,

Sarah
The YouTube Team

Pois… a “Sarah” é simpática mas não acrescenta nada. Presumo que esta seja a resposta padrão a todas as contra-notificações e é bem provável que a questão seja analisada apenas muito depois, em função duma eventual reacção de quem apresentou a queixa.
Mas, por mim, este capítulo da novela encerra aqui, já que tenho a ideia que os vários envolvidos compreenderam e reconheceram as minhas boas intenções, tendo eu reconhecido a minha infracção.

Só que, como acho este assunto mesmo muito interessante, respondi ao YouTube, com conhecimento a todos os envolvidos na esperança de aprofundar a questão genérica da protecção de direitos de autor em contextos similares aos que originaram este problema.

Publico aqui essa minha última mensagem, para o caso de algum dos leitores do blog querer partilhar a sua opinião. E se tiver reacções, pode ser que comece uma novela nova e mais interessante.

Hi there.

I understand your explanations and the copyright policy of YouTube. I’m sure that Asphalt Tango and yourselves have already understood also that I acted on good faith and with good intentions in this particular situation.
I’m only puzzled about the context in which the recording was made and how does copyright policies can work in such a context.
Teatro Aveirense, the portuguese promotor, sent me the legal framework and I agree that all aspects of Fanfare Ciocarlia’s performance were protected, but how can these legal guidelines be enforced when the artistic performances takes place unannounced and outside of any venue, in the public space?
Of course that the performance is subject to copyright protection (as always), but don’t you agree that there’s a fundamental difference between the illegal and clandestine recording of any portion of a performance against the rules of a specific venue, and the momentary capture of an apparently spontaneous moment of public party, on the streets?

I don’t mean that my material should be kept online or that Asphalt Tango was not right about the complaint, but I do feel as “unfair” the idea of having one “strike” in copyright infringement, for sharing what was, to me, a public and spontaneous moment of “party”.
Asphalt Tango has even told me that one of the issues (the main issue, maybe) was the poor quality of the video displayed. I accept that argument and I would have removed the video myself if I was asked to. But being accused of copyright infringement, being a musician myself, is a serious thing.

I’ve learned a lot about these issues and I’ll avoid any future faults, but I would greatly appreciate any help regarding the recording of these sort of events. You see, I participate often in popular parties and other unorganized and spontaneous events, where it is common to register my own performance as others occur simultaneously and the performance of others, that I do not know every time, as a way to capture the atmosphere around me.
Do you have guidelines for these events? I acknowledge that this context is not the same as Fanfare Ciocarlia’s street performance in Aveiro, but I do think they’re similar.

What do all of you (YouTube, Asphalt Tango, Sons em Trânsito and Teatro Aveirense) think should be the appropriate behavior in such a context? Record nothing?
Ask permission to anyone that appears in the recording?

My view is that, in such a context, making public that one is recording should be enough. For obvious recordings of specific events one should try to ask permission to the persons involved, but for general purpose recording of a “public moment” is everyone supposed to ask permission to everyone? For video, photos and/or audio? Is that feasible?

I would greatly appreciate your input on this issue and I thank all of you for your understanding.

Best regards,
João Martins

YouTube copyright infringement?

Depois da acusação espantosa de que fui alvo, e além do pedido de desculpas que fiz, decidi perceber como funciona de facto o Youtube nestas coisas e apresentei aquilo a que eles chamam uma DMCA Counter-Notification, por achar que o meu vídeo não constituía violação de direitos de autor, que era óbvio a inexistência de má fé ou intenção de dolo e que, assim sendo, me parecia que a sua remoção se devia a um erro de interpretação ou identificação do vídeo.

Enviei uma cópia da contra-notificação à Asphalt Tango também e, enquanto espero que esse processo burocrático dê frutos, decidi tentar novamente o contacto com a Asphalt Tango, desta vez, através do próprio YouTube, já que foi na qualidade de utilizadores do serviço que me dirigiram a acusação.

Desse esforço resultou uma troca de mensagens bastante esclarecedora (para mim).

Transcrevo, correndo o risco de ser acusado de outra coisa qualquer, mas para recolher impressões e opiniões de leitores que já comentaram a minha passividade no artigo anterior.

A minha mensagem original:

Greetings.
I’ve already send an e-mail message through Asphalt Tango website to records@asphalt-tango.de and agency@asphalt-tango.de about the copyright infringement notification you made about a 1 minute mobile phone video I’ve made and share of Fanfare Ciocarlia playing in the street in Aveiro.
I think I made my point in those messages and I accept your idea that my video was copyright infringement, although I don’t agree.
But wouldn’t it be nicer if you just send me a message about it? If that was your wish I would have taken the video out immediately and, as you could see in my other videos, I’m also a musician and I had no intention of harming Asphalt Tango or Fanfare Ciocarlia. Quite the opposite: I put the video up as a display of how festive it all was and to give incentive to the concert promoters, who are my friends.

I apologize for any inconvenience, but I truly believe that the sort of video I made and share was to the benefit of Fanfare Ciocarlia and yourselves and it’s not copyright infringement under Portuguese law, as far as I can tell.
If it’s truly your wish to have the video removed, please tell me so.

Best regards, João Martins

A resposta deles:

Dear João,

Fanfare Ciocarlia believe only in high quality videos, their philosophy on these issues is to remove low quality footage.
The band choose to be in control of their own videos and do not want to be represented by 1 minute of mobile phone footage.
Please understand that the band is choosing to follow their own philosophy, even if this is not the mainstream idea.
Maybe they are wrong, maybe not……
Regards
Asphalt Tango Team

A minha resposta:

Well then… I understand their philosophy even if I think differently.
But what that really means is that I was falsely accused of copyright infringement, when the only issue was to protect Fanfare Ciocarlia’s image and philosophy.
That false accusation could have cost me my YouTube account, and that I cannot take lightly.

I appreciate your honesty, and I would further appreciate you contacting YouTube explaining them this issue. If I’m not mistaken, you are in violation of YouTube copyright policy, this way.

I do believe it would be easier to send messages to all the well intentioned people out there who are posting low quality videos of Fanfare Ciocarlia, explainig their philosophy towards internet videos and asking them to remove the low quality material and promote Asphalt Tango’s videos instead.

I believe I would react positively to such a request. But I do believe that the “copyright infringement” strategy will cost Fanfare Ciocarlia and yourselves some bitterness among well intentioned people.

Thank you for your kind and speedy reply, and I hope you can understand my opinion in this matter.

Best regards, João Martins