Desculpem qualquer coisinha

Lembram-se do vídeo “foleiro” (curto e de telemóvel) que tinha posto aqui para comemorar a festa que foi o concerto da Fanfare Ciocarlia no Sons em Trânsito?

Para meu grande espanto, a Asphalt Tango, que representa a Fanfare Ciocarlia, achou que o vídeo constituía uma infracção aos direitos de autor e pediu ao YouTube para o remover.

Longe de mim pensar que um vídeo capturado pelo meu telemóvel, na rua, de uma incursão espontânea e caótica (e brilhante) de uma fanfarra cigana romena poderia ser considerada uma infracção.

Já lhes pedi desculpa:

Greetings,
I’ve just received notice from YouTube that one of the videos I’ve posted was removed due to copyright infringement. I just wanted to apologize and assure you that it was not my intention to harm Asphalt Tango Records or Fanfare Ciocarlia by publishing the mentioned video. As you may have noticed, it was a 1 minute mobile phone video-capture done on the street facing Teatro Aveirense where Fanfare Ciocarlia greeted the audience with one more encore, after the Sons Em Trânsito opening concert, November 28th. I’ve captured it and posted it online as a celebration of that amazing concert and I had no idea it would be considered copyright infringement. But I’m not interested in discussing the legal aspects, so I just wanted to say to all the relevant institutions (Asphalt Tango Records, Sons Em Trânsito and Teatro Aveirense) that I’m sorry.
Best regards and a special salutation to Fanfare Ciocarlia,
João Martins

Amigos, amigos, negócios à parte

Reparei recentemente que o Teatro Aveirense tem (voltou a ter?) um cartão para AMIGOS e um programa de vantagens associado. É, em abstracto, uma boa ideia em termos de fidelização de públicos e solidificação de dinâmicas, mas há um ou outro pormenor neste programa que me inquieta.

Eu gosto de pensar que sou um tipo amigável e, sem dúvida que partilho com o Teatro bastantes interesses, o que faria de mim um candidato ideal ao papel de AMIGO, mas não consigo não fazer as contas. Importam-se?
O Teatro pede-nos 55 euros por ano e, em troca dá um desconto de 50% nos bilhetes da programação TA, entre outras regalias, o que parece ser um bom negócio, mas se formos a pensar nisso numa perspectiva economicista (tipo “merceeiro”), só começamos a “ganhar” depois de comprarmos 110 euros de bilhetes*. Considerando que os últimos espectáculos a que fui no TA tinham bilhetes entre os 10 e os 15 euros e, a bem da preguiça, se pensarmos num valor médio de bilhete de 11 euros, isso significa que só ao fim de 10 espectáculos é que os AMIGOS do Teatro saem a ganhar.
Bem sei que aplicar estas lógicas e contas de merceeiro a uma questão séria como esta, parece de mau gosto, mas a vida não está fácil e um tipo tem que fazer contas. Valerá a pena ser AMIGO do TA?

Em jeito de comparação, ser AMIGO de Serralves, que é um programa bastante diferente numa instituição muito mais diversificada, custa 50 euros por ano e há um cartão para Famílias. Os descontos nos espectáculos não são tão generosos, mas o conjunto de regalias é muito interessante. E há outro problema: a programação abrangida pelos descontos no programa de AMIGOS do TA é apenas a programação do Teatro Aveirense. Isso significa que várias das minhas escolhas recentes de espectáculos não estariam abrangidas pelos descontos… bem sei que estou a ser forreta, mas fico mesmo confuso: é que nem sei se houve 10 espectáculos este ano a que eu quisesse ter ido assistir.

Mas até que ponto é que não aderir por motivos “contabilísticos” não é um acto de traição a um amigo?

* – para os mais lentos nas contas, sigam-me: com os 55 euros anuais, temos bilhetes a metade do preço, pelo que precisamos de um valor de 110 euros (2*55) para acumularmos um desconto igual ao investimento inicial

Sons em Trânsito: festa em Aveiro

Só pude ir ao Teatro Aveirense na abertura e no encerramento do Sons Em Trânsito, mas fiquei muito contente: o teatro cheio, espectáculos de grande qualidade, muita animação… tudo contribui para uma espécie de reconciliação da cidade com o seu teatro.

Apesar de tudo, para mim, o momento alto foi a incursão da Fanfare Ciocarlia à rua, no final dum concerto cheio de energia. Consegui registar isto com o telemóvel:

[youtube width="176" height="144"]http://www.youtube.com/watch?v=FYb3WSQmii8[/youtube]

É ou não uma festa?

Sons em Trânsito, aqui vou eu

Fanfare Ciocarlia

Começa hoje o SET’07 e começa em grande: com a Fanfare Ciocarlia na sua configuração deluxe, Queens and Kings, com muitos convidados e altíssimas expectativas.

Eu vou assistir a esta abertura e ao encerramento, no próximo sábado, dia 1. Vou para ouver pela primeira vez em palco o Vinicio Capossela, essencialmente por causa do meu querido dactilógrafo que nutre por ele uma paixão assolapada.

Vinicio Capossela

Por isso e porque não posso ir nos outros dias.

Para mais informações, vejam o site do Sons em Trânsito e do Teatro Aveirense.

Fernando Valente

Quarteto de Saxofones de Amesterdão na homenagem a Fernando ValenteJá há muito tempo que deveria ter escrito aqui a propósito da homenagem a Fernando Valente que está a decorrer no Teatro Aveirense e que se conclui hoje com o concerto do Quarteto de Saxofones de Amesterdão.

O Fernando Valente que eu conheci como professor, maestro e amigo é bastante diferente do retrato pintado em alguns dos escritos que têm aparecido por aí, mas merece, certamente uma homenagem. Uma homenagem à energia e à paixão que punha em tudo o que fazia. Porque eu não sei se ele era um grande pedagogo (tenho sérias dúvidas acerca disso), não tenho a certeza do seu génio musical (sem questionar o seu talento), mas tenho a certeza que essa energia e paixão, que nos galvanizava, motivava, envolvia, consumia e, por vezes, agredia e repelia, nos fazem falta.

A nós, a Aveiro e ao país.

Sons em Trânsito 2007: Músicas do Mundo no Teatro Aveirense

SET’07 | Sons em Trânsito

Festival de Músicas do Mundo
Dias 28, 29, 30 Novembro | 4ª, 5ª e 6ª feira | 21H30 |Sala Principal
Dia 1 Dezembro | Sábado | 21H30 |Sala Principal

O regresso do Festival Sons em Trânsito ao Teatro Aveirense é um óptimo sinal. Espero que esta edição seja coroada de sucesso e que sirva para estabilizar e cimentar a relação da cidade com o festival. Precisamos de rotinas, já o disse várias vezes, e o SET deve claramente fazer parte da rotina nacional e local.

Dá-me por isso muito prazer reproduzir aqui a informação que recebi:

É já daqui a pouco mais de um mês que terá início a edição de 2007 do Festival SET. Mais uma vez, o local escolhido para acolher os espectáculos é o Teatro Aveirense, em Aveiro. A organização do festival está a cargo da promotora Sons Em Trânsito, Teatro Aveirense, Câmara Municipal de Aveiro e Rota da Luz.

O Festival SET07 decorrerá de 28 de Novembro a 01 de Dezembro numa edição que terá actuações de artistas provenientes da Roménia (Fanfare Ciocarlia), Cabo Verde (Tcheka), França (Jane Birkin), Canadá (Gonzales), Itália (Vinicio Capossela) e, claro, Portugal (Deolinda e Sérgio Godinho).

CONCERTOS:
28/11/02 : 21.30
Fanfare Ciocarlia
29/11/07 : 21.30
Deolinda
Sérgio Godinho
30/11/07 : 21.30
Tcheka
Jane Birkin
01/12/07 : 21.30
Gonzales
Vinicio Capossela

DETALHES:
Os concertos irão decorrer na sala principal do Teatro Aveirense. Todos os espectáculos terão começo às 21.30.
Os bilhetes para o SET’07 podem ser adquiridos na bilheteira do Teatro Aveirense presencialmente ou reservados através do telefone 234 400 922.
O e-mail do da bilheteira do Teatro é bilheteira@teatroaveirense.pt

Preços: Plateia: 12€ | 1º Balcão: 8€ | 2º Balcão: 5€

Antes do Festival, a mesma promotora traz o Lloyd Cole ao mesmo Teatro. Não será segredo para ninguém que não sou exactamente “cliente” destas programações (se bem que o SET já me proporcionou óptimos momentos), mas sou fã quase incondicional da construção de dinâmicas que atraiam e consolidem públicos para uma sala de que a minha cidade precisa como agente dinamizador real.

Por isso, se gostarem ou conhecerem quem goste, não se refugiem nas habituais desculpas da falta de divulgação e apareçam.

Que medialab para as artes?

Esta pergunta é o mote dum evento que se vai realizar no Teatro Aveirense, amanhã, dia 18. Não sei quem organiza (o e-mail que recebi não trazia referências) e não vou poder estar presente, porque vou estar no Mal Vistos, no Porto.

Mas fico com pena de não poder ir e, se algum dos meus leitores for e quiser deixar um relato do que foi na caixa dos comentários, agradeço.

A “convocatória” que recebi reza assim:

Dia 18 vai realizar-se no Teatro Aveirense um evento de nome geral medialab. É contituido por duas partes: uma primeira é um painel de discussão, aberto, sobre o que abaixo se escreve, uma segunda parte é uma actuação muitidisciplinar na qual o público também pode intervir.

Espero que possa aparecer.

Que medialab para as artes?

Na conversa será abordada uma visão exploratória do caminho a seguir para um medialab na sociedade contemporânea (que medialab para o sec XXI?). Inquirindo e tentando descobrir, e compreender, como a linguagem da tecnologia (nomeadamente a digital/interactiva) e o seu impacto na sociedade, pode contribuir para o desenvolvimento de um novo espaço de investigação/exposição – na tentativa de encontrar e explorar a possibilidade que uma conversa deste género pode contribuir para a discussão/construção de novos espaços de afirmação para as artes, ciências e tecnologias.

No horizonte de um encontro entre artistas, cientistas e engenheiros, com diferentes procedimentos disciplinares e culturais, procurar-se-á a manifestação de uma plataforma de desenvolvimento de projectos que contribua para uma visão optimizada do espaço de desenvolvimento para as artes.

A conversa começará pelas 21.30h e às 23.00 haverá um espectáculo multimédia/performance/participativo.

Painel para dia 18 (conversa no TA)

  • Anselmo Canha (Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto)
  • Daniel Tércio (Faculdade de Motricidade Humana – UTL)
  • Dolores Wilber (DePaul University – USA)
  • Heitor Alvelos (Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto)
  • José Maria da Silva Lopes (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)
  • Len Massey (Royal College of Art– UK) qi
  • Mário Vairinhos (Universidade de Aveiro – DeCA)
  • Nuno Dias (Universidade de Aveiro – DeCA)
  • Paulo Bernardino (Universidade de Aveiro – DeCA)
  • Pedro Almeida (Universidade de Aveiro – DeCA)
  • Rui Penha (Universidade de Aveiro – DeCA)

músicos/performers

  • Len Massey
  • Heitor Alvelos
  • Dolores Wilber
  • Anselmo Canha
  • José Maria Lopes
  • Pedro Almeida
  • Paulo Lopes

Criação de públicos… Como?

Há questões recorrentes que me chateiam imenso em todas as conversas sobre a criação ou consolidação de públicos para a cultura, desde as opções de programação dos diferentes espaços, às estratégias de divulgação, políticas de preços… o problema é obviamente multifactorial e tudo isto contribui para a (in)eficácia de tantas estratégias e planos definidos por estruturas locais e/ou nacionais.

Eu, pessoalmente, acredito que há 1 factor que não pode nunca ser menosprezado e que, nesta questão como em tantas outras, é um dos menos valorizados no nosso país: a estabilidade da oferta.

Acredito que é essa estabilidade que cria hábitos e que são os hábitos que consolidam os públicos, coisa que faltou (quase) sempre nas estratégias de criação de públicos.
Grandes eventos, espalhados no tempo e no espaço, apesar de poderem ter alguma importância, não têm um impacto semelhante à simplicidade do hábito adquirido ao longo de anos. Hábitos culturais é mesmo coisa que nos falta e uma das razões para essa falta é a instabilidade da oferta.

E depois há as pequenas grandes irritações como a completa desarticulação entre Turismo e Cultura ao nível local, por exemplo.

Um exemplo bastante complexo e completo do que não fazer está ilustrado nesta fotografia tirada ao Teatro Aveirense no dia 24 de Agosto:

Divulgação de eventos passados na fachada do Teatro Aveirense

Não só a programação anunciada está gritantemente desactualizada, como é quase impossível perceber se o teatro funciona ou não num mês em que a cidade fica inundada de turistas (cultura e turismo é só no AllGarve?). É que até o café do Teatro fecha em Agosto…

Expliquem-me isto devagarinho, como se eu fosse muito burro.