Entradas com Etiqueta ‘teatro’

Passatempo: descubra a entrada do TNDMII

Terça-feira, 21 de Outubro, 2008

Quem diria que se podia fazer um passatempo com uma actividade tão banal como esta? Mas, para os não Lisboetas (e, se calhar para alguns lisboetas, também), cá fica o desafio:

Por onde se entra no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa?

Passatempo: descubra a entrada do TNDMII, imagem aérea (Google maps)

Será pela escadaria principal, virada para a Praça D. Pedro IV (Rossio)?

TNDMII, vista do Rossio (fotografia de telemóvel)

Será pela entrada poente, virada para a Estação do Rossio?

TNDMII, vista da Estação do Rossio (fotografia de telemóvel)

Ou será pela entrada nascente, virada para o Largo da Ginjinha?

TNDMII, vista do largo da Ginjinha (fotografia de telemóvel)

Já ajuda dizer que não é pelas traseiras (viradas para o Gambrinus) e deixar as fraquíssimas fotografias. Por isso, para dificultar um bocadinho, fiquem sabendo que na escadaria principal há uma esplanada e uma entrada para a Livraria do Teatro e na entrada poente, um Restaurante.

Quem adivinhar ganha reservas* para o resto da temporada do Visões Úteis.

* Este é um concurso gozão e da minha exclusiva responsabilidade pessoal. As reservas não são nem convites nem bilhetes com desconto. ;)

Visões Úteis: Outubro em Lisboa

Segunda-feira, 6 de Outubro, 2008

Visões Úteis, logotipoComo continua a ser verdade que, neste país provinciano e parolo, muitas decisões estão nas mãos de gente que, sem pensar, sente que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, este mês de Outubro, em que o Visões Úteis volta a pisar palcos da capital, é estranhamente importante:

Os espectáculos em Lisboa, envolvem-me “fisicamente”, um pouco para lá dos limites do estritamente necessário para assegurar a bandas sonora e sonoplastia.

Gosto de fazer O Contrabaixo e assumir a condição de “músico em cena”. O texto do Süskind é brutal (e um músico percebe isso um bocadinho melhor) e agrada-me a simplicidade, a portabilidade e a eficácia da encenação, além de não me deixar de surpreender com a interpretação do Pedro. E um espectáculo de teatro que tanto se faz em bares, como em auditórios (como em estações de metro), sem perder a eficácia, é, por definição, um espectáculo “forte”.

O Contrabaixo, imagem de Paulo Pimenta

Já o Muna, é “outro campeonato”: no que exige de cada um de nós, criadores, intérpretes e técnicos; no que exige do espaço; no que exige do(s) público(s)… ficará seguramente na História do Visões Úteis e, havendo alguma justiça, ficaria noutras Histórias, mais globais.

Muna, ilustração de Júlio Vanzeler

Na minha, como músico e sonoplasta, como inventor e construtor de instrumentos, como performer e como pessoa (e pai) fica certamente. E o esforço de adaptar o espectáculo à sala-estúdio do TNDMII está também a revelar-se digno de antologia, mas é sempre preciso sofrer qualquer coisa pela “Arte”. :)

Dos nossos amigos e conhecidos na capital, espera-se algum apoio: pela presença e por algum apoio na divulgação. Obrigado.

Muna - Um espectáculo “dupla-face”

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

Muna no TEATRO CARLOS ALBERTO, no Porto
uma criação Visões Úteis

de 18 a 29 de Junho

Muna - Versão Infância (M4)
de quarta a quinta, às 10h30 e 15h00 | sexta e sábado, às 15h00

Muna - Versão Adultos (M12)
sexta e sábado, às 21h30 | domingo, às 16h00

“Estás a gostar da brincadeira?”, pergunta a Muna. “Estou a gostar de tudo!”, responde o Muna.

Ilustração de Júlio Vanzeler para o espectáculo No Muna, o espectáculo de “dupla-face” que estreia no dia 18, sou também um Muna e estou a gostar muito da “brincadeira”, mesmo que o trabalho envolvido seja hercúleo (pensavam que estava calado por ter metido férias ou uma licença de paternidade?).

Há canções, uma corneta-mangueira, uma bicicleta-musical, um piano… e há músicas de embalar e de sonhar (sonhos bons, sonhos maus e sonhos esquisitos) que fui criando para Muna e, obviamente, para a Maria.

Eu, que não posso ver nenhum dos espectáculos, porque aceitei ser parte integrante deste universo, aconselho os adultos a verem os dois espectáculos, se puderem. E estou verdadeiramente ansioso pela reacção das crianças, já que a dos adultos tende a ser menos genuína.

Venham. E tragam as vossas crianças… ou as dos outros.

Muna não é uma experiência trivial.

É claro que a vida continua

Sexta-feira, 23 de Maio, 2008

A reacção mais frequente à notícia de que sou pai tende a associar à óbvia mudança de hábitos e rotinas que uma nova vida introduz, uma infeliz necessidade de abdicar ou controlar algumas das minhas actividades “naturais”. Amigos músicos receiam que deixe de estar tão disponível para concertos, leitores do blog presumem que deixarei de escrever com a mesma frequência, companheiros de outras tantas aventuras prevêem uma diminuição significativa de disponibilidade…

Se é por demais evidente que uma filha transforma a vida dos pais, é também imperativo que, no necessário (e bem positivo) reordenar de prioridades, os pais não se abandonem ou apaguem a si próprios. A Maria acrescenta muitas coisas à nossa vida, mas, felizmente, não se trata de nenhuma substituição. Claro que tudo isto está agora apenas a começar e só com o passar do tempo é que saberemos avaliar o seu real impacto, mas por se tratar duma decisão consciente, ponderada e reflectida, sentimo-nos preparados para continuar com a vida. Uma nova fase da vida.

E, para que não restem dúvidas, algumas provas visíveis de “actividade”:

A vida segue… mais alegre, mais preenchida, mais “focada”.

Schiu! - instalação

Segunda-feira, 21 de Abril, 2008

DSC00011.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

Estou particularmente orgulhoso com esta instalação do Visões Úteis, para a qual concebi a componente audiovisual. Ao trabalhar sobre material do qual não sou autor (a banda sonora do Albrecht Loops e o vídeo da Susana Paiva), e com o objectivo explícito de contaminar, mais do que ocupar, o espaço da Igreja do Grilos com o ambiente da peça e das histórias do Tonino Guerra, impus-me um desafio e acho que cumpri.
O carácter efémero da instalação (um dia apenas), apesar de ser um dado adquirido à partida, deixa-me um bocadinho frustrado. E fiquei com uma certa vontade de repetir a experiência.

Routine Check: Traição / Betrayal

Domingo, 23 de Março, 2008

english below

As últimas 2 semanas têm sido frenéticas, por isso, não pude cumprir as minhas próprias regras. Mas, enquanto tento arranjar tempo para criar mais material novo e exclusivo, publico aqui o tema principal da minha última banda sonora, Adúlteros Desorientados, uma peça do Visões Úteis. Faz sentido, como forma de “traição” ao podcast, não é?

Agradeço que ouçam e comentem.
E que estejam atentos às próximas apresentações da peça.

My last 2 weeks have been hectic, so I had to bend my own rules. But while I struggle for more time to create brand new and exclusive material, I’ll publish the main theme from my last soundtrack, Adúlteros Desorientados, a play by Visões Úteis. It fits perfectly with this sort of podcast betrayal, I guess.

Please enjoy and comment.
I’ll keep you posted aboutr future presentations of the play.

 
icon for podpress  Adúlteros Desorientados - Intro [6:24m]: Play Now | Play in Popup | Download (495)

Sugestões de leitura

Quinta-feira, 28 de Fevereiro, 2008

Não é muito meu hábito, mas dei por mim a pensar que fazia sentido deixar aqui duas sugestões de leitura.

A primeira é o artigo de opinião assinado por Pedro Gadanho na edição de hoje do Público (disponível online só para assinantes) a propósito do “desaparecimento” dos arquitectos portugueses numa altura crítica:

Agora que se repetem as eleições para a direcção nacional da Ordem dos Arquitectos - e quando há dez minutos atrás se abateu um silêncio ensurdecedor sobre o facto de o primeiro-ministro português assumir a autoria do que só pode ser considerado um crime arquitectónico - é importante perguntar onde param os arquitectos portugueses.

O artigo chama-se mesmo “Onde param os arquitectos portugueses?” e é importante e urgente, de facto, encontrar uma resposta. Espero que a reflexão de Pedro Gadanho sirva para “agitar estas águas”.

A segunda sugestão de leitura tem uma relação ténue e indirecta com as minhas  Fábulas de justiça social e é um ponto de situação relativo ao Estatuto dos Profissionais das Artes do Espectáculo feito pela Catarina Martins (directora do Visões Úteis, representante da Plateia nos Encontros AlCultur e minha irmã).

Destaco:

Regulamentar a contratação sem nada dizer sobre a segurança social não chega para estruturar o sector. Muita da debilidade do meio deve-se à falta de protecção social dos trabalhadores. Cronicamente tem-se disfarçado a falta de meios para a criação artística com a desprotecção dos profissionais. E as grandes empresas (como produtoras de televisão), e o próprio Estado, têm aproveitado para seguir os modelos dos pequenos empreendedores e do auto-emprego (as micro companhias de teatro e dança, os projectos pontuais) debilitando ainda mais o tecido profissional. Um profissional não pode ser obrigado a fazer em nome do lucro de outros, os sacrifícios que entende fazer em nome de projectos em cuja gestão tem voz activa. Não há razão para nesta área os trabalhadores serem ainda mais desprotegidos do que em todas as outras.

Boas leituras.

O Peso da Mentira

Terça-feira, 12 de Fevereiro, 2008

Não sei se é do cansaço, se é dos tempos que correm, mas hoje não parei de pensar neste bocado da Orla do Bosque:

Hoje vivemos no pior e mais violento de todos os regimes: vivemos no reino da Mentira. Ela está em todo o lado e em todo o tempo. Tão assustadora e poderosa como os reinados de barbárie e terror que a História conserva.

Está no marasmo geral que reveste as opiniões assépticas, o politicamente correcto que alicerça o diálogo.

(…)

A Mentira escorre na verborreia serena dos opinion makers, construtores da realidade dos seus botões.

in “Visíveis na Estrada Através da Orla do Bosque”, Visões Úteis (ed. Quasi)

Por acaso, é mais neste, dos Estudos:

Eles estão por todo o lado e baralharam com tal perversidade , ou pelo menos egoísmo, as ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que se torna cada vez mais difícil reconhecer onde está o bem e onde está o mal; e fizeram-no com tal mestria que às vezes trememos de pavor ao descobrir que até estamos a concordar com eles. Eles que fazem o que é certo pelos motivos errados pelo que não fazem o certo mas o errado. Pavor porque o mal existe e estamos tão adormecidos pelo seu brilho, pela sua cor, que o confundimos com o bem. Estamos tão preocupados em respeitar as conquistas de Abril ou da Revolução Francesa, que perdemos o discernimento e a capacidade de definir aquilo que claramente está mal e que por isso deve ser combatido, sem falinhas mansas, sem panos quentes, o que está mal muda-se. Temos que ter inimigos. Sem eles não temos amigos.

in “Visíveis na Estrada Através da Orla do Bosque”, Visões Úteis (ed. Quasi)

Electroplex

Sábado, 9 de Fevereiro, 2008

Cartaz de Adúlteros DesorientadosNo momento em que decidi o rumo a dar ao podcast que tão irregularmente tenho mantido por aqui (estejam atentos), e a meio da temporada de Adúlteros Desorientados na Serv’Artes— que anunciei aqui—, e já que actualizei a minha lista de músicas no MySpace, também, pareceu-me boa ideia “oferecer” aos leitores do blog este excerto da minha última banda sonora.

O título, inexplicável, como quase sempre, é Electroplex.

Juntamente com o cartaz da peça, aqui ao lado, pode ser que sirva de estímulo adicional para quem estiver a pensar ir ver a peça no Porto (na Serv’Artes é às terças-feiras, até 25 de Março) ou em Guimarães (lá estaremos no dia 23 de Fevereiro, no Centro Cultural Vila Flor) ou noutros locais e datas que iremos anunciando.

Mas se não gostarem da música, não a usem como desculpa para não irem! ;)

Quanto ao futuro deste podcast, darei mais notícias durante o fim de semana.

 
icon for podpress  Electroplex [2:38m]: Play Now | Play in Popup | Download (622)

Das Märchen: quase perfeito

Sábado, 26 de Janeiro, 2008

Tinha avisado e, como rapaz cumpridor que sou, fui ontem assistir à projecção de Das Märchen, a primeira ópera de Emmanuel Nunes.

Não éramos muitos e menos ainda estavam preparados para a sessão de 5 horas, com um intervalo de 1 hora, mas no fim da projecção aplaudimos, de pé alguns de nós, face à tela de projecção.
Uma reacção estranha, mas apropriada para a singularidade do evento.

Emmanuel Nunes é um génio. Não vale a pena tentar complexas formulações para dizer isto com mais detalhe ou mais pudor. E Das Märchen ficará certamente para a história como mais uma obra-prima por muito boas razões. Apesar de achar que a estrutura da peça poderia ser “emagrecida” em favor do “conforto do público”, sacrificando material sonoro que, sendo muitíssimo bom, não resulta da melhor forma dramaturgicamente, por questões de redundância. Mas é difícil encontrar falhas na estrutura musical ou no libreto, assim como na justiça que lhe foi feita pela esmagadora maioria dos intérpretes: cantores, actores, coro e orquestra.

Ainda assim, espero que esta produção de Das Märchen não fique para a história como a única ou sequer a melhor desta obra. Porquê? Porque (e não pretendo ofender ninguém) a equipa responsável pela encenação e realização plástica fez um trabalho que classificaria de medíocre. A reacção de parte do público, aliás, no final da récita, parecia reflectir um sentimento generalizado de mal-estar relativamente a essa componente do espectáculo: figurantes, dançarinos, coro, actores e cantores receberam as legítimas palmas, transformadas em ovação no caso de Peter Rundel, o director musical, e em clara homenagem, no caso de Emmanuel Nunes, mas a equipa dirigida por Karoline Gruber terá certamente sentido a não tão subtil tentativa de vaia de parte do público presente no São Carlos. E eu senti-me solidário.

Eu não faço ideia sobre qual a melhor abordagem plástica à complexa proposta de Das Märchen, mas tenho quase a certeza que esta não resulta. Os aspectos mais evidentes, para mim, são o desajuste praticamente absoluto dos figurinos, a mediocridade da cenografia, a banalidade da coreografia e a falta de pertinência de grandes partes do vídeo. Tudo junto, sobressai o desfasamento entre a realização musical e a realização plástica e a experiência total sai prejudicada: áreas extraordinariamente detalhadas e ricas do libreto e da partitura são atrapalhadas por esforços inglórios e quase patetas de sobre-ilustrar ou criar novas camadas de entendimento… mas não é preciso e transforma-se em ruído. E depois, não se concretizam visualmente ou em termos de movimento, acontecimentos e relações que, na partitura, se apresentam de forma muito subtil.

Genericamente, parece haver algum desentendimento no desenvolvimento das relações interdisciplinares que transformariam uma brilhante partitura e libreto num espectáculo de Arte Total e os “encaixes defeitusosos” notam-se demais. Mas não demais para ofuscar o génio de Emmanuel Nunes que, face à adversidade, brilha ainda mais.