Entradas com Etiqueta ‘tecnologia’

Orquestra de Altifalantes no Teatro Aveirense

Sexta-feira, 7 de Novembro, 2008

Este post vem com uns dias de atraso, mas ainda a tempo para os mais disponíveis:

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal está em Aveiro para um concerto hoje (7 de Nov.), no Teatro Aveirense:

Ciclo Arte e Novas Tecnologias
Música Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
Miso Music - Cinema dos Sons

A Orquestra de Altifalantes da Miso Music Portugal é um sistema de projecção sonora destinado tanto à difusão da música electroacústica sobre suporte como à difusão da música electroacústica com a intervenção de instrumentistas.
Tem como objectivo principal introduzir na música electroacústica a dimensão interpretativa, e com o sentido também de ritualizar o acto do concerto e de possibilitar uma comunicação expressiva com o público.
Para isso era necessário criar um instrumento de difusão sonora suficientemente flexível para se adaptar às referidas necessidades interpretativas e assegurar uma qualidade de difusão ímpar.
O sistema global é constituído por 40 a 60 altifalantes e é ele próprio constituído por 6 sub-sistemas diferentes de altifalantes colocados por todo o espaço da sala de concertos, tanto no plano horizontal como no eixo vertical, de forma a possibilitar um número alargado de planos e de perspectivas sonoras.
Um número máximo de 32 canais de distribuição e um interface de controlo com 32 faders permite controlar em tempo real 32 altifalantes ou grupos de altifalantes, configurados independentemente para cada obra musical a difundir.

O sistema é fabuloso e o trabalho de difusão e interpretação do Miguel Azguime é de altíssimo nível. Tive o privilégio de estar quer no seminário sobre composição electroacústica, no dia 5, quer no workshop de difusão e interpretação com a orquestra de altifalantes, ontem e hoje, e tenho imensa pena de não poder assistir ao concerto de hoje à noite. Os exemplos que nós, participantes no workshop, apresentámos em ensaio aberto, hoje à hora do almoço, não permitiram mais do que ficar com uma vaga ideia do que este sistema de difusão permite. Se puderem, aproveitem.

Amanhã, sábado, dia 8, ainda pela mão do Miguel Azguime apresenta-se o Itinerário do Sal, no Ciclo Arte e Novas Tecnologias, que também trouxe a Aveiro o Space Program do Rafael Toral.

Acredito que a apresentação do Itinerário do Sal, uma “new op-era” (nas palavras do compositor) internacionalmente premiada, será um momento singular no percurso do Teatro Aveirense e, por isso, no percurso da cidade. E mais não digo.

“Magalhães”, o portátil “português” para crianças já tem site

Sexta-feira, 1 de Agosto, 2008

A procura pelo site oficial do “Magalhães“, o portátil do e-escolinhas, deve ser elevada após o seu anúncio, mas não é fácil. Nem nos sites de notícias, nem nos fabricantes, nem nos promotores se encontra muita informação, mas a verdade é que o “Magalhães” tem site e bastante completo: www.classmatepc.com

Para já, só tem informação em inglês e ainda não leva o logotipo novo na capa. Isso terão que ser os senhores da JP Sá Couto a fazer, presumo. Mas, no geral, o Magalhães é aquilo mesmo. Basta que, onde se lê Classmate PC, se leia Magalhães e se ponha um “porreiro, pá!” no fim das frases e é isso. Ah! e deve ser preciso adaptar uns conteúdos e pô-los lá dentro até Setembro.

E agora a sério, não é normal que um anúncio deste tipo tenha algum tipo de acompanhamento em termos de presença on-line? Não seria de esperar um site para o lançamento, destaques no site dos fabricantes e dos promotores (o Portal da Educação, por exemplo, limita-se a isto)?
Não é normal satisfazer parte da curiosidade acerca das reais adaptações da máquina à realidade portuguesa e, por exemplo, sobre qual o papel da Prológica?

Vão esperar que o “buzz” aumente? Não vão participar directamente na guerra propagandística? Qual é a lógica?

Magalhães e o Feiticeiro de Oz

Quinta-feira, 31 de Julho, 2008

O nosso Primeiro Ministro lembra-me muitas vezes o Feiticeiro de Oz. Hoje fez isso mesmo durante o anúncio com pompa e circunstância do “Magalhães”, o primeiro netbook made in Portugal  para o mercado da Educação. Quem tiver ouvido a notícia que eu ouvi, sem conhecer o projecto OLPC deve ter pensado “uau! que revolução! que grande avanço! que maravilha! que…!”

Como em Oz, temos que ir espreitar por trás da cortina, para ver o triste espectáculo de marionetas em que a gestão da coisa pública se vai transformando: se a perspectiva do projecto OLPC for demasiado parcial, podem ler no IOLDiário um artigo sobre a “guerra dos computadores portáteis para crianças”.

Infelizmente, nem sequer posso dizer que estou surpreendido. Já há muito tempo que andamos a hipotecar o nosso futuro, tecnologicamente, falando.

Perder, momentaneamente, a capacidade de escrever

Quarta-feira, 16 de Julho, 2008

Ando preocupado: depois de umas horas a mexer em ficheiros de configuração de servidores e a manipular variáveis de PHP para que outros possam testar o correcto funcionamento de scripts que eu, provavelmente, nunca usarei, dou por mim com uma espécie de bloqueio na escrita normal, em português corrente e sobre assuntos que me interessam.

Estarei a sofrer dum “memory leakage”? Precisarei dum “reboot”? Será melhor reconfigurar-me através dum simples .htaccess ou com um php.ini local? Qual é a sintaxe para a função “write_interesting_and_relevant_content”?

Alguém tem por aí um manual impresso com o qual me possa dar uma violenta pancada na nuca? Acho que é mesmo o que estou a precisar…

Estado da Nação: nota de rodapé #1

Quinta-feira, 10 de Julho, 2008

Hoje começaram as candidaturas ao Ensino Superior. Os candidatos, jovens finalistas do ensino secundário, podiam optar entre um processo online ou um processo presencial, com filas que começaram à porta de escolas em capitais de distrito durante a madrugada.

Segundo os testemunhos recolhidos por alguns canais de televisão, junto dos jovens que optaram pelas filas e por manipular papelada, uma parte significativa destes candidatos optou mesmo por evitar a Internet, por desconfianças várias e dificuldades umas mais óbvias do que outras.

Este é um preocupante, ainda que superficial, indicador do Estado da Nação, que se discute hoje na AR: esta geração de jovens que não confia na Internet para fazer as suas candidaturas ao Ensino Superior é a mesma a quem o Estado financia a aquisição de portáteis e banda larga móvel, num país em que um vasto conjunto de procedimentos na relação com esse mesmo Estado passa obrigatoriamente pela Internet.

Será tudo uma piada de mau gosto, um enviesamento de informação pela comunicação social? Ou estamos mesmo perdidos num pântano?

Questões pertinentes

Domingo, 6 de Julho, 2008

Volta e meia, há assuntos que ganham nova pertinência aqui no blog. Foi o que aconteceu a uma reflexão com mais dum ano acerca da diferença entre sistemas CAD e sistemas BIM, que conta agora com vários participantes comentadores, entre eles professores universitários dos dois lados do atlântico: Miguel Krippahl, professor da UCP, que comentou na altura e que tem este blog e Adriano Sales, professor no Brasil, que fez agora alguns comentários, ao mesmo tempo que inaugurou o seu próprio blog.

Vale a pena seguir os novos comentários e participar na troca de opiniões e experiências que por lá se vai fazendo. Os locais especializados, mantidos pelos professores/arquitectos, prometem reflexões mais profundas, mas é curioso terem passado ambos por aqui.

Números raros

Domingo, 29 de Junho, 2008

Gosto de números. Mais ainda se forem raros, como as capicuas. E acho alguma piada à espécie específica de capicuas que são os grandes números de um só algarismo, como 11111.

E, quando esse número corresponde ao balanço momentâneo do trabalho valoroso do Akismet, o filtro de Spam que uso aqui no blog, parece-me adequado assinalar o momento:

11111 comentários de SPAM detidos pelo Akismet

Imagino que não seja complicado

Sexta-feira, 16 de Maio, 2008

“Eu não percebo nada disso, mas imagino que não seja complicado. É?”

Com cada vez mais frequência sou confrontado com este paradoxo: com a “democratização” das tecnologias e com a disseminação da ideia (absurda) de que dos computadores se tira o trabalho já feito, são cada vez mais as pessoas que, sem terem a menor ideia das competências necessárias, tarefas envolvidas ou tempo dispendido em alguns dos trabalhos que desenvolvo, requerem, em cima do prazo final de entrega dos trabalhos, actualizações, rectificações, modificações, revisões e outras tarefas que têm o seu tempo próprio no processo. E é comum dizerem mesmo coisas deste tipo: “não faço a mínima ideia como é que isso se faz, mas não deve ser assim tão complicado substituir isto, ou acrescentar aquilo ou…”

Mas não é bem assim, senhores. Se não fazem a menor ideia como se faz, é possível, e até provável, que aquilo que vos parece perfeitamente banal, mas que vos foi dito que teria um tempo próprio, seja de facto bastante complicado fora desse tempo.

Ah! É importante que se esclareça que neste “estabelecimento” o cliente não tem sempre razão. Aliás, é raro isso acontecer.

Desculpem o desabafo, mas são 5 da manhã e estou a acabar um desses projectos fora de tempo. Porquê? Porque, apesar de tudo, o trabalho é mesmo “a porca chantagem da sobrevivência”.

iPhone em Portugal pela Vodafone

Terça-feira, 6 de Maio, 2008

O Pedro Aniceto chama a atenção para o anúncio da Vodafone, mas a questão do “quando” permanece. “Later this year” será exactamente o quê?

Eu continuo sem saber exactamente o que pensar do iPhone, se querem que vos diga. Mas, se pensar no meu quotidiano e no tipo de uso que dou ao meu telemóvel, aos computadores e até ao iPod que me foi oferecido nos anos :) , não sei mesmo o que faria com um gadget daquele tipo. Não me faz falta nenhuma das suas funções, mas, bem sei que essa não é a primeira questão que passa pela cabeça de quem o deseja e foi por isso mesmo que foi assim concebido.

Mas,

Recognizing the need is the primary condition for design.

Foi Charles Eames que o disse e se o for repetindo regularmente talvez evite pensar muito nisto. ;)

De pequenino se torce o pepino

Quinta-feira, 24 de Abril, 2008

Uma das mais eficazes (e desprezíveis) formas de fomentar o uso de aplicações e linguagens proprietárias e viciar o mercado e o contexto de produção informática é apostar no mercado da educação, com campanhas que, efectivamente, perpetuam e reforçam o ciclo vicioso da aparente falta de alternativas. Várias empresas de software usam estas estratégias: empresas como a Microsoft ou a Autodesk (os exemplos que conheço mais de perto) incentivam a utilização das suas ferramentas no contexto académico, apostam fortemente no circuito da formação financiada e tentam manter relações privilegiadas com o sector, promovendo acções de marketing mais ou menos disfarçadas de formação dirigidas a alunos, professores e demais responsáveis pela selecção de ferramentas a utilizar nas salas de aulas.

Já diz o povo, e com razão, que “de pequenino é que se torce o pepino“, e os efeitos destas acções são evidentes: o percurso formativo em variadíssimas áreas que necessitam de apoios tecnológicos são fortemente marcados por uma única aplicação ou suite. E a emergência de “pseudo” standards, a que algumas pessoas chamam os “standards de mercado”, mesmo que o seu crescimento resulte da manipulação do próprio mercado, é um exemplo claro de como esta é uma estratégia ganhadora para as empresas beneficiárias e altamente prejudicial para a sociedade.

Não me interessam lutas quixotescas contra a Microsoft, que é o exemplo mais completo desta forma de actuar, porque me incomoda (quase) tanto a sua hegemonia na área do “escritório e produtividade”, como me incomoda a hegemonia da Autodesk na arquitectura, engenharia e construção, ou da Adobe nas artes gráficas e multimédia ou mesmo da Apple em certas áreas do áudio e vídeo e como plataforma de hardware nas artes gráficas, ainda que quase não se sinta em Portugal.

As hegemonias, todas, incomodam-me porque resultam num encurtar de perspectivas para os utilizadores e, por esse facto, numa limitação da sua liberdade. É um processo no qual cada indivíduo participa, é certo. E, por isso mesmo, o caminho percorrido durante os períodos iniciais de formação, pelo menos esse, deveria ser marcado pela promoção e exploração de alternativas e deveria ser feita a distinção clara entre os tais “standards de mercado”, circunstanciais, e os standards de facto, dando especial atenção a questões como a interoperabilidade das soluções adoptadas. Esquecer a interoperabilidade é, acima de tudo, viciar as “regras do jogo” e prender os utilizadores numa espécie de “jaula invisível”.

Vem esta reflexão a propósito dum concurso que a Microsoft está a promover, em conjunto com a DGIDC (Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação),  dirigido a estudantes do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, que premiará sites sobre Segurança na Internet, mas onde se privilegiará a utilização de ferramentas da Microsoft, numa jogada claramente denunciada pelo Rui Seabra.

O concurso promove não só a utilização de software proprietário, como contribui para a relativização da importância dos web standards e isso deveria ser razão mais do que suficiente para que os responsáveis públicos da DGIDC/eCRIE se manterem ao largo. Até porque os termos do concurso contrariam a estratégia positiva de promoção de soluções baseadas em Software Livre , como o Moodle e o Joomla, que, além de serem open source e gratuitas, estão envolvidos na promoção de standards reais e não levantam problemas de interoperabilidade.

Discutir e denunciar as condições de promoção deste concurso são tarefas que nos cabem a todos e espero que a Associação Ensino Livre possa vir a participar também nesta denúncia.