Questões pertinentes

Volta e meia, há assuntos que ganham nova pertinência aqui no blog. Foi o que aconteceu a uma reflexão com mais dum ano acerca da diferença entre sistemas CAD e sistemas BIM, que conta agora com vários participantes comentadores, entre eles professores universitários dos dois lados do atlântico: Miguel Krippahl, professor da UCP, que comentou na altura e que tem este blog e Adriano Sales, professor no Brasil, que fez agora alguns comentários, ao mesmo tempo que inaugurou o seu próprio blog.

Vale a pena seguir os novos comentários e participar na troca de opiniões e experiências que por lá se vai fazendo. Os locais especializados, mantidos pelos professores/arquitectos, prometem reflexões mais profundas, mas é curioso terem passado ambos por aqui.

Números raros

Gosto de números. Mais ainda se forem raros, como as capicuas. E acho alguma piada à espécie específica de capicuas que são os grandes números de um só algarismo, como 11111.

E, quando esse número corresponde ao balanço momentâneo do trabalho valoroso do Akismet, o filtro de Spam que uso aqui no blog, parece-me adequado assinalar o momento:

11111 comentários de SPAM detidos pelo Akismet

Imagino que não seja complicado

“Eu não percebo nada disso, mas imagino que não seja complicado. É?”

Com cada vez mais frequência sou confrontado com este paradoxo: com a “democratização” das tecnologias e com a disseminação da ideia (absurda) de que dos computadores se tira o trabalho já feito, são cada vez mais as pessoas que, sem terem a menor ideia das competências necessárias, tarefas envolvidas ou tempo dispendido em alguns dos trabalhos que desenvolvo, requerem, em cima do prazo final de entrega dos trabalhos, actualizações, rectificações, modificações, revisões e outras tarefas que têm o seu tempo próprio no processo. E é comum dizerem mesmo coisas deste tipo: “não faço a mínima ideia como é que isso se faz, mas não deve ser assim tão complicado substituir isto, ou acrescentar aquilo ou…”

Mas não é bem assim, senhores. Se não fazem a menor ideia como se faz, é possível, e até provável, que aquilo que vos parece perfeitamente banal, mas que vos foi dito que teria um tempo próprio, seja de facto bastante complicado fora desse tempo.

Ah! É importante que se esclareça que neste “estabelecimento” o cliente não tem sempre razão. Aliás, é raro isso acontecer.

Desculpem o desabafo, mas são 5 da manhã e estou a acabar um desses projectos fora de tempo. Porquê? Porque, apesar de tudo, o trabalho é mesmo “a porca chantagem da sobrevivência”.

iPhone em Portugal pela Vodafone

O Pedro Aniceto chama a atenção para o anúncio da Vodafone, mas a questão do “quando” permanece. “Later this year” será exactamente o quê?

Eu continuo sem saber exactamente o que pensar do iPhone, se querem que vos diga. Mas, se pensar no meu quotidiano e no tipo de uso que dou ao meu telemóvel, aos computadores e até ao iPod que me foi oferecido nos anos :) , não sei mesmo o que faria com um gadget daquele tipo. Não me faz falta nenhuma das suas funções, mas, bem sei que essa não é a primeira questão que passa pela cabeça de quem o deseja e foi por isso mesmo que foi assim concebido.

Mas,

Recognizing the need is the primary condition for design.

Foi Charles Eames que o disse e se o for repetindo regularmente talvez evite pensar muito nisto. ;)

De pequenino se torce o pepino

Uma das mais eficazes (e desprezíveis) formas de fomentar o uso de aplicações e linguagens proprietárias e viciar o mercado e o contexto de produção informática é apostar no mercado da educação, com campanhas que, efectivamente, perpetuam e reforçam o ciclo vicioso da aparente falta de alternativas. Várias empresas de software usam estas estratégias: empresas como a Microsoft ou a Autodesk (os exemplos que conheço mais de perto) incentivam a utilização das suas ferramentas no contexto académico, apostam fortemente no circuito da formação financiada e tentam manter relações privilegiadas com o sector, promovendo acções de marketing mais ou menos disfarçadas de formação dirigidas a alunos, professores e demais responsáveis pela selecção de ferramentas a utilizar nas salas de aulas.

Já diz o povo, e com razão, que “de pequenino é que se torce o pepino“, e os efeitos destas acções são evidentes: o percurso formativo em variadíssimas áreas que necessitam de apoios tecnológicos são fortemente marcados por uma única aplicação ou suite. E a emergência de “pseudo” standards, a que algumas pessoas chamam os “standards de mercado”, mesmo que o seu crescimento resulte da manipulação do próprio mercado, é um exemplo claro de como esta é uma estratégia ganhadora para as empresas beneficiárias e altamente prejudicial para a sociedade.

Não me interessam lutas quixotescas contra a Microsoft, que é o exemplo mais completo desta forma de actuar, porque me incomoda (quase) tanto a sua hegemonia na área do “escritório e produtividade”, como me incomoda a hegemonia da Autodesk na arquitectura, engenharia e construção, ou da Adobe nas artes gráficas e multimédia ou mesmo da Apple em certas áreas do áudio e vídeo e como plataforma de hardware nas artes gráficas, ainda que quase não se sinta em Portugal.

As hegemonias, todas, incomodam-me porque resultam num encurtar de perspectivas para os utilizadores e, por esse facto, numa limitação da sua liberdade. É um processo no qual cada indivíduo participa, é certo. E, por isso mesmo, o caminho percorrido durante os períodos iniciais de formação, pelo menos esse, deveria ser marcado pela promoção e exploração de alternativas e deveria ser feita a distinção clara entre os tais “standards de mercado”, circunstanciais, e os standards de facto, dando especial atenção a questões como a interoperabilidade das soluções adoptadas. Esquecer a interoperabilidade é, acima de tudo, viciar as “regras do jogo” e prender os utilizadores numa espécie de “jaula invisível”.

Vem esta reflexão a propósito dum concurso que a Microsoft está a promover, em conjunto com a DGIDC (Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação),  dirigido a estudantes do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, que premiará sites sobre Segurança na Internet, mas onde se privilegiará a utilização de ferramentas da Microsoft, numa jogada claramente denunciada pelo Rui Seabra.

O concurso promove não só a utilização de software proprietário, como contribui para a relativização da importância dos web standards e isso deveria ser razão mais do que suficiente para que os responsáveis públicos da DGIDC/eCRIE se manterem ao largo. Até porque os termos do concurso contrariam a estratégia positiva de promoção de soluções baseadas em Software Livre , como o Moodle e o Joomla, que, além de serem open source e gratuitas, estão envolvidos na promoção de standards reais e não levantam problemas de interoperabilidade.

Discutir e denunciar as condições de promoção deste concurso são tarefas que nos cabem a todos e espero que a Associação Ensino Livre possa vir a participar também nesta denúncia.

Cinderella Children

Através do Multimediazine, um dos blogs do Público, descobri Cinderella Children, um documentário rodado no Uganda sobre o trabalho duma australiana notável, responsável por um projecto de apoio a crianças órfãs num país devastado pela epidemia da SIDA e por décadas de Guerra Civil.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dj6ZHnF1T1Y&fmt=18[/youtube]

O documentário é notável pela história que conta, mas também pela forma como foi produzido: uma única pessoa, Mathew Cliff, dirigiu, filmou e produziu, usando-se a si próprio como única equipa de áudio, vídeo e produção. A proeza é explicada em mais detalhe e com bastante modéstia aqui, mas, apesar da aparente facilidade que a qualidade dos meios tecnológicos actuais oferece é admirável. E o que o relato dele ensina a quem se interessar por documentários ou outras formas de registo em vídeo e/ou áudio é valioso. A mim, fez-me repensar algumas estratégias de “field recording” e recordar as peripécias nas produções dos audiowalks e em entrevistas durante a viagem da Orla do Bosque. Planear com antecedência e calma, usar soluções muito testadas e sólidas e prever os piores cenários é uma lição que aprendi à minha custa… e não consigo sequer imaginar o que será trabalhar nas condições que ele encontrou.

OOXML: Corrupção à escala global

O OOXML, da Microsoft, contra todos os argumentos técnicos, foi aprovado como standard ISO. A lista de irregularidades registadas no noooxml.org, apesar de ter um lugar especial para o nosso querido jardim à beira-mar plantado, mostra como a Microsoft generalizou comportamentos inaceitáveis de pressão, favorecimento e corrupção para fazer passar a proposta.

Com corrupção à escala global, só podemos sentir vergonha à escala global.

Quanto ao que ainda nos resta fazer, o Marcos Marado dá uma perspectiva útil.

Routine Check: RC#20080226 – Pure Data sketch

I had to make a big effort to keep up with the weekly routine, so this episode is a bit late.

And it’s a completely different thing, since it’s built entirely over experiences made with Pure Data, after the workshop I attended this past weekend.

Pure Data is an amazing tool and it will take me a long time before I can start making really interesting things, musically, but this Routine Check series is about exercises and sketches, so it seemed right to post this “odd” construction.

You can hear a “chaos machine”, that I started building before the workshop and that “looks” like this:

Pure Data - chaos machine by João Martins

And a simple synth module, with Frequency and Amplitude Modulation and MIDI controls:

Synth module with AM and FM and Midi controls

The possibilities are endless and I have some interesting challenges ahead.

A special thank you goes to Miguel Cardoso, responsible for the workshop at Maus Hábitos.

Que fim de semana!

O que aprendi este fim-de-semana demorará bastante tempo a digerir e passará sem dúvida a fazer parte das minhas rotinas criativas e dos meus hábitos.

Com tempo, tentarei ir escrevendo acerca das possibilidades que ferramentas como o Max/MSP e o Pure Data apresentam, para as mais variadas aplicações: criativas, pedagógicas, lúdicas…

Mas, para terem uma ideia do entusiasmo com que fiquei, saibam apenas que, mesmo cansado, ao chegar a casa, a primeira coisa que fiz foi pedir ajuda aos conhecimentos matemáticos dos meus pais para desmontar uma simples, mas impressionante função: [mtof] – midi to frequency.

mtof - midi to ferquency: a função em Pure Data e Max/MSP e a sua desmontagem matemática

Porquê?
Porque sim, porque tenho algumas ideias sobre a utilidade de aplicar funções avançadas de normalização nestas conversões e porque será assim, espreitando debaixo do “capô”, que hei-de ir avançando nas “minhas” coisas.

Obrigado ao Miguel Cardoso pelo óptimo trabalho a preparar e dirigir o workshop e ao Maus Hábitos por criar as condições para que ele acontecesse.

Agora só preciso de tempo para apresentar resultados.

Max/MSP e PureData: uma oficina

As minhas abordagens ao Max/MSP e ao Pure Data foram sempre tímidas, desajeitadas e fracassadas. Por um lado, acho a ideia de aprender a trabalhar com uma plataforma destas extraordinariamente aliciante, mas é-me muitíssimo difícil quebrar a barreira inicial.
Deixo-me intimidar por este aspecto pouco “musical” e muito “geeky”, por exemplo.

 

Um patch em Pure Data, muito básico

Mas uma reaproximação era inadiável e é por isso que vou passar este fim de semana numa Oficina do Maus Hábitos:

MAX/MSP, PURE DATA (PD)
Orientador: Miguel Cardoso
23 e 24 de Fevereiro – sáb, dom
12h às 13.30h e das 14.30h às 20h
Duração: 14h

Pure Data (PD) e Max/Msp são aplicações com uma linguagem gráfica de programação em tempo real, bastante fácil de utilizar, para a criação de objectos interactivos. Pure Data é muito utilizado para processamento de som e video, conectar sensores, comunicar com aplicações na internet.
Iremos ver exemplos de instalações e aplicações desenvolvidas com PD, conhecer a vasta comunidade PureData, aprender os termos e conceitos desta linguagem, os princípios básicos de manipulação e sintese de som e imagem, e exploraremos os nossos conhecimentos com exercícios criando patches (Objectos de controlo de video, som, interfaces físicos (sensores).
Esta workshop é uma oportunidade para aprender os princípios básicos desta ferramenta.

O meu objectivo pessoal é ser capaz de fazer coisas mais interessantes do que esta “Chaos Machine”, que mostro aqui.

Nota: tinha anexado um exemplo do áudio produzido pelo patch ilustrado acima, mas foi retirado por razões técnicas.