Venham ver-nos em Muna

Muna está de volta aos palcos do Porto. No Teatro Helena Sá e Costa. Estreámos hoje com a versão infância, para escolas. Sexta e sábado há sessões abertas, das duas versões.

Muna no THSC

Eu gosto do que fiz em Muna e gosto de estar em Muna e de ser um Muna. Venham ver-nos em Muna.

De 19 a 24 Outubro no Teatro Helena Sá e Costa

Versão para Infância [M4] | Versão para Adultos [M12]

Horários
Seg a Sex (p/ escolas): 10h30 + 15h00 [M4]
Sex: 21h30 [M12]
Sáb: 16h30 [M4] | 21h30 [M12]

Reservas 225189982 / 225189983

35.4

35.4 era o título alternativo para “Estamos Quedando Fatal”, a peça de Gemma Rodríguez que, na tradução do Visões Úteis se chama “Mal Vistos” que, como já disse, está em cena até 28 de Outubro no THSC.

35.4 é a média de idades da “equipa mais jovem da Europa” numa multinacional de produtos de higiene, epicentro da acção dramática, e funciona como leitmotiv do desespero daquela equipa de directores “entalados” em termos geracionais e decisórios. E é uma idade de pessoas que não vão ao teatro: “o público tem menos de trinta e mais de cinquenta“.

Mas, e se até aos trinta nunca se foi público?

Esta pergunta, que faz a Catarina e faz o Visões e fazemos todos é razão mais do que suficiente para perceber a estratégia implementada nesta temporada de convidar professores universitários a virem assistir ao espectáculo com os seus alunos, dando-lhes espaço, no fim do espectáculo, para conversarem entre eles, com os criadores e com o resto do público a propósito da peça e da realidade sobre a qual ela se debruça.

A estreia desta estratégia aconteceu ontem com alunos do Curso de Gestão da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e com a Prof. Teresa Proença e confirma-se que uma parte dos estudantes do ensino superior, generalizações à parte, não tem experiências significativas de contacto com o Teatro enquanto forma de expressão artística e não parecem muito confortáveis enquanto público.

Com o tempo e com as sessões seguintes se perceberá até que ponto é que este universo de público-potencial está mais ou menos “imune” à possibilidade do Teatro.

Entre ingenuidades e instintos de defesa variados, vislumbrou-se, ainda assim, a capacidade catalítica de uma peça  de teatro enquanto motor de reflexão mais ou menos emotiva. Talvez possamos ficar descansados: se o contacto com o Teatro (com a Arte em geral?) não é um hábito, na esmagadora maioria dos casos isso não é reflexo duma escolha consciente. Resulta apenas do desconhecimento e dos mal-entendidos à volta das alternativas ao fast-food da(s) indústria(s) do entretenimento.

Recomenda-se vivamente a adopção de estratégias deste tipo a todos aqueles que pretendam construir/consolidar públicos.