Denúncia pública: TMN copia TELL

Que o marketing em Portugal estava entregue aos bichos, já se sabia há muito. Mas que podiam descer tão baixo…

O projecto TELL denuncia:

A TMN lançou ontem uma campanha publicitária para divulgação dos seus produtos comerciais, denominada “O fruto prometido”.
Esta campanha comercial é feita através da distribuição de maçãs vermelhas embrulhadas em flyers da TMN.

O Festival TELL, de performances no escuro e intervenções plásticas nas estações do Metro, financiado pelo Ministério da Cultura/DGArtes, cuja edição de 2010 teve início em 6 de Outubro de 2010, no Porto, utilizou desde sempre, maçãs vermelhas embrulhadas em flyers como meio de divulgação. Lembramos que a primeira edição do TELL aconteceu em 2008 e que apenas na edição deste ano tivemos connosco cerca de 60 criadores, alguns dos quais referências incontornáveis do panorama artístico português! (enviamos em anexo a listagem de todos os artistas que participaram no TELL 2010)

Estamos perante a utilização de uma ideia, criada por e para um festival de cruzamentos disciplinares, com uma missão artística, por uma empresa comercial para promoção dos seus produtos.

A nossa campanha, que aconteceu pela primeira vez em 2008, tem como principal intuito seduzir e sensibilizar o público para a arte, utilizando formas inovadoras de divulgação, é agora flagrantemente copiada e utilizada para efeitos comerciais. Mais, essa ideia de divulgação (os flyers/maçãs) completamente original e revolucionária foi um dos grandes motivos de apoio do Ministério da Cultura ao nosso projecto, pela capacidade de surpreender o público e captar espectadores.

A campanha da TMN acontece num momento em que ainda estamos com o nosso material de divulgação na rua. O Festival TELL prolonga-se até Novembro!

Estamos conscientes de que não temos mecanismos de lutar contra a empresa TMN, um gigante comercial, com dinheiro, contactos e poder para derrubar qualquer iniciativa legal que tentemos, quanto mais não seja pelo cansaço…

O Festival TELL sente grande dano e descontentamento por ter sido copiada a nossa forma de divulgação para efeitos comerciais.

E embora o TELL nunca tenha tido nenhum apoio da autarquia é de salientar que a Câmara Municipal do Porto apoia a iniciativa da TMN.

Estamos a tentar, desde que tomamos conhecimento desta iniciativa, entrar em contacto com o departamento de marketing da TMN, sem termos tido até ao momento nenhuma resposta às nossas questões.

Sem forma de defender a nossa ideia, solicitamos o vosso apoio para denunciar esta usurpação.

Blog TELL
tell1artista1euro.blogspot.com

Site TMN
www.ofrutoprometido.com

Banda Larga Móvel: não é concertação, é coincidência

Digam lá se é ou não uma maravilha ver o mercado a funcionar? Valentes empreendedores capitalistas, sempre em concorrência feroz, ainda que educada, sempre em prol do consumidor, aumentando a escolha, elevando a fasquia na oferta de produtos e serviços e na procura duma “estratégia de diferenciação” e…

Tretas! Se é isto o mercado e a livre concorrência, eu vou ali e já volto!

E claro que não há concertação de preços, nem nenhuma atitude menos clara que exija atenção por parte dos argutos, perspicazes e activos reguladores seja na Autoridade da Concorrência, seja na ANACOM, seja… vão gozar com outro! Depois dizem que a malta anda deprimida por ter voltado de férias! A malta anda deprimida é porque anda farta de promessas do El Dorado abanadas na ponta duma vara, enquanto leva no lombo com os “sacrifícios” que se exigem de “todos e de cada um”, a bem da “estabilidade” e da “consolidação”. Já dizia o Zé Mário Branco, no FMI: “consolida, filho, consolida!…”

Depois admirem-se com o mau feitio de alguns tipos e a falta de educação e boas maneiras… ou, pior ainda, falta de fé no “mercado”.

Onde estão as escolas no e-escolas?

Questão Prévia
Porque é que as pessoas não lêem?

A quantidade de pedidos de informação sobre o portátil português Magalhães e o programa e-escolinhas que me veio parar a esta caixa de comentários é indicativo de que as pessoas, cada vez mais, simplesmente não lêem o que está escrito nos artigos. Pesquisam no Google ou noutro motor de pesquisa, clicam num resultado mais ou menos promissor, passam os olhos na diagonal, e perguntam o que precisam de saber. Esta é a verdadeira definição de lazy web. Que me irrita.

Para que conste: escrevi sobre a inexistência de informação online oficial sobre o portátil Magalhães ou sobre o programa e-escolinhas. Não tenho informação a dar e só sei (porque alguém escreveu na caixa de comentários) que há um site não oficial, da autoria dum astuto blogger profissional português, a quem poderão colocar questões, que está a aproveitar bem a falta de informação oficial sobre este projecto. Veremos quando é que a falta de informação se transforma em falta de transparência. Por isso, se estiverem à procura de informação sobre o Portátil Magalhães, o melhor é irem mesmo ao blog: www.portatilmagalhaes.com.

Questão de Fundo
Onde estão as escolas no e-escolas?

Há muitas coisas que me irritam no programa e-escolas ou na sua variante e-escolinhas. Irrita-me a falta de transparência dos processos, irrita-me a falta de diversidade na oferta e a constante promoção de soluções baseadas no binómio Intel + Microsoft, irrita-me a associação estranha entre aquisição subsidiada pelo estado e contratos de fidelização com empresas privadas de telecomunicações… e a lista continua. Até a publicidade dos operadores de telecomunicações me faz desconfiar ainda mais do programa e dos seus efeitos, já que a lógica de promoção passa sempre muito ao largo da lógica da utilização dos computadores e/ou da internet no contexto educativo.

Campanha Optimus Kanguru e-escola
Campanha TMN e-escola

Já viram bem os anúncios do e-escolas, promovidos pela Optimus ou TMN? São claramente campanhas de promoção da utilização de computadores portáteis e da internet de banda larga móvel, mas onde é que entra a parte da escola, da formação ou do conhecimento?

Pode parecer cruel usar a publicidade produzida pelos privados para julgar este programa, mas parece-me que isto ilustra bem problema de base de que o programa sofre, na minha perspectiva: com estas campanhas de promoção da aquisição pessoal de computadores portáteis e planos de internet móvel não se opera nada de significativo sobre a escola, enquanto tal. Nem sobre o tecido de produção de conhecimento, informação ou comunicação. Facilitar a aquisição de computadores, sem intervir na base do sistema, é um desperdício. E, na base, o que é que está?

  • equipar escolas, bibliotecas e diferentes espaços públicos com computadores acessíveis e boas ligações à internet, de utilização gratuita, com possibilidade de acompanhamento por parte de formadores-monitores experientes não só na utilização das ferramentas, mas na pesquisa e utilização de conteúdos relevantes
  • apostar de forma séria e decisiva na produção de conteúdos e na sua promoção, assim como na indexação e interligação dos conteúdos existentes (nas escolas, nos centros de formação, etc)
  • preparar professores e formadores para usarem, de facto, as tecnologias e encontrarem usos relevantes nos seus espaços e comunidades educativas, divulgando conteúdos e ferramentas e promovendo a troca de experiências
  • concentrar esforços na promoção de soluções livres e abertas ao nível da produção e divulgação de conteúdos, para garantir interoperabilidade, acessibilidade a todos e optimização dos resultados, através de sinergias entre as diversas comunidades educativas
  • procurar uma mudança de mentalidades que permita que cada vez mais pessoas olhem para os computadores e para a internet como meios de comunicação e acesso a conteúdos relevantes (informação e conhecimento), assim como ferramentas de produção e divulgação de novos conteúdos e não apenas como plataformas de entretenimento ou fonte de distracções

É que, sem medidas que garantam a utilização relevante das ferramentas, de que adianta facilitar a sua aquisição? Aumentamos o nosso parque informático e o número de acessos de banda larga dispara (e isso deve ficar bem nas estatísticas e deve ser um dos indicadores na execução dos objectivos do Plano Tecnológico), mas e daí? Aumenta o conhecimento? Aumenta a utilização relevante das ferramentas? Aumentam as qualificações tecnológicas da população?