A Idade da Inocência

Quem não ouve TSF, ou não ouve a horas estranhas, talvez não conheça A Idade da Inocência. Eu, que só ouço rádio no carro, sou por vezes surpreendido por programas deste tipo, naquelas horas em que todas as rádios se parecem juntar na difícil tarefa de combater a insónia nacional. São programas de música para adormecer, essencialmente, pontuados a espaços com umas frases de significado aparentemente profundo, mas, na realidade, completamente vazias. Mas, depois de algumas breves experiências de audição estou convencido que estes programas devem constituir autênticos filões para músicos carenciados, já que, além de toda a música feita originalmente para adormecer, passam versões atrás de versões de músicas, cujo original já era muitas vezes meloso, mas não o suficiente, de tal forma que alguém decidiu fazer uma versão ainda mais melosa. Como se fosse um concurso. Hoje, por exemplo, ouvi um excerto duma versão inacreditavelmente melosa do já insuportavelmente meloso “How Deep Is Your Love“, dos incontornáveis Bee Gees. Para quê?

Mas o que me deixa ainda mais espantado é quando surgem versões melosas de músicas completamente despropositadas, como Eye of the Tiger, o tema dos filmes do Rocky, que ouvi hoje mesmo numa versão de adormecer brutos, em absoluto espanto. Nestes momentos, fico na dúvida sobre se A Idade da Inocência e programas similares não serão intervenções humorísticas ou mega-experiências psicológicas, para descobrir quão alienados do que se passa à nossa volta é que nós andamos.

Se vos interessa saber, eu, pelo menos, noto com espanto, estas agressões surrealistas. Às vezes dá-me para rir, outras para questionar se as pessoas responsáveis por estas coisas serão equilibradas e sãs.

Quando não se sabe do que se fala…

Ontem à noite, na TSF, a responsável pela emissão que, obviamente nunca deve ter estado no Porto “a sério”, anunciava que dentro de poucas horas se poderia circular normalmente na VCI, que tinha sido cortada “em direcção ao Porto”.

Eu, que estava prestes a entrar na VCI, em direcção à Ponte da Arrábida, não cheguei a saber se para ela, a “direcção ao Porto” é do Porto oriental (Freixo) para o Porto ocidental (Arrábida), ou o contrário, mas saí do Porto sem problemas. O que é seguro é que, em alguma altura, algum ponto da Via de Cintura Interna, que começa e acaba no Porto, esteve cortada, num sentido qualquer, que provavelmente nem interessa nada.

Não é a primeira vez que noto, em alguns dos responsáveis por dar informações de trânsito, uma diferença considerável no detalhe e pertinência da informação dada sobre as condições em Lisboa (cidade na qual circulam regularmente, imagino) e no Porto (cidade que já terão visitado). É tudo normal…

A magia da rádio

Não sou grande ouvinte de rádio. Ouço sobretudo no carro, como quase toda a gente, presumo, e acabo por procurar quase sempre notícias, sem grande esperança de encontrar nas playlists algum reflexo dos meus gostos musicais. Mas, regularmente, sou surpreendido e gosto muito da sensação. Quase sempre, as surpresas vêm das verdadeiras estações de serviço público: a privada TSF, na forma de reportagens, entrevistas ou crónicas fenomenais e a pública Antena 2 que, quase só em horários impróprios, oferece verdadeiras pérolas em programas “marginais”. Vem isto a propósito do Raízes de ontem, onde se ouviu canto gutural tuva e mongol, na voz mágica de Okna Tsahan Zam.

Não é fácil explicar a atracção que estas músicas exercem, essencialmente pela sua natureza mística e primária, mas a verdade é que passei uma boa parte da tarde de hoje a ouvir músicas deste universo. A referência mais evidente é Huun Huur Tu, o grupo de canto gutural tuva que esteve em Portugal em 2007. É deles este vídeo belíssimo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=hGaTLs-GsFw[/youtube]

Na ordem do dia: um agradecimento ao Alexandre Alves Costa

 O Arquitecto Alexandre Alves Costa esteve ontem Na Ordem do Dia, o programa da TSF em que as diferentes ordens profissionais têm tempo de antena. Não é irrelevante que tenha estado em representação da Ordem dos Arquitectos, mas a intervenção que fez diz-nos respeito a todos e põe muitas coisa na ordem do dia.


A mim, marcou-me o dia e devolveu-me um sentimento de admiração pela classe dos arquitectos pela qual nutro uma complexa mistura de amor e ódio… uma paixão assolapada, de facto.

Acho que a audição desta breve intervenção faz bem à alma de toda a gente que se preocupa com a cidade (a do Porto, particularmente), com a cultura e com o exercício activo e enérgico da cidadania.

Obrigado, Alexandre. Muito obrigado.

Pessoal e… transmissível

A TSF decidiu (e bem) retransmitir a conversa pessoal e transmissível do Carlos Vaz Marques com o matemático brasileiro Elon Lages Lima:

Elon Lages Lima, matemático
O que falta ao ensino da matemática não é pedagogia são os conhecimentos adequados por parte dos professores. O matemático brasileiro Elon Lages Lima garante que o problema é igual pelo mundo inteiro e defende, na entrevista ao fim da tarde, com Carlos Vaz Marques, que os professores também deviam ir a exame.

É de Junho de 2005, mas continua fundamental para quem não perceba a beleza da Matemática.

O site da TSF não é propriamente um bom exemplo de usabilidade e o feed do podcast não é muito explícito, por isso e para facilitar a pesquisa, deixo aqui o link do audio (enquanto estiver disponível do lado da TSF).