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Oportunidades desperdiçadas

Os audiowalks Viagens com Alma, que o Visões Úteis criou para 4 locais geridos pela Diocese do Porto, são também uma forma de propor novas relações com o património construído e com os locais religiosos e têm uma forte componente de captação de pessoas / público para os locais e para a dinamização de relações mais entusiasmadas com o património. Também por isso se apresentam versões em inglês e se procuraram soluções logísticas adequadas à integração com propostas “turísticas” e se manteve sempre presente uma variedade de públicos maior do que a que seria expectável para um audiowalk “puro”.

Recebi indicações, desde a abertura ao público, de que alguns dos locais nem sempre acautelaram a realização dos audiowalks nos horários previstos, confirmando algumas suspeitas com que fiquei na fase final de implementação de que os objectivos desta intervenção não eram claros e/ou partilhados por todos os intervenientes. É hoje público que, durante o mês de Agosto, 2 dos locais vão encerrar a possibilidade de se fazerem os audiowalks, ficando os restantes 2 numa situação algo imprevisível.

Eu não aprecio particularmente a sensação de trabalhar para gavetas (vide Os Ossos de que é Feita a Pedra). Não sei quantas pessoas poderão ter tido a experiência das Viagens com Alma e nem sei bem de que forma é que esta situação se poderia evitar, Mas parece-me algo evidente que o encerramento durante o principal mês de férias dum projecto que tem esta componente de “turismo cultural”, chamemos-lhe assim, é um reflexo do pouco que mudámos na nossa relação com a cultura e com a sazonalidade.

Pessoalmente, e no contexto da minha relação com o Visões Úteis, estou disponível para o que for preciso para garantir que o maior número de pessoas tem contacto com esta obra no seu estado original: no percurso. Infelizmente, tal não depende só da nossa vontade ou da vontade do público, já que alguns dos espaços atravessados não estão permanentemente abertos ao público.

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Se eu tivesse conta no Twitter

… diria que um grupo de espanhóis de alguma idade (galegos, presumo), em visita turística à nossa cidade de Aveiro, estão a cantar em grupo, de forma espontãnea e com bastante qualidade, canções tradicionais, na praça por baixo da janela do meu escritório.

Normalmente, a praça tem música (muito pouco variada) fornecida por uma loja de discos, mas assim é bem mais humana. Pena que tenham que ser turistas espanhóis a animar a malta.

Como não tenho conta no Twitter, perdi muito mais tempo a escrever e publicar este post. 🙁
Mas evito (mais) um fluxo constante de distracções. 😉

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Criação de públicos… Como?

Há questões recorrentes que me chateiam imenso em todas as conversas sobre a criação ou consolidação de públicos para a cultura, desde as opções de programação dos diferentes espaços, às estratégias de divulgação, políticas de preços… o problema é obviamente multifactorial e tudo isto contribui para a (in)eficácia de tantas estratégias e planos definidos por estruturas locais e/ou nacionais.

Eu, pessoalmente, acredito que há 1 factor que não pode nunca ser menosprezado e que, nesta questão como em tantas outras, é um dos menos valorizados no nosso país: a estabilidade da oferta.

Acredito que é essa estabilidade que cria hábitos e que são os hábitos que consolidam os públicos, coisa que faltou (quase) sempre nas estratégias de criação de públicos.
Grandes eventos, espalhados no tempo e no espaço, apesar de poderem ter alguma importância, não têm um impacto semelhante à simplicidade do hábito adquirido ao longo de anos. Hábitos culturais é mesmo coisa que nos falta e uma das razões para essa falta é a instabilidade da oferta.

E depois há as pequenas grandes irritações como a completa desarticulação entre Turismo e Cultura ao nível local, por exemplo.

Um exemplo bastante complexo e completo do que não fazer está ilustrado nesta fotografia tirada ao Teatro Aveirense no dia 24 de Agosto:

Divulgação de eventos passados na fachada do Teatro Aveirense

Não só a programação anunciada está gritantemente desactualizada, como é quase impossível perceber se o teatro funciona ou não num mês em que a cidade fica inundada de turistas (cultura e turismo é só no AllGarve?). É que até o café do Teatro fecha em Agosto…

Expliquem-me isto devagarinho, como se eu fosse muito burro.