Ideia espectacular para programa sensacional de TV

Não sei se a ideia é espectacular ou sequer original e é bem provável que o programa não fosse sensacional. E daí, olhando para a grelha dos canais existentes, se calhar o título deste artigo, relativo a uma ideia que tive ontem quando estava a adormecer, até é modesto.

A ideia é esta: “Casa dos Segredos” encontra “Portugal tem Talento” (podem substituir os títulos por porcaria semelhante).
Seria um “reality show” onde quem demonstrasse não ter nenhum talento ficava como pivot do canal e quem o fizesse era convidado a emigrar. Este último prémio até podia levar com o alto patrocínio do Conselho de Ministros, por exemplo, e as pessoas seriam escoltadas pelo Passos Coelho ou pelo Paulo Portas até a uma fronteira ou cais de embarque da sua escolha.

Deixo à consideração de todos os autores de TV do país.

Ainda sobre o filtro de Vuvuzelas

Notícias recentes fazem saber que algumas televisões vão transmitir jogos do Mundial sem Vuvuzelas. O Meo prepara-se para oferecer essa opção e a BBC também a estuda. Obviamente não o farão com uma solução parecida com a que andámos a estudar (houve quem perguntasse).

Um fitro de Vuvuzelas, para os emissores de TV, é uma coisa relativamente elementar. Um filtro simples como o que desenvolvemos, aplicado exclusivamente ao som do estádio chegaria para atenuar a irritação, mas podem e devem usar filtros mais avançados, com análise em tempo real de padrões de ruído, como o Vuvux da Prosoniq, específico para Vuvuzelas (gratuito, mas exclusivo para Mac OS) ou o SoundSoapPro da Bias, por exemplo, que é usado para “limpar” registos sonoros ruidosos— desde vinis antigos e riscados a gravações ao ar livre com ruídos de fundo irritantes (motores, ares condicionados, vuvuzelas…). Estes softwares específicos para “limpeza” e/ou “restauro” incluem algoritmos que visam a protecção da voz e, apesar de não fazerem milagres, no caso das Vuvuzelas, a sua aplicação é relativamente elementar e os benefícios evidentes. Considerando que quem transmite tem a possibilidade de separar o som do estádio do som dos comentários e aplicar os filtros de forma doseada, só não se compreende porque é que tardaram tanto a tomar medidas, mas deram-me indicações que o relato da TSF já era relativamente livre de Vuvuzelas, por exemplo. Não tive oportunidade de confirmar.

Entretanto, para quem não tem acesso a emissões pré-filtradas, o filtro que desenvolvemos está disponível para ser usado e melhorado.

Projecto Teares na SIC

Aceito sugestões sobre como aceder e partilhar só a peça respeitante ao nosso projecto, em vez de partilhar toda a segunda parte do Primeiro Jornal da SIC.

Da nossa parte, o processo de documentação do projecto está praticamente concluído, pelo que haverá mais informação em breve (áudio, fotos e vídeo).

Um abraço especial ao Albrecht Loops, por ter tornado esta reportagem possível.

Esclarecimento: o Luís Delgado não pára aqui

Em 2005 publicitei o cantinho do Luís Delgado, uma iniciativa cómica que muito me fez rir e que, entretanto, já deixou de existir. Na altura tive que prestar esclarecimentos adicionais sobre essa iniciativa, visto que o personagem provoca reacções muito pouco ponderadas por parte de alguns leitores mais distraídos, mas hoje, pela segunda vez desde essa altura, vem-me parar à caixa de comentários desse artigo uma mensagem dirigida ao Luís Delgado, desta feita, a propósito de declarações que o jornalista/comentador terá feito a propósito de Manuel Alegre, declarações essas que não vi, li ou ouvi.

Minha gente: o Luís Delgado não pára aqui.

Ponho-me a pensar qual será  processo que dá origem a estes equívocos? Será que as pessoas decidem “vir à internet” “dizer das boas” ao Luís Delgado, metem o nome do meliante no Google, encontram um resultado que tem como título “o cantinho do Luís Delgado”, não lêem nada, na ânsia de encontrar um botão para enviar uma mensagem ou comentário e “toma que já almoçaste“?! Se assim for, quantos equívocos tão ou mais surreais se repetem por essa blogosfera fora?

Vamos começar a trocar cromos?

Portugal 2010- Ideias Para a Década

Hoje, a SIC transmitiu uma Grande Reportagem em que 10 portugueses foram convidados a partilhar desejos ou propostas para a década, com comentários do filósofo José Gil. O meu pai, Arsélio Martins, foi um dos participantes, partilhando alguma da sua visão acerca do papel central da educação e da escola na construção dum país melhor, mais equilibrado e capaz de progredir. E também reforçou a ideia de que isso se consegue não necessariamente através de investimento em infraestruturas, mas, e principalmente, através do reconhecimento dos valores humanos em causa: a importância dos pais na construção de perspectivas de futuro para os seus filhos que passam pela valorização (social e económica) do conhecimento e o reforço da dignidade dos professores e da escola enquanto instituição central no desenvolvimento do país. Para mim e para quem o conhece, nada de novo, a não ser a frequência com que lhe sai um “totó!” da boca, enquanto interage com os alunos mais novos, pelos corredores da José Estêvão, por onde continua a circular com o assobio como companheiro inseparável.

Felizmente, a opinião do meu pai, assim como alguns dos desejos e propostas que ele sempre foi formulando, estão à minha disposição, pelo que vi o programa mais para perceber como é que a ideia de articular os desejos e propostas de 10 portugueses e concretizava (ou não) numa qualquer ideia dum país, passado, presente ou futuro. Foi, obviamente, apenas um programa de televisão, mas, além da participação do meu pai, interessaram-me, em mais detalhe, a do António Câmara (Ydreams) e da Né Barros (Balleteatro), por razões diferentes, e não dei o tempo por perdido, apesar de achar que os comentários e a espécie de conclusão, a cargo do José Gil, tenham deixado um bocado a desejar.

O que me surpreendeu mais foi, além do taxista que citou Alvin Toffler (músico, emigrante regressado), o estado de degradação do Shopping dos Clérigos e a clareza de pensamento do polícia do Porto que percebe que é pela prevenção da exclusão e pelos apoios sociais que se resolvem os problemas de marginalidade e segurança. Tivesse o edil da cidade a mesma clareza de espírito…

Nuno Teotónio Pereira, um retrato

Nuno Teotónio PereiraChamaram-me a atenção, via mail, para o documentário que a RTP2 vai exibir no próximo sábado, dia 17, às 21h00, sobre a figura notável que é Nuno Teotónio Pereira.

Nuno Teotónio Pereira é conhecido sobretudo como arquitecto. Mas ao longo da sua vida ele foi também muitas outras coisas. Mesmo se em todas essas coisas ele nunca deixou de ser arquitecto. E se todas essas coisas reenviam sempre ao arquitecto que ele é. Este “retrato” de Nuno Teotónio Pereira não pretende ser senão uma iniciação à sua vida e obra. Sabendo que num filme nunca cabe uma vida inteira.

Apontem nas agendas.

Televisão sem comando

Nunca pensei muito no que aconteceria se o telecomando da televisão deixasse de funcionar. Quando as pilhas vão a baixo, naquele período em que se dão umas pancadinhas para conseguir continuar o zapping ou diminuir o volume nos intervalos para publicidade, talvez me passasse pela cabeça que era uma grande seca se as coisas não se resolvessem assim. Mas acho que sou mesmo da geração que se habituou de tal forma ao telecomando, que nunca pensei a sério no impacto que ele tem na experiência televisiva das famílias.

Pois bem: o telecomando avariou-se e a preguiça para resolver a questão é enorme. Resultado: menos zapping, menos atenção à televisão, mais cuidado na escolha dos canais no momento de decidir, volume em compromisso constante por causa dos aumentos súbitos nos intervalos…

E um regresso à televisão online: tenho posto o Daily Show em dia. ;)

Que boa ideia!

1 da manhã. Estão 14 pessoas numa emissão da RTP a tentar comunicar entre elas e comigo, creio que sobre a Europa, num espaço provavelmente muito interessante para intervenções acusmáticas, mas francamente ineficaz para conversas ou debates.

Se estivesse no Twitter perguntaria se alguém está a perceber alguma coisa…

E mais: quem é que acha que eles se ouvem uns aos outros?

Momento Catita

Ontem à noite, na sala de espera das Urgência de Pediatria do Hospital Infante D. Pedro, de Aveiro, a enorme e inevitável televisão, sintonizada na RTP2, difundia Um Mundo Catita.

Olhei em volta: alguns adultos, cansados da espera, sorriam. Uma criança dormia ao colo da mãe e foi entretanto chamada. A única criança que chegou entretanto, com um pé aleijado numa queda, estava demasiado queixosa para se aperceber do insólito.

Eu, que tinha achado simpático poder ver as Notícias e o Câmara Clara, apesar de não me parecer a melhor forma de ocupar ou distrair crianças adoentadas, achei que, se a série está classificada com a bola vermelha no canto, aquele não era um sítio público onde fizesse sentido estar em exibição. Depois percebi que, provavelmente, mudar de canal consumiria demasiados recursos do hospital, além de ser relativamente ineficaz. E limitei-me a esperar.