Quem são vocês?

A desvantagem de não seguir os conselhos dos mestres e gurus da blogosfera é que nunca decidi especializar este blog e vou acumulando reflexões pessoais misturadas com intervenções cívicas, polvilhadas por opiniões técnicas sobre webdesign e outros ofícios, edições de podcast com música experimental e improvisada, anúncios de concertos e outros eventos culturais… uma salada que reflecte o que sou e o que faço, mas, de certa maneira, está constantemente a alienar uma parte substancial dos potenciais leitores. Como (quase) todos os blogs pessoais, no fundo, este é um espaço sobre mim e o meu umbigo e é também por não abdicar da consciência desse facto que me recuso a dar ouvidos aos gurus.

Mas, ainda assim, perco demasiado tempo a pensar se determinado assunto tem ou não tem lugar aqui e vou acompanhando com um misto de espanto e expectativa os altos e baixos nas visitas e nas subscrições do feed, sempre sem conseguir perceber quem são os leitores do blog e o que procuram aqui.

Não há estatísticas nem Analytics que me valham e nem o registo dos artigos mais lidos ou mais comentados serve de grande ajuda. A única conclusão minimamente sustentada é que existe uma relação directa entre a frequência de escrita e o número de visitantes.

Fico assim com uma ideia vaga de uma (pequena) massa disforme de pessoas que, por razões muito diferentes, mantêm este espaço debaixo do radar e acompanham o meu ritmo de escrita, provavelmente, como quem espera que, desta roleta russa, salte um assunto de jeito. Imagino, às vezes, caras de espanto, desencanto e aborrecimento em quem me visita à procura do seguimento dum tema apenas para descobrir que tudo continua baralhado e desconexo.

Não pondero, no entanto, alterar este estado de coisas. Desculpem lá.

Assumo, sem grande pudor, o carácter narcisista desta “coisa”.

Mas não deixo de me perguntar, com uma frequência proporcional ao número de visitas*, quem são vocês?

Alguém quer ensaiar uma resposta?

* – este blog tem uma média de 100+ visitantes diários