Entradas com Etiqueta ‘visões úteis’
Segunda-feira, 6 de Outubro, 2008
Como continua a ser verdade que, neste país provinciano e parolo, muitas decisões estão nas mãos de gente que, sem pensar, sente que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, este mês de Outubro, em que o Visões Úteis volta a pisar palcos da capital, é estranhamente importante:
Os espectáculos em Lisboa, envolvem-me “fisicamente”, um pouco para lá dos limites do estritamente necessário para assegurar a bandas sonora e sonoplastia.
Gosto de fazer O Contrabaixo e assumir a condição de “músico em cena”. O texto do Süskind é brutal (e um músico percebe isso um bocadinho melhor) e agrada-me a simplicidade, a portabilidade e a eficácia da encenação, além de não me deixar de surpreender com a interpretação do Pedro. E um espectáculo de teatro que tanto se faz em bares, como em auditórios (como em estações de metro), sem perder a eficácia, é, por definição, um espectáculo “forte”.

Já o Muna, é “outro campeonato”: no que exige de cada um de nós, criadores, intérpretes e técnicos; no que exige do espaço; no que exige do(s) público(s)… ficará seguramente na História do Visões Úteis e, havendo alguma justiça, ficaria noutras Histórias, mais globais.

Na minha, como músico e sonoplasta, como inventor e construtor de instrumentos, como performer e como pessoa (e pai) fica certamente. E o esforço de adaptar o espectáculo à sala-estúdio do TNDMII está também a revelar-se digno de antologia, mas é sempre preciso sofrer qualquer coisa pela “Arte”.
Dos nossos amigos e conhecidos na capital, espera-se algum apoio: pela presença e por algum apoio na divulgação. Obrigado.
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Segunda-feira, 25 de Agosto, 2008
Quando me mostraram, não queria acreditar.
O Público, diário generalista dito “de referência”, publicou na edição deste sábado, no caderno P2, um artigo intitulado “Do outro lado da cidade”, assinado pela jornalista Ana Cristina Pereira.


Em circunstâncias normais, uma tal visibilidade do “Vou ao Porto“, o projecto do Paulo Pimenta e do Visões Úteis, que resultou dum desafio no contexto de “O Resto do Mundo“, deixar-nos-ia a todos bem contentes, mas, assim,
Sem dizer que as fotografias de que fala, e que mostra, são muito mais do que a ilustração de um artigo. São parte de um projecto artístico muito mais vasto, da autoria do fotógrafo Paulo Pimenta e da companhia de teatro Visões Úteis (que não é sequer referida).
Aquelas 6 imagens fazem parte de uma exposição composta por 21 imagens criadas ao longo de um projecto que nos acompanha há quase dois anos.
Aquele conceito de traçar uma geografia do Porto através de retratos de famílias que habitam zonas marginalizadas da cidade, nasceu do discurso do Visões Úteis sobre a cidade e da cumplicidade com o Paulo Pimenta.
Assim, trata-se apenas e só dum erro muito grave e de mais um sinal da degradação dos órgãos de comunicação social, particularmente, do Público. Espero que quer o Paulo Pimenta (que se encontra na situação particularmente complicada de ter sido “traído” no seu próprio local de trabalho), quer o Visões Úteis façam chegar a sua justa indignação ao director do Jornal e ao Provedor e que estes sejam capazes de agir em conformidade, explicando o que houver a explicar e assumindo e corrigindo os erros.
Por falar nisso, a minha mais recente mensagem ao Provedor não teve qualquer eco.
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Terça-feira, 17 de Junho, 2008
Muna no TEATRO CARLOS ALBERTO, no Porto
uma criação Visões Úteis
de 18 a 29 de Junho
Muna - Versão Infância (M4)
de quarta a quinta, às 10h30 e 15h00 | sexta e sábado, às 15h00
Muna - Versão Adultos (M12)
sexta e sábado, às 21h30 | domingo, às 16h00
“Estás a gostar da brincadeira?”, pergunta a Muna. “Estou a gostar de tudo!”, responde o Muna.
No Muna, o espectáculo de “dupla-face” que estreia no dia 18, sou também um Muna e estou a gostar muito da “brincadeira”, mesmo que o trabalho envolvido seja hercúleo (pensavam que estava calado por ter metido férias ou uma licença de paternidade?).
Há canções, uma corneta-mangueira, uma bicicleta-musical, um piano… e há músicas de embalar e de sonhar (sonhos bons, sonhos maus e sonhos esquisitos) que fui criando para Muna e, obviamente, para a Maria.
Eu, que não posso ver nenhum dos espectáculos, porque aceitei ser parte integrante deste universo, aconselho os adultos a verem os dois espectáculos, se puderem. E estou verdadeiramente ansioso pela reacção das crianças, já que a dos adultos tende a ser menos genuína.
Venham. E tragam as vossas crianças… ou as dos outros.
Muna não é uma experiência trivial.
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Sexta-feira, 23 de Maio, 2008
A reacção mais frequente à notícia de que sou pai tende a associar à óbvia mudança de hábitos e rotinas que uma nova vida introduz, uma infeliz necessidade de abdicar ou controlar algumas das minhas actividades “naturais”. Amigos músicos receiam que deixe de estar tão disponível para concertos, leitores do blog presumem que deixarei de escrever com a mesma frequência, companheiros de outras tantas aventuras prevêem uma diminuição significativa de disponibilidade…
Se é por demais evidente que uma filha transforma a vida dos pais, é também imperativo que, no necessário (e bem positivo) reordenar de prioridades, os pais não se abandonem ou apaguem a si próprios. A Maria acrescenta muitas coisas à nossa vida, mas, felizmente, não se trata de nenhuma substituição. Claro que tudo isto está agora apenas a começar e só com o passar do tempo é que saberemos avaliar o seu real impacto, mas por se tratar duma decisão consciente, ponderada e reflectida, sentimo-nos preparados para continuar com a vida. Uma nova fase da vida.
E, para que não restem dúvidas, algumas provas visíveis de “actividade”:
A vida segue… mais alegre, mais preenchida, mais “focada”.
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Segunda-feira, 21 de Abril, 2008

DSC00011.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.
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Quinta-feira, 10 de Abril, 2008
Dia 18 de Abril assinala-se o Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios, este ano dedicado ao Património Religioso e Espaços Sagrados. Neste âmbito, e a convite da Diocese do Porto, o Visões Úteis apresenta em estreia absoluta a instalação SCHIU! na Igreja de São Lourenço (Igreja dos Grilos), no Porto (18 de Abril das 10h30 às 17h30).




Em 2000 o Visões Úteis criou o espectáculo SCHIU!, para a Igreja de Nossa Senhora das Dores e São José, no Porto, a partir de “O Livro das Igrejas Abandonadas” de Tonino Guerra. Criamos agora uma instalação visual e sonora sobre os lugares da fé, a partir do material gerado por esse espectáculo. Esta instalação invade com as imagens, as histórias e os sons de SCHIU! um lugar de culto. Um local de fé.
As igrejas, como os teatros, são locais que celebram e preservam as ideias de memória e de comunidade. E são locais onde reinventamos a nossa identidade comum.
Ficha Artística
SCHIU! - Instalação
Direcção: Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins
Espacialização, Edição e Montagem Audiovisual: João Martins
Realização Plástica: Ana Luena
Banda Sonora: Albrecht Loops
Vídeo: Susana Paiva
Textos: Tonino Guerra
Interpretação: Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins e Pedro Carreira
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Domingo, 23 de Março, 2008
english below
As últimas 2 semanas têm sido frenéticas, por isso, não pude cumprir as minhas próprias regras. Mas, enquanto tento arranjar tempo para criar mais material novo e exclusivo, publico aqui o tema principal da minha última banda sonora, Adúlteros Desorientados, uma peça do Visões Úteis. Faz sentido, como forma de “traição” ao podcast, não é?
Agradeço que ouçam e comentem.
E que estejam atentos às próximas apresentações da peça.
—
My last 2 weeks have been hectic, so I had to bend my own rules. But while I struggle for more time to create brand new and exclusive material, I’ll publish the main theme from my last soundtrack, Adúlteros Desorientados, a play by Visões Úteis. It fits perfectly with this sort of podcast betrayal, I guess.
Please enjoy and comment.
I’ll keep you posted aboutr future presentations of the play.

Adúlteros Desorientados - Intro [6:24m]:
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Terça-feira, 12 de Fevereiro, 2008
Não sei se é do cansaço, se é dos tempos que correm, mas hoje não parei de pensar neste bocado da Orla do Bosque:
Hoje vivemos no pior e mais violento de todos os regimes: vivemos no reino da Mentira. Ela está em todo o lado e em todo o tempo. Tão assustadora e poderosa como os reinados de barbárie e terror que a História conserva.
Está no marasmo geral que reveste as opiniões assépticas, o politicamente correcto que alicerça o diálogo.
(…)
A Mentira escorre na verborreia serena dos opinion makers, construtores da realidade dos seus botões.
in “Visíveis na Estrada Através da Orla do Bosque”, Visões Úteis (ed. Quasi)
Por acaso, é mais neste, dos Estudos:
Eles estão por todo o lado e baralharam com tal perversidade , ou pelo menos egoísmo, as ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que se torna cada vez mais difícil reconhecer onde está o bem e onde está o mal; e fizeram-no com tal mestria que às vezes trememos de pavor ao descobrir que até estamos a concordar com eles. Eles que fazem o que é certo pelos motivos errados pelo que não fazem o certo mas o errado. Pavor porque o mal existe e estamos tão adormecidos pelo seu brilho, pela sua cor, que o confundimos com o bem. Estamos tão preocupados em respeitar as conquistas de Abril ou da Revolução Francesa, que perdemos o discernimento e a capacidade de definir aquilo que claramente está mal e que por isso deve ser combatido, sem falinhas mansas, sem panos quentes, o que está mal muda-se. Temos que ter inimigos. Sem eles não temos amigos.
in “Visíveis na Estrada Através da Orla do Bosque”, Visões Úteis (ed. Quasi)
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Sábado, 9 de Fevereiro, 2008
No momento em que decidi o rumo a dar ao podcast que tão irregularmente tenho mantido por aqui (estejam atentos), e a meio da temporada de Adúlteros Desorientados na Serv’Artes— que anunciei aqui—, e já que actualizei a minha lista de músicas no MySpace, também, pareceu-me boa ideia “oferecer” aos leitores do blog este excerto da minha última banda sonora.
O título, inexplicável, como quase sempre, é Electroplex.
Juntamente com o cartaz da peça, aqui ao lado, pode ser que sirva de estímulo adicional para quem estiver a pensar ir ver a peça no Porto (na Serv’Artes é às terças-feiras, até 25 de Março) ou em Guimarães (lá estaremos no dia 23 de Fevereiro, no Centro Cultural Vila Flor) ou noutros locais e datas que iremos anunciando.
Mas se não gostarem da música, não a usem como desculpa para não irem!
Quanto ao futuro deste podcast, darei mais notícias durante o fim de semana.

Electroplex [2:38m]:
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Quarta-feira, 9 de Janeiro, 2008
Adúlteros Desorientados é a primeira produção do Visões Úteis em 2008 (e a minha primeira banda sonora do ano) e é uma nova incursão no género do “teatro portátil”— espectáculos capazes de se adaptar a vários tipos de espaços, com condições técnicas e ambientes tão diversos como galerias de arte, salas de teatro, bares e cafés…
Este novo monólogo, protagonizado pelo Pedro Carreira, foi construído através da adaptação de Contos de Adúlteros Desorientados, de Juan José Millás, escritor e jornalista espanhol.
Eu estou muito satisfeito com o resultado e muito entusiasmado com a aposta do Visões Úteis num formato que permite uma circulação fora do comum. Só para que se perceba a portabilidade desta proposta, vejam a agenda:
- estreia a 15 de Janeiro, no Espaço Serv’Artes, no Porto, onde se apresentará todas as terças-feiras, às 22h00, até dia 25 de Março (são 11 terças-feiras)
- no fim de semana a seguir à estreia, estará em Aveiro nos dias 18 e 19 de Janeiro (sexta e sábado), no Mercado Negro, também às 22h00
- no fim de semana seguinte, estará em Vila Real, no dia 25 de Janeiro (sexta-feira), no Teatro de Vila Real, também às 22h00
Escolham o local e a data que vos convier. E, se estivermos ainda muito longe, façam propostas de novos sítios.
A sério… proponham.
Etiquetas:aveiro, calendário, mercado-negro, porto, servartes, teatro, vila-real, visões úteis
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