O Contrabaixo no Teatro Municipal da Guarda

Quarta-feira, 30 de Outubro, 21h30
O Contrabaixo no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda.

Mais uma apresentação dO Contrabaixo. Mais uma visita ao Teatro Municipal da Guarda. Bela combinação.

Bem sei que o pré-aviso é curto, mas o tempo não ajuda.

Descompressão

Os mergulhadores, quando atingem determinadas profundidades, têm que fazer a ascensão de forma gradual para permitir a necessária descompressão e evitar várias complicações. Têm mesmo, em alguns casos, que permanecer em câmaras de descompressão, por períodos proporcionais à profundidade atingida e ao tempo do mergulho, já que os efeitos duma incorrecta descompressão são terríveis, podendo mesmo provocar a morte, em casos extremos.

Do que nem sempre se fala é de quão verdade isto é também para mergulhadores em outros meios que não os aquáticos: um profundo mergulho num projecto ou numa actividade exige, frequentemente e dependendo da pressão exercida, um período de descompressão que, caso não se cumpra, pode originar lesões graves.

Sim… estou a tentar encurtar o período de descompressão depois da recente entrega do audiowalk, para poder começar a trabalhar na banda sonora da próxima peça do Visões Úteis e os efeitos nefastos já se começam a sentir. :(

Hoje no TA: Adúlteros Desorientados

Hoje, 25 de Março, quarta-feira, às 22h00, no Teatro Aveirense, Adúlteros Desorientados, do Visões Úteis.

É “teatro fora de horas”.

Adúlteros Desorientados

E os adúlteros e as adúlteras que, neste preciso momento, levam a cabo o seu trabalho febril (…) criam uma rede na qual se apoia o resto das contradições que moldam a realidade. A mim, a todos nós, adúlteros e adúlteras esforçados, a sociedade deve-nos tudo.

“Adúlteros Desorientados”, adaptação da obra “Cuentos de adúlteros desorientados” de Juan José Millás, é mais uma incursão do Visões Úteis no teatro portátil – um monólogo divertido para um público descontraído mas exigente, concebido para possibilitar a relação directa entre criadores e público.

Pessoalmente, foi uma banda sonora que me deu muito gozo a fazer.

Aparecem?

Realização pessoal

Acabei hoje a pós-produção de Os Ossos de que é feita a Pedra, o audiowalk do Visões Úteis para a Cidade da Cultura da Galiza.

Amanhã será dia de voltar a ouvir tudo, calmamente. Acabar trabalhos desta dimensão deixa-me normalmente numa situação de “ressaca” e esta altura só é diferente porque não tenho grande tempo para pensar: O Anzol, a próxima produção do Visões, aproxima-se rapidamente.

Mas não posso deixar de dizer que me sinto bastante satisfeito com o trabalho que fiz. Não me levam a mal, pois não?

Nota avulsa sobre Sound Art

Estou a ler Sound Art: Beyond Music, Between Categories, do Alan Licht, que a Cláudia me ofereceu pelos anos. Como no caso do Walkscapes: Walking as as Aesthetic Practice, do Francesco Carreri, que li enquanto trabalhava no nosso segundo audiowalk, Errare, sinto-me a consultar bibliografia retrospectivamente: a cada página sinto que faria sentido ter lido o livro antes de começar a trabalhar nesta área, sem por isso ficar com a ideia de que faria as coisas de forma diferente. As convicções que tenho acerca das virtudes e defeitos das opções que vamos tomando são reforçadas, ou melhor, informadas, por estas leituras e julgo que aprendo muito mais e compreendo muito melhor os conceitos em jogo por causa das intensas experiências que fui tendo. É, no geral, um processo muito interessante.

Além disso, no caso de Sound Art, colocam-se algumas questões prévias, coincidentalmente ligadas com conversas recentes sobre o “estatuto” de diversas formas artísticas. Para que se possa continuar mais tarde essa conversa, trancrevo alguns excertos férteis:

Music, like drama, set up a series of conflicts and resolutions, either on a large or small scale (…). A friend recently commented that avant-garde art is now commercially viable and extremely successfull, whereas avant-garde literature, music, as film are usually uncommercial and generally unsuccessfull. He’s right, but that is because art doesn’t have the inherent entertainment value of a narrative that those other art forms have. It doesn’t have to appeal to the masses to be successfull— as long as it catche’s one collector’s (or curator’s) attention, the person who created it can make a fair amount of money from it. Literature, music, and film, however, depend on popular opinion and public demand. This is because they’re the primary sources of entertainment besides sports.
p. 13

Sound art (…) rejects music’s potential to compete with other time-based and narrative-driven art forms and addresses a basic human craving for sound, For the purposes of this study, we can define sound art in three categories:

  1. An installed sound environment that is defined by the space (and/or acoustic space) rather than time and can be exhibited as a visual artwork would be.
  2. A visual artwork that also has a sound-producing function, such as a sound sculpture.
  3. Sound by visual artists that serves as an extension of the artist’s particular aesthetic, generally expressed in other media.

p. 16-17

Os nossos audiowalks não se inscrevem em nenhuma destas 3 categorias e, nesse sentido, não são Sound Art, mas o discurso mais comum acerca da música e do som enquanto matérias artísticas feito pelo mundo da Arte é muitas vezes surpreendente.

O segredo do silêncio

Não é segredo: estou a trabalhar em Santiago de Compostela. E não tem sido fácil organizar esta minha vida de semi-emigrante. Quando isso acontecer, talvez volte ao blog de forma regular.

Entretanto, fiquem sabendo que saiu o número mais recente da Jazz.pt, onde está a minha cobertura da primeira semana do Guimarães Jazz. Além disso, há um belo balanço do ano de 2008.

Visões Úteis: Outubro em Lisboa

Visões Úteis, logotipoComo continua a ser verdade que, neste país provinciano e parolo, muitas decisões estão nas mãos de gente que, sem pensar, sente que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, este mês de Outubro, em que o Visões Úteis volta a pisar palcos da capital, é estranhamente importante:

Os espectáculos em Lisboa, envolvem-me “fisicamente”, um pouco para lá dos limites do estritamente necessário para assegurar a bandas sonora e sonoplastia.

Gosto de fazer O Contrabaixo e assumir a condição de “músico em cena”. O texto do Süskind é brutal (e um músico percebe isso um bocadinho melhor) e agrada-me a simplicidade, a portabilidade e a eficácia da encenação, além de não me deixar de surpreender com a interpretação do Pedro. E um espectáculo de teatro que tanto se faz em bares, como em auditórios (como em estações de metro), sem perder a eficácia, é, por definição, um espectáculo “forte”.

O Contrabaixo, imagem de Paulo Pimenta

Já o Muna, é “outro campeonato”: no que exige de cada um de nós, criadores, intérpretes e técnicos; no que exige do espaço; no que exige do(s) público(s)… ficará seguramente na História do Visões Úteis e, havendo alguma justiça, ficaria noutras Histórias, mais globais.

Muna, ilustração de Júlio Vanzeler

Na minha, como músico e sonoplasta, como inventor e construtor de instrumentos, como performer e como pessoa (e pai) fica certamente. E o esforço de adaptar o espectáculo à sala-estúdio do TNDMII está também a revelar-se digno de antologia, mas é sempre preciso sofrer qualquer coisa pela “Arte”. :)

Dos nossos amigos e conhecidos na capital, espera-se algum apoio: pela presença e por algum apoio na divulgação. Obrigado.

O que raio é que se passa com o Público?

Quando me mostraram, não queria acreditar.
O Público, diário generalista dito “de referência”, publicou na edição deste sábado, no caderno P2, um artigo intitulado “Do outro lado da cidade”, assinado pela jornalista Ana Cristina Pereira.

"Do outro lado da cidade", página 1 "Do outro lado da cidade", página 2

Em circunstâncias normais, uma tal visibilidade do “Vou ao Porto“, o projecto do Paulo Pimenta e do Visões Úteis, que resultou dum desafio no contexto de “O Resto do Mundo“, deixar-nos-ia a todos bem contentes, mas, assim,

Sem dizer que as fotografias de que fala, e que mostra, são muito mais do que a ilustração de um artigo. São parte de um projecto artístico muito mais vasto, da autoria do fotógrafo Paulo Pimenta e da companhia de teatro Visões Úteis (que não é sequer referida).
Aquelas 6 imagens fazem parte de uma exposição composta por 21 imagens criadas ao longo de um projecto que nos acompanha há quase dois anos.
Aquele conceito de traçar uma geografia do Porto através de retratos de famílias que habitam zonas marginalizadas da cidade, nasceu do discurso do Visões Úteis sobre a cidade e da cumplicidade com o Paulo Pimenta.

Assim, trata-se apenas e só dum erro muito grave e de mais um sinal da degradação dos órgãos de comunicação social, particularmente, do Público. Espero que quer o Paulo Pimenta (que se encontra na situação particularmente complicada de ter sido “traído” no seu próprio local de trabalho), quer o Visões Úteis façam chegar a sua justa indignação ao director do Jornal e ao Provedor e que estes sejam capazes de agir em conformidade, explicando o que houver a explicar e assumindo e corrigindo os erros.

Por falar nisso, a minha mais recente mensagem ao Provedor não teve qualquer eco.