Profissional? Eu?

A convite do Dr. Nelson Lopes, psicólogo no Gabinete de Apoio ao Jovem da Câmara Municipal de Aveiro, participei num Painel de Profissionais, com a missão de partilhar com alunos do 12º ano da Escola Secundária Jaime Magalhães Lima, alguma da minha experiência na qualidade de web designer. Todas as minhas reservas— não ter um percurso de formação minimamente regular, ser demasiado jovem e inexperiente para poder dar uma visão completa de qualquer exercício profissional e ser excessivamente disperso na minha actividade para me poder assumir como profissional seja de que área for— foram sendo rebatidas pelo Nelson Lopes, a quem a ideia de trazer um “agente provocador” ao painel, parecia agradar.

Participei, por isso, nessa qualidade e, apesar do cansaço (o painel foi de manhã e tinha tido filme-concerto do Space Ensemble em Barcelos na noite anterior), acho que não se perdeu tudo e ninguém ficou demasiado melindrado (espero) com a minha presença.

Comecei, destacando a velocidade vertiginosa a que a web, enquanto suporte, se desenvolve e modifica e, por isso, a necessidade imperiosa de, quem se interessar por ela, não se afeiçoar demasiado a ferramentas, linguagens ou procedimentos específicos e, necessariamente circunstanciais, e investir numa formação flexível, centrada no “aprender a aprender” e no “aprender a pensar“, muito mais “estáveis” e úteis a médio e longo prazo do que o “aprender a fazer“. Partilhei também a parte mais “dramática” do meu percurso escolar (uma prolongadíssima desistência do curso de arquitectura) e aconselhei, nos limites do que me é permitido, a não ter medo de mudar de sonhos e vontades e, acima de tudo, fugir das armadilhas das expectativas externas (ou da percepção que temos delas) e quebrar este ciclo vicioso de prolongar os percursos formativos ad nauseam, sem convicções.

Não se metam num curso superior qualquer só porque é o que se espera que façam ou, pior, porque é aquele em que conseguem entrar. O curso não pode ser um fim em si mesmo.

Não sei se o disse com esta convicção, mas tentei.

Para ilustrar a questão da velocidade, usei uma citação do Boris Vian, tirada de “Os Construtores de Impérios“:

Corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado.

Timeline of major browser releases, Wikipediae, para dar um aspecto mais “técnico”, mostrei-lhes esta timeline dos lançamentos dos principais browsers, que pode ser vista em detalhe na Wikipedia.

Para quem nasceu à volta de 1990, este ritmo de desenvolvimento, a par das datas de lançamento dos principais serviços web que fazem parte do nosso quotidiano— Amazon, 1994; Yahoo e Sapo, 1995; hi5, 1996; Google, 1997, MSN, Blogger e RSS, 1999; Wikipedia, 2001, Last.fm, 2002; Skype e MySpace, 2003, YouTube, 2005— deve fazer pensar 2 vezes todos aqueles que aspiram a um futuro sossegado (que espero que sejam sempre cada vez menos).

Datas de lançamento de serviços web emblemáticos

O tempo não era muito (15 minutos para a apresentação) e não consegui fazer nada de tão rigoroso ou completo como gostaria. Até porque não podia evitar a “provocação” final que, infelizmente, não tivemos tempo para debater, nem com os alunos, nem com os professores, nem com os restantes profissionais presentes: o matemático Manuel Scotto, o engenheiro electrotécnico/telecomunicações José Carlos Pedro, o engenheiro civil João Paulo Tavares (CMA) e o professor de educação física / empresário Ricardo Silva.

Quem sabe se a podemos debater aqui no blog? Cá vai:

O trabalho é a porca chantagem da sobrevivência.
Movimento Situacionista