Entradas com Etiqueta ‘web 2.0’

Está ligado?

Sexta-feira, 14 de Agosto, 2009

Os dados recentes sobre a utilização da internet em Portugal, no contexto dum quadro comparativo da Europa a 27, ilustram um país fracturado, cronicamente atrasado, bem distante da imagem que muitas vezes tentamos ter de nós próprios. O relatório da Comissão Europeia, que pode ser visto na íntegra aqui, coloca-nos na linha da frente em áreas como o eGovernment, eBusiness e eCommerce para Empresas, facto amplamente divulgado e destacado pelas vozes oficiais, mas demonstra também que a percentagem de portugueses que, de facto, está “ligada” é muitíssimo baixa. A justificação “oficial” faz sentido:

Este relatório aponta níveis baixos de utilização regular da Internet pela população (Portugal=38%, UE=56%) que, como sabemos, estão relacionados com a muito baixa percentagem da população adulta que tem educação secundária em Portugal (a mais baixa dos 27 países da UE), sendo que a posição de Portugal no que toca a utilização da Internet por pessoas com educação secundária e não superior (87%) e com educação superior (91%) é das melhores na UE, acima das médias da UE (respectivamente, 67% e 89%), e o mesmo acontece para a utilização da Internet por estudantes (Portugal=97%, UE=94%), muito acima do que seria de esperar pelas características socio-económicas do país.

Mas é muitíssimo deprimente. E ilustra, por si só, a fractura virtualmente inultrapassável que impede o país de progredir: um défice gritante de formação a que, aparentemente, nos rendemos. Esta justificação para um 22º lugar (entre 27) no ranking de utilizadores regulares de internet, ainda que honesta e rigorosa, não pode deixar de nos arrepiar: “a mais baixa (percentagem da população adulta com educação secundária) dos 27 países da UE”.

E estes dados devem-nos fazer pensar a todos em formas de inverter esta situação pela simples razão de que a literacia digital é um factor objectivo de exclusão social. Paradoxalmente agravada pela adopção de medidas que visam facilitar a prestação de serviços públicos por esta via. É, de facto, uma história de “ovos e galinhas”, mas é por demais evidente que nenhuma estratégia será bem sucedida se decidir aproveitar destes dados os indicadores positivos e esquecer os negativos, com a desculpa fácil de que temos muitos “analfabetos funcionais e info-excluídos”. A concentração de esforços na inversão desta tendência deve, por imperativos sociais e democráticos, sobrepôr-se ao investimento na adopção de soluções tecnológicas que servem minorias. Não se trata dum clássico “enquanto houver um analfabeto funcional no país não devemos gastar um tostão em projectos de eGov”, mas de procurar compreender quais as medidas que facilitam o acesso, de facto e quais aquelas que têm sido ineficazes.

Fazer perguntas simples e procurar responder com rigor:

  • como se demonstra e explica a utilidade das novas tecnologias a populações “info-deprimidas”?
  • como se constróem e conquistam espaços de cidadania onde as novas tecnologias desempenham um papel útil e, assim, consolidam o seu espaço?
  • como se utiliza a escola para promover a adopção das novas tecnologias para lá dos seus limites físicos?
  • como se consolida o espaço virtual como espaço de comunicação e participação cívica?
  • como se desenvolve o potencial económico do espaço virtual nacional?

A muitas destas perguntas os especialistas e os homens da propaganda responderão com siglas e nomes de programa já executados e em curso que se orientam, teoricamente, em função destes objectivos. Mas, se olharmos para os dados dos últimos quadros deste relatório, percebemos que talvez alguns desses programas tenham bases pouco sólidas: na percentagem de pessoas empregadas com competências de utilizador de TICs, estamos em 26º, apenas à frente da Roménia, e na percentagem de pessoas empregadas com competências de especialista em TICs, estamos em 21º. Significa isso que uma parte significativa dos esforços desenvolvidos no terreno, junto de empresas e organizações, são realizados no vazio, sem interlocutores válidos para a implementação de medidas nestas áreas. Parece por isso mais relevante, ainda, reforçar a ideia do investimento na formação em TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) como competência cívica elementar: a conquista de novos utilizadores pela via da participação cívica, como indivíduos será mais eficaz do que a sua instrumentalização no local de trabalho, onde as pressões laborais podem ter um efeito adverso. Para a conquista destes novos utilizadores-cidadãos, precisamos, como de pão para a boca, de níveis absolutamente diversos de conteúdos, o eterno calcanhar de Aquiles da internet “portuguesa”. Produzimos poucos conteúdos e de fraca qualidade; nas Universidades, por exemplo, faltam projectos de disponibilização aberta dos poucos conteúdos de qualidade que temos e abundam projectos fechados, nos quais se adivinham, ora grande tesouros, ora “porcas misérias”. As pesquisas em português devolvem sistematicamente resultados produzidos no Brasil, nem sempre com qualidade, mas sem que nunca se perceba a inexistência de equivalente ou alternativas portuguesas. Ou devolvem conteúdos irrelevantes. E, para quem dominar a língua inglesa, mais frustrante será saber que, muitas vezes, há conteúdos de qualidade a serem criados cá, mas na chamada “língua franca”, para aumentar a visibilidade, mas com o efeito perverso de diminuir a acessibilidade aqui.

Na escola, a iniciativa e-escola é bem exemplo do que não se devia fazer, na minha opinião: ao privilegiar e financiar a aquisição privada de computadores e a contratação de serviços de ligação à internet, o estado dinamiza o comércio de serviços e produtos, e esquiva-se ao papel fundamental de assegurar as infra-estruturas humanas, mais que técnicas, que poderiam fazer funcionar comunidades educativas em rede. O dinheiro vertido no comércio de laptops, seria mais útil na formação continuada de professores, na manutenção de redes informáticas adequadas (leia-se com técnicos responsáveis), na criação e difusão de conteúdos em rede, na abertura das infra-estruturas técnicas das escolas às comunidades que ali poderiam (re)construir os seus centros cívicos. Menos computadores, mais bem usados, prioridade a soluções abertas, livres e gratuitas, combate ao desperdício que consiste a aquisição de tantos laptops, cuja obsolescência se confirma em poucos anos… estes factores de rigor na gestão dos recursos permitiriam “fazer mais com menos” e, ao concentrar os recursos técnicos e humanos em torno das escolas, poderíamos assistir a um curiosos fenómeno: as pessoas aproximavam-se umas das outras fisicamente, para descobrir as vantagens de generalizarem essa aproximação no mundo virtual. Compreendia-se de forma mais profunda o significado e a importância das relações (dos vários tipos de relações) no contexto dum mundo tendencialmente virtual. Perceber-se-ia, talvez, que, num mundo de informação e comunicação, passar demasiado tempo a olhar e polir os nossos umbigos é disparatado: há imensa gente e imensos umbigos mais interessantes que o nosso com que nos podemos relacionar.

E, entre olhar para o próprio umbigo e passar a olhar o umbigo do outro, dá-se uma tão grande mudança de postura que talvez possamos ver a linha do horizonte.

Twitter, Facebook e Friendfeed… cuidado com a onda

Sábado, 8 de Agosto, 2009

Quem acompanha este blog terá notado um decréscimo significativo de actividade, inversamente proporcional ao tempo que tenho dedicado à comunicação online. Curioso. A verdade é que, depois de aderir ao Twitter e de sincronizar a partir dali o meu estado no Facebook, comecei a usar com alguma intensidade estas plataformas, porque se ajustam ao meu (pior) comportamento obsessivo-compulsivo, com intervenções curtas, e respostas rápidas. Percebi, de novo, que uma das coisas mais interessantes (e mais perigosas, como distracção) da vida social online é, como na vida real, um nível elevado de interacção. Pergunta, resposta, comenta, faz um aparte, manda uma boca, partilha um link ou uma imagem… tudo isso é fácil, imediato e “real” no Twitter, que tem como principal desvantagem a superficialidade inerente às rajadas de 140 caracteres, a confusão do meio, onde se torna difícil perceber quem disse o quê e a que propósito e um potencial de vício que se torna fundamental combater. O Facebook ajuda a organizar algumas coisas e tem sido um ponto de contacto interessante e até inesperado com muitas amizades reais, mas foi com o Friendfeed, a que aderi, entretanto, que descobri que posso combater parte destas desvantagens, por não ter os mesmo limites de caracteres e, acima de tudo, por poder cruzar conteúdos de várias fontes e republicar nos contextos relevantes.

Com estas novas ferramentas e hábitos, não tenho ainda a certeza de qual pode ser o papel do blog, mas é evidente que muitas coisas que, em tempos, “mereciam” um artigo, agora são mais eficazes, seja na divulgação, seja na recolha de feedback, se forem difundidas como um simples tweet, ou partilhadas via Friendfeed.

Teoricamente já sabia que assim era: li os artigos dos “especialistas” em social media que estão na berra, consultei os sites das plataformas e testei timidamente alguns serviços. Mas mantive-me à distância, acima de tudo, por precaução: sei que este é um terreno em que facilmente posso deixar de distinguir entre o uso razoável, o uso distraído e o uso obssessivo, até porque sou hábil na racionalização dos meus vícios e das minhas distracções. Sempre fui.

Este é, por isso, aquele ponto em que me reconheço no topo da crista da onda que não me pode engolir. Primeiro passo está dado.

Uso, Permanência e Existência: os 3 estados “online”

Quinta-feira, 9 de Abril, 2009

Nos dias com muito tempo livre (mesmo que o tempo só seja livre em algumas áreas mais irresponsáveis do meu subconsciente), dou por mim a pensar em coisas parvas com uma certa conotação filosófica.

Hoje, por exemplo, a propósito de passar grandes temporadas sem ter sequer uma ligação à internet e, apesar disso, haver gente que acha que eu tenho uma existência “online”, cheguei à conclusão de que existem 3 estados ou modos de interagir com a internet (refiro-me a sites, correio electrónico e todos os protocolos e serviços baseados na rede). Estes “estados” são aplicáveis aos indivíduos e às organizações, ainda que com adaptações, como se percebe. E quer os indíviduos, quer as organizações são capazes de mudar entre estados, da mesma maneira que a água se evapora ou solidifica, de acordo com a temperatura.

  • Uso — é o estado mais elementar de interacção. As pessoas que simplesmente “usam” a internet fazem-no da mesma forma que usam telefones, televisões, jornais ou mesas de café. A sua vida não foi (conscientemente, pelo menos) mudada pela utilização desta ferramenta. Abordam os conteúdos online como leitores-consumidores e não interagem profundamente nos sites que consultam. Usam o correio electrónico e/ou trocam mensagens instântaneas com colegas e amigos. Não participam em comunidades ou fóruns, mas podem ocasionalmente, comentar um artigo num jornal e podem até ter um perfil no hi5 ou sucedâneo, porque um amigo ou conhecido sugeriu. Não se sentem parte da internet e não sentem (conscientemente) a sua falta, ainda que possam ser os primeiros, no trabalho ou na escola, a queixar-se se houver um corte no acesso.
  • Permanência — é o que acontece a um utilizador que se entrega aos (ou é absorvido pelos) mecanismos de interacção das diversas plataformas online. As pessoas que “permanecem” ou, mais simplesmente, que “estão” online, não se limitam a “usar” as ferramentas. Sentem-se parte do fenómeno e têm actividades regulares de definição de território pessoal: criam um blog, registam-se em várias redes sociais, de acordo com os seus perfis, comentam artigos em sites de vários tipos, participam em fóruns… isto além de usarem o correio electrónico e as mensagens instantâneas para todas as áreas da sua vida: família, trabalho, lazer, etc. A internet mudou a vida destas pessoas, e elas têm consciência disso. Identificam os “seus” espaços, privados e comunitários. Fazem da sua actividade e do seu “território” online, parte da sua apresentação e descrição como pessoas. E, claramente, há coisas que não saberiam fazer sem estas ferramentas.
  • Existência — quando quem “está” online, fica tão absorvido por ferramentas e serviços online que se convence que para cada uma das áreas da sua vida há alguma coisa online que pode melhorar ou facilitar a sua vida real e que, quando isso não acontece, começa a descurar esses aspectos da realidade, pode-se afirmar com propriedade que essa pessoa passou a “existir” online. São as pessoas que, conscientemente ou não, tentam assegurar-se de que terão sempre uma forma de estar ligados, mas mais do que isso, são as que fazem um investimento emocional desproporcionado na sua actividade virtual. Não são necessariamente as que têm net nos telemóveis e placas de banda larga portátil, mas são as que twittam no percurso entre casa e trabalho, as que, em vez de perguntarem a quem passa, usam um site ou serviço online para saber onde fica a farmácia ou o restaurante mais próximo. As que dão por elas a pensar, a cada momento, que deviam ter consigo uma máquina fotográfica ou de filmar para poderem transformar cada pedaço de realidade em registo digital partilhável. Mais do que isso; as que têm dificuldade em captar, usufruir e reagir ao mundo físico que as rodeia, mas têm um interesse quase mórbido pelas últimas actualizações no seu agregador de conteúdos, ou pelos vídeos mais populares do YouTube, ou…

Acho que já devo ter passado por estes 3 estados, em níveis diferentes e por razões diferentes e acho que conheço pessoas mais ou menos estabilizadas em cada um deles. Mais do que isso, conheço pessoas que ocupam variadíssimos lugares intermédios nesta escala ultra-simplificada e sei que o processo que nos leva duns estados a outros resultam duma mistura complexa de decisões conscientes, omissões e constrangimentos. Sei que me sinto limitado ou “reduzido”, quando não posso fazer mais do que “usar” a internet. Sei que já me assustei com a sensação de que tinha estado a “existir” online. Sei que sinto algum conforto no “meu” espaço online. Mas (agora) sei que nada disto é verdadeiramente relevante comparado com a esmagadora dimensão que tem a vida real.

O Público errou

Sábado, 2 de Agosto, 2008

Há uma secção com este nome no jornal Público, mas duvido que aquilo que para mim é um erro, seja assumido como tal pela redacção ou pelos seus editores.

Pela segunda vez, este blog aparece citado no jornal, na secção “Blogues em Papel”, na qual a equipa do Público escolhe um tema que esteja a dar que falar na blogosfera, mas não necessariamente bom para vender jornais e publica excertos, muitas vezes contraditórios, de opiniões que, para o leitor do jormal, não passam de vox populi. Em si mesmo é um procedimento que me causa estranheza e disse-o quando aconteceu a primeira vez e me vi catapultado para uma página de jornal, a esgrimir argumentos de crítica musical com um respeitado e respeitável crítico, a propósito da ópera de Emmanuel Nunes. Desta vez, foi a minha opinião acerca do lançamento fantasista do portátil Magalhães que atraiu a atenção dos jornalistas. Mas, quer num caso quer noutro, sem elementos adicionais que permitam filtrar de algum modo estas opiniões, cuja publicação acontece de forma unilateral e sem consulta prévia, estes excertos de opinião colhidos na blogosfera servem uma dupla função que em nada dignifica o Público.

Por um lado, aparentemente, liberta o jornal do seu trabalho de informar (a cobertura do Público do lançamento do Magalhães limita-se à transcrição dos comunicados de imprensa e pouco mais [1] [2]) e veicula opiniões contraditórias, mais ou menos bem fundamentadas sobre assuntos com os quais o jornal, através dos seus jornalistas e colunistas, parece não estar interessado em se envolver. É uma manobra oportunista e calculada: informações erradas ou opiniões extremadas são da responsabilidade dos autores dos blogues, com os quais o Público não tem nenhum tipo de vínculo e assim se encontra uma forma rápida barata e indolor de cobrir assuntos cuja polémica não traz benefícios ao jornal.

Na minha opinião, aquela coluna dos “blogues em papel”, nestes termos, é um erro. Se o assunto tiver honras de cobertura jornalística séria e empenhada e, eventualmente, suscitar opinião dos responsáveis da área temática, ou seja, se o trabalho do jornal estiver feito, faz sentido temperar as posições e opiniões mais ligadas ao status quo, com a tal vox populi que os blogs representam. Sem o trabalho do jornal feito, é esperteza saloia e não ajuda nem o jornal, nem os leitores, nem a blogosfera.

Digo eu, que gosto de dizer coisas. E fico curioso para saber o que dirá o Provedor do Leitor, já que lhe vou enviar esta pequena opinião.

“Magalhães”, o portátil “português” para crianças já tem site

Sexta-feira, 1 de Agosto, 2008

A procura pelo site oficial do “Magalhães“, o portátil do e-escolinhas, deve ser elevada após o seu anúncio, mas não é fácil. Nem nos sites de notícias, nem nos fabricantes, nem nos promotores se encontra muita informação, mas a verdade é que o “Magalhães” tem site e bastante completo: www.classmatepc.com

Para já, só tem informação em inglês e ainda não leva o logotipo novo na capa. Isso terão que ser os senhores da JP Sá Couto a fazer, presumo. Mas, no geral, o Magalhães é aquilo mesmo. Basta que, onde se lê Classmate PC, se leia Magalhães e se ponha um “porreiro, pá!” no fim das frases e é isso. Ah! e deve ser preciso adaptar uns conteúdos e pô-los lá dentro até Setembro.

E agora a sério, não é normal que um anúncio deste tipo tenha algum tipo de acompanhamento em termos de presença on-line? Não seria de esperar um site para o lançamento, destaques no site dos fabricantes e dos promotores (o Portal da Educação, por exemplo, limita-se a isto)?
Não é normal satisfazer parte da curiosidade acerca das reais adaptações da máquina à realidade portuguesa e, por exemplo, sobre qual o papel da Prológica?

Vão esperar que o “buzz” aumente? Não vão participar directamente na guerra propagandística? Qual é a lógica?

PageRank: é tão simples!

Domingo, 27 de Julho, 2008

Li, com interesse, um post recente no AirDiogo acerca do PageRank, o sistema através do qual o Google organiza os resultados das pesquisas em função da relevância atribuída ao conteúdo da página ou site. A reflexão sobre a popularidade deste assunto e sobre as diferentes posturas de SEO - Search Engine Optimization que vão desde a explicação séria e simples dos parâmetros envolvidos até às lógicas obscurantistas e promessas milagoras, típicas de vendedores de banha da cobra é, parece-me, uma outra forma de atrair visitantes ao blog, aproveitando a onda gigantesca de pesquisas. No caso dele, como no meu, agora, ao escrever este post ou quando escrevi este outro, mais obsceno, ou na experiência recente do Nuno Saraiva, usando a orientação sexual da Brandie Carlile como chamariz de visitas, percebe-se que há um critério simples, superficial e fácil de manipular no sistema: se usarmos frases, palavras ou expressões muito populares e, especialmente, se lhes dermos valor semântico (num título é melhor que no corpo do artigo) e as repetirmos em vários contextos (as tags e índices são óptimas estratégias), podemos trepar a escala da relevância com facilidade. Mas é fácil de perceber que esta estratégia se usada de forma “maliciosa” gera visitas “enganadas”, o que não contribui nem para a reputação nem para a relevância global do site em causa. O artigo mais popular desde blog, por exemplo, chama-se “Pornografia, ou a arte de ser explícito“, mas duvido seriamente que as intenções duma parte significativa dos visitantes fosse ler a minha reflexão acerca das práticas de distribuição de publicidade no site do Correio da Manhã.

Mas, se percebermos este primeiro princípio, percebemos, de facto, que o segredo da relevância— por isso, o segredo do PageRank ou o segredo do SEO - Search Engine Optimization— é escrever de forma organizada e sistemática, com cuidados ao nível da marcação semântica dos conteúdos. Ou seja, é preciso cuidar dos conteúdos e pensar, pesquisar e analisar quais os termos e expressões de pesquisa mais usados pelos internautas que fazem parte do nosso público-alvo. E isso é simples, certo?

Um blog, um portal generalista ou outras experiências cujo único objectivo seja gerar visitas, sem preocupações de fidelizar públicos-leitores, pode dar-se ao luxo de seguir a onda dos acontecimentos, alternando entre referências aos últimos gadgets (o iPhone e o iPod são boas opções), escândalos sexuais, económicos ou políticos, fait-divers de vários tipos, ou alimentar as eternas flamewars de sistemas operativos (Windows vs. Mac vs. Linux) ou consolas de jogos (Playstation vs. Xbox vs. Wii), por exemplo. Esse comportamento gera visitas e aumenta a relevância / PageRank artigo-a-artigo, mas a inconsistência dum site que segue simplesmente hypes sucessivos, sofre com isso. Porquê? Porque se fosse apenas um problema de quantidade de keywords, não se justificava a investigação, o segredo ou até o registo de patentes à volta do “coração” do Google. Por um lado, referências avulsas a termos “populares” não chegam para enganar o sistema, já que todo o conteúdo é visado e são cruzadas referências para perceber se o artigo é ou não “genuíno”. É também aí que entra a importância da construção de links para o conteúdo. O número de sites que refere o nosso conteúdo, através dum link, é mais um sistema de validação da relevância dos conteúdos. E isso também é fácil de perceber: se eu for uma “autoridade” numa determinada área é natural que muitos sites dedicados ao mesmo assunto, ou artigos avulsos, se refiram e liguem a mim. E essa é uma medida socialmente aceitável, mesmo no mundo real do ensino, por exemplo. (Uso o termo “autoridade”, numa piscadela de olho ao sistema de Authority que o Technorati usa). Cá está outro parâmetro base de relevância: links dirigidos aos nosso conteúdo “provam” que ele é relevante. (Claro que as “roletas” de troca de links sugeridas por alguns “especialistas” e que ligam ad nauseam sites igualmente irrelevantes são identificados pelo sistema e pelos utilizadores, também. Isso e outras práticas semelhantes a vudu.) ;)

Mas, além disso, se o PageRank de cada página dum mesmo site for alto, mas responder a termos de pesquisa demasiado diversificados, não é possível determinar a relevância global do site, porque não existe um contexto temático em que ele se encaixe. Os links podem ajudar, mas não resolvem o problema de base. Por isso é que se fala muito da necessidade de “especialização”. Há até quem sugira que a melhor forma de garantir uma grande visibilidade é encontrar um “nicho” e explorá-lo até ao tutano garantindo que, à medida que o interesse cresce (e o interesse sobre qualquer coisa na Internet cresce sempre, é um problema básico de entropia), nos mantemos no topo da vaga.

Este é o tipo de coisas que os especialistas de SEO - Search Engine Optimization vão dizendo e vendendo, mas se um projecto estiver limitado tematicamente (que é o caso de quase todos os sites de empresas e organizações), não faz sentido falar de determinado tipo de manipulação de conteúdos ou da auscultação constante dos hypes gerais. Para um site “normal”, com objectivos pré-determinados e um posicionamento marginal às modas e tendências da web, o trabalho é, paradoxalmente, muito mais simples. Como é óbvio que a relevância absoluta do site será sempre condicionada pela popularidade do tema— uma sex-shop on-line não tem que trabalhar quase nada para garantir valores altos de relevância, enquanto um clube de leitura ou uma carpintaria terão que se contentar com um tecto baixo definido pelos hábitos de utilização e pela baixa densidade do “meio” específico onde estão—, o trabalho deve concentrar-se apenas na apresentação fluída e bem estruturada dos conteúdos e na adequação da escrita ao meio e aos hábitos (percebidos) dos internautas. Não é pouco trabalho, mas é simples:

  • escrever bem, sem ser nem prolixo nem telegráfico
  • identificar as palavras, expressões e frases em uso no “meio” e usá-las em quantidade, mas com critério, um pouco por todo o site (uma boa forma de fazer isto é usar os simuladores do Google AdWords que, a partir de uma expressão, nos dão as alternativas mais procuradas)
  • perceber que ninguém lê tudo, pelo que o que nos pode parecer redundante quando estamos a criar e/ou a rever conteúdos, pode ser perfeitamente aceitável para leituras na diagonal
  • usar as palavras e frases chave em títulos e sub-títulos, correctamente marcados semanticamente (<h1>, <h2>, etc)
  • não substituir por imagens conteúdo fundamental, a não ser que se usem criteriosamente as possibilidades de legendagem (tags alt e title) e/ou se adoptem técnicas de Image Replacement inteligentes
  • procurar os melhores locais on-line para se ser referenciado e tentar perceber como é que isso é possível (publicidade, troca de links, simples contacto?)

Não é magia, nem milagre ou prática mística, mas funciona. Sendo assim, porque é que se continua a falar destas coisas e há uma tão grande procura por estes assuntos? Porque as pessoas, empresas e organizações são preguiçosas e querem, no fundo, no fundo, descobrir a cura milagrosa que ponha o seu site no top dos tops, sem terem o trabalho de criarem, sistematizarem e organizarem conteúdos. Para os “preguiçosos” que podem, existe o Google AdWords, que, para quem puder pagar, permite colocar links patrocinados nas primeiras páginas de todas as pesquisas. Para os outros, é trabalho simples. Mais ou menos trabalho, mas simples e relativamente transparente. E o resultado final não é o mesmo: com o trabalho feito, o site aparecerá por mérito próprio e sem custos. Pela via imediata, o site só vai aparecer enquanto pagarmos e a eficácia provavelmente decresce com o tempo (um link patrocinado que não chega pelo próprio mérito às páginas principais causa desconfiança nos utilizadores).

E, com este artigo escrito, revejo e posso prever que, com tantas referências a hypes, ao Google e ao PageRank, a estratégias de SEO, a gadgets e a outros termos de pesquisa populares, vou ter outro pico de visitas. Justifica-se?

Vantagens práticas da visibilidade online

Sábado, 31 de Maio, 2008

Há muitas dúvidas legítimas acerca das vantagens e desvantagens da visibilidade que um blog dá a quem o escreve e dos perigos que cada um de nós corre ao disponibilizar online informação pessoal. Mas quando, nesta altura, tive a sorte de recuperar os meus documentos, precisamente porque sou fácil de encontrar online, fiquei muito grato. À Helena, em particular, que se deu ao trabalho de, sem me conhecer de lado nenhum, guardar os documentos que encontrou e procurar os meus contactos. Mas também à minha actual visibilidade online que me permitiu ser encontrado sem grandes dificuldades.

Uma história que acabou bem.

Widgets chegam ao hi5, finalmente

Sábado, 3 de Maio, 2008

A minha opinião de base acerca do hi5 não mudou, mas o facto de ser a rede social online com mais adeptos no nosso país também não. Mas, por ter percebido recentemente que era uma das mais antigas, aceito, com algumas reticências, que tenha dificuldades naturais em acompanhar o ritmo de redes mais jovens e enérgicas.

Por isso, e porque a Last.fm é uma das minhas plataformas preferidas, não poso deixar de destacar o facto de que já é possível exibir informação da Last.fm no nosso perfil hi5.

Aplicações no hi5, funcionam como widgets no perfil e podem ter alguma utilidade

A aplicação (widget é um termo mais adequado para este tipo de acrescento, na minha opinião) que nos permite esta integração chama-se Favorite Music. Não tenho a certeza se está a funcionar a 100%, uma vez que, aparentemente, o perfil da Last.fm usado pode ser alterado por qualquer utilizador, contrariando o objectivo do widget. Como tantas outras coisas no hi5 parece que está meio feito, meio por fazer. Mas se contribuir para a divulgação da Last.fm e para o aumento dos seus utilizadores, já não é nada mau. :P

AVAAZ.org: O Mundo em Acção

Segunda-feira, 24 de Março, 2008

Em muito pouco tempo, o movimento global AVAAZ.org cresceu exponencialmente em termos do número de subscritores das suas iniciativas e da visibilidade online: a energia do movimento é impressionante e a estratégia é muitíssimo eficaz. A compreensão profunda do modo de funcionamento das redes sociais e das formas virais de passar mensagens, promover conteúdos e envolver os internautas é uma lição a estudar atentamente por todas as organizações não-governamentais interessadas em “capitalizar” as energias online.

Num ano apenas, a organização envolveu até 2 milhões de pessoas em todo o mundo e as suas campanhas têm tido uma visibilidade crescente, tendo inclusivamente um vídeo escolhido como o melhor vídeo político de 2007 no YouTube:

E o AVAAZ.org não se poupa a esforços para tornar a experiência de “activismo” online o mais simples possível: o site é eficaz e cumpre todos os requisitos para que seja claro o que se pode e deve fazer e podemos ligar-nos a eles no Facebook, no MySpace, no Flickr, no YouTube

A única coisa que me preocupa é que, se se torna assim tão fácil juntarmo-nos em grandes movimentos globais com mensagens políticas construídas à medida para serem facilmente partilháveis, corre-se o risco de não passar de “fast-food” ético para consciências pesadas de internautas preguiçosos e civicamente desligados. Ou não?

Afinal quanto dinheiro é que se pode ganhar com publicidade num blog?

Terça-feira, 18 de Março, 2008

As respostas à minha pergunta recente, “Porque é que os blogs pessoais têm cada vez mais publicidade?“, levam-me a pensar que é bem provável que até agora, tenha subestimado os rendimentos possíveis. Ou isso, ou uma parte dos comentadores estão todos a soldo do Google AdSense. ;) Seja como for, parece que vale a pena.

Mas, sendo assim— e pondo de lado questões de princípio ou apenas sensibilidade—, impõe-se a pergunta: como e quanto dinheiro é que se pode ganhar, de facto?

No sistema do Google AdSense, onde “alugamos” espaço publicitário nos blogs, pode-se ganhar dinheiro de duas formas, porque se pode gastar dinheiro de duas formas no Google AdWords, o sistema do Google para anunciantes:

  1. CPC - Custo Por Clique
    Neste sistema, os anunciantes pagam apenas pelos cliques efectivos nos seus anúncios, ou seja, por visitas geradas através da publicidade. Neste caso, um anúncio pode surgir 10, 100 ou 1000 vezes no nosso blog sem recebermos um tostão por isso. Apenas se os nossos visitantes clicarem nos anúncios é que há retorno. E não vale fazer a batota: se clicarmos nós próprios nos anúncios e se isso for detectado pelo Google (e acreditem que eles detectam muita coisa), podemos ser banidos do sistema.
  2. CPM - Custo por Impressão
    Neste sistema, os anunciantes pagam para aparecer, independentemente dos cliques, ou seja, das visitas. Neste caso, de cada vez que o anúncio surge, somos pagos.

A opção CPC vs CPM é dos anunciantes e não de quem aluga espaço publicitário (pelo que percebi).
Isso significa que dependendo dos assuntos abordados e, assim, dos potenciais anunciantes, podemos ter anúncios CPC e CPM. Pela lógica, os pequenos anunciantes querem gerar visitas aos sites de forma controlada e económica e optarão pelo CPC. Os grandes anunciantes e grandes marcas, com orçamentos para publicidade online mais largos, estarão interessados em gerar visibilidade , independentemente das visitas associadas.

A escolha da parte de quem anuncia  é um problema de marketing, estratégia comercial e orçamento.

No sistema CPC, o custo por clique depende da relevância das palavras-chave escolhidas pelos anunciantes (”artesanato” custa €0,06 - €0,10, “linux” custa €0,81 - €1,22). Podem fazer as vossas próprias simulações aqui. Não encontrei dados ou simuladores para o sistema CPM, em que os anunciantes licitam por pacotes de 1000 impressões do seu anúncio.

Independentemente disso, há uma diferença entre o que os anunciantes pagam ao Google e aquilo que recebem os bloggers. E o facto da fórmula de cálculo não ser transparente assusta-me um bocadinho, pessoalmente.

Mas as histórias de gente que ganha bastante dinheiro multiplicam-se pela net e, aparentemente, entre os leitores deste blog há mesmo gente que tem essa experiência em primeira mão.

Como?

O motor do Google identifica no conteúdo do blog as palavras-chave indicadas pelos anunciantes e selecciona alguns, da lista de anúncios disponíveis e usando algoritmos que se apresentam como os melhores para garantir resultados aos anunciantes e aos bloggers (se uns pagam o mínimo e outros recebem o máximo, devem ser algoritmos do “arco-da-velha”). Dependendo do tipo de anúncio (CPC ou CPM) são calculadas receitas e despesas para cada uma das três partes envolvidas (despesas do anunciante, receitas do Google e do blogger) em função de cliques e/ou impressões.

Este sistema complexo significa que fazer estimativas de rendimentos com base nesta publicidade é muito complicado. Apenas se poderá concluir que:

  1. Um elevado número de visitantes e de exibições de página aumenta a probabilidade de rendimentos altos, mas não os garante, se a maior parte dos anúncios for do tipo CPC
  2. Conteúdos que versem assuntos “populares” aumentam também essa probabilidade, principalmente se entrarem na área de acção das marcas que aderem ao sistema CPM
  3. Conteúdos relevantes, bem escritos e estruturados permitem, em teoria, ao Google uma indexação mais eficaz do blog e, assim, um melhor “encaixe” entre publicidade e leitores, o que aumenta consideravelmente a hipótese de se fazer algum dinheiro

Mas, aparentemente, sem nos preocuparmos muito com isso, ou sem alterações na linha editorial, é possível ter algum rendimento. Se assim for, sugiro que isso significa que o sistema está temporariamente inflaccionado e que um ajuste progressivo entre a oferta e a procura, associados à melhoria dos “algoritmos” que o Google usa para garantir resultados a todos os intervenientes eliminará alguma “gordura” do sistema.

Entretanto, que faça bom proveito a todos.

E, afinal?

O Google insiste que só testando é que se poderá comprovar qual o rendimento do programa em cada blog. É verdade, por todas as razões indicadas e mais algumas. Mas existem formas de fazer estimativas. Esta é uma das mais simples que encontrei, mas não asseguro nada:

Rendimento = CTR * CPC

CTR - Click Through Rate: a relação entre o número de impressões do anúncio e o número de cliques
CPC - Cost per Click: custo por clique

Considera-se que uma CTR média andará à volta de 3% e que o CPC médio é de $0.25 (USD), por isso, para cada 1000 impressões (page views):

1000 * 3% (est. CTR) * $0.25 (CPC médio) = $7.5 (USD)

A acreditar nesta fórmula para estimar rendimento, um blog parecido com este, que tem cerca de 6500 exibições de página por mês, se tivesse 5 anúncios por página, poderia render cerca de $243.75 (USD) por mês.

Quem sabe se alguns dos comentadores do post anterior não poderão confirmar ou negar o rigor desta fórmula de estimar rendimento.

Mas, e depois?

Depois… nada. Este blog não terá publicidade por razões várias, mas acho que é importante que se perceba e se fale sobre esta realidade com alguma frontalidade e sem as “tretas” habituais de quem tem outros interesses nisto.

Também em nada se altera a minha relação com os blogs com e sem publicidade. Procuro conteúdos e acho que é isso que a maior parte das pessoas faz.

E alegra-me a frontalidade e naturalidade com que os comentários foram feitos. Ficámos todos (acho) a saber um bocadinho mais.