Cuidado com as aparências

Deparei-me agora com um site, uma conta no Twitter e toda a uma presença online identificada com o Arquitecto Álvaro Siza Vieira que tenho praticamente a certeza que não tem nada a ver com ele, nem com o gabinete dele e pode, eventualmente, ser lesiva da sua imagem pública. Não sei se esta é uma situação já conhecida e relativamente à qual já alertaram o gabinete dele e/ou se foram tomadas medidas no sentido de evitar equívocos. Se sim, peço desculpa pela redundância.

O site é http://www.alvarosizavieira.com e tem uma conta no Twitter: http://www.twitter.com/sizavieira (não coloco links clicáveis, precisamente porque prefiro evitar contribuir para a visibilidade desta “manobra”).

A imagem do Arquitecto e da sua obra é usada extensivamente, como poderão constatar, com o objectivo de fazer dinheiro via anúncios no site e sistemas de filiação em lojas online (vendem livros e vídeos do e sobre o Arquitecto Siza Vieira, via Amazon, por exemplo). Os conteúdos aparecem no site “automagicamente”, rapinando aqui e ali as inúmeras referências online que existem.

Não sei se isso incomoda ou não o Arquitecto e o seu gabinete. A mim incomodou-me ver a cara do Siza na minha timeline do Twitter e descobrir que é só um esquema de republicação de conteúdos e publicidade.

Procurei um site verdadeiramente oficial e contactos fidedignos online, mas não encontrei, por isso, se algum dos leitores tiver forma de o fazer, podem fazer chegar este alerta ao gabinete dele?

Obrigado.

Singularidades gravitacionais semânticas no espaço virtual

Como já devem ter percebido, neste blog escreve-se sobre muitos assuntos. Mas como usei a palavra “sedução” no título dum post recente, os avançados algoritmos usados pelo AdSense para apresentar publicidade relevante no contexto do blog parecem ter sido sugado pelo incrível campo gravitacional desta palavra:

Publicidade no blog com a distorção introduzida pela palavra \"sedução\"

Para mim, estas “singularidades gravitacionais semânticas” não são novidade, mas nunca me tinha apercebido dum exemplo tão disparatado e/ou evidente, com excepção dos hilariantes anúncios a comida de cão e remédio para pulgas no blog do Pedro Aniceto, claro.

Também sei que, por causa da classificação deste post no sistema de tabs e categorias, com referências ao AdSense, ao Google e questões similares, tudo isto vai mudar rapidamente para o maravilhoso mundo das optimizações para motores de busca (SEO e SEF), optimização de conteúdos para criação de rendimento através de publicidade and so on… em algumas coisas, as singularidades da web são muito previsíveis. ;)

Saber escrever não é coisa do passado

A última edição do A List Apart é dedicada às questões da escrita para a web [artigo 1] [artigo 2]. Numa altura em que é cada vez mais comum chegarem-nos às mãos projectos de web design em que ninguém se parece preocupar com o conteúdo (ninguém ainda percebeu o que quer dizer “content is king?”), ao mesmo tempo que é por demais evidente que a visibilidade e eficácia dum site depende não só da quantidade e validade do conteúdo, mas também da sua qualidade (sem esquecer nem sintaxe, nem semântica), estes artigos são mais uma razão para que, antes de “cuspir” layouts, templates e módulos de PHP e similares, apareça alguém capaz de perguntar: e os conteúdos? e o texto? quem é que escreve?

A minha experiência diz-me que uma das únicas formas de convencer um cliente ansioso de que a estruturação e escrita correcta de conteúdos relevante (que consome tempo e dinheiro) é uma fase fundamental dum processo de criação dum site é tentar explicar que o Google e os restantes motores de busca não passam de leitores “compulsivos”, que lêem na diagonal, parando brevemente nos títulos, sub-títulos e destaques e digerindo rapidamente tudo o que se lhes apresenta como texto*.

Quem percebe isto, está disponível para o processo de análise, composição e depuração exigível. Mas é mesmo muito raro.

* – estou perfeitamente consciente de que “content is king, but linking is queen” e que, quase tão relevante como o conteúdo propriamente dito é o número e qualidade das hiperligações estabelecidas para a página em apreciação. Mas o que podemos fazer pela qualidade e relevância estrutural do conteúdo das nossa páginas é muito mais do que o que podemos fazer pelo número inbound-links relevantes… aliás a melhor coisa que podemos fazer pelos inbound-links é garantir a qualidade e relevância estrutural do nosso conteúdo, certo?

Obsoleto?

Eu pensava que manter o Internet Explorer para Mac no meu computador era apenas preguiça e que já não existiria nenhuma situação em que um browser descontinuado e obsoleto, como aquele, me fosse fazer falta. Afinal de contas, já se trabalha com standards há muito tempo e até o Estado e os Bancos (que eu uso) têm os seus sistemas a funcionar decentemente em browsers modernos e inteligentes.

Só que fui agora mesmo comprar bilhetes para assistir ao concerto do Ornette Coleman no Jazz em Agosto e, para minha grande surpresa, encontrei utilidade para o IE/Mac. É quase inacreditável que o sistema de venda de bilhetes online em uso pela Fundação Gulbenkian opte por excluir browsers modernos e inteligentes*, mas aceite com naturalidade um browser descontinuado e obsoleto

E um episódio destes, considerando a instituição de que se está a falar, diz muito acerca do “estado da arte” da programação web em Portugal.

Acho que vou mesmo ter que manter o IE/Mac por cá, não vá ter mais surpresas desagradáveis destas.

* – testei em Firefox, Safari e Opera (com e sem o user agent modificado para IE) e em nenhum deles consegui seleccionar os lugares, no primeiro passo para comprar bilhetes

Google Analytics “not found”?

Não sei se terá alguma coisa a ver com o problema que afectou os servidores onde estava alojado o Technorati e o SixApart, mas acabei de dar com um “404 Not Found” a tentar aceder ao Google Analytics.

Google Analytics: 404 Not Found

Acho que uma coisa destas é o equivalente ao surgimento dos 4 “simpáticos” cavaleiros, no princípio de um “web-apocalipse”, ou não?

Haverá razões para nos preocuparmos?

Revolucionário?

É cada vez mais frequente vermos aplicado o termo “revolucionário” a produtos, serviços ou tecnologias em fase de lançamento e é também muito frequente que isso seja apenas e só sinal crescente da banalização do termo por culpa de marketeers ambiciosos que vêm na “novidade”, por pequena que seja, a brecha para uma revolução que, com fogo de vista se oferece aos consumidores como outra coisa que não uma pequena revolução nos seus bolsos…

Assistimos a isso tantas vezes em tantas áreas que se torna por vezes difícil distinguir entre o hype e a real thing e, dependendo do grau de cinismo, podemos mesmo recorrer ao célebre mote The Revolution Will Not Be Televised para descartarmos todas as promessas de revolução que nos cheguem pela publicidade ou pelas notícias na imprensa…

Mas num mundo globalizado e cada vez mais dependente das tecnologias de informação e cada vez mais “ligado”, não podemos deixar de manter acesa alguma esperança de que sinais de revolução possam surgir nos monitores dos nossos computadores. E não podemos ignorar que algumas revoluções acontecem/acontecerão precisamente na forma como usamos estas tecnologias e que outras tantas se apoiam/apoiarão nestas tecnologias e na força “viral” das redes de informação para atingirem os seus objectivos.

Poderá não ter lugar no horário nobre das televisões e escapar mesmo à maioria da imprensa “convencional”, mas a(s) revolução(ões) do nosso tempo chegarão até nós via web, ou acontecerão à frente dos nosso narizes, nos nossos monitores e encherão páginas de blogs e emissões de podcasts e videocasts.

O problema que se coloca é saber se no meio de todo este ruído digital, de tantas notícias de revolução nos transportes, revolução nas comunicações, revolução no entretenimento, seremos capazes de manter presente a ideia de que só existe verdadeiro potencial revolucionário em ideias capazes de unir as pessoas e transformar efectivamente o mundo e que nada disso depende de gadgets mais ou menos interessantes e inovadores, mas, evidentemente, exclusivistas, efémeros e superficiais.

A Segway, que ia revolucionar os transportes, agora é

Os exemplos que escolhi para os links (Segway, iPhone e AppleTV) são apenas exemplos de revoluções de marketeer que, pela visibilidade obscena que têm, merecem este tratamento de destaque negativo. Acredito que cada um destes produtos inclui características e inovações tecnológicas que constituem passos evolutivos importantes em cada uma das áreas. E acredito até que a integração desses aspectos em novos contextos menos centrados no lucro financeiro imediato possa trazer à sociedade em geral melhorias que poderão desempenhar um qualquer papel em algumas das revoluções reais de que necessitamos.

 

Apple iPhone. Revolutionary Phone !?

Acredito, por exemplo, que partes da engenharia da Segway combinados com outros bocados do génio de Dean Kamen poderão contribuir decisivamente para uma revolução real na mobilidade e nas políticas de transporte nas cidades, mas o verdadeiro motor dessa revolução não será um produto ou um conjunto de soluções técnicas, mas a vontade social de quebrar as barreiras que tornam as nossas cidades inimigas das pessoas.

Acredito até, tentando ver para lá da minha desconfiança relativamente a dispositivos tácteis, que aspectos pontuais do interface do iPhone possam expandir as possibilidades de interacção com dispositivos de várias escalas e que o impulso que ele trará à construção de novos tipos de web apps possa permitir algumas mudanças positivas, mas o verdadeiro motor de uma revolução nas comunicações (como se vê nas sucessivas definições da web 2.0) será a vontade social de estender as possibilidades de intercâmbio e participação a mais e mais pessoas, quebrando barreiras culturais, técnicas e económicas.

Porta Chaves Che GuevaraNenhuma revolução se fará, aliás, nem com gadgets de ricos, nem com memorabilia revolucionária, por mais que os marketeers façam subir os lucros dos seus patrões a vender t-shirts, porta-chaves ou iPods (ainda não se lembraram desta, pois não?) com a já gasta silhueta do Che Guevara (deve andar às voltas na tumba).

Mas se é fácil denunciar as “falsas” revoluções, mais difícil é dar visibilidade a eventos, causas e projectos verdadeiramente revolucionários, principalmente quando parte da revolução assenta em tecnologias. Basta pensarmos na questão óbvia do movimento Open Source, para vermos como facilmente chovem acusações de parcialidade, preconceito ou pura e simples inépcia quando alguém tenta promover uma ferramenta, uma linguagem ou uma plataforma de desenvolvimento que pareça uma verdadeira ferramenta da revolução. Organizado em “seitas” (como tantos movimentos revolucionários), o mundo do Open Source tem dificuldade em lidar com o exterior e consigo próprio e as guerras internas, que o debilitam, servem apenas para alimentar as grandes empresas, que têm razões para recear o potencial verdadeiramente revolucionário do Open Source.

E (essa) revolução vai sendo adiada, avançando passo-a-passo, aos soluços.

Essa era uma revolução em que eu queria participar, mas o ambiente de “clandestinidade” que se vive por ali, faz-me manter este estatuto tipo “esquerda-caviar” que é, de facto, a condição dos Mac Users.

Outra revolução real é a que Nicholas Negroponte pretende com o projecto One Laptop Per Child, que como ele não se cansa de referir, “é um projecto de educação, não um projecto de um computador portátil“.

OLPC Laptop

Uma iniciativa destas reduz todos os planos e choques tecnológicos de marketeers armados em políticos à sua insignificância e devia-nos pôr todos a pensar nas verdadeiras revoluções que faltam fazer.

Missão

Foi com uma espécie de espírito de missão que criei um WTF no Technorati a propósito do <No>OOXML. E não posso deixar de me sentir parcialmente realizado por termos conseguido manter o assunto entre os “mais quentes” durante 5 dias (até agora).

Não tenho grande forma de saber qual a eficácia de uma iniciativa destas, mas acho que o objectivo de dar visibilidade às petições (a nacional e a internacional), ao movimento e ao problema subjacente, é apoiado por acções deste tipo.

Por isso, se ainda não votou neste WTF, vá até aqui e vote.

Até dia 16 de Julho devemos empenhar-nos em dar o máximo de visibilidade ao nosso desacordo e protesto.

Technorati de volta, PrintScreen a crescer

Depois de uns dias muito complicados para a equipa do Technorati (de acordo com o email que me enviaram), conseguiram pôr as coisas de novo em ordem e os feeds e o sistema de ranking voltaram a funcionar. The monster is no longer borked ;) (quem já viu as mensagens de erro deles percebe)

Entretanto, fui aceite no PrintScreen, pelo que, quem quiser manter-se a par das minhas novidades num ambiente comunitário simpático e em claro crescimento, pode ir até lá.

PrintScreen