Jazz na Relva, em Paredes de Coura: a consagração

Aparentemente, para alguns dos presentes, o Spy Quintet, do Space Ensemble, foi um momento muito alto na programação do Festival de Paredes de Coura.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=HE6IjhoVq54[/youtube]
Cobertura vídeo pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Jogos Olímpicos Pequim 2008: que fazer à consciência?

Eu gosto de ver “as corridas”, como lhes chama o Nelson, mas isso não significa que não partilhe das convicções dele ou que não sinta que, de facto, precisamos de resistir ao “barulho das luzes“.

Sendo assim, que fazer à consciência, para podermos assistir às diversas proezas atléticas, sem nos sentirmos cúmplices da hipocrisia global que ofereceu ao regime totalitário chinês esta oportunidade de ouro de se legitimar em toda a sua contraditória condição de potência mundial?

Eu dei por mim a trautear Monty Python, um destes dias…

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=WkGkv7NWyl4[/youtube]

Title: I like Chinese
From: Monty Python’s Contractual Obligation Album

(spoken)
The world today is absolutely crackers.
With nuclear bombs to blow us all sky high.
There’s fools and idiots sitting on the trigger.
It’s depressing, and it’s senseless, and that’s why…

(singing)
I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re always friendly and they’re ready to to please.

I like Chinese,
I like Chinese,
There’s nine hundred million of them in the world today,
You’d better learn to like them, that’s what I say.

I like Chinese,
I like Chinese,
They come from a long way overseas,
But they’re cute, and they’re cuddly, and they’re ready to please.

I like Chinese food,
The waiters never are rude,
Think the many things they’ve done to impress,
There’s maoism, taoism, I Ching and chess.

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze.

I like Chinese thought,
The wisdom that Confucius taught,
If Darwin is anything to shout about,
The Chinese will survive us all without any doubt.

So, I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re wise, and they’re witty, and they’re ready to please

Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Ne hamma, Ne hamma, Ne hamma sa chen.

I like Chinese,
I like Chinese,
They’re food is guaranteed to please,
A fourteen, a seven, a nine and li-cheese

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze

I like Chinese,
I like Chinese,
(fade out….)

Os Contemporâneos

Tive pena de não conseguir ver o episódio de estreia de Os Contemporâneos na totalidade e sem interrupções. Estive, alegremente, a esterilizar biberões e chupetas, em jeito de preparação para o que aí vem.

Dos bocados que vi, fiquei com boa impressão e a expectativa naturalmente criada pela equipa apresentada nos anúncios parece cumprir-se. Pode mesmo ser muito bom, por isso, é bom saber que os episódios vão estar disponíveis no site da RTP “via” YouTube.

O meu sketch “preferido”, sem ter visto o episódio todo, é o das palavras do Papa:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=j3aLc5NayHw[/youtube]

Gosto particularmente da referência a “alguns participantes no forum da TSF”. :)

A magia da rádio

Não sou grande ouvinte de rádio. Ouço sobretudo no carro, como quase toda a gente, presumo, e acabo por procurar quase sempre notícias, sem grande esperança de encontrar nas playlists algum reflexo dos meus gostos musicais. Mas, regularmente, sou surpreendido e gosto muito da sensação. Quase sempre, as surpresas vêm das verdadeiras estações de serviço público: a privada TSF, na forma de reportagens, entrevistas ou crónicas fenomenais e a pública Antena 2 que, quase só em horários impróprios, oferece verdadeiras pérolas em programas “marginais”. Vem isto a propósito do Raízes de ontem, onde se ouviu canto gutural tuva e mongol, na voz mágica de Okna Tsahan Zam.

Não é fácil explicar a atracção que estas músicas exercem, essencialmente pela sua natureza mística e primária, mas a verdade é que passei uma boa parte da tarde de hoje a ouvir músicas deste universo. A referência mais evidente é Huun Huur Tu, o grupo de canto gutural tuva que esteve em Portugal em 2007. É deles este vídeo belíssimo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=hGaTLs-GsFw[/youtube]

Cinderella Children

Através do Multimediazine, um dos blogs do Público, descobri Cinderella Children, um documentário rodado no Uganda sobre o trabalho duma australiana notável, responsável por um projecto de apoio a crianças órfãs num país devastado pela epidemia da SIDA e por décadas de Guerra Civil.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dj6ZHnF1T1Y&fmt=18[/youtube]

O documentário é notável pela história que conta, mas também pela forma como foi produzido: uma única pessoa, Mathew Cliff, dirigiu, filmou e produziu, usando-se a si próprio como única equipa de áudio, vídeo e produção. A proeza é explicada em mais detalhe e com bastante modéstia aqui, mas, apesar da aparente facilidade que a qualidade dos meios tecnológicos actuais oferece é admirável. E o que o relato dele ensina a quem se interessar por documentários ou outras formas de registo em vídeo e/ou áudio é valioso. A mim, fez-me repensar algumas estratégias de “field recording” e recordar as peripécias nas produções dos audiowalks e em entrevistas durante a viagem da Orla do Bosque. Planear com antecedência e calma, usar soluções muito testadas e sólidas e prever os piores cenários é uma lição que aprendi à minha custa… e não consigo sequer imaginar o que será trabalhar nas condições que ele encontrou.

“Uma união mais perfeita”, por Barack Obama

No dia 18 de Março, Barack Obama proferiu um discurso impressionante. Pode ser visto no YouTube e em centenas de blogs, mas para quem quiser saborear com mais calma, já há uma óptima tradução para português, nas Argolas, da minha irmã.

As razões desta tradução são claras e partilhadas, pelo menos por mim:

Tudo generalidades? Talvez. Mas gostava tanto de ouvir alguém falar assim das nossas generalidades. Alguém capaz de expor a sua visão das razões da nossa enorme desconfiança dos outros e do Estado e da nossa enorme dependência dos outros e do Estado. Estou tão farta de um Presidente da República que não acha próprio pronunciar-se sobre o que quer que seja e de um Primeiro-Ministro que só sabe anunciar medidas. Estou tão farta de discursos desinteressantes e mal ditos. Gostava tanto de ouvir alguém que quisesse realmente convencer-me de alguma coisa.

Obrigado, Catarina.

AVAAZ.org: O Mundo em Acção

Em muito pouco tempo, o movimento global AVAAZ.org cresceu exponencialmente em termos do número de subscritores das suas iniciativas e da visibilidade online: a energia do movimento é impressionante e a estratégia é muitíssimo eficaz. A compreensão profunda do modo de funcionamento das redes sociais e das formas virais de passar mensagens, promover conteúdos e envolver os internautas é uma lição a estudar atentamente por todas as organizações não-governamentais interessadas em “capitalizar” as energias online.

Num ano apenas, a organização envolveu até 2 milhões de pessoas em todo o mundo e as suas campanhas têm tido uma visibilidade crescente, tendo inclusivamente um vídeo escolhido como o melhor vídeo político de 2007 no YouTube:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=WWyJJQbFago[/youtube]

E o AVAAZ.org não se poupa a esforços para tornar a experiência de “activismo” online o mais simples possível: o site é eficaz e cumpre todos os requisitos para que seja claro o que se pode e deve fazer e podemos ligar-nos a eles no Facebook, no MySpace, no Flickr, no YouTube

A única coisa que me preocupa é que, se se torna assim tão fácil juntarmo-nos em grandes movimentos globais com mensagens políticas construídas à medida para serem facilmente partilháveis, corre-se o risco de não passar de “fast-food” ético para consciências pesadas de internautas preguiçosos e civicamente desligados. Ou não?

É uma revolução? É sim, meu menino.

Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=i0VnkeQWZSY[/youtube]

Bolhão: Artistas e populares contra projecto recuperação

Diário Digital/Lusa | 16-02-2008 16:51:00

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram hoje, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o próximo sábado.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.
Em declarações à Lusa, o arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».
Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.
O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando – veja-se o caso da Cadeia da Relação – mas o importante é a manutenção da memória».
No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».
A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.
Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».
José Rodrigues defende que se «façam obras e que se modernize o mercado», mas «mantendo as suas características principais».
O Bolhão faz parte do Porto», frisou.
A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado.

«Só me ajeito a comprar aqui» disse, afirmando à Lusa que concorda que se façam obras «desde que garantam o regresso dos comerciantes».
Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.
«É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade», disseram.
Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no «Bolhão».
Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».
Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

Diário Digital/Lusa
16-02-2008 16:51:00

Ainda não assinou a petição? De que é que está à espera?