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Infinito

O infinitesimal vê-se em nós. Nas nossa impressões digitais, na textura da nossa pele...

Para lá deste sítio, aqui, há um outro sítio, ali. Entre aqui e ali multiplicam-se as paragens, as descobertas. No caminho, ali é só uma direcção e aqui, uma memória. E nenhum dos caminhos pode ser refeito, reconstruído. Resta-nos caminhar, à medida que descobrimos que ali é sempre muito mais distante do que pensamos, mesmo quando nos continuamos a afastar de aqui. E estes pontos, onde nos perdemos, no meio, onde paramos a ponderar estas distâncias, deixam de ser sítios como aqui e ali e passam a ser escalas, entre aqui e ali. Quando a memória ou a visão nos falham, tentamos em vão combater a angústia de saber se aqui e ali alguma vez existiram. Quando regressam, iludimo-nos com um oásis ali e com um sonho aqui, negando terminantemente a possibilidade de que esta escala possa ser a última. Simplesmente porque vemos a seguinte e a anterior e há o instinto que nos diz que o movimento é na direcção de um horizonte sonhado. Talvez se fechássemos os olhos pudéssemos descansar, limitados no tempo e no espaço do ponto que ocupamos. Talvez. Podíamos também descobrir apenas que dentro de cada um de nós há uma imensidade de aquis e alis e caminhos para serem percorridos. E tudo é escala, tudo é temporário, tudo depende da profundidade do olhar… por isso teimamos em estar sempre em movimento. Por isso “corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado” (Os Construtores de Impérios, Boris Vian).

ilustração de conceitos . deca-ua . nov.2003

Um comentário a “Infinito”

Tem piada, rapaz… ainda ontem tinha passado a vista sobre estas imagens do teu espaço capicua! E continua a ser verdade: ali é só uma direcção e aqui uma memória.

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